terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

FAXINEIRA DE ARAQUE VILIPENDIA OPINIÃO PÚBLICA

Dilma perde a lógica e em mensagem ao Congresso exalta a corrupção e fala em economia ousada 
UCHO

Lógica zero – Dilma Rousseff, a presidente, não foge à regra que infesta os escaninhos da política e se mostra reveladora a cada novo dia que surge, não importando o fato de que hoje seja preciso rasgar o discurso de ontem. Isso é prática comum inclusive no Partido dos Trabalhadores, onde ela só não é considerada “cristã nova” por causa do cargo que ocupa.

O tempo tem avançado e Dilma, que não conseguiu cumprir até então as promessas de campanha, tornou-se protagonista maior de um país que é o da piada pronta. Pode parecer estranho esse tipo de afirmação que ora fazemos, mas não há como classificar de forma diferente as sandices que escorregam pela rampa do Palácio do Planalto coma chancela presidencial.

Em mensagem enviada ao Congresso Nacional na segunda-feira (4), quando foi aberto oficialmente o ano legislativo, Dilma fez afirmações que atentam contra o bom senso dos cidadãos que pensam. Afirmou a presidente que a política econômica atual é “ousada” e classificou como “imprescindível” o papel do Congresso, no momento em que as ações do governo são duramente criticadas por não terem garantido um maior crescimento da economia em 2012.

Dilma Rousseff zomba dos brasileiros ao fazer tais afirmações, pois os números, que não mentem jamais, mostram que a única ousadia do governo na área da economia é manter Guido Mantega no Ministério da Fazenda. De resto, tudo o que foi feito aconteceu fora do tempo e não surtiu efeito. 

A redução do IPI não garantiu o crescimento econômico, assim como a desoneração da folha de pagamento de alguns setores. A redução do IPI serviu para, no rastro do crédito fácil e irresponsável, criar uma nova classe média com 40 milhões de incautos que se atiraram no consumismo e hoje lutam contra uma pilha de carnês e faturas atrasadas.

A presidente ressalta a miopia do seu pensamento ao afirmar na mensagem que “Se o ritmo de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) ficou aquém do esperado, fechamos o ano com indicadores que nos afastam e diferenciam substancialmente do cenário vivenciado por muitos países, inclusive os mais desenvolvidos”. 

Dilma, assim como a extensa maioria dos companheiros de legenda, é mais uma soberba que jamais erra. Só não pode ser considerada como oráculo do Senhor porque Nele Ela não acredita. Tanto é assim que permitiu que Lula surrupiasse o crucifixo que estava no gabinete presidencial e que é patrimônio público.

Mas a ousadia redacional de Dilma avançou, como se o Brasil fosse um enorme picadeiro com aproximadamente 200 milhões de palhaços. “Nesse momento em que a atividade política é tão vilipendiada, faço questão de registrar nesta mensagem o meu sincero reconhecimento ao imprescindível papel do Congresso Nacional na construção de um Brasil mais democrático, justo e soberano”, escreveu Dilma levada ao parlamento pela ministra Gleisi Hoffmann, chefe da Casa Civil.

Dilma não deveria ter utilizado o vernáculo “imprescindível” para um Congresso que se vende desde os tempos do Mensalão do PT. A compra da consciência dos políticos – se é que eles de fato têm – não foi interrompida com a eclosão do maior escândalo de corrupção da história nacional, mas apenas mudou-se a forma de pagamento. Porém, falar em um país “mais democrático, justo e soberano” quando o banditismo político é prerrogativa para que alguns alarifes com mandato cheguem a postos de comando no parlamento é querer chamar o povo de idiota.

Melhor seria se Dilma Rousseff tivesse economizado papel e enviado uma mensagem curta e sucinta, afirmando aos parlamentares para que continuassem tranquilos, pois o esquema há de continuar.

POVO NÃO DÁ CONTA DE BANCAR A ECONOMIA, HORA DO GOVERNO TRABALHAR

Retração industrial manda recado ao Planalto (Editorial)

O Globo

Uma parcela do “pibinho” de 2012 foi conhecida com a informação, liberada pelo IBGE, de que a produção industrial caiu 2,7% no ano. Apenas em dezembro, a queda, em relação ao mesmo mês de 2011, foi, inclusive, maior (3,6%).

Além de, nos últimos tempos, só não ter superado a recessão industrial de 2009 — resultado do tranco causado na economia mundial pela eclosão da crise a partir de Wall Street —, 2012 fez a produção da indústria retroceder a patamares pré-crise: ficou 4,5% abaixo da produção de setembro de 2008, quando a falência do Lehman funcionou como faísca de ignição do tumulto global.

O mau resultado do ano passado é forte recado ao governo, com a mesma mensagem que vem sendo transmitida com insistência há meses: o crescimento econômico por meio do consumo se esgotou, assim como pela via da política monetária (juros) — aliás, registrado em ata pelo próprio Copom.

Vale, ainda, recordar que, durante muito tempo, emanou do Ministério da Fazenda a tese de que tudo estaria resolvido caso o câmbio voltasse para acima do patamar do R$ 2 (por dólar). O real valorizado estaria “desindustrializando” o país — tese polêmica, pois a indústria perde participação no PIB em todo o mundo — e corroendo o que restava de competitividade das exportações.

O governo, então, “sujou” ainda mais a flutuação cambial, e colocou o dólar na faixa supostamente salvadora, acima dos R$ 2. Mas não deu certo. O “pibinho” industrial comprovou que a economia brasileira não é mais aquela da ditadura militar, em que minidesvalorizações diárias compensavam parte das deficiências do país.

Hoje, com um parque produtivo mais conectado ao exterior, abastecido por linhas de suprimento transnacionais, as desvalorizações cambiais parecem ter um efeito inflacionário maior. Desanimador para quem esperava contornar as precariedades nacionais com a velha ferramenta cambial.

Já o esgotamento do modelo lastreado no consumo é ainda mais visível, basta acompanhar o endividamento das famílias e as taxas de inadimplência — em alta.

BRASILEIRO PAGA PARA FAZER PAPEL DE BOBO

PRECISA DE PESQUISA PARA CONSTATAR O QUE VAI NA NOTÍCIA ABAIXO?
BASTA UMA CALCULADORA.


Juros e taxas fazem valor de crédito pessoal dobrar

O Globo

A facilidade de obter dinheiro por meio do crédito pessoal, fartamente oferecido por bancos e financeiras, até pela internet e em caixas eletrônicos, geralmente custa caro para quem toma esse tipo de empréstimo.

Uma pesquisa feita pela Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste) apontou que o Custo Efetivo Total (CET), ou seja, o somatório dos juros e das demais taxas cobradas pela concessão do dinheiro pode fazer com que o montante pago seja mais do que o dobro da quantia que a instituição financeira repassou ao cliente, ao fechar o negócio.

Um crédito de R$ 2 mil pago em 12 parcelas, por exemplo, custa ao todo, para o consumidor, de R$ 2.474,76 a R$ 4.637,64, dependendo do banco ou da financeira. Entre as 13 instituições pesquisadas, o maior CET foi encontrado na financeira IBI Cred: 499,93% ao ano.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

GOVERNO DO IMPROVISO

Brasil passa
vexame ao adiar
evento da ONU
Na coluna de Claudio Humberto

Após o desastre na organização da Rio+20, o governo brasileiro deu nova prova de incompetência ao adiar, na semana passada, a Conferência Científica da UNCCD, que aconteceria de segunda (4) a sexta, em Fortaleza (CE), para tratar do combate à desertificação e à seca. Avisados em cima da hora, os mais de dois mil participantes de 194 países pedem à ONU o ressarcimento das passagens compradas.

Desorganização

O governo pediu à ONU em junho do ano passado para sediar a conferência de cientistas, e agora alega que não teve tempo.

Só propaganda

O ministro Marco Antonio Raupp (Ciência e Tecnologia) e o governador Cid Gomes anunciaram em agosto de 2011 a realização do evento.

Faça o que digo...

O Ministério de Ciência e Tecnologia afirma reconhecer a “importância da conferência”, mas não sabe dizer para quando foi adiada.

... não o que faço

O Nordeste sofre a pior seca em 50 anos, e a ministra Izabella Teixeira (Meio Ambiente) sequer assinou documento pela realização do evento.


O DESASTRE DA INDÚSTRIA

O Estado de S.Paulo (Editorial)


O grande tombo da indústria, principal componente do fiasco econômico do ano passado, está confirmado e medido oficialmente. A produção industrial diminuiu 2,7% em 2012, segundo informou na sexta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi o primeiro resultado negativo desde o recuo de 7,4% registrado em 2009, quando se manifestaram plenamente, em todo o mundo, os efeitos recessivos do estouro da bolha financeira nos mercados de crédito americano e europeu. 

Mas a pior parte da notícia é outra. É preciso ir aos detalhes para encontrar o significado econômico da crise industrial brasileira e entender o estrago causado por erros políticos acumulados em muitos anos.

Os números de 2012 servem tanto para um exame do passado quanto para uma avaliação dos problemas à frente. O mau desempenho em 2012 limita as possibilidades de crescimento do País em 2013 e nos anos seguintes e impõe desafios enormes ao governo e ao empresariado.

O recuo de 2,7% foi o resultado médio de todo o setor industrial. A produção da indústria extrativa diminuiu apenas 0,3%. A do setor manufatureiro encolheu 2,8%. É esse o canal mais importante de irradiação de tecnologia e de criação de empregos decentes.

É também o mais exposto à concorrência internacional. Quando se decompõe a atividade segundo as categorias de uso, aparece um quadro especialmente sombrio.
(...)

A queda de produção do setor de bens de capital é um péssimo prenúncio. O investimento, como qualquer outro uso de recursos, influencia o crescimento a curto prazo, mas seu efeito mais importante é outro.

O potencial de expansão da economia depende, a médio e a longo prazos, do valor investido em máquinas e equipamentos de vários tipos, em instalações de produção de bens e serviços e em infraestrutura (estradas, portos, armazéns, centrais elétricas, redes de transmissão e distribuição de energia e sistemas de comunicação).

No Brasil, o total do investimento desse tipo, também conhecido como formação bruta de capital fixo, continua inferior a 20% do PIB. Em outros países latino-americanos, está nas vizinhanças de 30%. Na Ásia, há taxas maiores e até próximas de 40%, financiadas principalmente por elevados níveis de poupança interna.

Também é muito importante o dinheiro investido em capital humano, isto é, o dinheiro aplicado nos vários tipos de educação e nos cuidados de saúde. Mas esses valores são raramente explicitados nas contas oficiais do investimento, assim como os recursos destinados à pesquisa e ao desenvolvimento de produtos e processos.

Mas os resultados são facilmente observáveis no desempenho das empresas e das economias nacionais. Em todos esses itens o Brasil fica muito atrás da maior parte dos demais países.

Também é preciso levar em conta, naturalmente, a qualidade do investimento, um item quase sempre negligenciado nas avaliações da atividade econômica brasileira. Muito dinheiro perdido em maus projetos e corrupção acaba incluído na conta de investimentos.

Economistas de várias instituições têm estimado em 3,5%, pouco mais ou menos, o potencial de crescimento econômico do Brasil. É um cálculo complicado e impreciso, mas um ponto é indiscutível: o potencial brasileiro, nesta altura, é muito menor que o de outros emergentes. Mas o governo insiste em políticas fracassadas, continuando a atribuir à crise externa e às ações de autoridades estrangeiras (a tal "guerra cambial", por exemplo) os males do Brasil.

MASSA DE MANOBRA

Dora Kramer - O Estado de S.Paulo

A maioria das pessoas no Brasil não está nem aí para os partidos, corrobora o que se constata a olho nu uma pesquisa recente encomendada pelo Estado ao Ibope.
Partindo do princípio de que os partidos, descontados os períodos eleitorais, não estão nem aí para as pessoas, um índice até surpreendentemente baixo: 56% não têm preferência partidária, contra 44% que ainda nutrem alguma simpatia por essa ou aquela legenda.
Quando da redemocratização, a situação era inversa: 61% declaravam identificação com algum partido e 38% eram indiferentes. Culpa da democracia? Não, esta fez a sua parte, culpa de quem não sabe direito o que fazer com ela. E que não se responsabilize apenas os políticos nem se exima o chamado povo.
Aqui entra a segunda pesquisa que de certa forma tangencia questão assemelhada: uma consulta, publicada pelo jornal Valor Econômico, feita pelo instituto Barômetro das Américas em 18 países sul-americanos sobre o interesse da população no embate de ideias políticas.
Os números revelam uma redução acentuada na disposição de ouvir o que tem a dizer a oposição sobre os governos dos respectivos países - 50,9 pontos contra o índice mais baixo até então registrado, de 52,3, em 2008. Ou seja, cresce a intolerância à discórdia. A maioria não gosta de críticas, não valoriza o pluralismo de opiniões e, portanto, considera a liberdade de expressão um fator secundário.
Campo fértil para governos que alimentam campanhas contra os meios de comunicação e instituições independentes. Ou, como acreditam analistas do Barômetro, consequência da ação desses mesmos governos que fomentam a intolerância a qualquer tipo de crítica.
Não por acaso o grau de aceitação do exercício do contraditório é mais baixo em países como Venezuela (queda de 66,5 para 54,2 nos últimos cinco anos), Equador (43,4) e Honduras (36,6).
Na Argentina, país de opinião pública forte, o índice ainda é razoavelmente alto (58,6), mas houve um recuo de 8,8 pontos desde a ascensão de Cristina Kirchner, refratária assumida a discordâncias.
A boa notícia é que o Brasil está na antepenúltima colocação na escala da intolerância com o exercício da oposição (57 pontos), ainda que se enquadre entre os países cujos governos consideram que a atividade democrática se resume a vitórias eleitorais.
Podemos facilmente nos reconhecer na explicação que o professor da faculdade latino-americana de Ciências Sociais, Simón Pachano, deu sobre o aumento da intolerância à oposição no Equador de Rafael Corrêa.
"O conceito de democracia se reduz ao triunfo nas eleições. Não está presente aí o enorme componente liberal da democracia contemporânea que garante a discrepância, sustenta o pluralismo, permite o desempenho da oposição e torna possível a alternância", diz ele.
E acrescenta: "Isso nos leva a que aspectos positivos desse governo passem a um segundo plano em razão de uma clara deterioração da convivência democrática".
Degradação que se expressa na interpretação do eleito de que a delegação popular o desobriga de respeitar o arsenal democrático citado acima pelo professor e o autoriza a induzir as pessoas a confundir crítica com falta de apreço à pátria.

300 picaretas e uma pá de cal

Fernando Gabeira, O Estado de S. Paulo


Num dos meus primeiro mandatos de deputado federal defendi na tribuna da CâmaraOs Paralamas do Sucesso, acusados de caluniar o Congresso Nacional com a música Luís Inácio (300 picaretas'). Os primeiros versos diziam: “Luís Inácio falou, Luís Inácio avisou/ são trezentos picaretas com anel de doutor!'.
Defendi-os em nome da liberdade de expressão. Não concordava inteiramente com Lula. Talvez fossem 312 ou 417. Reconheço que 300 é um número redondo, mais fácil de inserir nos versos de uma canção popular. Além do mais, nem todos têm anel de doutor. Mas isso são detalhes.

O mais importante é registrar que estávamos na véspera da chegada do PT ao governo federal, início da era do “nunca antes neste país”. E aonde chegamos, agora, uma década depois?

Renan Calheiros deve assumir a presidência do Senado, Henrique Eduardo Alves, a da Câmara e o deputado Eduardo Cunha, a liderança do PMDB. Caso se concretizem, esses eventos representam um marco na História do Congresso. Significa que, para muitas pessoas informadas, o Congresso deixa de existir. É o fim da picada...

Conheço os passos dessa estrada porque transitei nela 16 anos. O mensalão significa o ato inaugural, a escolha do tipo e da natureza de alianças políticas do novo governo. O mensalão significa a compra de votos dos partidos, uma forma de reduzir o Congresso a um balcão de negócios.

Em seguida vieram as medidas provisórias (MPs). Governar com elas é roubar do Congresso tempo e energia para seus projetos. A liberação das emendas parlamentares era a principal compensação pelo espaço perdido.
(...)

Uma década depois, vendo o Congresso idêntico à sua caricatura, pergunto quando é que nos vamos dar conta dessa perda, desse membro amputado de nossa anatomia democrática.
A saída da minoria - chamada, com uma ponta de razão, de Exército Brancaleone - foi pressionar por dentro e estabelecer uma tensão entre ala e a opinião pública.
Na definição do voto aberto para cassar deputados, vencemos o primeiro turno porque a imprensa e eleitores estavam de olho. Vitória esmagadora, contra apenas três abstenções. Agora até esse caminho está bloqueado.
Todos os dispositivos internos foram reforçados e passaram a impedir tais votações. Com a cumplicidade do PT, os piores elementos foram ascendendo aos postos estratégicos e agora o esquema chega ao auge, com a escolha de Calheiros e Alves.
(...)
Luiz Inácio falou, Luiz Inácio avisou. Mas foi o primeiro a passar para o lado deles e a contribuir com algumas novas espécies para a fauna já diversa que encontramos em 2003.
A vitória dos cavaleiros do apocalipse recoloca a urgência de salvar o Congresso dele mesmo. A maneira de potencializar o trabalho da minúscula oposição é a maior transparência possível e uma ajuda da opinião pública. A partir dessa vitória, Calheiros, Alves e seus eleitores no Parlamento dizem apenas à sociedade: somos assim, e daí?
Depois do descanso merecido, o bode que é o porteiro da empresa favorecida por Alves deveria ser colocado na porta do Congresso.
É impensável que 300, 312 ou 417 - não importa o número exato - picaretas enfrentem o Brasil sem uma represália dura. O espírito do “eles lá, nós aqui”, de distância enojada, no fundo, é bom para eles, que querem total autonomia para seus negócios. Será preciso mostrar que toda essa farsa é patrocinada pelo dinheiro público. E que sua performance será amplamente divulgada agora e no período eleitoral.
O instinto de sobrevivência da instituição não existe. Mas o do político é muito grande. É preciso que ele sinta o desgaste pessoal produzido por suas escolhas.
Muitas pessoas vão trabalhar nisso, cada uma no seu posto, às vezes em manifestações. A eleição direta para presidente foi uma conquista. A perda do Congresso para o ramo dos secos e molhados é uma dolorosa ferida em nossa jovem democracia.
Nós demos um boi para não entrar nessa luta. Daremos um bode para não sair dela.

Leia a íntegra em 300 picaretas e uma pá de cal