quinta-feira, 27 de julho de 2017

O SILÊNCIO DO FALASTRÃO

JORGE OLIVEIRA

 O Lula está se envenenando com a própria língua, como diriam os chineses. Achou que ia ganhar no grito e deu-se mal. Depois de condenado, viu-se de uma hora para outra pobre novamente, depois que o juiz Sérgio Moro – que ele desacatou, inclusive ameaçando de prendê-lo se voltasse ao poder – mexeu na sua parte mais sensível: o bolso. Moro confiscou mais de 9 milhões de reais da sua poupança, número cabalístico, o mesmo da sua condenação, e agora o então falante, agressivo e impulsivo Lula silenciou. Nas entrevistas que tenta desqualificar os procuradores, ele já encontra brecha para se redimir dos insultos à Justiça. É assim mesmo, ele sempre se acovarda quando é pressionado e confrontado com a realidade dos fatos.

O ex-presidente falou o que não devia e recebeu o troco. Orientou seus advogados a partir para o tudo ou nada contra o juiz Sérgio Moro e os procuradores da Lava Jato. Chamou-os, inclusive de “aquela molecada” que não “entende de política”. Agora, sofre mais um revés, um dos desembargadores da 2º Turma do Rio Grande do Sul, a mesma que vai julgá-lo para ratificar ou não a sentença, indeferiu pedido de seus defensores para liberar a fortuna confiscada por Moro. E mais: o pessoal da Lava Jato também decidiu investigar essa conta milionária do ex-presidente, coisa que ele não conseguiria juntar mesmo poupando por décadas a aposentadoria e os salários dos mandatos de deputado federal e presidente da república.

Ele achava que o Moro iria absolvê-lo. Imaginou que o fato de ter exercido a presidência da república o transformaria em intocável, acima da lei. Não pensou como os mortais comuns porque se acha um ser superior que abusa da falsa humildade. Excedia-se na retórica quando estava à sua frente uma plateia selecionada para aplaudir os seus insultos. Por onde andou destratou os procuradores, a Polícia Federal e a Justiça em geral. Considerava-se, como chegou a dizer em seus devaneios, mais honesto do que Deus. Agora, com a casa no chão e as economias confiscadas, anda dando sinais de que vai mudar de comportamento depois do leite derramado.

A orientação que deu para seus advogados é a de pegar leve com os procuradores que apuram o assalto aos cofres públicos da organização criminosa. Faz isso depois de perceber que o circo não pegou fogo com a sua condenação. Os gatos pingados que foram às ruas apoiar os atos de corrupção da petezada já se recolheram. E daqui pra frente devem ficar encolhidos dentro dos seus sindicatos, pois a mamata da contribuição sindical acabou com a nova lei trabalhista. Por ano, eles recebiam R$ 3,5 bilhões referentes a um dia de salário de todo trabalhador brasileiro, dinheiro que era desviado para manter as mordomias da República Sindical e sustentar políticos e milhares de militantes do PT.

Nos últimos anos, desde o advento da Lava Jato, Lula perdeu todas. Viu seus amigos como Zé Dirceu, Vaccari, Vargas, Genoino & Companhia serem engaiolados pela Justiça. Esperneou, mas não conseguiu impedir que a sua companheira Dilma fosse chutada do Palácio do Planalto. Assistiu o seu partido definhar com a desfiliação de alguns parlamentares e a redução do número de prefeituras na última eleição e, no momento, amarga uma condenação de mais de 9 anos com sério risco de ir para a cadeia. Ou seja: o falastrão tentou ganhar no grito, mas teve que se curvar diante das evidências da sua culpabilidade em vários crimes investigados pela Polícia Federal e pelo Ministério Público.

Ao contrário do que imaginava, o Brasil não parou depois que ele foi condenado. As instituições e os serviços públicos estão funcionando a pleno vapor e alguns militantes, que se assanharam um dia depois do anúncio da sentença, hibernaram. Perceberam que não adianta gritar, pois o juiz Sérgio Moro não teme aplicar a lei. Ninguém está acima dela, como ele próprio disse ao se referir a sentença de Lula.

OPERAÇÃO COBRA - ‘PREGAR FIM DA LAVA JATO É DEFENDER LIBERDADE PARA LADRÕES DO DINHEIRO PÚBLICO’, DIZ PROCURADORA

OPERAÇÃO PRENDEU BENDINE, EX-PRESIDENTE DA PETROBRAS, NESTA QUINTA

"SE QUEREMOS UM BRASIL COM MENOS CORRUPÇÃO, É PRECISO IR ATÉ ONDE ELES FORAM E ESTÃO DISPOSTOS A IR”, DIZ JERUSA VIECILI 

Estadão

A procuradora da República Jerusa Burmann Viecili defendeu a continuidade das investigações da Operação Lava Jato nesta quinta-feira, 27. O ex-presidente da Petrobrás Aldemir Bendine foi preso pela Polícia Federal na Operação Cobra, fase 42 da Lava Jato, deflagrada pela manhã.
“Há quem fale que as investigações contra a corrupção têm que acabar, mas casos como esse deixam claro que os criminosos não vão parar. Pregar o fim da Lava Jato é defender a liberdade para os ladrões do dinheiro público prosseguirem. Se queremos um Brasil com menos corrupção, é preciso ir até onde eles foram e estão dispostos a ir”, diz a procuradora da República Jerusa Burmann Viecili.

A pedido da força-tarefa do Ministério Público Federal no Paraná, a Justiça expediu e a Polícia Federal cumpre, na manhã desta quinta-feira, três mandados de prisão temporária e 11 de busca e apreensão em nova fase da Lava Jato. Os focos principais desta operação são Aldemir Bendine e operadores financeiros suspeitos de operacionalizarem o recebimento de R$ 3 milhões de reais em propinas pagas pela Odebrecht em favor do ex-presidente da Petrobrás.

O principal alvo desta nova fase esteve à frente do Banco do Brasil entre 17 de abril de 2009 e 6 de fevereiro de 2015, e foi presidente da Petrobrás entre 6 de fevereiro de 2015 e 30 de maio de 2016.

Segundo a força-tarefa da Lava Jato, neste ano de 2017, ‘um dos operadores financeiros que atuavam junto a Bendine confirmou que recebeu a quantia de R$ 3 milhões da Odebrecht, mas tentou atribuir o pagamento a uma suposta consultoria que teria prestado à empreiteira para facilitar o financiamento junto ao Banco do Brasil’.

O Ministério Público Federal afirma que a empresa utilizada pelo operador financeiro era de fachada.

Para o procurador da República Athayde Ribeiro Costa, ‘é incrível topar com evidências de que, após a Lava Jato já estar em estágio avançado, os criminosos tiveram a audácia de prosseguir despojando a Petrobrás e a sociedade brasileira’.

“Os crimes recentes são a prova viva de que a prisão é necessária para frear o ímpeto criminoso de um esquema que vem desviando bilhões há mais de década”, diz.

O procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato no Paraná, diz que ‘preocupa a todos nós o arrefecimento do investimento na Lava Jato pela direção da Polícia Federal’.

“Das últimas sete operações da Lava Jato, seis foram pedidas pelo Ministério Público. É preciso preservar o trabalho da Polícia Federal nas investigações. O Ministro da Justiça e o Delegado-Geral têm poder e a consequente responsabilidade sobre o tamanho do efetivo, que foi reduzido para menos de metade”, observou.

PRISÃO DE BENDINE DEVOLVE O PT À LAVA JATO

A prisão do ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras Aldemir Bendine pela Operação Lava Jato, em nova fase deflagrada na manhã desta quinta-feira, 27, põe o PT de volta ao centro das atenções sobre a corrupção e cobrança de propinas em estatais.

Mais do que isso, atinge também a presidente cassada Dilma Rousseff e os ex-ministros Guido Mantega e Gilberto Carvalho, aos quais Bendine sempre foi ligado.

Em delação premiada, o empresário Marcelo Odebrecht e o ex-diretor da Odebrecht Agroindustrial Fernando Luiz Ayres da Cunha Santos Reis disseram ao Ministério Público que Bendine solicitou "vantagem indevida" à empreiteira Odebrecht enre 2014 e 2015, dizia "atuar como interlocutor da presidente da República" e que poderia evitar os avanços da Lava Jato.

De acordo com os delatores, a propina pedida foi de 1% da dívida alongada da Odebrecht Agroindustrial com o Banco do Brasil, condição para que fosse feita a renegociação e dado mais tempo para a quitação.

Bendine foi presidente do BB de 2009 (governo Lula) a 2015 (Dilma). Só deixou o banco para assumir a presidência da Petrobrás, no lugar de Graça Foster, que se afastara.

Aldemir Bendine foi a peça-chave do PT que Dilma Rousseff e o ex-ministro Gilberto Carvalho mantiveram no Banco do Brasil para impedir o avanço do PMDB sobre cargos importantes da instituição. Enquanto ele esteve por lá, os peemedebistas de fato nada conseguiram no BB, principalmente a ala liderada pelo ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha.

Sem condições de atuar no Banco do Brasil, Cunha voltou seus esforços para a Caixa Econômica Federal, nomeando o afilhado Fábio Cleto para a vice-presidência que cuidava da liberação de dinheiro do FGTS para grande obras de infraestrutura.

Cleto foi preso pela Operação Lava Jato. Em delação premiada, afirmou que Cunha cobrava propina de empreiteiras que conseguiam o dinheiro do FGTS.

A prisão de Bendine, importante nome do PT nas estatais, deverá beneficiar o ex-presidente Michel Temer no período que antecede a votação, pela Câmara, da denúncia feita contra ele pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, por corrupção passiva.

Vai tirar o foco das notícias ruins de cima do PMDB e de Temer, e devolvê-lo, pelo menos por um tempo, para o PT.
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João Domingos é coordenador do serviço Análise Política, do Broadcast Político.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

MEDIDAS PARA EVITAR CONTINGENCIAMENTO

As medidas discutidas por Temer com Dyogo e Meirelles

O Antagonista (Economia 26.07.17)


O Antagonista revelou ontem que a equipe econômica estuda uma série de medidas para evitar o contingenciamento de R$ 5,9 bilhões anunciado na semana passada.

Essas medidas foram discutidas ontem à noite na reunião de Michel Temer com Dyogo Oliveira e Henrique Meirelles. Além de buscar fontes alternativas de receita, o governo também estuda evitar novos gastos, como o reajuste de servidores previsto para o ano que vem.

Revejam o que publicamos:

GOVERNO RASPA O TACHO PARA NÃO CONTINGENCIAR 6 BI


O Antagonista levantou com fontes da equipe econômica as medidas que estão sendo tomadas para evitar o contingenciamento de R$ 5,9 bilhões anunciado na semana passada.

Até a próxima sexta-feira, o governo precisa publicar decreto de execução orçamentária e conta com R$ 2,1 bilhões das concessões de aeroportos, R$ 2,1 bilhões de precatórios da Caixa, R$ 1 bilhão do Funrural, R$ 1 bilhão da venda da Lotex (raspadinha da Caixa) e R$ 600 milhões da suspensão de pagamentos irregulares de INSS.
Governo espera 10 bi de renovação da Caixa Seguros

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Na busca por receitas que ajudem a fechar as contas, o governo resolveu retomar as negociações com a CNP Assurances para a renovação antecipada do contrato da Caixa Seguros que vence em 2021.

Os franceses querem pagar R$ 10 bilhões. O governo acha que pode obter, de forma imediata, R$ 6 bilhões. Desse valor, R$ 2 bilhões seriam usados para equilibrar as contas da própria Caixa Econômica Federal e os R$ 4 bilhões entrariam no Tesouro.

Também está sobre a mesa a revisão do Reintegra, o crédito tributário para exportação, de onde poderiam sair mais R$ 2 bilhões.

LULA: CASO DE CADEIA

IPOJUCA PONTES

Garantia Sivuca - José Guilherme Godinho, policial membro da Scuderie Detetive Le Cocq, um dos responsáveis pela caçada e morte de Cara de Cavalo, cafetão, traficante, assassino e “caso íntimo” do Hélio Oiticica, vanguardeiro performático das artes tropicalistas que chegou a homenagear o amor bandido com a ode-legenda “Seja marginal, seja herói” – bem, dizia Sivuca que “bandido bom é bandido morto”, bordão que o fez Deputado Estadual por duas vezes no ainda tolerável Rio de Janeiro dos anos 1990.

Pessoalmente, não chego a tanto. Mas acredito piamente que “bandido bom é bandido preso”, se possível, em certos casos, perpetuamente, num presídio de segurança máxima.

Este é bem o caso, por exemplo, de Luiz Inácio da Silva, reconhecido nas rodas civilizadas como o “Chacal” da politicagem tupiniquim.

Recentemente, como sabem todos (e a quase generalidade da população aplaudiu), o competente juiz Sérgio Moro condenou o ex-presidente a 9 anos e meio de cadeia, por corrupção e lavagem de dinheiro. É pouco – muito pouco, pouco mesmo. Neste sentido, procuradores da força-tarefa do Ministério Público Federal tomaram a decisão de recorrer da sentença e pedir penas maiores para o dono do PT. Faz sentido. De fato, como já escrevi, onde se abrir o código penal, o honorável Lula corre o risco de ser enquadrado: felonia, prevaricação, peculato, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, tráfico de influência, formação de quadrilha, entre outras tantas mazelas, formam o prontuário desta imperdoável figura que levou o País à degradação moral, política, econômica e social de forma nunca trilhada na nossa controversa história republicana.

Com Lula e o entorno comunista do PT, ambos aboletados nas utopias funestas e convenientes a tipos que nem Frei Beto (não dá pra mais de um “t”), FHC, Antonio Candido, Sérgio Buarque de Holanda, Geisel, Golberi et caterva, o Brasil trilhou (e continua a trilhar) os caminhos criminosos do “socialismo tropical” ou, se quiserem, do “estatismo selvagem”. Com a comunalha no poder, ingressamos, sem tirar nem pôr, na atmosfera mórbida do sétimo círculo do inferno traçado por Dante Alighieri nas páginas da Divina Comédia.

Eis o fato: nos 13 anos em que Luiz Inácio corrompeu a nação (sim, o “cara” impôs e sempre esteve por trás das manobras da guerrilheira marionete), atingimos a condição de um dos países mais corruptos e violentos do mundo, ao tempo em que se consolidou entre nós o aparelhamento do “Estado Forte” e se fincou no pedaço, seguindo as resoluções do Foro de São Paulo, uma burocracia insustentável que nos levou à insolvência absoluta.

Os números atuais impressionam: o País da era Lula comporta hoje 151 estatais deficitárias (entre elas, a Petrobras), 30 ministérios falidos, 153 autarquias e fundações federais inviáveis, 100 mil cargos comissionados e funções de confiança e gratificações supimpas, 250 mil funcionários-ativistas terceirizados, sem incluir o rombo previdenciário estimado (só em 2017) em R$ 167 bilhões e a alucinante dívida pública federal avaliada (pelo Tesouro Nacional) em mais de R$ 3 trilhões. Eis o prognóstico tardio: segundo cálculos fundamentados, as contas nacionais, caso as legiões socialistas de Lula fossem expulsas hoje das bocas estatais, só seriam ajustadas a partir de 2089. Ou seja, daqui a 60 anos!

Na sua oligofrenia progressiva, Lula diz que o seu governo livrou da fome 40 milhões de carentes que saíram da linha da pobreza para ingressar numa “nova classe média”. Sem jamais entrar numa fila do INSS, sustenta que transformou a saúde do Brasil em coisa de 1° mundo. Mais: garante que mesmo sendo analfabeto de pai e mãe, abriu as portas das universidades para o povo. E tudo a partir da consolidação, pelo seu “Estado Forte”, de uma política de “conteúdo nacional” (vide a “Nova Matriz Econômica”, de fedor leninesco).

Cinismo assumido, a mentira tem pernas curtas. Semana passada, amplo relatório divulgado pela Organização Mundial do Comércio (OMC) deu conta, detalhadamente, da desastrosa política industrial e comercial imposta ao País nos 13 anos dos governos de Lula Rousseff.

Escorado na farra vertiginosa de subsídios fiscais e financeiros, que detonou uma inflação de dois dígitos, foram desperdiçados R$ trilhões com os “campeões nacionais” JBS-Friboi, Odebrecht, empresas do finório Eike Batista, OI, OAS etc., cujo objetivo paralelo gerou propinoduto para abastecer os cofres inabordáveis do PT, dos partidos aliados e demais “companheiros de viagens”.

Pior: no esquema criminoso adotado, foram preteridas as relações comerciais com economias desenvolvidas enquanto eram torrados US$ bilhões com Cuba, Venezuela, Angola, República Dominicana, Bolívia e afins, países velhacos manobrados por comunistas ávidos de dinheiro fácil em troca da adesão irrestrita ao “socialismo do século XXI”. Coisa de doido!

Por fim, ouriçados com a decisão do Juiz Moro em bloquear R$ 9 milhões do ex-presidente, a tropa de choque petista classificou-a como “mesquinha”. De fato, a decisão do juiz, em se tratando de condenados por corrupção e lavagem de dinheiro, é obrigatória. Assim, o protesto soa como deboche.

Ademais, Lula aufere gordas aposentadorias, tem carro com chofer, apartamento confortável do qual não pode ser despejado, adega de fazer inveja a Brillat-Savarin, além de filhos e sobrinhos ricos. Há quem admita até que o honorável dispõe de boas reservas em Cuba e na Venezuela.

E o PT, ainda hoje uma das siglas partidárias mais ricas do planeta, não vai permitir que o seu “líder carismático” saia da boa vida e fique “asfixiado”.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

LULA, O MILIONÁRIO - LAVA JATO INVESTIGA ORIGEM DA FORTUNA DO EX-PRESIDENTE LULA

DESCOBERTA DE MAIS R$9 MILHÕES DO PETISTA INTRIGA LAVA JATO


A descoberta de R$9,6 milhões em contas correntes e investimentos do ex-presidente Lula deixou intrigada a força-tarefa da Lava Jato, que investiga o mistério de como o ex-metalúrgico, condenado por corrupção, acumulou tanto dinheiro. Ao ver bloqueados pela Justiça recursos e bens, Lula se queixou de que a “subsistência” de sua família estaria prejudicada. Pelo visto, para ele, dinheiro nunca foi problema. A informação é do colunista Cláudio Humberto, do Diário do Poder.

Interrogado na polícia, Lula disse cobrar US$200 mil por “palestra”, mas ninguém acreditou. Tampouco ele apresentou comprovantes.

Desde 2015 Lula não faz palestras, para as quais disse cobrar o dobro de Bill Clinton. O ex-presidente dos EUA continua a fazê-las.

Emílio Odebrecht revelou que pagava “honorários” a Lula, além de jatinhos, hotéis de luxo etc, para criar “imagem adicional” na África.

FIASCO - FRACASSAM ATOS PRÓ-LULA

ATOS PRÓ-LULA, EM SÃO PAULO E RECIFE, REGISTRAM BAIXA ADESÃO

NO RECIFE, DESDE O INÍCIO DA TARDE, ALGUNS POUCOS SINDICALISTAS APARECERAM NO ATO PRÓ-LULA. (FOTO: ARTHUR DE SOUZA/FOLHA DE PERNAMBUCO)

Diário do Poder

Os atos de apoio a Lula, convocado pelo PT e por sindicalistas ligados ao partido, reuniu público inexpressivo na noite desta quinta-feira (20), em várias cidades. Em São Paulo como no Recife, e em várias cidades, as manifestações desapontaram as expecttativas dos organizadores.

Usando camisas da CUT, do MST, do PT e de sindicatos controlados por petistas, em São Paulo algumas dezenas de simpatizantes do ex-presidente tomam conta de menos de um quarteirão da Avenida Paulista. No Recife, a manifestação de apoio ao ex-presidente, condenado à prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, atraiu cerca de trinta pessoas.

Os manifestantes xingam o juiz Sérgio Moro, que condenou Lula, e os adversários do PT.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

MORO CONFISCA BENS E BLOQUEIA R$ 606 MIL DE LULA

JUIZ CONFISCA 4 IMÓVEIS DO PRESIDENTE CONDENADO POR CORRUPÇÃO


Diário do Poder

O juiz federal Sérgio Moro determinou o bloqueio de R$ 606 mil pertencentes ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O dinheiro estava distribuído em quatro contas, nos bancos do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco e Itaú.

No total, foram bloqueados R$ 606.727,12. Havia R$ 397.636,09 no Baco do Brasil, R$123.831,05 na Caixa Econômica, R$ 63.702,54 no Bradesco e R$ 21.557,44 no Itaú.

O confisco inclui três imóveis do petista e um terreno. Também foram arrestados dois automóveis. O bloqueio foi realizado pelo Banco Central.

“Na sentença foi decretado o confisco do apartamento como produto do crime. Neste processo, pleiteia o sequestro de bens do ex-Presidente para recuperação do produto do crime e o arresto dos mesmos bens para garantir a reparação do dano. Este Juízo reputou prudente sentenciar o caso antes de decidir o pleito de constrição”, diz trecho do despacho.

Na condenação de Lula, o juiz exigiu o pagamento de R$ 16 milhões, valor esse referente a uma suposta conta da empreiteira OAS com o PT. Com a determinação de Moro, restam ainda cerca de R$ 13,7 milhões a serem descontados.

Em 2016, o Ministério Público Federal havia solicitado o sequestro de bens. De acordo com o órgão, Lula é o comandante do maior esquema de corrupção instalado no país.

QUERIDINHO DA GLOBO NÃO É LULA, É MAIA

Esplanada: Após tentativa de trégua, Temer declara guerra contra Globo


Presidente passou a ordenar a execução de eventuais dívidas da emissora com a União, de impostos e de financiamentos no BNDES

17/07/2017
O DIA

O presidente Michel Temer enviou o ministro Moreira Franco para conversar com a cúpula da TV Globo há dois meses, numa tentativa de trégua. Mas foi em vão. Temer então declarou guerra. E passou a ordenar a execução de eventuais dívidas da emissora com a União, de impostos e de financiamentos no BNDES. No contra-ataque, a emissora determinou a aproximação de seus principais executivos com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, na tentativa de fazê-lo presidente da República. Mesmo que seja por um ano, até a eleição direta.

Dupla

São constantes as conversas de Maia com o vice-presidente de relações institucionais da Globo, Paulo Tonet. Almoçaram juntos domingo passado, revelou a Coluna.

Na moita

Deputados da tropa de choque já falam em cassar a concessões da emissora quando vencerem os prazos, que são renovados a priori em comissão responsável na Câmara.

Em tempo

A informação dessa guerra de poderosos chegou à Coluna no sábado de fonte do Palácio, e por ora não conseguimos contato com o BNDES e a assessoria da emissora.
(...)

Coluna de Leandro Mazzini

terça-feira, 18 de julho de 2017

MEU CARGO, MINHA VIDA - ADORADORES DE BOQUINHAS ODEIAM TEMER

COM PT NO GOVERNO, OS CARGOS COMISSIONADOS CRESCERAM 27%

SÓ LULA CRIOU 4.836 NOVOS 'CABIDES', MAS TEMER OS CANCELOU


Adoradores de boquinhas no setor público, os petistas aumentaram em mais de 27%, em 10 anos, o número de “cargos em comissão” ou DAS (Direção e Assessoramento Superior). Os governos Lula criaram 4.836 “cabides”, segundo o Boletim Estatístico de Pessoal, mas Michel Temer anunciou há um ano a extinção de quase todos, 4.689. Ao assumir em 2003, Lula encontrou 17.449 cargos. Deixou o governo com 22.103. A informação é do colunista Cláudio Humberto, do Diário do Poder.

O ano de 2016 foi o primeiro, desde 2003, em que o número de “comissionados” do governo ficou abaixo dos 18 mil.

Os cargos comissionados, “aparelhados” pela “cumpanherada”, não exigem concurso, nem estabelecem vínculo com o serviço público.

Entre cargos, funções (cargos comissionados reservados a servidores) e gratificações, o governo mantém 97.874 boquinhas.

PROCURADORIA RECORRE AO TRF4 PARA AUMENTAR PENA DE PRISÃO DE LULA

PROCURADORES DA REPÚBLICA NO PARANÁ VÃO RECORRER POR UMA PENA MAIS PESADA AO PETISTA (FOTO: PAULO PINTO/AGÊNCIA PT)

Estadão

A força-tarefa da Operação Lava Jato informou ao juiz Sérgio Moro nesta segunda-feira (17) que vai ao Tribunal Regional Federal (TRF4) apelar da sentença que condenou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a 9 anos e 6 meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso triplex. Os procuradores da República no Paraná já haviam dito que vão recorrer por uma pena mais pesada ao petista.

Os procuradores avaliam que Lula merece pena mais alta ainda - Moro absolveu o ex-presidente de lavagem de dinheiro pelo armazenamento de bens custeado pela empreiteira OAS, mas o condenou pelo mesmo crime em razão de supostamente ocultar a titularidade do triplex, que seria fruto de propinas da Petrobras.

"A responsabilidade de um Presidente da República é enorme e, por conseguinte, também a sua culpabilidade quando pratica crimes. Isso sem olvidar que o crime se insere em um contexto mais amplo, de um esquema de corrupção sistêmica na Petrobras e de uma relação espúria entre ele o Grupo OAS. Agiu, portanto, com culpabilidade extremada, o que também deve ser valorado negativamente. Tal vetorial também poderia ser enquadrada como negativa a título de personalidade", destacou o magistrado, ao sentenciar Lula.

A força-tarefa afirmou, por meio de nota, que discorda "em relação a alguns pontos" da decisão do juiz da Lava Jato na primeira instância.

Os procuradores ainda ressaltaram que, "com base nas provas, as quais incluem centenas de documentos, testemunhas, dados bancários, dados fiscais, fotos, mensagens de celular e e-mail, registros de ligações telefônicas e de reuniões, contratos apreendidos na residência de Lula e várias outras evidências, a Justiça entendeu que o ex-presidente é culpado pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro de que foi acusado pelo Ministério Público Federal".

"O Ministério Público Federal, nos autos acima identificados, comparece, respeitosamente, perante Vossa Excelência, com fulcro no artigo 593, I, do Código de Processo Penal, para interpor recurso de apelação em face da respeitável sentença constante do evento 948, requerendo seu recebimento e a concessão de prazo para o oferecimento das respectivas razões, nos termos do artigo 600, caput, da Lei Adjetiva Processual Penal", afirmam os procuradores da força-tarefa, em petição a Moro feita nesta segunda-feira.
(...)

domingo, 16 de julho de 2017

DILMA, A CAMPEÃ DO TOMA LÁ, DÁ CÁ

DILMA GASTOU MAIS QUE TEMER NO TOMA LÁ, DÁ CÁ

CONTRA O IMPEACHMENT, DILMA LIBEROU R$3,2 BILHÕES EM EMENDAS



O presidente Michel Temer se utilizou da mesma estratégia da antecessora: Dilma pagou R$ 3,2 bilhões em emendas parlamentares individuais às vésperas da votação do processo de impeachment, em abril e maio de 2016. Uma portaria do período antecipou o pagamento de R$ 1,8 bilhão àqueles que a julgariam uma semana depois. Em maio, com o impeachment no Senado, Dilma liberou mais R$ 1,4 bilhão. A informação é do colunista Cláudio Humberto, do Diário do Poder.

O Orçamento prevê distribuição de R$96,6 bilhões em emendas em 2017; R$87,5 bilhões para bancadas e R$9,1 bilhões em individuais.

O governo Temer liberou, até julho, cerca de R$ 1,8 bilhão de um total de R$ 6,3 bilhões previstos no orçamento para as emendas individuais.

Mais de 61% (R$ 1,1 bilhão) do valor liberado pelo governo Temer em emendas foi para o Fundo Nacional de Saúde, não para parlamentares.

“No desespero, tentam qualificar a aglutinação como compra de votos”, justificou o então líder do governo, Humberto Costa (PT), em 2016.

sábado, 15 de julho de 2017

"EMENDA LULA" É UM ACINTE AO PAÍS

DEPUTADO AFRONTA OPINIÃO PÚBLICA E TENTA LIVRAR LULA DA CADEIA



Diário do Poder

O relatório do deputado federal Vicente Cândido (PT-SP) na Comissão de Reforma Política um mecanismo de proteção a políticos investigados por crimes, com o objetivo de blindar o ex-presidente Lula de ser preso, durante a campanha eleitoral de 2018. A iniciativa amplia a imunidade já prevista, de 15 dias para oito meses antes da eleição, exceto em casos de flagrantes.

Parlamentares reagiram contra a proposta que precisa ser aprovada até setembro, para vigorar na próxima eleição em que o petista pretende disputar, mesmo condenado a 9 anos e 6 meses de cadeia por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

"É um acinte à opinião pública. É uma tentativa de mudar a justiça só para atender a um determinado líder", disse o deputado Betinho Gomes (PSDB-PE), ao portal UOL. Ele é titular na Comissão de Reforma Política, mas não é o único a reprovar a iniciativa.

Marcos Pestana (PSDB), vice-presidente da comissão, discorda e acredita que seja melhor focar em outras medidas essenciais. “A proposta é inadequada, principalmente neste momento em que estamos passando. Vai passar para a opinião pública que é uma a salvaguarda, uma proteção àqueles que estão prestes àqueles que estão na iminência de serem condenados. Não creio que vá prosperar”, opinou Pestana.

Efraim Filho (DEM-PB) afirma que a proposta estabelece um prazo demasiadamente longo. E não vê chances de aprovação, nem pela comissão, nem pelo plenário da Câmara. Para o parlamentar, a sociedade não tolera mais corrupção e tudo o que possa levar à impunidade de políticos. "Essa emenda será rechaçada pela opinião pública da mesma forma que foi a articulação da anistia ao caixa 2", prevê.

A BLINDAGEM

A alteração atinge o Artigo 236 do Código Eleitoral e foi batizada de “Emenda Lula”. Porque, salvará o ex-presidente Lula, caso o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) mantiver a sentença do juiz federal Sérgio Moro.

“Para a conjuntura em que estamos vivendo, justifica uma norma dessa natureza. Para outros momentos, o Brasil entrando na normalidade, sem essa forte judicialização da política, ou essa política policialesca que estamos vivendo, essa norma pode não fazer sentido. Mas, para esse momento, faz sentido. Conversei com vários líderes e o presidente e até agora ninguém falou que isso está fora do propósito e é melhor tirar”, disse o deputado, à Rádio CBN.

Lucio Vieira Lima, que preside a comissão não quer votação a toque de caixa. E que precisa haver um debate amplo.

LULA SÓ TEM 5% DE CHANCES NO TRF4

LULA PODE TER CANDIDATURA CANCELADA

DESEMBARGADOR DO TRF4 VÊ DANOS AO PAÍS COM JUDICIALIZAÇÃO EM 2018

LULA QUER SER CANDIDATO COM DISCURSO DE VÍTIMA

Diário do Poder

Ao comentar a condenação do ex-presidente Lula por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, o desembargador federal do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), Carlos Eduardo Thompson Flores, afirmou que apenas uma pequena parcela das decisões da Operação Lava Jato sofreu algum tipo de revisão na segunda instância. E lamentou a possibilidade de a corrida presidencial ser marcada por uma judicialização.

Após afirmar que o índice de reforma em sentenças do juiz Sérgio Moro pelo TRF4 não chega a 5%, Thompson Flores, respondeu sobre a hipótese de haver condenação, caso o ex-presidente tenha obtido o registro de candidatura, em 2018, como o petista pretende fazer.

“Se verificada esta condenação após o registro, o registro da candidatura está ipso facto, em decorrência da condenação, anulada. O Lula tem domicílio eleitoral em São Paulo, aí então a Justiça Eleitoral de São Paulo, ela vai, através do Ministério Público Eleitoral ou de outros partidos políticos, vai solicitar isso. Na realidade, quando há uma condenação dessa, há uma comunicação da decisão do Tribunal à Justiça Eleitoral. Agora, nada impede que, além disso, o Ministério Público Eleitoral [MPE] solicite essa providência, além de outros partidos políticos, por exemplo, adversários políticos do ex-presidente também poderão requerer [o cancelamento da candidatura]”, disse Carlos Eduardo Thompson Flores, em entrevista à Rádio CBN.

Ao lembrar que candidatos a governador geralmente obtém liminares e seguem candidatos até o final da disputa, o desembargador do TRF4 criticou o “arsenal jurídico” que possibilita que postulantes a cargos eletivos, mesmo com problemas na Justiça, participem do processo eleitoral com liminares.

“O Brasil é um dos países mais generosos em matéria de recursos. Nós temos um arsenal jurídico que permite... E isso aumenta muito a incerteza. E o senhor imagina, numa disputa eleitoral para presidente da república, por hipótese, um candidato, qualquer que seja ele, continuar participando de uma eleição sob liminar. Imagina a incerteza que isso causará a investidores e ao próprio País, né? É um cenário possível, em tese? É possível”, criticou o desembargador.

SÓ 5% REVISADAS

Sobre a possibilidade de reforma de sentença relacionada à Lava Jato, o desembargador do TRF4 disse já haver um perfil mais ou menos definido. “Aquela caracterização da peça acusatória de que houve desvios na Petrobras, que houve uma quadrilha explorando esses recursos e distribuição política já foi confirmada”, explicou o desembargador do TRF4.

Sobre o prazo para julgamento de recurso do ex-presidente Lula, Thompson Flores disse crer que a condenação do líder do Partido dos Trabalhadores deve ser julgada entre maio e junho do ano que vem.

O desembargador citou que 701 processos da operação de Curitiba foram avaliados pelo Tribunal Regional Federa da 4ª Região. Desse total, cerca de 450 foram relativos a habeas corpus.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

UM HERÓI SEM CARÁTER NENHUM

Líder sindical que vendia greves, informante da ditadura que combatia e político paparicado


José Nêumanne
Publicado no Estadão

Quando alguém pede um autógrafo num exemplar de meu livro O que Sei de Lula(Topbooks, Rio de Janeiro, 2011), minha definição favorita para o protagonista que perfilei em suas 522 páginas é “Macunaíma de palanques e palácios”. É necessária, contudo, uma pequena inversão na frase com que Mário de Andrade definiu magistralmente seu personagem-símbolo da brasilidade, “um herói sem nenhum caráter”. Lula talvez mereça uma definição com uma troca de lugar do pronome indefinido na frase: “um herói sem caráter nenhum”.

Conheci-o em 1975, quando acompanhei sua ascensão à condição de maior dirigente sindical da História ao preparar, negociar e dirigir as greves que ajudaram a extinguir a longa noite da ditadura tecnocrático militar. Quase meio século depois, contudo, o empreiteiro Norberto Odebrecht, herdeiro e herdado da construtora encalacrada na corrupção da Lava Jato, contou que lhe pagou propinas para evitar greves. Ou seja, o maior líder operário teria sido também o maior “traíra” da História do movimento obreiro, tendo chegado ao ponto de tirar proveito pessoal de sua condição de condutor de massas.

As greves espetaculares dos metalúrgicos do ABC, lideradas por ele de um palanque armado no centro do Estádio de Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, contestaram a estrutura legal do peleguismo varguista, que perdurou na ditadura. As paralisações das montadoras de automóveis e fábricas da cadeia automotiva roeram os pés de barro do regime autoritário, que ruiu sobre as próprias bases. Mas ele mesmo foi informante dos militares, como contei na abertura de meu livro citado. E também do diretor do Dops paulista, o delegado Romeu Tuma, conforme relatou o filho deste, o também delegado que foi secretário de Justiça do Ministério da Justiça da primeira gestão presidencial de Lula, Romeu Tuma Jr. Nunca, em momento algum, as informações dadas nas páginas seja de O que Sei de Lula, seja de Assassinato de Reputações, também editado pela Topbooks, foram contestadas em entrevista, artigo ou processo judicial.

No entanto, essas bombas de hidrogênio sobre a imagem de qualquer político de esquerda no mundo inteiro não produziram o efeito de um traque junino na mitologia em torno do entregador de lavanderia e torneiro mecânico que chegou ao mais elevado posto da República. Neste, aliás, produziu a catástrofe de efeito ainda mais deletério: o maior escândalo de corrupção da História e, em consequência dele, uma crise política, que está passando pela segunda tentativa de afastamento do presidente da República, e econômica, que levou 14 milhões de trabalhadores à tragédia do desemprego. No entanto, o ex-presidente mantém a fama, a condição de mito e o poder que isso transfere. É o político mais celebrado na memória do povo e o mais temido pelas elites dirigentes, às quais sempre serviu, embora tendo sempre vendido o peixe de que é seu inimigo favorito.

O retirante nascido no agreste pernambucano e criado nas franjas industriais da Grande São Paulo, de onde emergiu para a fama, foi o pai dos pobres, que nunca se esquecem dele, e a mãe dos burgueses, que preferem vê-lo a distância segura, mas sabem que na hora H poderão contar com sua eterna gratidão. Por isso, o chefe da organização criminosa que limpou todos os cofres da República é o chefão da conspiração daqueles que participaram com ele desse assalto. Agora condenado, vale mais para ele do que para qualquer outra eventual vítima da limpeza da Operação Lava Jato aquele slogan do anúncio de vodca: “Eu sou você amanhã”. Por isso é o “rei do paparico”, embora suas qualidades pessoais e de gestor não possam ser comparadas ao cardápio do restaurante do Porto que leva esse nome.

A CONDENAÇÃO DE LULA DA SILVA

AMEAÇA DE PRISÃO - Lula: propina em troca de serviços prestados a empreiteira do petrolão

O líder petista, em vez de alimentar pretensões de voltar à Presidência da República, deve antes acertar as contas com a Justiça....
.... Faz muito mal ao País que corruptos se candidatem e tentem enganar o povo.

Editorial do Estadão

Já não recaem apenas suspeitas contra o sr. Lula da Silva, e tampouco ele é simples investigado ou réu. Ontem, o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva foi condenado pelo juiz Sérgio Moro, da 13.ª Vara Federal de Curitiba, a nove anos e seis meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no processo relativo ao triplex do Guarujá. Mesmo reconhecendo que o comportamento de Lula poderia ensejar eventual decretação da prisão, em razão das suspeitas de tentativa de destruição de provas e dos vários atos de intimidação da Justiça, Moro permitiu que o ex-presidente recorra da sentença em liberdade.

Para o juiz, ficou provado que o líder petista recebeu R$ 2,25 milhões em propinas da empreiteira OAS. A sentença, que também condenou Léo Pinheiro por corrupção ativa e lavagem de dinheiro e Agenor Franklin Magalhães Medeiros por corrupção ativa, afirma que Lula da Silva praticou por três vezes, entre 11 de outubro de 2006 e 23 de janeiro de 2012, o crime de corrupção passiva e também por três vezes, de outubro de 2009 até 2017, o crime de lavagem de dinheiro. Em relação às imputações de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo o armazenamento do acervo presidencial, o juiz Sérgio Moro absolveu Lula da Silva e Léo Pinheiro por falta de prova. Também foram absolvidos, por falta de prova, Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula, e outros três réus.

Para fixar a pena, o juiz deve avaliar as circunstâncias nas quais o crime foi praticado. Na sentença, Sérgio Moro expõe didaticamente a gravidade da conduta do réu Lula da Silva. “A prática do crime de corrupção envolveu a destinação de R$ 16 milhões a agentes políticos do Partido dos Trabalhadores, um valor muito expressivo. Além disso, o crime foi praticado em um esquema criminoso mais amplo no qual o pagamento de propinas havia se tornado rotina. Consequências também devem ser valoradas negativamente, pois o custo da propina foi repassado à Petrobrás, através da cobrança de preço superior à estimativa, aliás propiciado pela corrupção, com o que a estatal ainda arcou com prejuízo no valor equivalente. A culpabilidade é elevada. O condenado recebeu vantagem indevida em decorrência do cargo de Presidente da República, ou seja, de mandatário maior. A responsabilidade de um Presidente da República é enorme e, por conseguinte, também a sua culpabilidade quando pratica crimes. Isso sem olvidar que o crime se insere em um contexto mais amplo, de um esquema de corrupção sistêmica na Petrobrás e de uma relação espúria entre ele e o Grupo OAS. Agiu, portanto, com culpabilidade extremada, o que também deve ser valorado negativamente.”

Ainda que caiba recurso, a condenação de Lula da Silva a nove anos e seis meses deixa claro que o líder petista, em vez de alimentar pretensões de voltar à Presidência da República, deve antes acertar as contas com a Justiça. Seria um tremendo desserviço ao País que o condenado Lula usasse a política para tentar se livrar das graves acusações que recaem sobre sua conduta.

Diante do reiterado mau comportamento que Lula teve ao longo de todo o processo na primeira instância, com tentativas canhestras de politizar a questão penal e intimidar as autoridades, não se deve esperar arrependimentos repentinos. Reforça-se, portanto, a necessidade de que a Justiça, no caso específico o Tribunal Regional Federal (TRF) da 4.ª Região, quando convocado para rever o processo, mantenha o condenado sob o peso da lei.

A ação penal de Lula da Silva não é um jogo político. Longe de ser uma questão de opção ideológica, o processo penal instaurado contra o ex-presidente petista manifesta a existência no Brasil de um Estado Democrático de Direito, com uma lei vigente e todos, absolutamente todos, respondendo por ela. Como disse o juiz Sérgio Moro ao final da sentença, “é de todo lamentável que um ex-presidente da República seja condenado criminalmente, mas a causa disso são os crimes por ele praticados, e a culpa não é da regular aplicação da lei”. Que a Justiça na segunda instância continue a assegurar a regular aplicação da lei, também para os efeitos da Lei da Ficha Limpa (Lei Complementar 135/2010). Faz muito mal ao País que corruptos se candidatem e tentem enganar o povo.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

"FORA TEMER" LONGE DO POVO QUE FOI ÀS RUAS CONTRA O PT

AMEAÇA DE DIRCEU FAVORECE TEMER NA CÂMARA


O anúncio do presidiário em férias José Dirceu de que “o PT retomará o poder” deve ajudar os aliados de Michel Temer a convencer os que se afastaram do presidente a votar contra a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), na próxima semana. Políticos experientes observam que o linchamento diário de Temer favorece os planos finalmente confessados pelo ex-ministro, em recente passeio à Bahia. A informação é do colunista Cláudio Humberto, do Diário do Poder.

Dirceu pretendia animar a militância envergonhada com a corrupção dos governos do PT, mas acabou reaglutinando o antipetismo.

O primeiro a perceber o erro estratégico de José Dirceu foi, claro, Lula. E disparou recados para que ele pense mais, antes de falar.

Permanece no Congresso a maioria esmagadora que expulsou Dilma do governo. Maioria que jamais favoreceria o retorno do PT.

A oposição demorou a perceber que os “coxinhas” não foram às ruas contra Temer porque seu grande objetivo era derrubar o “lulopetismo”.

CANSAÇO
O açoite sem tréguas em Michel Temer guarda surpreendente distância das ruas. E também das pesquisas: desconfiados, os telespectadores estão abandonando a audiência dos telejornais “Fora Temer”.

ALGUMA DÚVIDA SOBRE A TRAMA DO PT?

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TEATRO DO ABSURDO

Eliane Cantanhêde, O Estado de S.Paulo

A brincadeira em Brasília, se é possível fazer alguma brincadeira em meio à tragédia, é que já começou o “fora, Maia” na Austrália e no Japão e que José Dirceu já faz até planos. Em áudio divulgado nas redes sociais, avisa que está “de pé e na luta” e faz uma profecia: “Nós (ele, Lula e o PT) vamos voltar”.

Os tucanos se unem aos petistas para empurrar o presidente Michel Temer ladeira abaixo, mas só o PT tem a lucrar com isso. Os petistas serão os grandes vitoriosos da eventual queda de Temer e vão empurrar Maia rampa acima, mas para liderar o “fora, Maia” no dia seguinte. O momento é de oposição e quem sabe fazer oposição é o PT.

É assim que o ex-presidente Lula vem subindo nas pesquisas, recuperou os seus 30% e está na liderança para 2018 no rastro da desgraça de Temer, das revelações sobre o PMDB e da queda estonteante de Aécio Neves. Palocci e Joesley Batista colaboram, jogando a culpa em Mantega, o mordomo da vez.

Toda a trama se desenrola dentro do cronograma previsto pelos petistas lá atrás, quando já não suportavam Dilma e arregaçavam as mangas para infernizar Temer com os movimentos camaradas. Bem melhor fazer oposição a um presidente impopular do que carregar uma presidente que se revelou um desastre.

Durante meses de fogo cruzado, Temer conseguiu sobreviver basicamente pela falta de um sucessor e pelo pânico de a economia sofrer mais ainda. Agora, na fase do fogo amigo do PSDB, cresce a onda a favor de Maia, mas as incertezas continuam. Temer tem explicações a dar à Justiça, mas Maia foi citado nas delações da Odebrecht e da OAS e está na lista Janot-Fachin.

O remanejamento de equipes da PF em Curitiba significa exatamente o oposto do que se imagina. A Lava Jato não está sendo esvaziada, está evoluindo, porque a investigação dos “sem-mandato” já praticamente se esgotou em Curitiba, onde estão bem adiantados os inquéritos contra Lula e estão presos Marcelo Odebrecht, Léo Pinheiro, Eduardo Cunha, Antonio Palocci e outros menos cotados.

É hora, portanto, de se concentrar nos “com mandato”. A equipe não foi desmobilizada, apenas sai de Curitiba para investigar em Brasília, Rio, Minas, Bahia, Rio Grande do Norte e por aí afora, com foco no “PMDB da Câmara” e aliados. Inclusive Maia?

Conclusão: enquanto Temer for presidente, ele e ministros como Eliseu Padilha e Moreira Franco não vão ter um minuto de sossego. A PF, o Ministério Público e o ministro Edson Fachin estarão a postos, mantendo a pressão, enquanto os juízes de primeira instância “comem pelas bordas”, capturando os sem-mandato (que sobraram) do entorno de Temer.

É assim que o Brasil, pobre Brasil, vive a mesma situação da era Dilma: se correr, o bicho pega; se ficar, o bicho come. Manter Dilma, impopular, paralisada e inepta seria jogar o País e sua economia num buraco cada vez maior. Tirá-la seria, como foi, entregar o poder ao PMDB, que não é flor que se cheire.

A crise e o dilema se repetem. Manter Temer, impopular, investigado e perdendo apoios, é fechar os olhos para os escândalos. Tirá-lo é jogar a economia numa grande incógnita e desviar o foco e as acusações para Rodrigo Maia. Uma festa para o PT.

Porém, não são só Lula e PT que comemoram a aflição de Temer e a eventual chegada de Maia. Na outra ponta, está Jair Bolsonaro, que lembra Donald Trump. Ele era tão absurdo que ninguém dava bola… Se absurdos acontecem até na potência, quanto mais num País afundado numa crise sem fim. Dilma caiu, Temer pode cair, Maia é uma incógnita e 2018 pode nos reservar Lula versus Bolsonaro. Absurdo?

terça-feira, 4 de julho de 2017

CRIME CONTRA O PRODUTOR BRASILEIRO

PRODUTORES VÃO À JUSTIÇA CONTRA IMPORTAÇÃO DE ÁLCOOL SEM IMPOSTO



O lobby dos importadores impedirá que em sua reunião desta terça (4) a Câmara de Comércio Exterior da Presidência (Camex) suspenda sua decisão, desde o governo Dilma, de zerar o imposto de importação de álcool de milho dos Estados Unidos. Produtores do Nordeste, por isso, decidiram recorrer à Justiça Federal: sem pagar impostos e subsidiado pelo governo americano, o álcool de milho chega ao Brasil mais barato que o fabricado no Nordeste, que paga impostos e emprega brasileiros. A informação é do colunista Cláudio Humberto, do Diário do Poder.

O crime contra a produção nacional, em vigor desde 2010, tem outro agravante: o milho de álcool americano é altamente poluente.

Com zero de imposto, as distribuidoras de São Paulo ganham muito dinheiro importando álcool americano, em lugar do nordestino.

As distribuidoras, que também têm destilarias, importam álcool de milho dos EUA na entressafra de São Paulo. E no auge da safra no Nordeste.

LULA EM BANHO MARIA - UM PRATO INDIGESTO

MORO SERÁ MAIS METICULOSO COM LULA, ACREDITAM INVESTIGADORES E ADVOGADOS


Estadão

Investigadores, assessores e advogados que acompanham de perto o andamento dos processos da Lava Jato em Curitiba avaliam que o juiz Sérgio Moro deve demorar mais alguns dias para dar a sentença no processo em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é réu no caso do triplex no Guarujá.

Tanto no Ministério Público Federal (MPF) quanto na Justiça Federal no Paraná há o entendimento de que a extensão das alegações finais da defesa do petista, com 363 páginas, vai demandar mais tempo de Moro. Além disso, o juiz da 13.ª Vara Criminal Federal de Curitiba deve ser ainda mais meticuloso na decisão sobre Lula, sobretudo pelo peso político da decisão. “O Moro sabe da importância dessa sentença. Portanto, vai revisar e revisar antes de proferir a decisão”, afirmou uma fonte.

A decisão do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4) de reformar a decisão de Moro e absolver o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, preso desde 2015, colabora com essa expectativa. Tanto no Judiciário paranaense quanto no entorno de Lula, a notícia foi interpretada como um sinal claro do tribunal de segunda instância para a Lava Jato.

Moro havia condenado Vaccari a 15 anos e 4 meses de prisão por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Na semana passada, o TRF-4 absolveu o ex-tesoureiro petista alegando que não haviam provas contra Vaccari além da palavra de delatores.

“Comemoramos duplamente. Primeiro porque foi feita justiça ao Vaccari, segundo porque o TRF-4 abriu uma nova perspectiva e nos deixou muito animados. Agora temos muita convicção de que não há como o Moro condenar o Lula, não há uma única prova material no caso do triplex”, disse o ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência Gilberto Carvalho.

Segundo fontes próximas a Moro, a decisão do TRF-4 deve dificultar uma sentença contrária a Lula. Elas avaliam que, para condenar o petista, o juiz teria de aplicar a teoria do domínio do fato, alegando que Lula tinha controle sobre tudo o que acontecia. Do contrário, as provas recaem sobre a ex-primeira-dama Marisa Letícia, morta em fevereiro em decorrência de um aneurisma cerebral – foi Marisa quem decidiu comprar uma cota da Bancoop no prédio do Guarujá e quem mais vezes esteve no imóvel.

Expectativa. A iminência da publicação da sentença no caso do triplex é motivo de apreensão no mundo político e especulações no mercado. Nesta sexta-feira, 30, boatos de que Moro anunciaria a decisão ainda antes do fim de semana circularam entre operadores da área financeira. A boataria não se confirmou. Naquele dia, Moro, que voltava de viagem aos Estados Unidos, ouviu depoimentos de Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula, e dos diretores da entidade Paulo Vanucchi, Luiz Dulci e Clara Ant, mas no caso que apura a doação de um terreno ao instituto pela construtora Odebrecht.

Lula é acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no processo sobre o triplex. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), o ex-presidente teria recebido R$ 3,7 milhões em propinas (por meio do apartamento e do armazenamento de parte do acervo presidencial do petista) da empreiteira OAS em troca de vantagens em contratos com a Petrobrás. A defesa de Lula alega que o petista nunca foi dono nem sequer usufruiu do apartamento e que o MPF não conseguiu produzir provas além do depoimento do ex-presidente da OAS Léo Pinheiro.

Se for condenado em primeira e segunda instâncias, Lula pode ser enquadrado na Lei da Ficha Limpa e ficar impedido de disputar as eleições de 2018. O petista lidera as pesquisas. Além disso, o ex-presidente é réu em outros dois processos. Um deles apura repasses de empreiteiras investigadas pela Lava Jato à LILS, empresa de palestras do petista. O terceiro processo é sobre o sítio usado por Lula e sua família em Atibaia.

domingo, 2 de julho de 2017

LULA É O CHEFE (ponto)



Ruy Fabiano, Blog do Noblat, 01/07/2017

O perigo do “Fora, Temer” é ofuscar o protagonismo do PT no maior processo de rapina já perpetrado ao Estado brasileiro – aliás, a qualquer Estado. A corrupção como método de governo.

O PMDB, partido que Temer presidiu por longo tempo, e cuja parceria com o PT o levou à vice-presidência de Dilma Roussef, praticou a corrupção clássica, que, embora obviamente criminosa, cuidava de não matar a galinha dos ovos de ouro.

A do PT, não. Não se conformava em enriquecer os seus agentes. Queria mais: saquear o Estado para financiar um projeto revolucionário de perpetuação no poder. Daí a escala inédita, mesmo em termos planetários. Só no BNDES, o TCU examina contratos suspeitos de financiamentos, que incluem países bolivarianos e ditaduras africanas, na escala de R$ 1,3 trilhão. Nada menos.

Poucos países têm tal PIB. A Petrobras, que era uma das maiores empresas do mundo, desapareceu do ranking mundial. Deve mais do que vale. O PT banalizou o milhão – e mesmo o bilhão.

As delações da Odebrecht e da JBS, entre outras de proporções equivalentes (Queiroz Galvão, OAS, Andrade Gutierrez, UTC etc.) mostram quem estava no comando: Lula e o PT. Os demais beneficiários estão sempre vários degraus abaixo. Eram parceiros – e, portanto, cúmplices -, mas sem comando.

Por essa razão, soou como piada de mau gosto – ou um escárnio à inteligência nacional – a afirmação de Joesley Batista de que Temer era o chefe da maior quadrilha do erário. A ação implacável do procurador-geral Rodrigo Janot procurou reforçar aquela afirmação, que obviamente não se sustenta.

Os irmãos Batista, no governo Lula – e graças a ele -, ascenderam da condição de donos de um frigorífico em Goiás à de proprietários da maior empresa de produção de proteína animal do mundo, com filiais em diversos países. Tudo isso em meses.

O segredo? A abertura dos cofres do BNDES, de onde receberam algo em torno de R$ 45 bilhões. Tal como Eike Baptista, são invenções da Era PT. Temer nada tem a ver com isso, ainda que tenha sido – e está provado que foi – beneficiário do esquema.

Mas chefe jamais. Temer e o PMDB são a corrupção clássica, igualmente criminosa, mas em proporções artesanais. É grave e deve ser investigada e punida. Mas enquanto a rapina peemedebista cabe em malas, a do PT exige a criação de um banco, como a Odebrecht acabou providenciando no Panamá para melhor atendê-lo.

É, portanto, estranho que, diante de evidências gritantes como as que Rodrigo Janot dispunha sobre Lula, não tenha se indignado na medida que o fez em relação a Temer e Aécio, cujas respectivas prisões pediu. Jamais denunciou Lula ou Dilma.

Muito pelo contrário. Até hoje não explicou porque destruiu uma delação premiada do ex-presidente da OAS, Leo Pinheiro, que comprometia Lula. Não o sensibilizaram tampouco as delações do casal de marqueteiros João Santana e Mônica Moura, que, inclusive, revelaram um esquema de financiamento de campanhas em países bolivarianos com dinheiro roubado da Petrobras.

E o casal deixou claro a quem obedecia: Lula e Dilma, fornecendo detalhes sórdidos do esquema: entre outras aberrações, uma conta fria de e-mail pela qual Mônica trocava informações com Dilma, com o objetivo declarado de obstrução de justiça.

E o caso do ex-ministro Aloizio Mercadante, que tentou silenciar Delcídio Amaral, que se preparava para uma delação premiada? Ofereceu-lhe dinheiro e intermediações no STF para soltá-lo. O que Janot fez com aquela fita, cuja nitidez dispensou perícias técnicas? Mercadante continuou ministro até a saída de Dilma. E o que Janot falou a respeito? Suas indignações, de fato, têm sido seletivas, dando ensejo justificado a suspeitas de engajamento.

Temer está em maus lençóis pelo que fez – e deve ser investigado. Ele, Aécio e quem mais tenha delinquido. Mas não se deve perder de vista o senso das proporções. Lula é o chefe.

QUEM É O GREVISTA QUE NÃO TRABALHA, MAS INFERNIZA A VIDA DE QUEM TRABALHA (E OS SUSTENTA)?

QUEM É O GREVISTA DE GREVE GERAL?

PERCIVAL PUGGINA

Inicialmente cabe perguntar: como pode ser "geral" uma greve sem apoio da população? Pelas siglas das bandeiras que agitam, os habituais construtores da confusão e suas massas de manobra acham muito bom o ambiente político promovido na Venezuela e os resultados colhidos em Cuba. Creem, então, ser de boa política demonstrar força parando o país na marra. O sucesso deles depende do fracasso de todos os demais.

São pequenos grupos, porém, articulados nacionalmente. Param o transporte coletivo na base da pedrada e do "miguelito", mas não são, eles mesmos, motoristas de ônibus porque isso é muito trabalhoso. Bloqueiam rodovias e avenidas, incendiando pneus, mas não são, eles mesmos, transeuntes desses caminhos. Impedem os demais de trabalhar, mas são raros, raríssimos em tais grupos, os ativistas que ganham seu sustento com o suor do próprio rosto. Menor ainda é o número daqueles cuja atividade, por sua natureza, agrega algum valor à economia nacional. Querem é distância do mérito, da concorrência, do livre mercado. São nutridos por alguma teta política, pública, sindical ou familiar. São, estes últimos, filhinhos do papai entregues à sanha dos encolhedores de cabeças do sistema de ensino. É a geração nem-nem, mas com direito a mesada.

O que estou descrevendo aqui por intuição, os italianos diriam ser algo que "si sente col naso" (se percebe com o nariz). E bem mereceria ser objeto de uma pesquisa acadêmica. Conviria à sociedade conhecer o perfil dessas pessoas que volta e meia se congregam para infernizar a vida dos outros. No entanto, também com o nariz, posso intuir que a academia brasileira não teria o menor interesse em executar essa tarefa porque ela iria desmoralizar, politicamente, as seivas de que essa militância se nutre. E as grandes empresas de comunicação? Bem, pelo que tenho visto ao longo deste dia 30 de junho, tampouco elas, diante das depredações e da queimação de pneus, pronunciaram uma sílaba sequer que fosse além da mais cirúrgica narrativa dos fatos em curso. Tão lépidos em comentar tudo, entendam ou não dos assuntos, demonstram-se, hoje, absolutamente indispostos a qualquer análise do que está acontecendo. No entanto, há uma riqueza de conteúdo, tanto no que não aconteceu quanto no que aconteceu. Tudo por ser investigado.

Creio que só uma colaboração premiada poderia desvendar as entranhas dessas articulações político-ideológicas tão nocivas ao bem comum...

sábado, 1 de julho de 2017

'GREVE GERAL' DE MEIA DÚZIA - LITERALMENTE

'GREVE GERAL' NÃO PARALISA O PAÍS, E NO RIO E SP TRANSPORTES FUNCIONAM


Diário do Poder

Os transportes públicos funcionam e não há sinais de colapso nas maiores cidades do País, apesar da tentativa "greve geral" promovida por sindicalistas em protesto contra as reformas trabalhista e previdenciária. Outras capitais, como Brasília e Belém, os transportes foram afetados seriamente.
Apesar dos motivos alegados para os protestos, na verdade os sindicalistas ligados à CUT e ao PT estão inconformados com o fim da obrigatoriedadedo imposto sindical, que lhe rende R$3,5 bilhões anualmente. A reforma trabalhista prevê o fim dessa obrigatoriedade.

Em São Paulo, os metroviários se recusaram a aderir à greve e, assim como no Rio de Janeiro, os transportes públicos não foram afetados pelo movimento sindical.

Uma das imagens significativas da "greve geral" em São Paulo pode ser vista no movimentado acesso da Ponte Eusébio Matoso com a Avenida Vital Brasil, região oeste: apenas meia dúzia de pessoas segurando uma faixa de protesto.

INDICADA PARA PGR, RAQUEL DODGE DESCONFIA TER SIDO GRAMPEADA - E SUSPEITA DE JANOT

Dodge suspeitou de espionagem de Janot em seu gabinete
















Por Rodrigo Rangel, Laryssa Borges

Se passar pela sabatina e tiver seu nome aprovado pelo plenário do Senado, a subprocuradora-geral da República Raquel Dodge será a primeira mulher a assumir o posto mais alto da hierarquia do Ministério Público no país. Na guerra entre Michel Temer e o atual procurador-geral, Rodrigo Janot, ela era o nome perfeito para o presidente. Desde que Janot chegou ao comando da PGR, há pouco menos de quatro anos, Raquel se insurge contra o estilo de sua administração, que considera extremamente autoritário e pouco agregador. O desapreço é recíproco. Um episódio ocorrido há dois anos e meio, e mantido em segredo até agora, ilustra o nível da relação entre os dois.

Em 3 de novembro de 2014, Raquel Dodge nem deveria comparecer à Procuradoria — aquele seria seu primeiro dia de férias —, mas, de surpresa, decidiu passar em seu gabinete para resolver algumas pendências. Chegando lá, percebeu que as luminárias instaladas sobre as mesas de trabalho tinham sido removidas e recolocadas no lugar. Havia sujeiras com marcas de impressões digitais no teto. Raquel estranhou e, no mesmo dia, pediu uma conversa com Janot. Ao procurador-geral, ela relatou o que havia ocorrido e, não satisfeita, preparou um ofício para formalizar a queixa e pedir providências. No dia seguinte, ao chegar para trabalhar, a chefe do gabinete da procuradora encontrou dois homens, com uma escada, mexendo no teto da copa do gabinete. Os homens saíram do local antes que pudessem ser identificados.

A desconfiança de que eles haviam entrado sem aviso com o propósito de retirar supostos dispositivos de escuta ambiental fez aumentar ainda mais o nível da suspeita. Avisada desse segundo episódio, Raquel voltou a cobrar Janot. Com a demora do procurador-geral em adotar providências, a própria Raquel levantou, em conversas com colegas e auxiliares mais próximos, a suspeita de que a suposta arapongagem pudesse estar partindo da área de inteligência da própria PGR, a serviço de Janot.