sábado, 11 de agosto de 2018

BOLSONARO, DEMOCRACIA E O SENSO COMUM

Publico a matéria a abaixo com certo alívio, pois nunca pensei em ler e ouvir tantas ofensas nas mídias sociais e nas matérias jornalísticas contra quem não aderiu à agenda dos puristas da esquerda. Sim, posso até respeitar o purismo das boas intenções, mas questiono os resultados práticos dos movimentos contrários aos valores que emergem na sociedade até então mal representada, apesar das tentativas de ridicularizar os ditos conservadores.

Fernando Shüler, Folha de São Paulo, 08/08/2018

Vivemos tempos de democracia polarizada, e é previsível que o jornalismo siga o mesmo caminho

Parte de nossa imprensa faz com Bolsonaro o que o "mainstream" da imprensa americana fez com Donald Trump. Abre-se mão de fazer jornalismo em favor da militância. O questionamento, o dado factual, o desejo de saber e informar é substituído por um difuso e por vezes raivoso ativismo.

Foi o que se viu na recente entrevista de Bolsonaro no Roda Viva. A cena toda parecia uma gincana para saber quem seria capaz de dar a maior pancada, ou desconstruir o candidato. O programa não foi uma exceção.

Há quem pense que jornalismo é isto mesmo. Que o desafio é tocar nos pontos frágeis do candidato, e que discussão sobre programas de governo é conversa fiada. Pode ser. É de se esperar que um bom bate-boca dê mais audiência que um debate respeitoso sobre o país. Há gosto pra tudo.

Sob certo aspecto, tudo isto é bastante compreensível. Vivemos tempos de democracia polarizada, e é previsível que o jornalismo siga o mesmo caminho. Boa parte do que se entende por jornalismo, hoje, responde à lógica da cultura do entretenimento. O ponto é gerar repercussão, visualização, likes, barulho e calor, no mundo digital.

Pablo J. Boczkowski e Zizi Papacharissi, organizadores do recém-lançado “Trump and the Media”, pelo MIT, observam que uma das marcas da campanha de 2016 foi a desconexão da agenda de amplos setores da mídia e uma vasta camada de eleitores americanos.

A conhecida cisão entre o que vai na cabeça de uma certa elite de intelectuais/ativistas e o senso comum. É previsível que isto ocorra, mas o tamanho do fosso agora parece ter aumentado, e adquirido ares de confrontação.

O palco do confronto, em regra, é dado pelos temas da guerra cultural. Parte da elite cultural parece estratificar o mundo entre aqueles que andam do lado certo do debate sobre temas como aborto, maioridade penal, porte de armas ou cotas raciais, e os que rastejam do lado errado.

A cisão diz respeito ao tema do reconhecimento. Há um tipo de retórica e um arco de opiniões “legítimas” e outro que representa simplesmente o atraso e a contramão. E por aí está encerrado o debate.

Melhor expressão disso foi dada por um dos candidatos à Presidência, que em um momento de alta virtude chamou o jovem e negro vereador paulista Fernando Holiday de capitãozinho do mato. A ofensa foi solenemente desconsiderada pelo "mainstream" midiático. Pareceu perfeitamente óbvio que um jovem negro, por ser negro, devesse pensar do jeito certo, sob pena de ser simplesmente isto, um traidor com quem não se deve dialogar, mas combater.

Cansei de atender a debates e entrevistas em que a conversa começa com a pergunta sobre como entender a atual “onda conservadora”. O tom da questão, em regra, é a ideia de que estamos diante de um problema e de algo que pode ameaçar a nossa democracia. Em geral, começo explicando que o ponto de vista conservador também é legítimo, tanto quanto o seu contrário. Que uma democracia é feita disso, da expressão de visões éticas divergentes sobre o mundo.

Ato seguinte digo que conservadorismo de costumes sempre esteve por aqui, na base da cultura brasileira, mas que agora adquiriu expressão política. Uma expressão nítida e majoritária. Quase um terço dos brasileiros, hoje, é evangélico, mas o tema está longe de se resumir à filiação religiosa. 57% da população é contrária à descriminalização do aborto.

Os dados são abundantes nesta direção. Durante as duas últimas décadas, eleitores conservadores tenderam a dividir seu voto, em eleições majoritárias, no eixo PT-PSDB. Agora dispõem de uma representação própria. Por certo é uma representação imperfeita e, possivelmente, grotesca e caricatural. Emendar adjetivos aqui seria inútil. É uma expressão legítima, que precisa ser confrontada no plano das ideias.

Tudo isto é muito curioso, em especial quando observamos que uma parte significativa dos que se imaginam portadores da razão e dos valores democráticos anda por aí vociferando contra a Justiça brasileira e incentivando um punhado de militantes fanatizados a uma bizarra greve de fome perdida na Praça dos Três Poderes

Se desejarmos combater o pensamento autoritário, alguns caminhos talvez sejam possíveis. O primeiro é reconhecer que ele pode vir de muitos lados. Da esquerda e da direita. Que não há uma diferença moral relevante entre quem elogia Pinochet e quem grava o nome de Fidel em uma chapa de ferro. Ambos suportam ditaduras assassinas, e não há relativização possível quanto a isto.

Outra é dobrar a aposta na razão tranquila. Muito já se disse do desconforto de Bolsonaro com temas de economia e sobre como governar. O recurso ao “posto Ipiranga” é uma metáfora pobre, afinal de contas. Mas o mesmo pode ser dito para muita gente bacana que também está no páreo. O tipo que, diante de números evidentes, diz com ar de seriedade que não há déficit na Previdência, por exemplo.

Tudo isto demanda um jogo de paciência, aposta no diálogo, uso de dados e argumentos. Jogo que precisa ser jogado, pois é o único jeito de andarmos para a frente, em uma democracia.

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

LEI DE REPATRIAÇÃO, SÓ PODIA DAR NISSO

Ainda resta alguma dúvida de que a Lei de Repatriação, sancionada por Dilma Rousseff, seria para internalizar dinheiro de propina?

MPF: MANTEGA NEGOCIOU 173 MILHÕES EM PROPINA E USOU LEI DE REPATRIAÇÃO

Por Claudio Dantas

Na denúncia apresentada hoje contra Guido Mantega, o MPF em Curitiba acusa o ex-ministro de atuar “de forma expressiva na obtenção de valores espúrios em favor do Partido dos Trabalhadores”.

Mantega usou o cargo de ministro da Fazenda para negociar propina com a Odebrecht, num montante equivalente a R$ 173 milhões, dos quais pelo menos R$ 144 milhões foram efetivamente repassados.

No documento do MPF, obtido por O Antagonista, Mantega também é acusado de manter duas contas no exterior para guardar parte da propina.

O ex-ministro, assim como tantos outros corruptos, usou a Lei de Repatriação sancionada por Dilma Rousseff, para internalizar mais de R$ 1,6 milhão.

No formulário de justificativa para a regularização, Mantega informou que o valor era parte de um negócio imobiliário com Victor Sandri. Mas uma análise detalhada desmontou a versão, segundo os procuradores.

A “contabilidade criativa” de Mantega não cola mais.

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

DEBATE DA BAND SEM A CHAPA 'TRIPLEX'



O debate da TV Bandeirantes, marcado para amanhã à noite - 9/8 às 22 horas - , tem confirmados os seguintes presidenciáveis: Jair Bolsonaro, Geraldo Alckmin, Marina Silva, Ciro Gomes, Alvaro Dias, Henrique Meirelles, Guilherme Boulos e Cabo Daciolo.

O presidiário e ficha-suja não deve participar nem deveria ser considerado como candidato.

terça-feira, 7 de agosto de 2018

O PLANO DE CATIVEIRO DE LULA



Em O Globo, José Casado desmonta o plano de Lula — que acabou por fulminar aliados como Ciro Gomes:

“É longa a lista dos supostos humilhados por Lula, mas nenhum pode se queixar… Todos aceitaram um papel nessa tragicomédia centrada na onipotência de um velho líder, incapaz de reconhecer seu lugar na sociedade de classe média poderosa e ansiosa pela conexão com a modernidade capitalista. Nos arquivos do PT há uma coletânea de pesquisas sobre tais contradições.”

E ainda:

“Lula segue com o seu plano de cativeiro — suicida, para muitos . A essência está registrada em documentos do partido. Eis as etapas: 1) cultua-se a imagem de ‘vítima’ de um sistema judicial manipulado pela ‘elite’; 2) questiona-se a legalidade da disputa sem a sua participação (‘Eleição sem Lula é fraude’); 3) estimula-se o ‘voto de protesto’ em candidato-laranja; 4) se derrotado nas urnas, contesta-se a legitimidade do presidente escolhido em eleição “fraudada” pelo veto a uma ‘ideia’ chamada Lula.”

TEMPO DE TV DE CADA PRESIDENCIÁVEL

Confira o tempo de propaganda de TV de cada um dos candidatos à Presidência da República:

— Geraldo Alckmin: 6 minutos e 3 segundos;

— Fernando Haddad: 2 minutos e 7 segundos;

— Henrique Meirelles: 1 minuto e 38 segundos;

— Alvaro Dias: 33 segundos;

— Ciro Gomes: 33 segundos;

— Marina Silva: 16 segundos.

Terão menos de 15 segundos Jair Bolsonaro (PSL), Guilherme Boulos (PSOL), Cabo Daciolo (Patriota), José Maria Eymael (DC), Vera Lúcia (PSTU), João Goulart Filho (PPL) e João Amoêdo (Novo).

PLANO DE GOVERNO DE BOULOS MIRA PROPRIEDADES PRIVADAS E PREVÊ AUMENTO DE IMPOSTOS

Plano de governo de Boulos mira propriedades privadas e prevê aumento de impostos

Por Claudio Dantas

No programa de governo que anexou ao registro de sua candidatura, Guilherme Boulos (PSOL) se apresenta como um protótipo de Nicolás Maduro.

Dentre as medidas socialistas que planeja, está a “implementação da função social da propriedade”. Trocando em miúdos, Boulos vai relativizar a propriedade privada.

Segundo ele, é preciso “desapropriar as terras que não cumpre a função social ou a legislação ambiental e trabalhista”, e também aquelas com “dívidas perante o governo federal”.

Boulos também planeja, caso eleito, aumentar os impostos sobre a propriedade urbana e rural, assim como a tributação ambiental e sobre fortunas.


VAI COMEÇAR A LIMPEZA NO STF

Vem pra Rua faz ato pelo impeachment de Gilmar

O Antagonista

O Vem Pra Rua anuncia que fará hoje em Brasília, às 16h, um ato no plenário do Senado para pedir o impeachment de Gilmar Mendes.

O movimento vai solicitar aos parlamentares que o processo tramite na Casa e ler um manifesto pelo afastamento do ministro do STF, já subscrito por alguns senadores.

O pedido de impeachment de Gilmar foi protocolado pelo advogado Modesto Carvalhosa. Ele elencou nove razões que você pode reler aqui.