sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

"LEVEI MALA DE DINHEIRO PARA LULA"

Ex-sócio de Fernando de Arruda Botelho, acionista da Camargo Corrêa morto em acidente aéreo há cinco anos, Davincci Lourenço diz à ISTOÉ que ele foi assassinado e que o crime encobriu um esquema de corrupção na empresa. O ex-presidente petista, segundo ele, recebeu propina para facilitar contrato com a Petrobras

“Levei mala de dinheiro para Lula”

Sérgio Pardellas e Germano Oliveira (17.02.17)Isto É

O personagem que estampa a capa desta edição de ISTOÉ chama-se Davincci Lourenço de Almeida. Entre 2011 e 2012, ele privou da intimidade da cúpula de uma das maiores empreiteiras do País, a Camargo Corrêa. Participou de reuniões com a presença do então presidente da construtora, Dalton Avancini, acompanhou de perto o cotidiano da família no resort da empresa em Itirapina (SP) e chegou até fixar residência na fazenda da empreiteira situada no interior paulista. A estreitíssima relação fez com que Davincci, um químico sem formação superior, fosse destacado por diretores da Camargo para missões especiais. Em entrevista à ISTOÉ, concedida na última semana, Davincci Lourenço de Almeida narrou a mais delicada das tarefas as quais ficou encarregado de assumir em nome de acionistas da Camargo Corrêa: o transporte de uma mala de dinheiro destinada ao ex-presidente Lula. “Levei uma mala de dólares para Lula”, afirmou à ISTOÉ. É a primeira vez que uma testemunha ligada à empreiteira reconhece ter servido de ponte para pagamento de propina ao ex-presidente.


Leia a matéria completa na revista Isto É.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

#FICA DAIELLO, ENFIM A REAÇÃO!

DELEGADO DA LAVA JATO SAI EM DEFESA DE LEANDRO DAIELLO

DELEGADO ALERTA: SAÍDA DE DIRETOR DA PF PODE AFETAR OPERAÇÕES

‘POUCOS CONHECEM A PARTICIPAÇÃO DO DIRETOR-GERAL (FOTO) NAS GRANDES OPERAÇÕES DA PF’, DIZ DELEGADO MAURÍCIO MOSCARDI (FOTO: EBC)

O delegado Maurício Moscardi, da equipe da Operação Lava Jato, em Curitiba, afirma que poucas pessoas “conhecem a participação efetiva do diretor-geral nas grandes operações da Polícia Federal”. Delegados que coordenam as investigações do escândalo de corrupção na Petrobras saíram em defesa de Daiello, nesta terça-feira, 15, e negaram qualquer tipo de enfraquecimento da equipe.

Com a saída do ministro Alexandre de Moraes, do Ministério da Justiça, a Associação dos Delegados da Polícia Federal (ADPF) levou ao presidente da República, Michel Temer (PMDB), uma proposta de troca do diretor-geral, que está no cargo desde 2012.

A entidade de classe usou o argumento de suposto esvaziamento das equipes da Lava Jato, como forma de justificar a mudança.

Nesta terça-feira, dois coordenadores da Lava Jato, em Curitiba, os delegados Igor Romário de Paula e Maurício Moscardi, defenderam a atuação de Daiello.

“Como apoiar um ato que vai contra o que vimos nos últimos três anos? O diretor-geral sempre se mostrou isento quanto às investigações, bem como fez as liberações de recursos que solicitamos”, afirmou o delegado Moscardi. “Até mesmo quanto ao efetivo da operação, muito criticada, estamos sendo integralmente atendidos.”

Para Moscardi, a opinião da ADPF tornada pública representa “pouco mais de 200 delegados, quando na corporação são 2,5 mil”.

“Devemos considerar ainda os outros cargos diversos que não opinaram sobre a questão. No Paraná, por exemplo, 100% do efetivo de delegados federais que participaram da assembleia citada votaram pela manutenção do diretor-geral”, afirmou o delegado da Lava Jato.

Equipes de Curitiba e Brasília, que investigam o escândalo de corrupção na Petrobrás, e delegados de duas outras grandes operações da PF de combate à corrupção – Acrônimo e Zelotes – vão divulgar carta manifestando “confiança” no trabalho de Daiello e informando verem riscos às investigações, em eventual troca de comando na corporação.

“Devemos ter muito cuidado para expressar determinadas opiniões, pois poucos são aqueles que conhecem a participação efetiva do diretor-geral nas grandes operações da PF. Criticar sempre é mais fácil que colaborar.” (AE)

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

O PT AINDA FAZ O QUE QUER

Enquanto os "bons e perfeitos" se omitem, vivem em seu mundinho egocêntrico, anulam voto e coisas assim, o PT faz o que quer.

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Então a Associação Nacional de Delegados da PF encaminha ao presidente Temer pedido de que seja substituído o diretor-geral do órgão, Leandro Daiello.

O pedido para derrubar o diretor-geral foi aprovado por 72% dos participantes de assembléia realizada pela Associação na sexta-feira passada.

O argumento é que a permanência do diretor-geral no cargo, em que está desde 2011, ameaça a Operação Lava-Jato.


O bom brasileiro pagador de impostos e que deseja o bem do país lê a notícia, e tem toda razão para ficar preocupado: quem será que está certo nessa história?

Mas a Operação Lava-Jato não está indo bem até agora, com Leandro Daiello na chefia geral da PF?

É, mas, pô, são 72% dos delegados que estão pedindo a saída dele...

O Estadão desta terça-feira fornece as pistas para que o bom brasileiro chegue a uma conclusão.

Primeira pista: participaram da tal assembléia na sexta-feira 295 delegados da PF. Desses, 212 aprovaram o pedido.

Esse número representa 12% do total de delegados da PF.

Segunda pista: o presidente da Associação Nacional de Delegados da PF, Carlos Sobral, foi filiado ao PT por sete anos.

A conclusão é simples:

É bom para o Brasil que Leandro Daiello continue sendo o diretor-geral da PF.

Elementar, meu caro Watson.

LULA E MOREIRA FRANCO, QUANTA DIFERENÇA!

Lula e Moreira Franco: qual a diferença entre as decisões do STF?

Ao contrário de ex-presidente, cuja nomeação para ministro foi barrada por Gilmar Mendes, peemedebista foi citado na Lava Jato, mas ainda não é investigado

O ex-presidente Lula e o ministro Moreira Franco (Igo Estrela/PMDB e Jefferson Coppola/VEJA)

VEJA - Por João Pedroso de Campos

A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello, que nesta terça-feira negou haver desvio de finalidade na nomeação pelo presidente Michel Temer e manteve Moreira Franco (PMDB) na Secretaria-Geral da Presidência da República, com status de ministro e foro privilegiado, levou à imediata comparação com outra célebre decisão recente da Corte: em março de 2016, o ministro Gilmar Mendes concedeu uma liminar em outro mandado de segurança, movido pelo PPS, e anulou a indicação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a chefia da Casa Civil do governo da então presidente Dilma Rousseff.

Nas redes sociais, questiona-se se as decisões de Mello, o decano, e Mendes, o polêmico, provariam que há dois pesos e duas medidas no Supremo. Há, no entanto, uma diferença entre Moreira e Lula, que fica registrada nas decisões: embora fartamente citado em delações da Operação Lava Jato, como a do ex-executivo da Odebrecht Cláudio Melo Filho, onde aparece 34 vezes, o peemedebista – ou “Angorá”, seu apelido nas planilhas da empreiteira – não é formalmente investigado como o petista.
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No mandado de segurança 34.070, Gilmar Mendes lembrou que Lula já era alvo de investigações da força-tarefa do Ministério Público Federal na Lava Jato e já fora alvo de mandados de busca e apreensão e condução coercitiva determinados pelo juiz federal Sergio Moro na 24ª fase da Lava Jato, batizada de Aletheia.

“A presidente da República praticou conduta que, a priori, estaria em conformidade com a atribuição que lhe confere o art. 84, inciso I, da Constituição – nomear ministros de Estado. Mas, ao fazê-lo, produziu resultado concreto de todo incompatível com a ordem constitucional em vigor: conferir ao investigado foro no Supremo Tribunal Federal”, concluiu Mendes.

Ele ainda lembrou a conversa entre Dilma e Lula, gravada pela Lava Jato, em que os petistas combinam a entrega de um termo de posse no ministério, a ser usado “só em caso de necessidade”, como frisou a ex-presidente. “O objetivo da falsidade é claro: impedir o cumprimento de ordem de prisão de juiz de primeira instância. Uma espécie de salvo-conduto emitido pela Presidente da República”, afirmou Mendes na decisão.

O ministro também observou em sua decisão que a concessão de foro privilegiado ao petista causaria “tumulto” às investigações. “Não se nega que as investigações e as medidas judiciais poderiam ser retomadas perante o STF. Mas a retomada, no entanto, não seria sem atraso e desassossego”, observou.

Como não há investigação contra Moreira Franco em instâncias inferiores, não haveria, também, “atraso e desassossego” a serem considerados por Celso de Mello, que assegurou em sua decisão que, no STF, mesmo um ministro de Estado “está sujeito, como qualquer outro cidadão da República, às mesmas medidas de restrição e de coerção, inclusive decretação de prisão preventiva e suspensão cautelar do exercício do cargo ministerial, que incidem, por força de lei, sobre as pessoas em geral”.

Leia aqui a íntegra da decisão do ministro Gilmar Mendes no mandado de segurança 30.070.

Leia aqui a íntegra da decisão do ministro Celso de Mello no mandado de segurança 34.609.

QUEM NÃO ACEITOU PAGAR PROPINA SE DEU MAL

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Engenheiro diz que pediu ajuda a Lula sobre propinas na Petrobras

O depoimento foi tomado no dia 9 de dezembro de 2016 e encaminhado pela Procuradoria da República em Minas para o juiz Sérgio Moro no dia 1º de fevereiro

VEJA

O engenheiro Geraldo Aurélio Feitosa, dono da empresa Cogefe Engenharia, relatou à Justiça Federal que sua companhia teria sido vítima do esquema de corrupção na Petrobras e que chegou a buscar ajuda do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, via Frei Betto, para tentar resolver o calote que tomou da estatal petrolífera por não ter pago propina -segundo ele, a “mala preta” que foi exigida para as obras do Centro de Pesquisas da Petrobras, no Rio de Janeiro.

O depoimento foi tomado no dia 9 de dezembro de 2016 e encaminhado em vídeo pela Procuradoria da República em Minas para o juiz Sérgio Moro no dia 1.º de fevereiro.

Em seu depoimento, Feitosa não dá detalhes de como teria sido o diálogo com o ex-presidente, diz apenas que o petista lhe prometeu ajuda e que o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, teria indicado um diretor jurídico na estatal para ele conversar, tudo sem sucesso. “Pediam (ex-dirigentes da Petrobras) inclusive para ir no Lula, como eu fui, através de um amigo aqui de BH (Belo Horizonte), o Frei Betto, me levou lá estive pessoalmente e (disseram) ‘não, vamos resolver, vamos resolver’. Aquele Paulo Okamotto disse que ia resolver, indicaram um diretor jurídico lá, e ficou do mesmo tempo”, disse.

Feitosa faz uma ressalva ao falar de Frei Betto, ou Carlos Alberto Libânio Christo, da Ordem Dominicana, amigo e assessor especial de Lula entre 2003 e 2004. “Mal sabia ele (Betto), porque o Frei Betto também era um inocente, era um frei”, afirmou.

O engenheiro era réu até o fim do ano passado em uma ação penal na Justiça Federal em Minas acusado de sonegar 2,2milhões de reais por meio de empresas de fachada com as quais sua companhia teria mantido contrato, segundo a Procuradoria da República em Minas. Segundo ele, por causa desse calote da Petrobras sua companhia teve um prejuízo contábil de 65 milhões de reais.

O episódio que deu prejuízo para a Cogefe, segundo Feitosa, envolveu a obra do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento da Petrobras (Cenpes), no Rio. “Trabalhamos por 24 anos para a Petrobras, em todos os Estados do Brasil, São Paulo, Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais, nunca tivemos o menor problema. Mas na obra do Centro de Pesquisas, na Ilha do Governador, o Cenpes, que era uma obra de porte, começou tudo”, disse. “Não pagaram as medições, não liberaram, não pagaram projeto”, seguiu Feitosa em seu relato.

O engenheiro contou que neste período era recebido mensalmente pelo ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco e o ex-diretor de Serviços Renato Duque que lhe prometiam resolver o assunto “em breve”. Mais de um ano depois das conversas, sua companhia ainda não tinha recebido os recursos e os ex-dirigentes da estatal, atualmente condenados na Lava Jato, lhe sugeriram que a Cogefe fizesse um contrato de cessão da obra para a Andrade Gutierrez, empreiteira que participava do cartel que fraudava licitações na estatal.

Feitosa relatou que aceitou fazer o contrato, que acabou sendo assinado, e passou a responsabilidade pelas obras para a Andrade Gutierrez. Na ocasião, segundo relatou, ele pediu que fosse feito um acordo para que sua empresa recebesse o pagamento que faltava, o que nunca ocorreu. “Trocaram de interlocutor (a Andrade Gutierrez) oito vezes e nos deram uma banana, todas as canetas caíram, inclusive da Petrobras”, afirmou.

“Todo mundo dizendo que ia receber, demorou oito anos isso e não aconteceu nada, por isso a empresa paralisou, com prejuízo contábil de 65 milhões de reais por não recebimento de medição. A condição da Andrade Gutierrez era uma, o vulgo termo ai, a mala preta”, seguiu Feitosa em seu relato.

“Eu falei, eu não entendo isso e as vezes a gente nem entende como Deus age por linhas tortas, porque se tivéssemos entrado nesse esquema poderíamos estar lá em Curitiba, como inúmeros, todos esses que estão lá eu via, via trânsito na Petrobras porque eu ia todos os meses e por incrível que pareça era recebido todos os meses e nada se resolvia”, disse.

As obras do Cenpes envolvendo a Andrade já foram alvo de denúncia na Lava Jato em Curitiba. A Procuradoria da República no Paraná denunciou em julho de 2015 treze pessoas, incluindo executivos da empreiteira, por 167 atos de corrupção, no total de 243 milhões de reais, e 62 atos de lavagem de dinheiro, envolvendo um montante de 6,79 milhões de reais 1 milhão de dólares.

A denúncia aponta irregularidades envolvendo contratos da Andrade em oito unidades da Petrobras, incluindo o Cenpes.
Absolvido

Geraldo Feitosa e Paulo Rogério Feitosa foram denunciados pela Procuradoria da República em Minas acusados de fraudar documentos para que sua empresa, a Cogefe Engenharia, pagasse menos impostos. Foi nesta ação penal, que, durante seu interrogatório, Geraldo Feitosa disse que um fiscal teria tentado suborná-lo e comparou o episódio ao que teria ocorrido com sua empresa na Petrobrás.

Em 7 de novembro do ano passado o juiz Murilo Fernandes de Almeida entendeu não haver elementos suficientes para condenar os dois e acabou absolvendo os sócios da Cogefe. O Ministério Público Federal, contudo, recorreu da decisão e também pediu para encaminhar o depoimento de Feitosa que cita o esquema na Petrobras ao juiz da Lava Jato, em Curitiba.

A reportagem enviou e-mail para Frei Betto pedindo esclarecimentos sobre o caso na noite desta segunda-feira, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. O espaço está aberto para a manifestação de Frei Betto.
Defesa

O criminalista José Roberto Batochio, que coordena a defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou que o depoimento se trata da fala de um réu que lança acusações sobre outras pessoas para tentar se safar da Justiça – e que por isso deve ser visto com cautela.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

SUSPEITA E CULPA

Suspeita e culpa (Foto: Arquivo Google)

Mary Zaidan

Todos os suspeitos têm de ser investigados, mas nem todo inquérito transforma o investigado em réu. Essa sequência, embora simples, tem sido perigosamente confundida, seja por aflição, ignorância ou má-fé.

Políticos acusados usam a posição de investigados para se eximir de qualquer culpa. Promotores e desafetos dos políticos sob suspeição utilizam o mesmo princípio para condená-los. Partidários de um lado e de outro neste país dividido fazem igual.

No meio dessa balbúrdia, o distinto público não quer nem mesmo olhar para o cesto, quanto mais enxergar as poucas maçãs que não estão podres ou severamente bichadas.

Animado pelo sucesso da Lava-Jato, que tem conseguido investigar, condenar e prender poderosos, o país assiste a uma histeria por punições, com ou sem culpa provada. No tribunal popular condena-se o suspeito citado em uma delação antes do início das investigações, e, portanto, antes mesmo de o delatado virar réu.

Na primeira instância, os processos correm com celeridade. E não só na Curitiba de Sérgio Moro, mas também no Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal. No STF, o ritmo se difere. Nem sempre, como apressados se arvoram a dizer, por culpa do Supremo, mas do próprio ritmo das investigações.

Os procedimentos, em qualquer instância, têm um extenso caminho após as investigações policiais. No caso dos políticos com mandato, que têm privilégio de foro, o Ministério Público Federal formula a denúncia e o STF autoriza, ou não, a investigação. Só aí o processo começa a ser montado, mas ainda sem que o suspeito seja considerado réu. Se existirem provas suficientes contra aquele denunciado, o MPF envia a peça novamente ao Supremo para que o investigado seja indiciado.

Foi o que aconteceu com Renan Calheiros (PMDB-AL) e Gleisi Hoffmann (PT-PR), que, de investigados, tornaram-se réus em ações no STF. Com Humberto Costa (PT-PE) deu-se o contrário. Investigado, ele foi inocentado por falta de provas.

Ainda que dezenas de indícios apontem culpas de outros senadores – alguns aparentemente mais do que enrolados em práticas ilícitas –, Renan e Gleisi são os únicos réus de fato com assento, e na suplência, na nova composição da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Quer o público goste ou não, os demais integrantes da CCJ fervem em outro caldeirão, ainda que malcheiroso. Por mais que se suspeite que não sejam santos, não se pode condená-los por ditos de um ou outro delator, indícios, antipatias.

O presidente da Comissão, Edison Lobão (PMDB-MA), Jader Barbalho (PMDB-PA), Lindbergh Farias (PT-RJ) e Romero Jucá (PMDB-RR) estão entre os investigados; Benedito Lira (PP-AL) e Fernando Collor (PTC-AL) foram denunciados. Podem causar arrepios, mas ainda não são réus.

Eduardo Braga (PMDB-AM), relator da indicação de Alexandre Moraes para o Supremo, e Aécio Neves (PSDB-MG) foram citados em delações, mas nem mesmo tiveram pedidos de inquérito protocolados no STF. Antonio Anastasia (PSDB-MG), vice-presidente da CCJ, foi investigado e teve seu processo arquivado, não chegando a ser denunciado. Outros 17 membros titulares da CCJ não constam de investigações.

Quase 200 dos 513 deputados federais e 32 dos 81 senadores são alvos de investigações. É muito, demais. Vários dos inquéritos abertos se perderam pelo prazo, contam-se nos dedos os que foram concluídos e que tiveram réus condenados.

Um defeito escancarado do sistema de privilégio legal.

Sem foro especial, não haveria Dilma Rousseff tentando aliviar o dorso de Lula da Silva nem Michel Temer nomeando Moreira Franco. Dois casos deploráveis, ainda que em situações diferentes, de ministros de ocasião ungidos para colher regalias que os demais brasileiros não têm.

Todos os suspeitos têm de ser investigados, mas nem todo inquérito transforma o investigado em réu. E assim como ninguém deveria ser condenado a priori, é inadmissível a existência de réu de luxo.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

GREVE COM TODOS OS TONS DE VERMELHO

A turma que sonha com o fim da PM merecia estar em Vitória

Freixo, Duvivier, Luciana Genro e Lindbergh já sabem o que aconteceria se conseguissem acabar com a polícia

Por Augusto Nunes

fim-da-pm

Num vídeo divulgado pelo Movimento Brasil Livre (MBL), quatro pajés de tribos esquerdistas garantem que o aumento da criminalidade só será contido se a Polícia Militar for desarmada, emasculada ou extinta de vez. O problema, portanto, não é a proliferação de meliantes e baderneiros. É a existência de uma instituição encarregada de defender a lei e a ordem. O desfile da insensatez começa com o deputado estadual Marcelo Freixo, candidato derrotado à prefeitura do Rio pelo PSOL. Para tapear gente com cérebro, ele preconiza a “desmilitarização da PM”, expressão que camufla o conjunto de mudanças que, consumadas, tornariam qualquer batalhão tão eficaz quanto uma guarda mirim.

Depois de uma curta e amalucada aparição do humorista a favor Gregório Duvivier, o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) e a onipresente Luciana Genro, do PSOL gaúcho, retomam a lengalenga da “desmilitarização”. As coisas ficam claras com a segunda entrada em cena de Duvivier, que berra a palavra de ordem que rasgou a fantasia: Eu quero o fim/da Polícia Militar./Não acabou. Tem que acabar”.


O que espera a turma do vídeo para baixar no Espírito Santo e ver de perto como é uma cidade sem PM? Que tal criar coragem e acompanhar com os próprios olhos as cenas exibidas no vídeo abaixo, uma confirmação apavorante do horror cotidiano imposto a milhões de capixabas pela greve ilegal dos chantagistas fardados? Por que os guerreiros da Revolução dos Idiotas não tentam negociar com a bandidagem a ressurreição da paz assassinada Talvez sobrevivam.