sexta-feira, 12 de outubro de 2018

A ESQUERDA SERÁ DESMASCARADA

“É preciso expor os absurdos da esquerda e da velha política”, diz deputado mais bem votado no RS

Por Diego Amorim

Marcel Van Hattem, do partido Novo, foi o candidato que, concorrendo pela primeira vez, mais recebeu votos para deputado federal no Rio Grande do Sul em toda a história política do estado.

Com 349.855 votos, ou 5,99% do total, ele recebeu 166 mil votos a mais do que o segundo colocado, o deputado Onyx Lorenzoni (DEM), cotado para ser chefe da Casa Civil em eventual governo de Jair Bolsonaro.

Aos 32 anos, Marcel começou a carreira política ainda com 18, como vereador de Dois Irmãos, sua cidade natal. Acabou ficando regionalmente conhecido quando, eleito deputado estadual pelo PP, endureceu o discurso contra a esquerda gaúcha.

Foi ele, por exemplo, que, no ano passado, fez barulhou para impedir que, por iniciativa de Manuela D’Ávila (PC do B) — deputada estadual e hoje vice na chapa de Fernando Haddad –, a Assembleia bancasse as despesas do deputado federal Jean Willys (PSOL), que foi a Porto Alegre ser homenageado com a medalha de Ordem Farroupilha.

“É preciso expor os absurdos da esquerda e da velha política. É isso que vou continuar fazendo na Câmara”, disse o deputado federal eleito, que ajudou a organizar os primeiros protestos contra Dilma Rousseff na capital gaúcha.

Sem “jamais ceder em princípios”, defende Marcel, será preciso encontrar formas de dialogar com o máximo de deputados possível em Brasília. Mas ele faz uma ressalva.

“O problema é dialogar com PT, PC do B, PSOL. Nós o tratamos como adversários a serem vencidos, mas eles nos veem como inimigos a serem eliminados.”

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

MUDA BRASIL! PAZ E BEM!


"No Ano da Vida Consagrada que é preciso olhar o passado com gratidão. É preciso voltar a Assis. Voltar e contemplar com o coração agradecido, pois são tantos motivos, e vamos fazer como família esse agradecimento. Recordava também que é preciso viver o presente com paixão. A nossa família franciscana tem um DNA muito forte e em todo o Brasil há franciscano e franciscana testemunhando esse Deus apaixonado, exagerado, que entregou sua vida por nós. Lembrava ainda o Francisco de Roma que temos de abraçar o futuro com esperança. A esperança nos faz recomeçar tudo de novo, como dizia o Pai São Francisco. Temos uma herança espiritual forte e preciosa que nos foi dada e que espera ser atualizada e vivida por todos nós, franciscanos e franciscanas. O nosso Capítulo das Esteiras vai ser essa oportunidade única para fazer memória da vocação à vida fraterna, nosso diferencial na Igreja e no mundo.

Disse o Papa Francisco aos superiores gerais reunidos: “Despertai o mundo. Sede testemunhas de um mundo diferente no fazer, no agir e viver”. É possível viver diversamente neste mundo. Portanto, façamos a diferença com nossa presença e a nossa participação no Capítulo das Esteiras e que testemunhemos o Evangelho vivo que Francisco viveu, e que é tão atual."

Frei Carlos Silva, OFMCap
Ministro Provincial da Província da
Imaculada Conceição (SP)

As palavras são bonitas e eu acredito piamente no que o frei diz, é o meu lema de vida. Sei que muita gente pensa assim, mas não age de acordo com o prega, por isso estou compartilhando pela mensagem, não pela pessoa que eu nem conheço e nada sei sobre ele. 

Mas essa é a nossa realidade, muita gente fala de paz e agride o próximo com palavras inadequadas. Reclama do ódio do outro, mas é o primeiro a proferir insistentemente essa palavra como um mantra, com repetições do que tem em seu coração. Diz seguir os ensinamentos cristãos, mas repercute fofocas e más notícias com a satisfação de um "caçador de bruxas".

É óbvio que não estou me referindo aos petralhas, pois para eles os valores são avessos aos meus e a paz que lhes interessa é aquela em que só eles têm o direito de falar e aos outros cabe somente obedecer. Por isso, não pesa na minha consciência tê-los como alvo de minhas críticas, porque afirmar que os condenados pela justiça são criminosos é relatar o que é fato, não é fofoca, e porque é necessário deixar claro os motivos de minhas discordâncias. Portanto, mesmo os esquerdistas que eu prezo como pessoa, jamais teriam meu voto porque eu não quero eleger alguém para aprovar medidas que eu desaprovo.

Estou curiosa para ver como serão tratadas as cicatrizes depois das eleições, não creio que tenhamos atingido um grau tão intenso de insensibilidade que as paixões possam anular a razão e os afetos. 

Que haja em nosso país criaturas que consigam colocar em prática a oração de Francisco de Assis e resgate os sentimentos nobres onde se instalou uma batalha de troca de ofensas pessoais, quando deveriam ser apenas de propostas e ideias.

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

EMPRESÁRIOS COM BOLSONARO

O Antagonista

Depois da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), agora foi a vez de a Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) manifestar apoio a Jair Bolsonaro.

Em manifesto assinado pelo presidente da entidade, George Teixeira Pinheiro, a CACB argumenta que “precisamos afastar os maus políticos do poder”.

“Não podemos permitir que o Brasil dê um passo para trás e que condenados pela justiça e envolvidos com comprovados esquemas de corrupção voltem a governar o nosso país.”

Eis o documento, obtido por O Antagonista.

MÉDICO VETA PARTICIPAÇÃO DE BOLSONARO EM DEBATE DA GLOBO

Revista Exame


O candidato do PSL, Jair Bolsonaro, não irá participar do debate da TV Globo, marcado para esta quinta-feira, dia (4). A informação foi confirmada por assessores próximos ao presidenciável.

O cirurgião Antonio Luiz de Vasconcellos Macedo, que cuidou de Bolsonaro, durante sua internação no Hospital Albert Einstein, após o ataque a facas sofrido em setembro, visitou o candidato, em sua casa no Rio de Janeiro na manhã desta quarta.

Segundo o médio, a participação do candidato no debate não é recomendável pelo nível de estresse que poderia ter reflexos no seu quadro de saúde.

Os filhos e a mulher de Bolsonaro também eram contra a participação do candidato no confronto. Politicamente, as últimas pesquisas, que mostraram o aumento de sua a vantagem em relação ao segundo colocado, Fernando Haddad (PT), também contribuíram para a avaliação de que o comparecimento ao programa da TV Globo seria desnecessário.

O candidato do PSL tem focado em impulsionar suas redes sociais e gravar “lives” (transmissões ao vivo via Facebook) para ganhar mais eleitores.

O presidente do partido, Gustavo Bebianno, também era contra a participação do candidato. O único que ainda pensava em ir seria o próprio Jair Bolsonaro.

terça-feira, 2 de outubro de 2018

MULHERES COM BOLSONARO

As mulheres que ainda tinham preconceito contra Jair Messias Bolsonaro, devido à enxurrada de fofocas, perceberam que Elenão, na verdade, é um movimento LulaLivre e MoroNaCadeia

Intenção de voto de Bolsonaro cresce entre mulheres, diz Ibope 

Estadão

O candidato à Presidência do PSL, Jair Bolsonaro, aumentou sua intenção de votos no eleitorado feminino para o primeiro turno, conforme pesquisa Ibope/Estado/TV Globo divulgada nesta segunda-feira, 1º. Entre o levantamento apresentado pelo instituto no último dia 26 e a pesquisa divulgada nesta segunda, o capitão da reserva melhorou seu desempenho em seis pontos e cresceu de 18% para 24% nessa fatia do eleitorado.

Parte das entrevistas do levantamento foi feita após os protestos convocados por mulheres, que reuniram multidões nas grandes cidades do País contra o candidato. O Ibope ouviu 3.010 eleitores, em 208 municípios, entre os dias 29 e 30 de setembro. Entre os homens, o presidenciável também cresceu e foi de 36% para 39%.

Segundo colocado nas simulações de primeiro turno, o candidato Fernando Haddad (PT) se manteve estável em relação ao levantamento anterior: 21% entre as mulheres e 20% da preferência entre os homens.

No universo total de eleitores, Bolsonaro cresceu quatro pontos e tem 31% das intenções de votopara o primeiro turno da disputa. Haddad, por sua vez, ficou estagnado com 21% da preferência dos eleitores.

O Ibopefoi a campo no sábado, 29, e no domingo, 30, e ouviu 3.010 eleitores. A margem de erro estimada da pesquisa é de dois pontos porcentuais para mais ou para menos, com um nível de confiança de 95%. O levantamento foi encomendado pelo jornal OEstado de S.Paulo e pela TV Globo, tendo sido registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR08650/2018.

SE A FOLHA PUDESSE ENTREVISTAR PRESIDIÁRIO, ALGUÉM DEVERIA ENTREVISTAR PALOCCI

Toffoli contraria Lewandowski e veta de novo entrevistas com Lula

 El País

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, vetou na noite desta segunda-feira os pedidos de entrevista ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, feitos por Florestan Fernandes Júnior, apresentador do programa Voz Ativa, da Rede Minas, e colaborador do EL PAÍS, e Mônica Bergamo, da Folha. Em sua decisão, Toffoli ordena que seja cumprida a decisão do ministro Luiz Fux sobre o tema e contraria o Ricardo Lewandowski, que trava um cabo de guerra com seu colega de tribunal.

Lewandowski havia autorizado na semana passada que Fernandes e o jornal Folha de S.Paulo conversassem com Lula, preso na sede da Polícia Federal em Curitiba desde abril: “Não raro, diversos meios de comunicação entrevistam presos por todo o país, sem que isso acarrete problemas maiores ao sistema carcerário”, escreveu em seu despacho. Na noite de sexta-feira, Fux derrubou a decisão liminar. Em resposta, na manhã desta segunda-feira, Lewandowski derrubou a liminar e atendeu a um novo pedido de Fernandes, assim como da Folha.

"Reafirmo a autoridade e vigência da decisão que proferi na presente reclamação para determinar que seja franqueado, incontinenti, ao reclamante e à respectiva equipe técnica, acompanhada dos equipamentos necessários à captação de áudio, vídeo e fotojornalismo, o acesso ao ex-presidente", escreveu o ministro. Lewandowski aproveitou o despacho desta segunda-feira para criticar de forma dura o colega. “Com efeito, o pronunciamento do referido ministro [Fux], na suposta qualidade de presidente em exercício do Supremo Tribunal Federal, incorreu em vícios gravíssimos”, escreveu. Para ele, Fux cometeu em “inescusáveis erros”.

Toffoli resolveu então intervir. Diante do questionamento do ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, sobre qual decisão teria efeito, ordenou que a decisão válida era a de Fux e vetou a entrevista ao ex-presidente. Também determinou que o plenário delibere sobre os pedidos de entrevista.

Fundamentos legais e decisões monocráticas

Na decisão que barrou a entrevista da Folha, o ministro Fux concedeu liminar a um pedido do Partido Novo que mencionava exclusivamente o jornal. Ele alegou que “há elevado risco de que a divulgação de entrevista com o requerido Luiz Inácio Lula da Silva, que teve seu registro de candidatura indeferido, cause desinformação na véspera do sufrágio, considerando a proximidade do primeiro turno das eleições”. Determinou também que, caso a entrevista já tivesse sido feita, não poderia ser publicada — isto é, ordenou sua censura prévia. A defesa de Fernandes rebateu, e disse que que não caberia nenhuma legenda querer suspender decisões liminares. Além disso, a decisão de Fux mencionava apenas o pedido feito pela Folha, logo “a decisão proferida nos autos, de lavra do ministro Luiz Fux não trata da presente reclamação constitucional”, escreveram os advogados do jornalista. Posteriormente o Novo também entrou com representação contra a entrevista a Fernandes.

No documento em que pedem a manutenção da entrevista, os defensores do colaborador do EL PAÍS alegaram também que “em primeiro, é de se ressaltar que não cabe à Presidência do Supremo Tribunal Federal, substituto ou não, o conhecimento dos pedidos de suspensão de decisões proferidas pelos demais ministros”, diz o documento assinado pelos advogados Cezar Britto, Paulo Freire e Cláudio Souza.

Lula está preso desde abril após ser condenado pela Justiça de segundo grau por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do tríplex no Guarujá, no âmbito da Operação Lava Jato. Nesta segunda-feira pela manhã, em um evento, Lewandowski chegou a criticar a atitude de Fux, sem no entanto citar seu nome. Em evento realizado na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo o ministro afirmou que “essa decisão censurou um dos mais importantes veículos de comunicação do Brasil, impedindo que fizesse uma entrevista com um ex-presidente da República”.

O enfrentamento velado entre os dois ministros fez com que o presidente da Corte, Dias Toffoli, afirmasse que o ideal é que as decisões monocráticas (tomadas por um só magistrado) não tenham “longa vida”, e que sejam rapidamente discutidas pelo plenário – onde todos os magistrados participam.

PRINCIPAIS PONTOS DA DELAÇÃO DE PALOCCI

Conheça os 6 principais pontos da delação de Antonio Palocci

BBC NEWS

© Agência Brasil Palocci (foto) está preso desde setembro de 2016 na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba (PR), mesmo lugar de detenção de Lula O juiz federal Sérgio Moro, de Curitiba (PR), decidiu na tarde desta segunda-feira retirar o sigilo de parte do acordo de delação premiada do ex-ministro Antonio Palocci. Ele fechou o acordo com a Polícia Federal no Paraná em abril deste ano.

À PF, Palocci narrou supostas irregularidades envolvendo os ex-presidentes da República Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, ambos do PT, e o ex-presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli (hoje coordenador de campanha do presidenciável petista Fernando Haddad). Em entrevistas anteriores sobre o assunto, eles negaram irregularidades.

Nos trechos divulgados por ordem de Moro, Palocci também acusa políticos de outros partidos, como os ex-deputados do MDB Henrique Eduardo Alves (RN) e Eduardo Cunha (RJ). O presidente da República, Michel Temer (MDB), também é mencionado. Os três sempre negaram qualquer participação em irregularidades envolvendo a Petrobras.

Palocci está preso desde setembro de 2016 na Superintendência da PF em Curitiba - mesmo local onde está detido o ex-presidente Lula. Palocci já foi condenado na Lava Jato a 12 anos e dois meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, num caso envolvendo a empreiteira Odebrecht.

Ao longo de 2017, Palocci disse em vários depoimentos públicos a Moro que estava disposto a colaborar com a Lava Jato. Em setembro passado, por exemplo, o ex-ministro da Fazenda e da Casa Civil nos governos Lula e Dilma afirmou a Moro que as palestras do ex-presidente, contratadas pela Odebrecht, eram parte de um 'pacto de sangue' entre Lula e a empreiteira. 

© Pedro Oliveira / Assembleia Legislativa do Paraná Sérgio Moro tornou público o acordo de delação de Palocci, homologado em junho pelo TRF-4 Palocci tentou negociar um acordo de delação com o Ministério Público Federal (MPF), que recusou a oferta dele no começo de 2018. O procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, que integrava a força-tarefa da Lava Jato à época, chegou a dizer que a proposta de delação de Palocci era mais um "acordo do fim da picada" do que uma "delação do fim do mundo".

Apesar das críticas dos procuradores, Palocci fechou a negociação com a PF, e o acordo foi aceito pelo Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª Região, sediado em Porto Alegre (RS), em junho deste ano.

Ao aceitar o acordo de Palocci, o desembargador federal João Pedro Gebran Neto escreveu que a homologação não é o momento "adequado para aferir a idoneidade dos depoimentos dos colaboradores". Os supostos crimes narrados por Palocci "deverão ser reforçados por prova", disse Gebran. Ele lembra ainda que Palocci pode, inclusive, perder os benefícios conseguidos caso suas declarações não sejam provadas depois.

Os depoimentos revelados nesta segunda-feira por Moro foram concedidos por Palocci ao delegado da PF paranaense Filipe Hille Pace, em março deste ano.

Em resposta à divulgação da delação, a defesa de Lula negou as irregularidades citadas por Palocci e acusou Moro de "agir politicamente". Divulgar a delação agora é tentar criar uma 'bala de prata' às vésperas do pleito deste domingo, disse a defesa.

Em nota, a ex-presidente Dilma rechaçou as acusações de Palocci e disse que ele fez uma "delação implorada". "Dadas em abril deste ano, as declarações do senhor Palocci tentam incriminar Lula, Dilma e outros dirigentes do PT, para obter o prêmio da liberdade, da redução da pena e da posse de recursos os quais é acusado de ter acumulado ilegalmente", diz um trecho.

Conheça abaixo alguns dos principais pontos da delação de Palocci divulga nesta segunda-feira: 

© Ag. Câmara 90% das medidas provisórias envolveram propina sob o PT, diz Palocci

1. '90% das medidas provisórias editadas nos governos Lula e Dilma tinham propina'

Em seu termo de delação, Palocci enumera algumas das formas que seriam usadas pelos partidos e políticos para receber propina. Entre elas, estaria a adição de emendas a medidas provisórias, feitas sob encomenda para atender a interesses de empresas e setores econômicos - que depois pagam os políticos. Segundo Palocci, 90% das emendas parlamentares editadas nos anos Lula e Dilma envolveram propina: ou foram editadas pelo governo com este objetivo, ou receberam emendas fraudulentas no Congresso.
O delator "estima que das mil medidas provisórias editadas nos quatro governos do PT, em pelo menos novecentas houve tradução de emendas exóticas em propina", diz o texto.
Palocci, porém, errou o número: durante os anos do PT no poder, foram editadas 624 medidas provisórias, segundo relatório da Secretaria-Geral da Mesa da Câmara, gerado a pedido da BBC News Brasil. 

2. 'A maior parte das doações oficiais de empresas, registradas no TSE, eram na verdade propina'

Discorrendo sobre as doações de empreiteiras, Palocci diz que uma parte das grandes obras contratadas pela Petrobras fora do período eleitoral eram depois pagas com propinas na hora da eleição. "Grandes obras contratadas fora do período eleitoral faziam com que os empresários, no período das eleições, combinassem com os diretores (da Petrobras) que o compromisso político da obra firmada anteriormente seria quitado com doações oficiais acertadas com os tesoureiros dos partidos, coligações, etc", disse.
Segundo Palocci, o dinheiro dado "por dentro", isto é, de forma oficial, pode também ser ilícito, "bastando que sua origem seja ilícita".
"A doação oficial pode ser lícita e ilícita, bastante verificar sua origem, sendo criminosa quando originadas em acertos de corrupção", disse. "a maior parte das doações registradas no TSE é acometida de origem ilícita", diz um trecho do depoimento.
© Alan Santos / Presidência da República Temer e outros emedebistas pressionaram para indicar Jorge Zelada para a diretoria da Petrobras, segundo Palocci

3. 'Temer, Eduardo Cunha e Henrique Eduardo Alves superfaturaram um contrato de US$ 800 milhões na Petrobras'

No começo do governo Lula, em 2003, o PMDB não tinha qualquer cargo na Petrobras. Isto mudou a partir de 2008, quando o ex-deputado Fernando Diniz (MDB) e outros emedebistas do Congresso conseguiram emplacar Jorge Zelada como diretor da área Internacional da Petrobras, segundo Palocci.
Como exemplo, Palocci diz que Zelada "tratou de promover a celebração de um contrato" na área internacional com a Odebrecht "com larga margem para propina, a qual alcançava cerca de 5% do valor total de 800 milhões de dólares, ou seja, 40 milhões". "O contrato, tamanha a ilicitude revestida nele, teve logo seu valor revisado e reduzido de 800 para 300 milhões", diz um trecho do depoimento - Palocci afirma ainda que o tema foi tratado por delatores da Odebrecht.
© Roberto Stuckert Filho / PR A ex-presidente Dilma não só sabia como participou dos acertos de propina em 2010, diz Palocci

4. 'Em reunião de 2010, Lula, Dilma e Sérgio Gabrielli acertaram propina por meio da construção de sondas'

Na delação, Palocci narra uma reunião "no início de 2010", da qual ele teria participado com Lula, Dilma Rousseff e o ex-presidente da Petrobras e hoje coordenador de campanha de Haddad, José Sérgio Gabrielli.
Na reunião, diz Palocci, Lula "foi expresso ao solicitar do então presidente da Petrobras (Gabrielli) que encomendasse a construção de 40 sondas para garantir o futuro político do país e do PT, com a eleição de Dilma, produzindo-se os navios para exploração do pré-sal e recursos para a campanha que se aproximava".
No encontro, Lula "afirmou que caberia ao colaborador (Palocci) gerenciar os recursos ilícitos que seriam gerados e o seu devido emprego na campanha de Dilma". Aquele foi o primeiro encontro realizado por Lula no qual tratou-se da "arrecadação de valores a partir de grandes contratos da Petrobras", segundo o delator. 

5. '3% do valor dos contratos de publicidade da Petrobras iam para o caixa do PT'

Sobre os esquemas de corrupção na Petrobras, Palocci afirma que 3% do total das verbas de publicidade da estatal petroleira eram desviados para o caixa do PT. O esquema seria operado por Wilson Santarosa, que à época chefiava a Gerência Executiva de Comunicação Institucional da estatal.
Santarosa era "conhecido líder sindical dos petroleiros e do PT de Campinas (SP), era pessoa ligada a Lula, a Luiz Marinho (hoje candidato do PT ao governo de São Paulo) e Jacob Bittar. Em sua gerência, foram praticadas ilicitudes em conjunto com as empresas de marketing e propaganda". As empresas "destinavam cerca de 3% dos valores dos contratos de publicidade ao PT através dos tesoureiros".
© Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil Era comum Lula fingir surpresa ao ser informado de irregularidades; era uma forma de testar o interlocutor, diz Palocci

6. 'Lula fingiu surpresa ao descobrir irregularidades na Petrobras'

Palocci descreve um encontro reservado com Lula em fevereiro de 2007, logo depois da reeleição do petista para o segundo mandato presidencial. A reunião ocorreu "em ambiente reservado, no primeiro andar" do palácio da Alvorada.
Lula estava "bastante irritado", e disse a Palocci ter ficado sabendo que os ex-diretores da Petrobras Renato Duque (ligado ao PT) e Paulo Roberto Costa (indicado pelo PP) estavam cometendo crimes em suas diretorias. Lula, então, questionou Palocci sobre a veracidade dos relatos, e o delator teria confirmado a ele que sim, havia irregularidades. Lula, então, perguntou quem tinha nomeado os dois, e Palocci respondeu que foram nomeados pelo próprio Lula.
O delator diz acreditar que Lula "agiu daquela forma porque as práticas ilícitas dos diretores da estatal tinham chegado aos seus ouvidos e ele queria saber qual era a dimensão dos crimes, bem como sua extensão, e também se o colaborador (Palocci) aceitaria sua versão de que não sabia das práticas ilícitas que eram cometidas em ambas as diretorias, uma espécie de teste de versão, de defesa".
"Essa prática empregada por Lula era muito comum", diz o depoimento. "Era comum Lula, em ambientes restritos, reclamar e até esbravejar sobre assuntos ilícitos que chegavam a ele e que tinham ocorrido por sua decisão. A intenção de Lula era clara no sentido de testar os interlocutores sobre seu grau de conhecimento e o impacto de sua negativa", diz o texto.