terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

MESTRES DO LUDIBRIO

:: Lula e o PT estão aí com tudo, tentando apagar a História. 
Por Mary Zaidan


Animados pela pesquisa CNT/MDA, que coloca Lula na dianteira isolada na preferência popular para a eleição presidencial de 2018, o PT e o próprio Lula decidiram sair da encolha. Vão ampliar a participação do ex nas ruas, nas mídias sociais e, consequentemente, na imprensa. E não param de aumentar o tamanho da borracha que usam para apagar os fatos tenebrosos que escreveram na história, na tentativa de imprimi-los com as tintas que a eles convêm.

Com participações de 20s em cada uma das quatro inserções de 30s que o PT enviou sexta-feira para os diretórios estaduais, Lula fabula como derrotou a inflação e gerou mais de 22 milhões de empregos. Reclama que o atual governo está cortando dinheiro da educação, que falta democracia no país. E que crise se combate com investimento público.

Fala como se o Brasil tivesse algum respiro para investir. Como se o caos econômico, crescimento negativo e desemprego galopante não fossem resultados de seu último mandato e dos de sua pupila. Como se a economia fosse regida por voluntarismo, como se o país não tivesse perdido um único centavo para a corrupção.

Em outro vídeo, de 2min41s, divulgado na página de Lula no Facebook e replicado no site oficial do PT, o ex expõe com absoluta maestria sua habilidade de interpretar os acontecimentos, de inverter os polos, criar verdades. Usa as mesmas roupas dos filmetes, mas outra face.

A título de conclamar partidários para o 6º Congresso da sigla, com primeira etapa prevista para o dia 9 de abril, Lula diz que o PT vem sendo destruído desde 2005 – quando estourou o mensalão – pela ação de seus adversários que “continuou até o impeachment da presidenta Dilma”. Afirma que 2017 é o ano de recuperar a imagem do PT e de “defender o legado do partido que mais fez política social neste país”.

Ora em tom emotivo, ora com fala vigorosa, a convocação de Lula imita a de um general que tem de animar a tropa esfarrapada que será baleada no front. Figurativo que o ex substituiu pela subida de uma escada – há os que desistem no primeiro degrau, no quarto degrau, e os “bons”, que sobem 10 degraus e estão prontos para outros 10.

Só não falou no tamanho da queda.

Mesmo que lidere pesquisas, Lula sabe que queimou patrimônio demais. Tem pouco tempo para se livrar do que já pesa sobre os seus ombros – companheiros condenados no mensalão, outros na cadeia pela Lava-Jato e cinco processos diretos contra ele. Do que ainda pode vir com a revelação completa da delação da Odebrecht e de outros cadáveres que ele e o PT já supunham enterrados.

Sabe ainda que será difícil negar a responsabilidade pela crise econômica que deixou mais de 12 milhões no desemprego e outros 3 milhões na miséria. Que uma campanha eleitoral faz ressuscitar fantasmas de seu time de elite – Dirceu, Palocci e cia. –, empresários amigos – Léo Pinheiro, Marcelo Odebrecht, etc. –, políticos do coração, como Sérgio Cabral. Todos atrás das grades.

A sorte de Lula – e político tem de ter estrela, sorte – é que o governo Michel Temer tem pernas bambas. Erra mais do que acerta e só se mantem em pé ancorado na muleta que sustenta a economia.

Aos erros de Temer se somam os de integrantes de seu partido, o PMDB, e de aliados, que, em nome de autoproteção, denigrem a política, colocando tudo e todos na mesma cesta podre.

Mercado de ocasião para Lula, que não perde uma única chance.

No vídeo dedicado à militância, o líder do “nós”, os virtuosos, contra o “eles”, os canalhas, chega a admitir igualdade para nivelar todo mundo por baixo e se dizer superior: “pode ter até igual, mas nesse país não tem ninguém melhor do que nós”.

Mas são elementos de fundo que dão personalidade à peça publicitária. Recuperam-se o vermelho e a estrela, tão escondidos na campanha do ano passado. E no encerramento saca-se um novo símbolo: os quatro dedos da mão de Lula sobre a bandeira do partido.

É apelativo? E daí? Bota-se um pouco de verdade irrefutável – Lula realmente perdeu o dedo mínimo – para mexer com as emoções e fazer parecer que tudo o que foi dito anteriormente no vídeo carrega dose idêntica de verdade.

São craques na arte do ludibrio. E isso, sem dúvida, tem peso nas urnas.

Este artigo foi originalmente publicado no Blog do Noblat, em 19/2/2017.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

PARA O PT, CONTRIBUINTE PAGA ATÉ ABRAÇO

SENADO PAGOU ATÉ ABRAÇO DE SENADORES DO PT EM LULA, NO VELÓRIO DE MARISA


Dos dez senadores do PT, seis não tiveram a dignidade de pagar do próprio bolso as passagens para o enterro de Marisa Letícia, mulher de Lula. Gleisi Hoffmann (PR), Humberto Costa (PE), Jorge Viana (AC), José Pimentel (CE), Regina Sousa (PI) e Lindbergh Farias (RJ), ganham somados mais de R$ 200 mil por mês, mas espetaram o custo das passagens na infame Cota de Atividade Parlamentar, o “cotão”. A informação é do colunista Cláudio Humberto, do Diário do Poder.

A soma das passagens dos seis senadores nos custou R$ 11,9 mil, o suficiente para pagar salários a um desempregado por um ano.

A passagem de Lindbergh, ponte aérea do Rio, custou só R$ 986,88. Já o cearense Pimentel, R$ 3.115,58. Tudo por nossa conta

Os demais senadores do PT não usaram dinheiro público para chorar lágrimas de crocodilo no enterro que Lula transformou em comício.

A “Cota para o Exercício de Atividade Parlamentar”, que indeniza qualquer despesa dos políticos, custa-nos R$ 270 milhões por ano.

LULA 2018? A JARARACA VIVE

Mas algo pende sobre sua cabeça

Pesquisa mostra que Lula venceria corrida presidencial. O maior desafio do petista, no entanto, é chegar a 2018 em condições legais de ser candidato


Por Pedro Dias Leite - VEJA

Lula 2018? A pesquisa é boa para ele. Mas algo pende sobre a sua cabeça

No mesmo dia em que foi conduzido a depor na Operação Lava Jato, em março de 2016, o ex-presidente Lula lançou mão de um daqueles arroubos retóricos que só ele é capaz de produzir: “Se quiseram matar a jararaca, não fizeram direito, pois não bateram na cabeça, bateram no rabo. Porque a jararaca está viva”. Quase um ano depois, Lula figura como réu em três processos da Lava-Jato, além de aparecer com destaque nas delações da Odebrecht. Mesmo assim, a jararaca continua como há quase um ano atrás: vivíssima, como mostra uma pesquisa da CNT/MDA divulgada na semana passada. O líder petista, que já estava na frente nos cenários no primeiro turno, mas perdia no segundo, agora vence também na rodada decisiva. O principal desafio de Lula, no entanto, é conseguir chegar a 2018 em condições legais de ser candidato. Ele pode ser condenado em primeira instância ainda neste ano, mas só a confirmação da sentença por um órgão colegiado impediria a sua candidatura nos termos da Lei da Ficha Limpa.

Para ler a reportagem na íntegra, compre a edição desta semana de VEJA

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

"LEVEI MALA DE DINHEIRO PARA LULA"

Ex-sócio de Fernando de Arruda Botelho, acionista da Camargo Corrêa morto em acidente aéreo há cinco anos, Davincci Lourenço diz à ISTOÉ que ele foi assassinado e que o crime encobriu um esquema de corrupção na empresa. O ex-presidente petista, segundo ele, recebeu propina para facilitar contrato com a Petrobras

“Levei mala de dinheiro para Lula”

Sérgio Pardellas e Germano Oliveira (17.02.17)Isto É

O personagem que estampa a capa desta edição de ISTOÉ chama-se Davincci Lourenço de Almeida. Entre 2011 e 2012, ele privou da intimidade da cúpula de uma das maiores empreiteiras do País, a Camargo Corrêa. Participou de reuniões com a presença do então presidente da construtora, Dalton Avancini, acompanhou de perto o cotidiano da família no resort da empresa em Itirapina (SP) e chegou até fixar residência na fazenda da empreiteira situada no interior paulista. A estreitíssima relação fez com que Davincci, um químico sem formação superior, fosse destacado por diretores da Camargo para missões especiais. Em entrevista à ISTOÉ, concedida na última semana, Davincci Lourenço de Almeida narrou a mais delicada das tarefas as quais ficou encarregado de assumir em nome de acionistas da Camargo Corrêa: o transporte de uma mala de dinheiro destinada ao ex-presidente Lula. “Levei uma mala de dólares para Lula”, afirmou à ISTOÉ. É a primeira vez que uma testemunha ligada à empreiteira reconhece ter servido de ponte para pagamento de propina ao ex-presidente.


Leia a matéria completa na revista Isto É.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

#FICA DAIELLO, ENFIM A REAÇÃO!

DELEGADO DA LAVA JATO SAI EM DEFESA DE LEANDRO DAIELLO

DELEGADO ALERTA: SAÍDA DE DIRETOR DA PF PODE AFETAR OPERAÇÕES

‘POUCOS CONHECEM A PARTICIPAÇÃO DO DIRETOR-GERAL (FOTO) NAS GRANDES OPERAÇÕES DA PF’, DIZ DELEGADO MAURÍCIO MOSCARDI (FOTO: EBC)

O delegado Maurício Moscardi, da equipe da Operação Lava Jato, em Curitiba, afirma que poucas pessoas “conhecem a participação efetiva do diretor-geral nas grandes operações da Polícia Federal”. Delegados que coordenam as investigações do escândalo de corrupção na Petrobras saíram em defesa de Daiello, nesta terça-feira, 15, e negaram qualquer tipo de enfraquecimento da equipe.

Com a saída do ministro Alexandre de Moraes, do Ministério da Justiça, a Associação dos Delegados da Polícia Federal (ADPF) levou ao presidente da República, Michel Temer (PMDB), uma proposta de troca do diretor-geral, que está no cargo desde 2012.

A entidade de classe usou o argumento de suposto esvaziamento das equipes da Lava Jato, como forma de justificar a mudança.

Nesta terça-feira, dois coordenadores da Lava Jato, em Curitiba, os delegados Igor Romário de Paula e Maurício Moscardi, defenderam a atuação de Daiello.

“Como apoiar um ato que vai contra o que vimos nos últimos três anos? O diretor-geral sempre se mostrou isento quanto às investigações, bem como fez as liberações de recursos que solicitamos”, afirmou o delegado Moscardi. “Até mesmo quanto ao efetivo da operação, muito criticada, estamos sendo integralmente atendidos.”

Para Moscardi, a opinião da ADPF tornada pública representa “pouco mais de 200 delegados, quando na corporação são 2,5 mil”.

“Devemos considerar ainda os outros cargos diversos que não opinaram sobre a questão. No Paraná, por exemplo, 100% do efetivo de delegados federais que participaram da assembleia citada votaram pela manutenção do diretor-geral”, afirmou o delegado da Lava Jato.

Equipes de Curitiba e Brasília, que investigam o escândalo de corrupção na Petrobrás, e delegados de duas outras grandes operações da PF de combate à corrupção – Acrônimo e Zelotes – vão divulgar carta manifestando “confiança” no trabalho de Daiello e informando verem riscos às investigações, em eventual troca de comando na corporação.

“Devemos ter muito cuidado para expressar determinadas opiniões, pois poucos são aqueles que conhecem a participação efetiva do diretor-geral nas grandes operações da PF. Criticar sempre é mais fácil que colaborar.” (AE)

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

O PT AINDA FAZ O QUE QUER

Enquanto os "bons e perfeitos" se omitem, vivem em seu mundinho egocêntrico, anulam voto e coisas assim, o PT faz o que quer.

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Então a Associação Nacional de Delegados da PF encaminha ao presidente Temer pedido de que seja substituído o diretor-geral do órgão, Leandro Daiello.

O pedido para derrubar o diretor-geral foi aprovado por 72% dos participantes de assembléia realizada pela Associação na sexta-feira passada.

O argumento é que a permanência do diretor-geral no cargo, em que está desde 2011, ameaça a Operação Lava-Jato.


O bom brasileiro pagador de impostos e que deseja o bem do país lê a notícia, e tem toda razão para ficar preocupado: quem será que está certo nessa história?

Mas a Operação Lava-Jato não está indo bem até agora, com Leandro Daiello na chefia geral da PF?

É, mas, pô, são 72% dos delegados que estão pedindo a saída dele...

O Estadão desta terça-feira fornece as pistas para que o bom brasileiro chegue a uma conclusão.

Primeira pista: participaram da tal assembléia na sexta-feira 295 delegados da PF. Desses, 212 aprovaram o pedido.

Esse número representa 12% do total de delegados da PF.

Segunda pista: o presidente da Associação Nacional de Delegados da PF, Carlos Sobral, foi filiado ao PT por sete anos.

A conclusão é simples:

É bom para o Brasil que Leandro Daiello continue sendo o diretor-geral da PF.

Elementar, meu caro Watson.

LULA E MOREIRA FRANCO, QUANTA DIFERENÇA!

Lula e Moreira Franco: qual a diferença entre as decisões do STF?

Ao contrário de ex-presidente, cuja nomeação para ministro foi barrada por Gilmar Mendes, peemedebista foi citado na Lava Jato, mas ainda não é investigado

O ex-presidente Lula e o ministro Moreira Franco (Igo Estrela/PMDB e Jefferson Coppola/VEJA)

VEJA - Por João Pedroso de Campos

A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello, que nesta terça-feira negou haver desvio de finalidade na nomeação pelo presidente Michel Temer e manteve Moreira Franco (PMDB) na Secretaria-Geral da Presidência da República, com status de ministro e foro privilegiado, levou à imediata comparação com outra célebre decisão recente da Corte: em março de 2016, o ministro Gilmar Mendes concedeu uma liminar em outro mandado de segurança, movido pelo PPS, e anulou a indicação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a chefia da Casa Civil do governo da então presidente Dilma Rousseff.

Nas redes sociais, questiona-se se as decisões de Mello, o decano, e Mendes, o polêmico, provariam que há dois pesos e duas medidas no Supremo. Há, no entanto, uma diferença entre Moreira e Lula, que fica registrada nas decisões: embora fartamente citado em delações da Operação Lava Jato, como a do ex-executivo da Odebrecht Cláudio Melo Filho, onde aparece 34 vezes, o peemedebista – ou “Angorá”, seu apelido nas planilhas da empreiteira – não é formalmente investigado como o petista.
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No mandado de segurança 34.070, Gilmar Mendes lembrou que Lula já era alvo de investigações da força-tarefa do Ministério Público Federal na Lava Jato e já fora alvo de mandados de busca e apreensão e condução coercitiva determinados pelo juiz federal Sergio Moro na 24ª fase da Lava Jato, batizada de Aletheia.

“A presidente da República praticou conduta que, a priori, estaria em conformidade com a atribuição que lhe confere o art. 84, inciso I, da Constituição – nomear ministros de Estado. Mas, ao fazê-lo, produziu resultado concreto de todo incompatível com a ordem constitucional em vigor: conferir ao investigado foro no Supremo Tribunal Federal”, concluiu Mendes.

Ele ainda lembrou a conversa entre Dilma e Lula, gravada pela Lava Jato, em que os petistas combinam a entrega de um termo de posse no ministério, a ser usado “só em caso de necessidade”, como frisou a ex-presidente. “O objetivo da falsidade é claro: impedir o cumprimento de ordem de prisão de juiz de primeira instância. Uma espécie de salvo-conduto emitido pela Presidente da República”, afirmou Mendes na decisão.

O ministro também observou em sua decisão que a concessão de foro privilegiado ao petista causaria “tumulto” às investigações. “Não se nega que as investigações e as medidas judiciais poderiam ser retomadas perante o STF. Mas a retomada, no entanto, não seria sem atraso e desassossego”, observou.

Como não há investigação contra Moreira Franco em instâncias inferiores, não haveria, também, “atraso e desassossego” a serem considerados por Celso de Mello, que assegurou em sua decisão que, no STF, mesmo um ministro de Estado “está sujeito, como qualquer outro cidadão da República, às mesmas medidas de restrição e de coerção, inclusive decretação de prisão preventiva e suspensão cautelar do exercício do cargo ministerial, que incidem, por força de lei, sobre as pessoas em geral”.

Leia aqui a íntegra da decisão do ministro Gilmar Mendes no mandado de segurança 30.070.

Leia aqui a íntegra da decisão do ministro Celso de Mello no mandado de segurança 34.609.