terça-feira, 23 de novembro de 2010

Retrato em branco e preto

Passadas as eleições, saiu de cena o país do marqueteiro João Santana, aquele em que todos gostaríamos de viver, e caímos no Brasil governado por Lula — auxiliado de perto, como não se cansou de dizer, por Dilma Rousseff, agora presidente eleita.
E a crua realidade vai emergindo, especialmente na infra-estrutura e na saúde.
Na sexta-feira passada, uma reportagem do jornal “Financial Times” e a divulgação de uma pesquisa feita pelo IBGE trouxe o país em branco e preto.

Aeroportos
A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) esculhambou os aeropostos brasileiros, que foram motivo de reportagem no Financial Times.
Giovanni Bisignani, presidente da entidade, disse ao FT que não tem visto progresso suficiente no setor no Brasil.

“Para evitar uma vergonha nacional, o Brasil precisa de estrutura maior e melhor para a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016″, Bisignani.

Sobraram críticas para a estatal Infraero — uma empresa que estaria mais ocupada em garantir o empreguismo do que em resolver os problemas do setor.
Sua histórica ineficiência mereceu destaque.

Saúde
Em quatro anos, entre 2005 e 2009, nada menos de 11.214 leitos para internação foram desativados no país.
Os números são do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
Caiu também o número de internações pela primeira vez desde 1998.
A taxa nacional de leitos para internação em 2009 (2,3 por mil habitantes) ficou abaixo do padrão estabelecido pelo Ministério da Saúde, de 2,5 a 3 por mil habitantes.

Mais informações aqui.

O gigantismo da máquina e da dívida pública

O gigantismo da máquina pública foi um dos temas do meu pronunciamento de hoje no plenário.
Também falei sobre a mágica dos números manipulados do governo, a dívida pública e o dilema da presidente eleita: administrar os débitos pendentes ou aplicar os recursos em investimentos.


Senador Álvaro Dias

Leia na Agência Senado e veja o vídeo aqui:

CPMF é impostura.


O valor pago em impostos pelos brasileiros bateu recorde nesta segunda-feira.
O impostômetro da Associação Comercial de São Paulo chegou à marca inédita de R$ 1,1 trilhão.
O valor já supera tudo o que foi recolhido no ano passado.
Mais de 70% da arrecadação vai para os cofres federais.
E eles ainda querem mais CPMF, liberação de bingos e sabe-se lá mais o quê.
Os porcos estão famintos.
No Coturno.

Apedreja e chora

Por Guilherme Fiuza

Foi bonito.
Foi comovente.
Lula no Rio, Dilma em Brasília.
As lágrimas do criador e da criatura resolveram brotar no mesmo dia, em público, numa sintonia impressionante.

É um bom sinal.
O brasileiro adora ser liderado por gente que chora.
A plataforma coitada será mantida.
Em time que está ganhando não se mexe.

Já era hora mesmo de uma choradinha.
O governo Lula começou com o Fome Zero.
O governo Dilma se prepara para começar com o Idéia Zero.
A paisagem desértica da partilha de cargos e da falta de planos, ornamentada pela assombração da CPMF, assusta qualquer um.
É mesmo de chorar.

Mas o choro redime.
É fórmula testada e aprovada.
Tem sido assim desde o primeiro mandato do PT: se mantém o Banco Central governando, escala-se um ministro Mantega na Fazenda para fingir que faz oposição ao neoliberalismo, e o presidente(a) chora.
Não tem erro.

Assim o governo bonzinho pode fazer quase tudo.
Até aprovar as pedradas de Ahmadinejad.

Ao se abster de condenar o apedrejamento no Irã, o Brasil mostrou ao mundo sua coerência.
Um país que defende a escalada atômica do ditador iraniano não poderia mesmo se preocupar com umas pedrinhas.

O argumento da diplomacia brasileira é cristalino: o país não assinou a resolução da ONU contra as barbaridades de Ahmadinejad porque os direitos humanos devem ser discutidos de maneira holística.

Perfeito.
A tortura cubana aos presos políticos também não era holística, por isso o filho do Brasil ficou na dele.
Essas coisas que não são holísticas não têm mesmo a menor importância.

Já o choro sincronizado de Lula e Dilma é totalmente holístico.
Acontece quase simultaneamente a centenas de quilômetros de distância, em sintonia com as lágrimas dos crocodilos da Austrália, do outro lado do planeta.

É assim que a bondade tem que ser.
Holística.
Às favas com as pedradas na adúltera do Irã, às favas com a fome de poder e a preguiça de governar, às favas com a gula de arrecadar e a cara-de-pau de ressuscitar a CPMF – nada disso tem importância diante de um governo que chora.

O Brasil não resiste a essa cena: o ex-operário, a mulher e as lágrimas dos oprimidos – caminhando para 12 anos no poder.
Coitados.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

O que disse Bento XVI, o que ele não disse e o que ele sempre disse

O papa e a camisinha.
O que disse Bento 16, o que ele não disse e o que ele sempre disse


“Concentrar-se apenas no preservativo equivale a banalizar a sexualidade, e é justamente esta banalização o motivo de tantas pessoas não enxergarem na sexualidade uma expressão do amor, e sim uma espécie de droga, que aplicam a si mesmas.”

“Pode haver certos casos em que o uso do preservativo se justifique, por exemplo, quando uma prostituta usa um profilático.
Este pode ser o primeiro passo no sentido de uma moralização, um primeiro ato de responsabilidade, consciente de que nem tudo está perdido e não se pode fazer tudo aquilo que se deseja.”


As duas falas acima são do papa Bento 16 em entrevista ao escritor alemão Peter Seewald.

O trecho sobre o uso da camisinha ganhou as manchetes do mundo inteiro porque seria
a) uma mudança de postura da Igreja;
b) um avanço que contribuiria para combater a disseminação da Aids.

Incrível!
De algum modo, as duas leituras revelam má consciência em relação ao pensamento da Igreja.


Cuidemos da suposta mudança de opinião do papa.
Não aconteceu.
Segue a mesma no que concerne à sexualidade, e não há hipótese, nem agora nem depois, de o chefe da Igreja “liberar” o uso da camisinha porque não lhe cabe.
Ele não é autoridade em saúde pública ou membro de algum comitê de controle da natalidade.

É o líder espiritual de uma Igreja e uma referência moral.

Ocorre que todo católico — sejamos mais amplos: todo cristão —, confrontado com o inevitável, tem um compromisso com o mal menor, SEM, NO ENTANTO, JAMAIS ABRIR MÃO, COMO FAZ O PAPA, DE DEFENDER O PRINCÍPIO E DENUNCIAR O DESVIO.
Convenham: dada a situação concreta, esperavam que o papa dissesse o quê?

Disseminação da Aids
Vamos ao segundo aspecto: aquela que seria uma nova opinião da Igreja Católica contribuiria para diminuir a disseminação da doença.
Isso só seria verdade caso se admitisse como fato que a suposta posição anterior contribuiria para espalhá-la.
Igreja Católica não é sexshop, e o papa não é instrutor de assuntos ligados ao baixo ventre.
O uso da camisinha é um aspecto de uma doutrina maior que diz respeito ao amor e à sexualidade.
Pode-se achar errado, contraproducente ou irrealista o pensamento da Igreja, mas não se deve tomar a parte pelo todo.

É estúpido afirmar que a Igreja “é contra a camisinha”; esta é tomada apenas como um sinal do que ela considera a banalização do sexo.
Mas ainda não se chegou ao essencial
.

A camisinha é condenada como a evidência material de uma decisão que é de natureza moral. Para a Igreja, se há uma relação sexual amorosa, entre cônjuges, que convivem num clima de fidelidade e confiança, o preservativo não se explica.

“Ah, mas isso também é polêmico!”

Pode até ser, mas a polêmica é outra.
É estúpido afirmar que a opinião da Igreja sobre a camisinha contribui para disseminar a Aids pela simples e óbvia razão de que, seguidas as suas recomendações, a transmissão do vírus pela via sexual seria zero.
O que não é aceitável é que os indivíduos se esqueçam da Igreja ao ignorar a castidade antes do casamento e a fidelidade no matrimônio para argumentar que seguiram a sua recomendação só na hora de evitar a camisinha.
Essa falácia lógica é repetida mundo afora por inimigos da Igreja e comprada pelo jornalismo sem questionamento.

Aids e África
Organizações ligadas ao combate à Aids na África saudaram a “mudança de opinião”.
Huuummm…
Curioso!
Em muitos países do continente, a contaminação chega a atingir até 40% da população.
Em Uganda, caiu para 7% — índice ainda escandaloso caso se considere a realidade mundial.

E qual é a particularidade desse país?
Um forte programa oficial que prega abstenção sexual aos solteiros e fidelidade aos casados.
A camisinha é apenas o terceiro elemento na pregação oficial.

Em suma, Uganda exerce aquela que seria, caso se lhe coubesse tal papel, o programa do Papa de combate à Aids.
E o efeito é positivo.


Contra os fatos e contra os números, a Human Rights Watch afirma que a política ungandense atenta contra os direitos humanos…

Edward Green (foto) é uma das maiores autoridades mundiais no estudo das formas de combate à expansão da AIDS.
Ele é diretor do Projeto de Investigação e Prevenção da AIDS (APRP, na sigla em inglês), do Centro de Estudos sobre População e Desenvolvimento de Harvard.
O que ele diz?
O PAPA ESTÁ CERTO.
AS EVIDÊNCIAS EMPÍRICAS CONFIRMAM O QUE DIZ SUA SANTIDADE.


Ora, como pode o papa estar certo?
Em entrevistasa concedidas no ano passado aos sites National Review Online (NRO) e Ilsuodiario.net, Green afirma que as evidências que existem apontam que a distribuição em massa de camisinha não é eficiente para reduzir a contaminação na África.
Na verdade, ao NRO, ele afirmou que não havia uma relação consistente entre tal política e a diminuição da contaminação.
Ao Ilsuodiario, ele fala como cientista, como estudioso, não como religioso: “O que nós vemos de fato é uma associação entre o crescimento do uso da camisinha e um aumento da AIDS.

Não sabemos todas as razões.
Em parte, isso pode acontecer por causa do que chamamos ‘risco compensação” - literalmente, nas palavras dele ao NRO: “Quando alguém usa uma tecnologia de redução de risco, freqüentemente perde o benefício (dessa redução) correndo mais riscos do que aquele que não a usa”.

O papa, em última instância, está afirmando o óbvio: se o indivíduo DECIDIU ter uma relação de risco, é claro que ele deve se proteger.
A Igreja não atua nessa área.
Seu papel é buscar interferir nos mecanismos que o levam àquela decisão.

Por Reinaldo Azevedo

O AI-5 GAY JÁ COMEÇA A SATANIZAR PESSOAS

SE APROVADO, VAI PROVOCAR O CONTRÁRIO DO QUE PRETENDE:
ACABARÁ ISOLANDO OS GAYS


E assim acontecerá com outros segmentos da sociedade, com as instituições como igrejas e associações, enfim, com todos que aceitarem esse enredo que está fragmentando o Brasil.

A matéria do jornalista Reinaldo Azevedo trata da perseguição ao reverendo Augustus Nicodemus Lopes, chanceler a Universidade Mackenzie — homem inteligente, capaz, disciplinado na sua fé e respeitador das leis do país, que está sendo alvo de uma violenta campanha de difamação na Internet.
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Na próxima quarta, grupos gays anunciam um protesto nas imediações da universidade que ele dirige com zelo exemplar.
Por quê?
Ele teve a “ousadia”, vejam só, de publicar, num cantinho que lhe cabe no site da instituição trecho de uma resolução da Igreja Presbiteriana do Brasil contra a descriminação do aborto e contra aprovação do PL 122/2006 — a tal lei que criminaliza a homofobia.
O texto nem era seu, mas do reverendo Roberto Brasileiro, presidente do Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil.


“Quanto à chamada Lei da Homofobia, que parte do princípio que toda manifestação contrária à homossexualidade é homofóbica (…), a Igreja Presbiteriana do Brasil repudia a caracterização da expressão do ensino bíblico sobre a homossexualidade como sendo homofobia, ao mesmo tempo em que repudia qualquer forma de violência contra o ser humano criado à imagem de Deus, o que inclui homossexuais e quaisquer outros cidadãos”.

Respondam: o que há de errado ou discriminatório nesse texto?
A PL 122 nem foi aprovada ainda, e as perseguições já começaram.
A PL 122 é flagrantemente inconstitucional; provocará, se aprovada, efeitos contrários àqueles pretendidos e agride a liberdade religiosa.

Homofóbico?
Repudio o pensamento politicamente correto, porque burro, e o pensamento nem-nem — aquele da turma do “nem isso nem aquilo”.
Não raro, é coisa de covardes, de quem quer ficar em cima do muro.
Leitores habituais deste blog já me deram algumas bordoadas porque não vejo nada de mal, por exemplo, na união civil de homossexuais — que não é “casamento”.
Minhas opiniões nascem da convicção, que considero cientificamente embasada, de que “homossexualidade não pega”, isto é, nem é transmissível nem é “curável”.
Mais: não me parece que a promiscuidade seja apanágio dos gays, em que pese a face visível de certas correntes contribuir para a má fama do conjunto.


“Que diabo de católico é você?”, podem indagar alguns.
Um católico disciplinado.
É o que eu penso, mas respeito e compreendo a posição da minha igreja.
Tampouco acho que ela deva ficar mudando de idéia ao sabor da pressão deste ou daqueles grupos católicos.
Disciplina e hierarquia são libertadoras e garantem o que tem de ser preservado.
Não tentem ensinar a Igreja Católica a sobreviver.
Ela sabe como fazer.


Aberração e militância
Ter tais opiniões não me impede de considerar que o tal PL 122 é uma aberração, que busca criar uma categoria especial de pessoas.

Para demitir um homossexual, um empregador terá de pensar duas vezes.
E cinco para contratar — caso essa homossexualidade seja aparente.
Por quê?
Ora, fica decretado que todos os gays são competentes.
Aliás, na forma como está a lei, só mesmo os brancos, machos, heterossexuais e eventualmente cristãos não terão a que recorrer em caso de dispensa.
Jamais poderão dizer: “Pô, fui demitido só porque sou hétero e branco!
Quanta injustiça!”.
O corolário óbvio dessa lei será, então, a imposição posterior de uma cota de “gênero”, “orientação” e “identidade” nas empresas.


Não há meio-termo: uma simples pregação contra a prática homossexual pode mandar um religioso para a cadeia: crime inafiançável e imprescritível.
Se for servidor público, perderá o cargo.
Não poderá fazer contratos com órgãos oficiais ou fundações, pagará multa…
Enfim, sua vida estará desgraçada para sempre.
Afinal, alguém sempre poderá alegar que um simples sermão o expôs a uma situação “psicologicamente vexatória”.
A lei é explícita: um “processo administrativo e penal terá início”, entre outras situações, se houver um simples “comunicado de organizações não governamentais de defesa da cidadania e direitos humanos.”
Não precisa nem ser o “ofendido” a reclamar: basta que uma ONG tome as suas dores.

A PL 122 institui o estado policial gay! E o chanceler no Mackenzie, Augustus Nicodemus Lopes, já é alvo dessa patrulha antes mesmo de essa lei ser aprovada.


Linchamento moral
O PL 122 é uma aberração jurídica, viola a liberdade religiosa e cria uma categoria de indivíduos especiais.
À diferença de suas “boas intenções”, pode é contribuir para a discriminação, à medida que transforma os gays numa espécie de “perigo legal”.

Existe preconceito?
Certamente!
Mas não será vencido com uma lei que acirra as contradições e as diferenças em vez de apontar para um pacto civilizado de convivência.
Segundo as regras da democracia, há, sim, quem não goste dessa exposição e se mobiliza contra ela.
É do jogo.


Um bom caminho para a liberdade é não linchar nem física nem moralmente aqueles de quem não gostamos ou com quem não concordamos.
Seria conveniente que os grupos gays parassem de quebrar lâmpadas na cabeça de Augustus Nicodemus Lopes, o chanceler do Mackenzie.
E que não colocassem com tanta vontade uma corda no próprio pescoço sob o pretexto de se proteger. Mas como iluminar minimamente a mentalidade de quem troca o pensamento pela militância?

Este blog é contra o PL 122 porque preza os valores universais da democracia, que protegem até os que não são gays…
Íntegra aqui.

domingo, 21 de novembro de 2010

Fique ligado no que a midia não divulga


Ontem (sábado) foi dia de muitas coisas,entre elas cortar o cabelo (corto, sim),ir ao dentista (2 hs na cadeira) e ao teatro.E ver os netos.

_ @joseserra_ divulgue por favor q Domingo,as 15,o Diversidade Tucana estará presente na manifestação contra homofobia na Paulista.

Dica: abertas inscrições para jovens do ensino médio de SP que queiram ser monitores (estagiários) do Acessa Escola.

Vejam mais dicas e novidades no twitter de José Serra.