domingo, 13 de dezembro de 2015

IMPEACHMENT, SIM!

Reportagem soberba do “Valor Econômico” explica como a dupla Dilma-Arno Augustin pedalou de modo consciente rumo ao abismo

Reconstituição dos bastidores da relação de ex-secretário do Tesouro com área técnica evidencia que governo estava consciente das irresponsabilidades e dos riscos. Silenciou o debate e seguiu em frente

Por: Reinaldo Azevedo

Há reportagens que evidenciam como o bom jornalismo é essencial à democracia, à verdade, à transparência. Reportagem de Leandra Peres no jornal “Valor Econômico”, sobre as pedaladas fiscais demole, sem chance para reconstrução, as justificativas esfarrapadas do governo. Leandra não escreveu com o intuito de demolir nada. Escreveu para contar o que aconteceu. E o que aconteceu está em desacordo com a versão oficial — o que evidencia, e isto digo eu, os crimes de responsabilidade cometidos por Dilma.

Destaco trechos da reportagem do Valor, que evidencia o passo a passo de um desastre, produzido de maneira consciente e determinada.

A reportagem do Valor reproduz os interiores do governo Dilma, com a sua rotina de tacanhice ideológica, arrogância, intimidação e até assédio moral — sem contar o desprezo pela matemática.


O AVISO

Dois anos e meio antes de as “pedaladas fiscais” justificarem a abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff e pelo menos um ano antes do início da campanha pela reeleição, técnicos do Tesouro Nacional elaboraram, em julho de 2013, um diagnóstico de 97 páginas sobre a situação fiscal e econômica do país. Mantido sob sigilo até agora, o relatório, ao qual o Valor teve acesso, continha um claro alerta à cúpula do governo: “O prazo para um possível ‘downgrade’ é de até 2 anos”; “Ao final de 2015 o TN [Tesouro Nacional] estaria com um passivo de R$ 41 bilhões” na conta dos subsídios em atraso; “Contabilidade ‘criativa’ afeta a credibilidade da política fiscal”.

Novos avisos foram incluídos em uma versão revisada, de setembro de 2013. O caixa do Tesouro estava muito baixo e foi citado no documento como “risco para 2014”. Os técnicos do Tesouro projetavam um “déficit sem perspectiva de redução”, falavam em “esqueletos” que teriam que ser explicitados e recomendavam “interromper imediatamente quaisquer operações que produzam resultado primário sem a contrapartida de contração da demanda agregada ou que gere efeitos negativos sobre o resultado nominal e/ou taxa implícita da dívida

O trabalho foi concluído em novembro de 2013 e apresentado ao então secretário do Tesouro, Arno Augustin. As 97 páginas do documento original foram resumidas em 16 slides.
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Nos últimos três meses o Valor conversou com mais de 20 autoridades que ocuparam ou ainda ocupam cargos no governo e teve acesso exclusivo a documentos inéditos que permitem recontar a história fiscal do primeiro mandato da presidente Dilma.

O que é possível mostrar agora é que em momentos-chave, como o da adoção da contabilidade criativa de 2012, o esforço da área técnica do Tesouro para barrar novas operações em 2013 e a construção da fábrica de pedaladas de 2014, não faltaram avisos sobre os riscos que o país corria.

Os pitos

O encontro de Arno com os 19 coordenadores-gerais do Tesouro, os seis subsecretários e seus assessores mais próximos para discutir o documento elaborado pelos técnicos com os avisos ao governo é um dos momentos mais tensos dessa história.

A reunião foi marcada para a tarde de 22 de novembro de 2013, na sala do Conselho Monetário Nacional (CMN), que fica no sexto andar do prédio do Ministério da Fazenda. O clima era pesado e ninguém se lembra de haver cafezinho ou de ter bebido água durante a reunião, dois ingredientes que raramente faltam nas reuniões da burocracia em Brasília.

A pauta do encontro tinha cinco itens. O primeiro “ponto de preocupação” era “o risco de ‘downgrade’ e seus impactos”. Os seguintes, a política fiscal e suas consequências; a imagem do Tesouro; e o aperfeiçoamento de processos internos. Por último, o “relacionamento interpessoal”, uma forma educada de se referir às explosões pelas quais o secretário Arno Augustin era evitado por sua equipe.
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Os sinais de que a estratégia não estava dando certo já eram visíveis. O Banco Central (BC) fora forçado a retomar os aumentos da Selic em abril para combater uma inflação que caminhava para o teto da meta, apesar do represamento das tarifas públicas. A receita do Tesouro ainda crescia 13,3% entre janeiro e novembro de 2013, mas as despesas voavam ainda mais altas, com crescimento de 14,1%, e o quadro fiscal já se anunciava mais sombrio porque o governo havia desonerado R$ 70,4 bilhões em impostos a preços da época. No front externo, o banco central dos EUA começara a retirar os estímulos monetários que vinha injetando na economia americana, o que prometia reduzir a abundância de capitais para países emergentes como o Brasil.

Escolhido por ser uma voz moderada dentro do corpo técnico do Tesouro, o então coordenador-geral de Planejamento Estratégico da Dívida Pública, Otávio Ladeira, abriu a reunião com Arno. Coube a ele o alerta de que a política fiscal já entrava numa trajetória insustentável.

Quando foi apresentado o sexto slide com um gráfico que mostrava como o mercado vinha perdendo a referência de qual era a meta fiscal perseguida pelo governo, Arno deixou claro que havia convocado a reunião para pôr fim ao que considerava uma rebelião contra a política econômica e não para tratar de cenários fiscais. Enquanto Ladeira expunha a dificuldade de o governo atingir a meta de superávit primário de 2,3% do PIB em 2013, o secretário interrompeu: “Quem disse que não vamos cumprir a meta? O mercado pode projetar qualquer coisa. Eles fazem isso o tempo todo para ganhar dinheiro”, disse.
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A versão do chefe

Depois dos funcionários, foi a vez de Arno fazer uma apresentação. Sua tese era que a política fiscal era fundamental para garantir o crescimento econômico e não levaria o governo à bancarrota, como queriam fazer crer os técnicos do Tesouro.
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Como das outras vezes em que fora alertado sobre riscos fiscais, o secretário lembrou que a política econômica é definida por quem tem votos e, ali, naquela sala, nenhum dos técnicos havia sido eleito. Quando a reunião vazou para a imprensa, Arno chamou os subsecretários a seu gabinete e, ignorando a promessa de domar o gênio, quis saber quem era o autor do vazamento. Ameaçou abrir processos disciplinares contra todos que “ficaram aí circulando essa apresentação”.
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Quem decide

O processo decisório do governo Dilma, e aí não apenas da política fiscal, foi marcado pela aversão ao dissenso. Ministros e servidores que participaram de decisões importantes descrevem reuniões longas, como 30 ou 40 participantes, em que questionamentos técnicos eram considerados afrontas ao projeto do governo e davam margem a broncas, em vez de discussões.

“Na primeira reunião para discutir qualquer assunto importante, várias pessoas falavam. Na segunda, menos gente. Da terceira em diante, a impressão era que não adiantava nada fazer ponderações. E aí quem discordava preferia ficar calado e deixar a presidente decidir”, conta um ex-ministro. “É um governo de muitas certezas e quase nenhuma dúvida”, complementa outra autoridade do alto escalão.
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A loucura

No primeiro ano do mandato da presidente, durante as discussões para a privatização dos aeroportos de Guarulhos, Viracopos (Campinas) e Natal, essa dinâmica ficou clara. A definição da taxa de crescimento do PIB que embasaria os cenários econômicos da concessão se transformou em um embate ideológico entre a ala desenvolvimentista radical — representada pelo secretário do Tesouro e a então ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann — e o resto do governo. Procurada pelo Valor, a ex-ministra não retornou às ligações.
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A presidente Dilma arbitrou pessoalmente a disputa e a média do PIB usada nesses primeiros projetos é de 3,7% ao ano, com picos de crescimento de 5,5% em 2014 e de 4,41% em 2015.

Pão de queijo

O preço do pão de queijo nos aeroportos também foi intensamente discutido. O problema, conforme descrição da ministra Gleisi, era que a alimentação, muito cara, não podia ser um empecilho às viagens dos eleitores da classe C que haviam passado a frequentar os aeroportos. A solução foi uma licitação em que as lanchonetes pagam aluguel abaixo do preço de mercado e oferecem um cardápio com 15 itens a preços mais baixos. Em Congonhas, o pão de queijo custava R$ 2,50 na tabela subsidiada de fins de outubro e R$ 5,00 nos demais estabelecimentos.

Voz da chefa

Arno passou, então, a ser visto pelos colegas de governo como a voz da chefe nas discussões internas. Ele sempre tratou a presidente Dilma como ela gosta de ser chamada, por “presidenta”. Integrantes do governo, no entanto, descrevem cenas pitorescas que mostram a proximidade dos dois. Em uma delas, o ex-secretário do Tesouro teve que se ausentar da sala de reunião para cumprir uma ordem de Dilma: “Arno, seu cabelo está desarrumado, vá lá arrumar”.
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A característica mais marcante do ex-secretário é seu senso de missão. Nas entrevistas feitas pelo Valor para esta reportagem, Arno foi comumente descrito como “um homem de partido”, “um soldado”, “um cumpridor de tarefas”. “A presidente decidia e ele entregava”, descreve uma autoridade que trabalhou com os dois.

Essa determinação ficava ainda mais visível nas ocasiões em que, derrotado, não hesitou em implementar o que foi deliberado. No primeiro semestre de 2013, por exemplo, quando o governo discutia o lançamento do Minha Casa Melhor, criado para subsidiar a compra de móveis e eletrodomésticos por beneficiários do Minha Casa, Minha Vida, Arno dizia, entre jocoso e crítico, que a mesa listada entre os bens que podiam ser adquiridos no programa era mais cara do que a que ele tinha em seu apartamento. Ao corpo técnico do Tesouro repetia que “o cara não consegue pagar nem a casa, como vai pagar os móveis?”

Mas depois que a presidente bateu o martelo, Arno encontrou forma de financiar os eletrodomésticos sem tirar dinheiro à vista do caixa do Tesouro e sem impacto nas estatísticas de resultado primário: o Tesouro fez um empréstimo de R$ 8 bilhões à Caixa, responsável pelo programa, dos quais R$ 3 bilhões foram separados para cobrir a inadimplência do Minha Casa Melhor.

Não era apenas a fidelidade à presidente e o respeito à hierarquia que definiam as ações do ex-secretário. Colegas de Arno no governo dizem que havia uma proximidade ideológica entre os dois.
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Segundo depoimento ao Valor, o ex-secretário tratava as agências de rating como um instrumento “usado pelos países ricos para impedir políticas de desenvolvimento” de países pobres. A participação de 49% da estatal Infraero nos aeroportos privatizados foi definida pela necessidade de “o governo participar do dia a dia da empresa” porque o governo considerava as agências reguladoras instrumentos ineficazes de supervisão. Como define um ex-ministro: “A presidente achou no Arno alguém que pensa como ela”.
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ZELOTES - POLÍCIA FEDERAL INTIMA LULA

Por Andreza Matais, Fausto Macedo e Rafael Moraes Moura, no Estadão:

A Polícia Federal expediu mandado para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja intimado a prestar depoimento na Operação Zelotes. O mandado 6262 é do dia três de dezembro e define o comparecimento do ex-presidente na próxima quinta-feira, dia 17, na sede da Polícia Federal em Brasília.

Lula assinou as medidas provisórias 471/2009 e 512/2010 que estão sob suspeita de ter sido compradas por esquema de corrupção que envolve lobistas e montadoras de veículos que se beneficiaram de prorrogação de incentivos fiscais definidas por essas normas. O filho mais novo do ex-presidente Lula, Luís Claudio Lula da Silva, recebeu R$ 2,5 milhões da Marcondes & Mautoni, consultoria contratada pelas montadoras para fazer o lobby pelas MPs.

Os sócios da consultoria, Mauro e Cristina Marcondes, estão presos pela PF e já foram denunciados. O esquema de compras da MP foi revelado pelo Estado em série de reportagens.

O filho de Lula prestou depoimento e é alvo de um novo inquérito que investiga sua relação com a empresa de lobby. Perícia da PF identificou que o trabalho que Luís Claudio diz ter prestado para a Mautoni se resume a cópia de material produzido na internet, em especial o site Wikepedia.
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QUEM SE IMPORTA COM A EDUCAÇÃO? GOVERNO CORTA R$10 BI DA EDUCAÇÃO SEM PROTESTOS

QUEM SÓ PENSA NO PRÓPRIO BOLSO CERTAMENTE NÃO LIGA, SÓ QUANDO CONVÉM - ENTIDADES NÃO PROTESTARAM CONTRA O CORTE BILIONÁRIO NA EDUCAÇÃO

NEM UNE NEM PROFESSORES PROTESTARAM CONTRA O CORTE BILIONÁRIO NA EDUCAÇÃO

O corte de quase R$ 70 bilhões (R$ 69,9 bilhões) na Lei Orçamentária da “Pátria Educadora” atingiu em cheio o Ministério da Educação, que perdeu R$ 9,42 bilhões. Esse corte foi maior que o dos ministérios de Cidades e de Saúde. Esse cancelamento de recursos é considerado o mais duro golpe à Educação na nossa História recente, mas entidades ligadas à área educacional nem sequer esboçaram qualquer protesto.

O Congresso havia aprovado um orçamento de R$ 48,81 bilhões, mas com o corte de quase 20%, isso recuou para R$ 39,38 bilhões.

O corte de Dilma nos recursos para Educação não mereceu protesto da União Nacional dos Estudantes (UNE), que é controlada pelo PCdoB.

Sindicatos de professores, em geral controlados pelo PT, não demonstraram incômodo com os cortes de recursos para Educação. 

OPERAÇÃO VIDAS SECAS VAI RASTREAR DINHEIRO DESVIADO

Estadão


O delegado Marcelo Diniz, superintendente da Polícia Federal em Pernambuco, sede da Operação Vidas Secas deflagrada nesta sexta-feira,11, diz que os próximos passos da investigação que apura as suspeitas de desvios de R$ 200 milhões em obras da transposição do Rio São Francisco pretendem avançar sobre funcionários públicos do Ministério da Integração Nacional, responsável pela obra e até para eventuais políticos.

“Nós vamos passar para as analises do que está sendo buscado (nesta sexta-feira), todos os mandados de prisão foram cumpridos e queremos saber agora a participação de eventuais servidores públicos e eventuais políticos que estejam envolvidos na trama”, disse o delegado em entrevista nesta manhã para explicar a operação.

Diniz fez um paralelo com a investigação Lava Jato e disse que a investigação da Vias Secas está na fase de apurar a atuação dos núcleos econômico, formado pelas empreiteiras e seus representantes, e dos operadores financeiros, formado neste caso pelos doleiros Alberto Youssef e Adir Assad, já condenados na Lava Jato e cujas empresas de fachada são utilizadas para lavagem de dinheiro.

A partir do rastreamento dessas movimentações financeiras suspeitas, a Polícia Federal pretende avançar sobre os núcleos administrativo, formado pelos funcionários públicos que teriam sido corrompidos para permitir os desvios e, eventualmente, o núcleo político, caso se comprove que houve o beneficiamento de políticos e partidos.

“O que podemos dizer até o momento é o seguinte, empresas do grupo de Youssef receberam recursos de empreiteiras que tinham contrato com o Ministério da Integração e receberam recursos em uma conta específica (das obras da transposição)e dessa mesma conta foi mandado dinheiro para empresas fictícias de Youssef. Isso foi dinheiro para o quê? Todo mundo já sabe, simplesmente para repassar esse dinheiro para circunstância A, B ou C”, explicou o delegado deixando claro que ainda não há nenhum nome de político ou funcionário público investigado.

De forma semelhante, a Lava Jato começou apurando a atuação de um grupo de doleiros que lavava dinheiro para grandes empreiteiras, avançou sobre os contratos destas empresas com a Petrobrás e, após várias etapas de investigação, delações premiadas e colaboração jurídica internacional alcançou deputados, senadores e ex-parlamentares que teriam recebido dinheiro do esquema na estatal petrolífera.

“Já temos claramente demonstrado isso (desvio de recursos via empresas de Youssef), agora a outra fase de identificar outros núcleos, principalmente o administrativo e o núcleo político. E tudo indica pelo contexto da participação que existem grandes possibilidades de que tenha havido isso (envolvimento de políticos), agora os nomes nós teremos que ter em um segundo momento”, contou Diniz.

Compartilhamento. A investigação deflagrada nesta manhã apura as suspeitas de desvio em um contrato de R$ 680 milhões do Ministério da Integração Nacional com o consórcio formado por OAS, Galvão Engenharia, Barbosa Mello e Coesa. As investigações mostraram que essas empresas receberam verba do ministério para as obras e repassaram cerca de R$ 200 milhões para as empresas de fachada dos doleiros Alberto Youssef e Adir Assad, já condenados na Lava Jato por lavarem dinheiro e operarem o pagamento de propinas no esquema de corrupção na Petrobrás.

Iniciada no ano passado, a operação partiu de informações do Tribunal de Contas da União (TCU) e Controladoria-Geral da União (CGU). Após um compartilhamento de informações com a Operação Lava-Jato, a PF constatou uma movimentação de dinheiro do Ministério da Integração para contas das empreiteiras e, posteriormente, para empresas de fachada do doleiro Alberto Youssef.

Ao todo cerca de 150 policiais federais cumpriram nesta manhã 32 mandados, sendo 24 de busca e apreensão, 4 de condução coercitiva e quatro de prisão temporária nos Estados de Pernambuco, Goiás, Mato Grosso, Ceará, São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Bahia e em Brasília. Foram presos quatro executivos, entre diretores, conselheiros e representantes das empreiteiras do consórcio, sendo um representando a OAS e a Coesa, um da Barbosa Mello e dois da Galvão Engenharia. Seus nomes não foram revelados.

Obra. A obra de transposição do rio São Francisco é tocada pelo governo federal e foi reiniciada na gestão do ex-presidente Lula. Segundo o Ministério da Integração Nacional, responsável pela execução, a obra engloba a construção de quatro túneis, 14 aquedutos, nove estações de bombeamento e 27 reservatórios. Desde que foi retomada, ela se arrasta há oito anos.

Além da recuperação de 23 açudes existentes na região que receberão as águas do rio São Francisco. O projeto esta orçado em R$ 8,2 bilhões, com base na planilha orçamentária vigente.

O governo diz que a obra beneficiará uma população estimada de 12 milhões de habitantes, em 390 municípios nos Estados de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte, onde a estiagem ocorre frequentemente. A Região Nordeste possui 28% da população brasileira e apenas 3% da disponibilidade de água. O Rio São Francisco apresenta 70% de toda a oferta regional.

Em outubro deste ano, conforme o ministério, 81% da execução física da obra estava concluída, sendo o Eixo Norte com 82,2% e o Eixo Leste com 79,2%.

O Tribunal de Contas da União (TCU) apontou entre 2005 e 2013 irregularidades que somam R$ 734 milhões nas obras da transposição. O que inclui, contratos que não foram honrados ou que tem sobrepreço, pagamento duplicado por obras ou pagamento de serviços que não foram executados.

O CRIME DA PIMENTA - AGÊNCIA DA "DILMA BOLADA" REVELOU DADOS EXPLOSIVOS

Dilma Rousseff não roubou?

Leia o que disse Lauro Jardim, em O Globo:

“São explosivos os dados da quebra do sigilo bancário da Pepper, a agência de comunicação do PT, que estão nas mãos dos investigadores da Operação Acrônimo.

A Pepper recebeu R$ 7,7 milhões de empreiteiras investigadas na Lava Jato.

Só da Andrade Gutierrez, em dezessete transferências bancárias, chegaram R$ 6,28 milhões em 2010. Naquele ano, a Pepper cuidou das redes sociais da campanha de Dilma Rousseff.

A OAS transferiu R$ 717 mil em três depósitos.

A Pepper é a responsável pela beligerância do PT na internet. A PF suspeita que Carolina Oliveira, mulher de Fernando Pimentel, seja sócia oculta da Pepper. E que a Pepper tenha servido para escoar propina para outros petistas”.

sábado, 12 de dezembro de 2015

SERRA OU KATIA ABREU, QUEM É MACHISTA?


A reação da "neopetralha" Katia Abreu à piada sem graça de José Serra mostra mais uma herança amarga da era PT, o mau-humor dos "ativistas" e a cultura da vingança. Estranho é que nunca se viu tantos casos de agressão contra grupos específicos quanto nos últimos anos, incluindo a violência contra a mulher. Não tem Lei Maria da Penha que dê jeito.

Portanto, além da necessária revisão dos conceitos e valores que tentam impor à sociedade, mas que se contradizem quando acontecem na prática, vale outra reflexão, por que será que houve um aumento explosivo nos índices de criminalidade, de atos de homofobia e racismo, de violência de um modo geral?

Katia Abreu ou José Serra: quem é o machista dessa história?

Só quem vê problemas no termo "namoradeira" se ofenderia em ser chamado assim

Por: Leandro Narloch

Feministas apoiaram a reação da ministra Katia Abreu, que jogou vinho no senador José Serra depois que ele a chamou de “namoradeira”. A própria ministra disse, para a imprensa, que Serra foi “arrogante e machista”.

Discordo. Se houve machismo, foi da parte de Katia Abreu.

Serra usou o termo tentando descontrair, sem achar que ofenderia a colega. Converge, assim, com a opinião das feministas, para quem não há problema nenhum em ser “namoradeira”, para usar o termo mais ameno. Uma bandeira das feministas de hoje, como as que participam da Marcha das Vadias, é justamente nos convencer que não deve haver preconceito com mulheres desse tipo.

Se Katia Abreu se ofendeu com um termo tão inocente como “namoradeira” (inocente e até meio carola, que uma avó usaria para falar da neta), é porque vê nele um significado negativo. Isso é machismo, senhora ministra! Para de fato defender as mulheres, Katia Abreu deveria ter respondido “nunca me enxerguei assim, mas obrigado”. Ou, ainda melhor, “sou sim, com muito orgulho”.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

JORNALISMO MILITANTE E A MULTIDÃO INVISÍVEL

Por Renan Santos - MBL

Imagine o seguinte cenário: Aécio Neves, acusado de ter “pedalado” dezenas de bilhões de reais do orçamento público em fraudes fiscais causadas pelo seu descontrole financeiro, somado a terríveis denúncias relativas ao tráfico de influência de FHC junto a empreiteiras e bancos de investimento, tem seu mandato posto à prova diante de um pedido de impeachment protocolado na câmara dos deputados por juristas de renome, com amplo apoio popular.

Pressionado pelas maiores manifestações populares da história do país, não existe saída para o mineiro. Ele assiste com temor a chegada do dia 13 de Dezembro, data em que o Movimento Passe Livre convoca mais uma rodada de manifestações ao redor do país.

Como seria a cobertura dos jornais neste caso? Quantas vezes as lideranças da UNE, do “Juntos!” e do Passe Livre teriam ido à GloboNews? Quantas inserções ao vivo no Jornal Nacional mereceriam? Como iria se comportar Jô Soares sobre o caso? Seriam eles vítimas de acusações espúrias, como a de que recebem dinheiro de grandes fundações americanas como a Ford e a Open Society? Como seria a cobertura dos dias que “antecedem essa grande festa da democracia”?. Estaria Ana Maria Braga ansiosa? E Elio Gaspari? Faria ele comparações heróicas com a resistência democrática durante os anos de chumbo? Caetano vestir-se-ia de manifestante? Chico escreveria uns versinhos? Teríamos especiais da Folha de SP, com infográficos maneiros e entrevistas sobre a visão de mundo desses jovens iconoclastas?

A resposta todos sabem. O ano de 2015, além de ser marcado pelo surgimento de uma oposição civil difusa e organizada, livre das amarras de velhas instituições ultrapassadas, como UNE, OAB e CUT, será lembrado também pela derrocada moral da imprensa brasileira. Folha, Estado, O Globo, Zero Hora, O Povo, e congêneres escancararam ao longo do ano a triste realidade de suas redações, tomadas por militantes travestidos de jornalistas que executam uma cobertura de má fé dos fatos políticos novos e excitantes que estão mudando a cara do país.

Sua ação varia do mais absoluto escárnio até o silêncio total. Durante a Marcha que o MBL fez até Brasília tivemos mais cobertura de veículos de imprensa internacionais do que da imprensa local.

Quando ficamos um mês acampados em frente ao Congresso nacional, Folha de São Paulo e Estadão foram para lá única e exclusivamente para filmar uma peça de costela sendo assada num braseiro. O Globo publicou, mentirosamente, que um policial armado com vasto arsenal estava acampado junto a nosso grupo.

Para coroar, na semana em que organizamos o primeiro dos protestos após o início do processo de impeachment, recebemos apenas 4 ligações: todas para saber quantos pixulecos vendemos, se o dia 13/12 é uma referência ao AI-5 e outros detalhes menores (e bizarros) que não condizem nem um pouco com o momento político do país.

Não estamos aqui para fritar a imprensa, exigir sua “democratização” ou jogar lixo na porta das suas redações. Não estamos aqui para levantar ilações sobre seus proprietários. Queremos apenas que cumpram seu papel fundamental junto à nossa geração, como fizeram nas gerações de nossos pais e avós. Onde estão os editoriais indignados das Diretas Já, do Fora Collor? Onde está o compromisso com o leitor, que estará conosco nas ruas dia 13/12 pedindo a saída do governo mais corrupto de nossa história? Não vimos nada disso até agora. Aguardamos que a sensatez e o espírito do tempo voltem a circular dentro das já desgastadas redações de nossos jornais. E que a história lá contada seja de fato História, e não caprichos de militantes da pena.