terça-feira, 23 de maio de 2017

ZELOTES E LAVA JATO - A CRISE TEM NOME, LULA

Juiz do DF marca para junho julgamento de Lula e filho na Zelotes

Denúncia cita compra de caças suecos, em 2013, e MP com incentivos fiscais em 2015

O ex-presidente Lula - 05/05/2017

No G1:

O juiz Vallisney Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal de Brasília, decidiu manter nesta segunda-feira (22) as ações penais do Ministério Público Federal contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o filho Luiz Cláudio Lula da Silva e dois empresários. Eles são acusados por tráfico de influência, lavagem de dinheiro e organização criminosa no âmbito da operação Zelotes.

As denúncias foram aceitas em dezembro e, nesta segunda, o juiz rejeitou os pedidos de absolvição sumária (sem julgamento) dos quatro réus. As ações fazem referência à compra de caças suecos pelo governo federal, em 2013, e à aprovação de uma medida provisória com incentivos fiscais a montadoras, em 2015.

Na decisão, Vallisney Oliveira também define que as audiências de instrução e julgamento começam em 22 de junho. A lista de testemunhas apresentada pelos advogados de Lula e do filho, com 80 nomes, terá de ser reduzida para 32 em um prazo de cinco dias.

Os empresários Mauro Marcondes e Cristina Mautoni também são réus no mesmo processo. O G1 entrou em contato com os advogados dos quatro acusados, e aguardava retorno até a última atualização desta reportagem.

Na decisão desta segunda, Mauro Marcondes e Cristina Mautoni são absolvidos das acusações de evasão de divisas. Segundo Vallisney Oliveira, os advogados conseguiram demonstrar que os envios de dinheiro dos empresários a contas no exterior foram inferiores a US$ 100 mil. Neste caso, segundo a decisão, o crime não pode ser tipificado.

Apesar disso, Machado e Cristina seguem como réus pelos crimes de tráfico de influência, lavagem de dinheiro e organização criminosa. O ex-presidente Lula responde pelos mesmos três crimes n a ação. O filho, Luís Cláudio, é citado por lavagem de dinheiro e organização criminosa, mas não por tráfico de influência.

A denúncia

A denúncia relacionada à Operação Zelotes foi apresentada em dezembro. Segundo o MPF, os crimes foram praticados entre 2013 e 2015 quando Lula, como ex-presidente, teria participado de um esquema para beneficiar empresas junto ao governo Dilma Rousseff.

Segundo o MP, durante as investigações não foram encontrados indícios de que Dilma tivesse conhecimento do suposto esquema.

Em troca, diz a denúncia, os empresários Mauro Marcondes e Cristina Mautoni teriam repassado cerca de R$ 2,5 milhões a Luis Cláudio Lula da Silva. Segundo relatório da Polícia Federal, não houve prestação de serviço pela empresa do filho de Lula. A PF diz também que o material produzido pela empresa era cópia de material disponível na internet.

Na documentação enviada ao juiz, o Ministério Público Federal descreve como teria sido a atuação de cada um dos quatro investigados no esquema. Segundo a denúncia, o empresário e lobista Mauro Marcondes “comandou” a organização criminosa, fazendo a ligação entre as empresas beneficiadas e a família de Lula.

Já a mulher e sócia de Marcondes, Cristina Mautoni, teria participado “ativamente” das contratações e do “fluxo de informações” com as empresas e com Luís Cláudio Lula da Silva.

De acordo com a denúncia, ao ex-presidente Lula coube “fazer os encontros com fortes indícios de que deu aval” para Mauro Marcondes e Cristina Mautoni propagarem, “para fins contratuais milionários”, o apoio e prestígio que tinha junto ao governo federal e à Presidência da República.

A denúncia afirma que a Luís Cláudio coube fornecer dados de uma das suas empresas a fim de receber o dinheiro a título de apoio do ex-presidente, mediante um contrato de fachada.

LULA CAMPEÃO - HEXA RÉU

Lula é denunciado e pode se tornar réu pela sexta vez

MPF acusa petista de ter 'controle supremo' sobre corrupção na Petrobras e ser beneficiado com obras de R$ 1 mi em sítio em Atibaia (SP)

Propriedade frequentada pelo ex-presidente Lula, em Atibaia, interior de São Paulo, após reforma

Na VEJA.com:

A força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba denunciou nesta segunda-feira o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso envolvendo obras no sítio Santa Bárbara, em Atibaia (SP), frequentado pelo petista e reformado pelas empreiteiras Odebrecht, Schahin e OAS, além do pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente. Caso o juiz federal Sergio Moro aceite a acusação dos procuradores, o petista se tornará réu pela sexta vez, três delas na investigação que apura desvios bilionários na Petrobras.

De acordo com os procuradores, o ex-presidente foi beneficiado ilicitamente com cerca de um milhão de reais nas reformas, que incluíram a construção de anexos e benfeitorias no sítio, como a instalação de uma cozinha de alto padrão. Odebrecht e OAS teriam arcado com 870.000 reais das obras e a Schahin, por meio de Bumlai, teria pago 150.500 reais. O pecuarista foi denunciado pelo crime de corrupção passiva.

O dinheiro teria sido retirado, no caso da Odebrecht, de propinas de 128 milhões de reais em quatro contratos com a Petrobras: dois para construção da refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco, e dois do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj); no caso da OAS, o dinheiro teria sido contabilizado em vantagens indevidas de 27 milhões de reais pagas sobre três contratos: de construção e montagem dos gasoduto Pilar-Ipojuca e Urucu-Coari e da construção do Novo Centro de Pesquisas da Petrobras (Novo Cenpes), no Rio.

A contribuição da Schahin às obras no sítio no interior paulista teria sido retirada de propinas pagas pela empreiteira no contrato de operação, pela empreiteira Schahin, do navio-sonda Vitória 10.000, da Petrobras.

Assim como nas outras duas denúncias da Lava Jato contra Lula, os procuradores da equipe coordenada por Deltan Dallagnol voltaram a falar em “controle supremo” do petista sobre a corrupção na estatal e a afirmar que ele “capitaneou e se beneficiou desse grande e poderoso esquema criminoso”. “Por trás de todo esse esquema partidário de dominação das diferentes Diretorias da Petrobras e, mesmo, de outros órgãos públicos federais, existia o comando comum de Luiz Inácio Lula da Silva, que era simultaneamente chefe do governo beneficiado e líder de uma das principais legendas envolvidas no macro esquema criminoso”, afirma o MPF.

Além de Lula e Bumlai, os procuradores do MPF denunciaram por corrupção ativa e lavagem de dinheiro o empreiteiro José Adelmário Pinheiro Filho, conhecido como Léo Pinheiro; por corrupção ativa o empreiteiro Marcelo Odebrecht e ex-executivo da OAS, Agenor Franklin Magalhães Medeiros; e por lavagem de dinheiro o empreiteiro Emílio Odebrecht, os ex-executivos da Odebrecht Alexandrino Alencar, Carlos Armando Guedes Paschoal e Emyr Diniz Costa Júnior, ex-engenheiro da OAS Paulo Roberto Valente Gordilho, o ex-assessor especial da Presidência Rogério Aurélio Pimentel, o advogado Roberto Teixeira e Fernando Bittar, um dos donos oficiais do sítio.

O ex-presidente Lula já responde na Justiça Federal do Paraná a duas ações penais. Em uma delas, o petista é acusado pelo Ministério Público Federal dos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro por supostamente ter sido beneficiado com propinas de 3,7 milhões de reais da OAS na reserva e na reforma do tríplex do Guarujá (SP) e no armazenamento de seu acervo presidencial em uma empresa de transportes.

Em outro processo sob a responsabilidade de Sergio Moro na Justiça Federal do Paraná, o petista é acusado pelo MPF dos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro por supostamente ter recebido propinas de 13 milhões de reais da Odebrecht.

Parte do dinheiro, 12,4 milhões de reais, teria sido gasta na compra de um terreno para abrigar a sede do Instituto Lula em São Paulo – o instituto acabou sendo construído em outro endereço. Outros 504.000 reais teriam sido usados na compra da cobertura contígua à de Lula no edifício Hill House, em São Bernardo do Campo (SP). As duas compras teriam sido feitas por meio de laranjas. Moro iniciou as oitivas de testemunhas neste processo nesta semana. Ainda não há previsão para depoimento do ex-presidente.

Os outros três processos contra Lula correm na Justiça Federal do Distrito Federal, sob a caneta dos juízes Vallisney Oliveira e Ricardo Leite.

O petista é acusado do crime de obstrução de Justiça por meio da compra do silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, processo em que já depôs como réu; dos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção passiva e tráfico de influência em contratos do BNDES que teriam favorecido a Odebrecht, um desdobramento da Operação Janus; e tráfico de influência, lavagem de dinheiro e organização criminosa, processo decorrente da Operação Zelotes.

domingo, 21 de maio de 2017

FRANÇA INVESTIGA PROPINA PARA LULA E CIA.

FRANÇA INVESTIGA PROPINA PARA O GOVERNO LULA PELA COMPRA BILIONÁRIA DE SUBMARINOS


Diário do Poder

A Justiça francesa investiga a denúncia de pagamento de suborno pelo bilionário contrato de venda de submarinos Scorpène para o Brasil, em 2008, no governo Lula. Neste domingo, toda a imprensa francesa dedicou espaço ao assunto. O acordo de 6,7 bilhões de euros (equivalentes a R$24,4 bilhões) inclui transferência de tecnologia para o Brasil.

A procuradora-geral da Procuradoria Nacional Financeira (PNF), Eliane Houlette, esteve há duas semanas no Brasil chefiando uma delegação, da qual também participou o chefe do Departamento Anticorrupção da Polícia (Oclciff, na sigla em francês), Thomas de Ricolfis.

Fontes oficiais confirmaram a investigação da PNF e da polícia francesa de “corrupção de funcionários públicos estrangeiros” no contrato de venda de quatro submarinos de ataque Scorpène, assinado em 23 de dezembro de 2008, no Brasil, pelos então presidentes da França, Nicolas Sarkozy, e do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva Lula.

O Scorpène é um submarino convencional, de última tecnologia, fabricado pelo estaleiro naval francês DCNS (Direction des Constructions Navales Services) em cooperação com o espanhol Navantia. Chile e Malásia têm dois desses submarinos. A Índia adquiriu seis, dos quais três já foram entregues.

Um porta-voz da DCNS disse à agência France Press que a companhia “não tem nada a ver com a Operação Lava Jato”, acrescentando que a empresa “respeita escrupulosamente, no mundo todo, as regras do Direito”.

No Brasil, a DCNS é parceira da BTP Odebrecht, que subcontratou por R$3 bilhões, segundo as suspeitas, por recomendação do ex-presidente Lula. Ambas as empresas estão no centro do megaescândalo de corrupção de agita o país. Em abril, o presidente da DCNS Brasil, Eric Berthelot, havia dito que essas investigações “atingiam apenas a própria Odebrecht”.

sábado, 20 de maio de 2017

VÍDEOS DOS DELATORES DA JBS, O QUE É BOMBA E O QUE É TRAQUE



O Supremo Tribunal Federal (STF) liberou na tarde desta sexta-feira o acesso à delação premiada dos donos e executivos da JBS, envolvendo o presidente Michel Temer, Lula, Dilma, deputados e senadores.

No dia anterior, havia sido liberado o áudio da conversa entre o presidente Michel Temer e o empresário Joesley Batista, que não confirma, a rigor, a informação que tentaram atribuir ao presidente da República sobre suposta compra do silêncio de Eduardo Cunha. “A montanha pariu um rato”, repetiam os deputado no plenário da Câmara.

De repente, uma gravação mal feita, com cerca de 50 cortes, como revela reportagem da Folha, tornou-se tema central dos programas jornalísticos de rádio e TV, bem como o assunto mais comentado nas mídias sociais.

No ponto da gravação que trata de Cunha, Joesley reclama do seu relacionamento com o ex-deputado, atualmente preso em Curitiba, quando se ouve claramente o empresário afirmar que está "de bem" com o ex-presidente da Câmara:
"Agora eu tô de bem com o Eduardo".

Temer simplesmente recomenda:
"Tem que manter isso, viu?".

Não há referência a valores nem indicação alguma de que o presidente concordasse com o que dizia o interlocutor sobre os diversos assuntos abordados por Joesley, o pior da conversa foi o fato de Michel Temer aceitar a visita de um investigado.

Por outro lado, uma revelação que deveria, esta sim, ser explosiva, está sendo tratada como algo trivial, como já ocorrera antes com fatos igualmente estarrecedores. O dono da JBS afirma que abriu contas no exterior vinculadas aos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, que, somadas, eram de aproximadamente 150 milhões de dólares em 2014.

O dinheiro foi pago em troca de repasses do BNDES à JBS. e , segundo o empresário, tanto Lula quanto Dilma sabiam de tudo. Joesley conta que teve encontros com ambos nos quais discutiu abertamente o emprego da propina escondida no exterior nas campanhas do partido. 


Um desses encontros com Dilma aconteceu no Palácio do Planalto para tratar de um repasse de 30 milhões de reais para a campanha do petista Fernando Pimentel ao governo de Minas Gerais. Na conversa, o empresário alertou Dilma de que o saldo das contas de propina no exterior seria liquidado a partir da doação. “Dilma confirmou a necessidade e pediu que procurasse Pimentel”, disse.

Joesley Batista disse, também, que transferiu para uma conta no exterior, a título de “vantagens indevidas”, 50 milhões de dólares destinados ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e mais 30 milhões em outra conta, também no exterior, em favor da ex-presidente Dilma Rousseff. Os repasses, disse ele, foram feitos por intermédio do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega.


Vídeo abaixo:



Não é segredo que ao PT interessa tirar Temer da presidência, custe o que custar, desde que o povo brasileiro pague a conte, é claro. 

Por muito menos, os movimentos "Fora Temer" têm sido estrategicamente acionados para dar curso a essa ideia e, como consequência, rasgar mais uma vez a Constituição ao forçar a barra para vingar a proposta de novas eleições a fim de que Lula, possivelmente vitorioso, escape mais uma vez das garras da Justiça. Outra jogada que também interessa ao PT é tirar Lula e Dilma de foco depois que o caso dos dois se agravou com as denúncias de Mônica Moura e a divulgação de dados de agendas sobre encontros de Lula com diretores da Petrobras, o que comprova que mentiu ao juiz Moro.

Concluindo, certamente para infelicidade de nosso país, a situação pode estar menos tensa para o presidente após a análise do conteúdo das gravações, chegou a ser considerada insustentável, mas ainda está sujeita aos rigores da Lei e à pressão de seus adversários.

Nada entendo de leis, se há algo que pode complicar a situação de Temer, porém, não é o que disse nessa conversa, mas o que não disse e que pode ser considerado prevaricação por ouvir relatos sobre crimes e não dar ordem de prisão imediatamente. Ou, no mínimo, alertar as autoridades competentes. 

Uma questão, todavia, deve ser levada em consideração. Se Temer prevaricou, as autoridades que liberaram o delator também prevaricaram, com uma evidente diferença na gravidade das intenções. Temer deve ter ficado constrangido com a conversa sem sentido, já que ele só se interessava em falar sobre economia. Já Rodrigo Janot e o ministro Fachin agiram cientes do que estavam fazendo.

Aconteça o que acontecer, com as denúncias atingindo também um senador tucano, a militância petralha nada tem a comemorar, acabou o discurso de perseguição política contra Lula. 

Assista aos vídeos:
















sexta-feira, 19 de maio de 2017

SUBORNO ANTI-IMPEACHMENT - JOESLEY PAGOU DEPUTADOS PARA VOTAREM CONTRA SAÍDA DE DILMA



O presidente da JBS, Joesley Batista, disse em depoimento que atuou juntamente com o deputado João Bacelar (PR-BA) na compra de cinco deputados federais, ao custo de R$ 3 milhões cada um, para votarem contra o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

Segundo Joesley, no dia 9 de abril de 2016, um sábado, uma semana antes da votação do impeachment na Câmara dos Deputados, ele se reuniu com Bacelar. Na ocasião, segundo o delator da JBS, Bacelar disse que ‘tinha conseguido convencer 30 deputados a votarem a favor de Dilma em troca de R$ 5 milhões cada um’.

Joesley, no entanto, diz ter concordado com a ‘compra’ de apenas 5 deputados no valor total de R$ 15 milhões divididos em parcelas.

No depoimento, o dono da JBS, porém, afirma que não lembra quais eram os parlamentares que receberam o pagamento. Segundo ele, o dinheiro era distribuído por João Bacelar, e que só tinha conseguido repassar R$ 3,5 milhões.

Parte do pagamento – R$ 500 mil -, diz Joesley, ocorreu em março deste ano. (AE)

MENTIRAS DE LULA FICARÃO IMPUNES?

MENTIRAS NÃO DEVEM RESULTAR EM PUNIÇÃO A LULA


O ex-presidente Lula não será processado pelas mentiras que disse ao juiz Sérgio Moro, no interrogatório sobre o tríplex-propina do Guarujá. Só testemunha não pode mentir no processo, segundo explicou o criminalista Danillo de Oliveira Souza. Lula mentiu ao negar encontro no sítio de Atibaia com Leo Pinheiro (OAS), e jurar que não se reuniu com diretores que roubavam a Petrobras. E ainda contou outra mentira, dizendo: “não há pergunta difícil quando alguém quer falar a verdade”. A informação é do colunista Cláudio Humberto, do Diário do Poder.

O Ministério Público anexou ao processo do tríplex-propina fotos de Lula conversando à beira da piscina com Leo Pinheiro no sítio.

O MPF também obteve comprovantes de 27 reuniões de Lula com ladrões confessos da Petrobras, como Renato Duque e Jorge Zelada.

As mentiras são relevantes porque Lula é acusado de corrupção passiva por aceitar como propina as reformas no tríplex e no sítio.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

SANTANA CHAMA DE 'CÍNICA' DECLARAÇÃO DE CARDOZO NEGANDO CAIXA 2

MARQUETEIRO REAFIRMA: DILMA O AVISOU SOBRE SUA IMINENTE PRISÃO


Estadão

O marqueteiro João Santana divulgou nota em redes sociais, nesta quarta-feira (17), refutando as declarações de José Eduardo Cardozo, afirmando não houve caixa 2 nas campanhas de 2010 e de 2014. O marqueteiro chama de "cínica" essa afirmação. E ainda ironiza: "Pra cima de mim, José Eduardo?" O ex-ministro, também seriamente implicado nas revelações de Santa e de sua mulher Mônica Moura, viu "contradições" nos depoimentos.

Para João Santana, as declarações de Cardozo são "grotescas e absurdas". Segundo Cardozo, não houve um alerta de Dilma Rousseff sobre a prisão do casal com antecedência. No entanto, o marqueteiro garante que a presidente cassada avisou que a prisão seria iminente. “Seu último informe veio no sábado, em e-mail redigido com metáforas, cuja cópia está anexada aos termos da nossa colaboração”, disse em nota.

“Se não tivéssemos sendo informados da iminência da prisão, por que chamaríamos, na sexta, 19 de fevereiro, o nosso então advogado, Fabio Tofic, para que viesse às pressas a S. Domingos?”, questiona Santana.

O marqueteiro continua: “por que cancelaríamos nosso retorno ao Brasil, dias antes, com passagem comprada e com reserva jpa confirmada?”.

Com relação ao caixa 2, Santana diz que o ex-ministro insiste com a versão de que o ‘altíssimo custo’ oficial da campanha seria uma ‘prova vigorosa’ de que não houve pagamentos não contabilizados. “Este argumento não se sustenta para qualquer pessoa que conheça os altos custos e a realidade interna das campanhas”, disse o marqueteiro.

Ainda segundo Santana, Cardozo diz ‘que haveria uma espécie de acordo tácito entre eu e Marcelo Odebrecht para misturar caixa dois das campanhas do exterior com a campanha de Dilma. É uma mentira deslavada”. De acordo com o marqueteiro, nos depoimentos do casal fica discriminado o que são ‘campanhas do exterior e campanhas do Brasil’.

Íntegra da nota de João Santana

"A grotesca e absurda entrevista do advogado José Eduardo Cardozo ao Globo faz-me romper o compromisso - que tinha comigo mesmo - de somente tratar dos termos das colaborações, minha e de Mônica, no âmbito da Justiça.

Desta forma, digo de forma sucinta ( e reservo detalhes para momentos apropriados) :

1. Não há nenhuma contradição naquilo que Mônica e eu afirmamos sobre as informações recebidas, em fevereiro de 2016, a respeito de nossa prisão iminente. Quando disse que soube da prisão pelas câmeras de segurança de minha casa -acessadas por computador desde a República Dominicana - referia-me ao óbvio : foi naquele momento, na manhã do dia 22 de fevereiro, que eu vi, de fato e realmente, a prisão concretizada.

2. Antes, sabíamos, por informações da presidente Dilma, que a prisão seria iminente. Seu último informe veio no sábado, em e-mail redigido com metáforas, cuja cópia está anexada aos termos da nossa colaboração.

3. Apenas para ficar em dois indícios não devidamente noticiados : se não estivéssemos sendo informados da iminência da prisão, porque chamaríamos, na sexta, 19 de fevereiro, o nosso então advogado, Fabio Tofic, para que viesse às pressas a S. Domingos?

4. Por que cancelaríamos nosso retorno ao Brasil, dias antes, com passagem comprada e com reserva já confirmada ? ( A Polícia Federal chegou a esse detalhe através de investigação feita na época).

5. Com relação ao Caixa-2, o advogado Cardoso insiste também na versão surrada expressa a mim, desde 2015, pela presidente Dilma, de que o "altíssimo custo" oficial da campanha seria uma prova vigorosa de que não houvera "pagamentos não contabilizados". Este argumento não se sustenta para qualquer pessoa que conheça os altos custos e a realidade interna das campanhas.

6. Diz, também, de forma enviesada que haveria um espécie de acordo tácito entre eu e Marcelo Odebrecht para misturar caixa dois das campanhas do exterior com a campanha de Dilma. É uma mentira deslavada : nos nossos depoimentos está bem discriminado o que são campanhas do exterior e campanhas do Brasil.

7. De forma cínica diz que não houve caixa dois nas campanhas de 2010 e 2014. Pra cima de mim, José Eduardo?

8. Para finalizar, afirmo que as únicas vezes que menti sobre a presidente Dilma - e isso já faz algum tempo - foi para defendê-la. Jamais para acusá-la. Lamento por tudo que ela, Mônica e eu estamos passando. A vida nos impõe momentos e verdades cruéis.


JOÃO SANTANA"