terça-feira, 27 de novembro de 2012

E-mail mostra proximidade de Rose com Lula

Veja

Polícia Federal teria gravado também 122 telefonemas entre a ex-chefe de gabinete e Lula, de março a outubro de 2011 – uma média de cinco por dia

Rosemary Nóvoa de Noronha, a Rose: indiciada por corrupção ativa e passiva

A ex-chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo indiciada por corrupção na Operação Porto Seguro, Rosemary Nóvoa de Noronha, afirmou, em e-mail interceptado pela Polícia Federal em março deste ano, que conversava "todos os dias" com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A mensagem foi enviada por Rose a Paulo Vieira, diretor afastado da Agência Nacional de Águas (ANA), apontado por investigadores como chefe de uma quadrilha que comprava pareceres técnicos de órgãos públicos para beneficiar empresas. Paulo foi afastado da função.

"Mandei uma notícia de ultima hora sobre a alta do PR (presidente da República) e vc nao falou nada... Tenho falado com ele todos os dias, agora ele já está voltando a política e logo vou resolver se fico no Gabinete" (sic), escreveu Rose a Paulo Vieira. A sigla PR é usada no Palácio do Planalto para identificar presidentes.

O e-mail foi enviado em 29 de março, um dia depois que a equipe médica do Hospital Sírio-Libanês confirmou a remissão total de um tumor na laringe do ex-presidente. Na ocasião, Lula divulgou um vídeo em que dizia "voltar à vida política".

Telefonemas – A operação da Polícia Federal também teria gravado 122 telefonemas entre o ex-presidente e Rose entre março de 2011 e outubro deste ano, segundo reportagem publicada pelo jornal Metro. A média seria de cinco ligações por dia.

A oposição cobrou explicações de Lula sobre a nomeação de Rose, e sobre os contatos entre ela e o ex-presidente. "Qual o motivo desses contatos, uma vez que ele não estava mais na Presidência?", indagou o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP).

Para o PT a história sempre se repete

Marco Antonio Villa, O Globo

Uma nova operação da Polícia Federal atingiu o Partido dos Trabalhadores. Não é a primeira vez. Mesmo com todo o estardalhaço causado pelo julgamento do mensalão, parece que nada detém a ânsia de saquear o Erário. Agora, uma das acusadas é a chefe do escritório da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Nóvoa de Noronha, que teria negociado pareceres técnicos fraudulentos.

Os agentes da PF foram ao escritório chefiado por Rosemary para a devida busca e apreensão de documentos. Indignada, a funcionária não fez o que seria considerado plausível: entrar em contato com seu advogado. Não. Buscou algo superior: o sentenciado José Dirceu. Isto mesmo, leitor.

E veja como o Brasil continua de ponta-cabeça. A funcionária petista ligou para Dirceu, com quem tinha trabalhado durante 12 anos, em busca de proteção. O amigo, que, como é sabido, está condenado a dez anos e dez meses de prisão, nada pode fazer.

Em seguida, ela tentou falar com o ex-presidente Lula, de quem é amiga. Mas o antigo mandatário está fora do país. Restou Gilberto Carvalho, o onipresente para assuntos deste jaez, mas que também não pode ajudá-la.

A sequência dos contatos e a naturalidade são indicativas de como os petistas pouco estão se importando com o clamor popular em defesa da moralização. Continuam se considerando acima do bem e do mal. E, principalmente, acima da lei.

Para piorar — e reafirmar o desprezo pela ética na política e na administração pública — o segundo homem na hierarquia da Advocacia Geral da União, José Weber Holanda, está sendo acusado de fazer parte deste grupo (a expressão correta, claro, deveria ser outra). Fica a impressão de que na administração petista tudo pode, que o governo está à venda.

Frente às denúncias, a presidente Dilma Rousseff vai agir da forma já sabida: exonera o acusado da função, diz que não admite malfeitos e nada vai apurar. Foi este o figurino nestes quase dois anos de governo.

Isto explica a sucessão de escândalos. Se o procedimento tivesse sido o de apurar uma denúncia de corrupção, os casos não se sucederiam. Mas o governo sabe que conta com o tempo e o esquecimento. O leitor lembra da primeira denúncia de corrupção? Sabe se foi apurada? E o acusado foi processado? Alguém foi preso?


Marco Antonio Villa é historiador e professor da Universidade Federal de São Carlos

SITUAÇÃO DELICADA

Merval Pereira, O Globo

A presidente Dilma fica em situação muito delicada toda vez que acontece um caso de corrupção no seu governo. Toma a decisão de demitir os envolvidos, passa a ideia ao grande público, por informações de anônimos assessores, de que não tem nada a ver com aquilo, que as pessoas foram nomeadas a pedido de Lula, a quem não poderia deixar de atender, mas que não tolera corrupção e, quando descobre, coloca fora do governo o acusado.

Isso dá a ela uma boa margem de manobra, especialmente diante da classe média que está conquistando com decisões aparentemente independentes. E creio mesmo que o próprio ex-presidente Lula aceita essa situação avaliando os ganhos políticos que ela traz para a presidente.

A questão é até quando ela conseguirá permanecer nessa posição, tirando todo o proveito da proximidade de Lula e, ao mesmo tempo, vendendo imagem de autonomia em relação a ele.

Já não está sendo possível aceitar que tudo de ruim que acontece seja culpa do antecessor, mesmo que ela não explicite essa acusação, apenas a insinue.
E negue oficialmente quando, a exemplo do ex-presidente Fernando Henrique, tentam explicar os fracassos de seu governo com suposta “herança maldita”.

Afinal, Dilma já está na segunda metade de seu governo, foi a responsável pela nomeação de todos os ministros que já demitiu por suspeita de corrupção — e, por sinal, nada aconteceu a nenhum deles em termos concretos — e até mesmo essa chefe do gabinete da Presidência em SP, Rosemary Noronha, foi nomeada por Dilma quando era chefe da Casa Civil, e mantida no cargo a pedido de Lula.

Sabe-se agora que o gabinete da Presidência em SP era um segundo escritório de Lula, fora do Instituto Cidadania, e por isso mesmo ele teve inusitada agitação este ano, com inúmeras reuniões de Dilma e Lula.
(...)


As andanças da ex-ministra Erenice Guerra em órgãos oficiais e a proteção ao ministro Fernando Pimentel, a ponto de alterar o Conselho de Ética da Presidência, apontam para leniência com amigos.
(...)

Não creio que dê para ela ficar em cima do muro muito tempo mais; é difícil se desvincular, como é difícil Lula se desvincular do mensalão, ou do escândalo mais recente com pessoa muito ligada a ele envolvida. Dizer pela enésima vez que foi “esfaqueado pelas costas”, então, se torna patético.

Nenhum dos escândalos que estouraram foi detectado pelos órgãos de investigação, todos foram decorrência de denúncias da grande imprensa ou delação premiada. Mais uma vez a Presidência como instituição se vê envolvida em escândalos, gerados a partir de funcionários de confiança, nesse caso escolhidos com requintes que mostram intenção de nomear determinadas pessoas para os cargos determinados.

Leia a íntegra em Situação delicada 

A PERSEGUIÇÃO É IMPLACÁVEL CONTRA QUEM DENUNCIA CORRUPTOS

Bruno Lupion, Estadão

Delator do esquema de venda de pareceres e laudos técnicos que levou à Operação Porto Seguro da Polícia Federal (PF), o ex-auditor do Tribunal de Contas da União (TCU) Cyonil da Cunha Borges de Farias Júnior veio a público no domingo, 25, para negar que tenha aceitado inicialmente R$ 100 mil em propina e depois se arrependido, como divulgado pela PF.

"Fico triste pelo tratamento dado pela mídia e órgãos de fiscalização, afinal não aceitei, logo não teria como me arrepender. Nunca aceitei qualquer R$", escreveu Cyonil em um fórum de debates na internet. A autenticidade do relato foi confirmada pelo próprio ao Estado.
(...)

Autor de livros sobre direito administrativo e professor de cursinhos preparatórios para concursos públicos, Cyonil fez o desabafo no Fórum Concurseiros, em um tópico de debate aberto por seus ex-alunos. Os estudantes queriam saber o motivo de o professor - tido por muitos como exemplo de ética e retidão - ter seu nome envolvido no escândalo que derrubou a chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Noronha, e o número 2 da Advocacia-Geral da União, José Weber de Holanda Alves.
(...)


Segundo Cyonil, ao apresentar os documentos à PF, foi chamado de "louco" pelos agentes e advertido que os envolvidos no esquema "arrancariam o seu couro".
O servidor diz ainda que sofreu paralisia facial ao longo do processo e que a denúncia afetou sua vida pessoal. "Fiquei calado esse tempo todo, ninguém sabia, inicialmente nem a esposa. Imaginem a fera como ficou", escreveu. "Minha vida já vai virar um inferno a partir de agora", prevê.
Pecados. Ao final, Cyonil diz que "não é santo", mas pode dormir tranquilo "quanto ao pecado de denegrir a imagem da Administração (nunca aceitei de qualquer forma R$ algum)". Ele diz que "a galera do lado de lá" fará tudo para desmerecer a sua imagem, mas afirma que nunca titubeou em seguir em frente com a denúncia e hoje se diz aliviado. "Muitos vão acreditar em mim. Muitos vão me apedrejar. Não me arrependo de ter denunciado o esquema", afirma.

QUEM AINDA MANDA É O CHEFE

Na coluna de Claudio Humberto

Exoneração de
Rose, amiga de
Lula, foi ‘a pedido’

Foi “a pedido” a exoneração de Rosemary Nóvoa de Noronha, ex-chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo, o que revela sua influência. Sábado (24), o Palácio do Planalto divulgou que a presidenta Dilma decidira “demitir” servidores envolvidos no escândalo revelado pela Operação Porto Seguro, da Polícia Federal. Mas “Rose”, amiga do ex-presidente Lula, oficialmente, deixou o cargo porque quis.

Alguém gosta dela

Fonte do Planalto admitiu que a exoneração “a pedido” da ex-chefe de gabinete foi uma solicitação de Lula, a quem “Rose” é muito ligada.

Alguém gosta dele

Braço direito do ministro Luiz Adams (AGU) José Weber Holanda ainda está preso, mas sua exoneração também foi concedida “a pedido”.

Tia Dilma

Durante as freqüentes conversas com o amigo Lula ao telefone, Rosemary Noronha, a “Rose”, sempre se referia a Dilma por “Tia”.

Governo Lula
vetou convocação
de Rose a CPI

A oposição há muito está de olho em Rosemary Nóvoa de Noronha e acompanha sua influência. Por ordem do então presidente Lula, a base governista impediu a aprovação de requerimento que a convocava a depor, na CPI dos Cartões Corporativos. Com isso, o governo passou a considerar “secretos” os gastos dos cartões sob sua responsabilidade, como chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo.


Gastos exorbitantes

O senador Álvaro Dias (PR), líder do PSDB, lembra bem que os gastos dos cartões corporativo de Rose Noronha eram mesmo “exorbitantes”.


Os sub do sub

A PF caça um motoboy que entregaria documentos da “dra” Rose (Noronha) a José Dirceu. Lembra o caseiro do escândalo Palocci.

Terra arrasada

Quem viu a extensa documentação da PF na Operação Porto Seguro garante: vem aí o mensalão do B. Muito mais explosivo que o original.

VERSÃO QUE PAUTOU A IMPRENSA TENTA DESMORALIZAR AUTOR DA DENÚNCIA


Porto Seguro: auditor do TCU nega ter recebido suborno em troca de pareceres

FotoCYONIL DIZ QUE REUNIU PROVAS E FEZ DENÚNCIA À PF
Cyonil da Cunha Borges de Farias Júnior, o auditor do Tribunal de Contas da União que delatou o esquema de venda de pareceres e laudos técnicos, revelados pela Operação Porto Seguro, da Polícia Federal, negou haver recebido inicialmente R$ 100 mil em propina e depois se arrependido, como informou a PF. 
Em um forum de debates na internet, revelado esta noite pelo repórter Bruno Lupion, de O Estado de S. Paulo, Cyonil escreveu: "Fico triste pelo tratamento dado pela mídia e órgãos de fiscalização, afinal não aceitei, logo não teria como me arrepender. Nunca aceitei qualquer R$", escreveu Cyonil em um fórum de debates na internet. 
Ele conta que o diretor da Agência Nacional de Águas (ANA), Paulo Vieira, o "caçou" pela cidade, escreveu "milhões de e-mails" e foi até a portaria do seu prédio para oferecer dinheiro. O auditor afirma que não desceu até a portaria do edifício na ocasião e que se mudou de endereço após o episódio. 
Paulo Vieira se beneficiou da proximidade pessoal para tentar corrompê-lo. "Tinha o cara, inicialmente, como brother (…) Bati pino, não achava que ele fosse capaz de uma p... desta", escreveu. 
Cyonil começou então a reunir provas da tentativa de suborno para apresentar uma denúncia consistente à PF, como extratos bancários e até gravações. 
Cyonil garante que há ainda muito a ser revelado e disse ao jornal que foi chamado de "louco" pelos agentes, ao apresentar os documentos à Polícia Federal, e advertido de que os envolvidos no esquema "arrancariam o seu couro". Ele fez à denúncia em janeiro de 2011, três anos após os primeiros contatos de Vieira.

FOGO NÃO TÃO AMIGO

No blog do Jefferson

Enquanto Luís Inácio Adams naufraga, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, sobe. Cardozo é um dos cotados, junto com Adams, para ocupar as futuras vagas do Supremo Tribunal Federal e, mais do que isso, tem, ou tinha Adams como o maior competidor pelo cargo mais alto do Judiciário.

O que leva à pergunta: será que tinha um dedo amigo no tiro que furou o barco de Adams? 

A maior vítima da Operação Porto Seguro, da Polícia Federal, é certamente o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams. Ele era até então cotado para voos bem mais altos, como a Casa Civil ou mesmo o Supremo Tribunal Federal, mas viu seus sonhos naufragarem com a investigação que pegou o seu braço direito, o advogado-geral-adjunto da União, José Weber Holanda Alves. Para quem era cotado para voos tão mais altos, agora Adams luta para se manter na superfície, náufrago no Porto Seguro da PF.