domingo, 2 de dezembro de 2012

O CAFOFO PARA OS ÍNTIMOS



FRASE DO DIA
O Lula quer.
Dilma Roussef, em 2010, ao ser avisada pelo ex-ministro da Defesa Nelson Jobim que Rubens Vieira, indiciado por corrupção na Operação Porto Seguro, não tinha qualificação para ser diretor da ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil)


A afirmação acima desmascara ao mesmo tempo a falácia do rigor ético da "faxineira" Dilma e sua fama de durona que, apesar da rispidez no trato com terceiros, não tem poder de decisão, pois até os dias de hoje não tem feito nada sem antes consultar o ex-presidente Lula, o verdadeiro chefão no poder.

Isso é fato noticiado com frequência, basta lembrar quantas vezes Dilma já se reuniu no cafofo, ops, no gabinete da presidência da República criado por Lula em São Paulo, de onde o ex-presidente praticamente continua governando o país.

Parece absurdo que isso aconteça, mas esses luxos presidenciais não se restringem à capital paulista, há outras "Roses" por aí.
A República das Roses, por Mary Zaidan, informa que Dilma também criou gabinetes da presidência em Belo Horizonte e em Porto Alegre.  Os chefes regionais são remunerados mensalmente e nada fazem.

A imagem da faxineira, portanto, tem se mostrado tão frágil quanto à da gerente.
O momento ruim que o governo enfrenta, com o fraco desempenho do PIB, os investimentos que não decolam e projetos emperrados, mostra que a Nação está órfã porque Dilma não corresponde nem ao papel de "mãe do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)". 

A arrecadação recorde de IMPOSTOS comprova que não está faltando dinheiro, está faltando competência à máquina pública.

Documento recente divulgado pelo Instituto Teotônio Vilela, denominado "O Fiasco da Gerente", tece duras críticas à atual gestão. "Dilma caminha para concluir seu segundo ano de mandato sem passar nem perto de cumprir o principal objetivo a que se comprometeu quando eleita: dar uma gestão mais eficiente ao país. Seu fiasco se mede num crescimento econômico medíocre e numa máquina pública permanentemente emperrada", diz o ITV.

Para os tucanos, um dos problemas mais graves da atual gestão petista é o desmonte dos investimentos. "Diante de um cenário tão negativo, cabe questionar: onde está a "capacidade de planejamento" que a presidente da República tanto alardeia possuir? Cadê a gestora eficiente que ao longo de anos foi vendida pelo marketing petista ao Brasil? A constatação imediata é de que até Tiririca aprendeu a ser deputado, mas Dilma Rousseff está longe de se tornar a boa gerente que se apregoava. Pior do que está fica", ironiza o documento do PSDB.

Esses são os ingredientes do fracasso, INCOMPETÊNCIA e CORRUPÇÃO, que aos poucos vão se revelando diante dos resultados desastrosos até então mascarado pelos bilhões gastos em propaganda.
Na verdade, a dupla é responsável pela taxa pífia de crescimento divulgada recentemente devido à falta de políticas consistentes ao longo de dez anos do governo petista que pouco fez para elevar a produtividade e ampliar os investimentos no país.

Ainda sobre o cafofo, afinal, quem realmente foi eleita em 2010 se Lula atua como proprietário do tal gabinete?
Pelo que se lê dá para entender porque o Brasil está afundando num mar de lama e de mediocridade. Não há notícias de ações importantes a partir dos tais encontros no cafofo, o que se faz por lá nada tem de produtivo. Do jogo sujo das campanhas políticas às artimanhas para blindar os nomes envolvidos em escândalos, todas as matérias jornalísticas mostram o bem público atendendo a interesses privados.

Seguremos as pedras

João Ubaldo Ribeiro, O Globo

Os prejudicados pelo julgamento do mensalão não têm conseguido armar boas defesas, perante a chamada opinião pública. É muito natural que protestem e argumentem, no que, além disso, exercem direito indiscutível. E mais natural ainda é que se eximam de qualquer culpa e procurem outros responsáveis pela trapalhada que aprontaram.

Sei, sem ironia, que comparo mal, mas, quando eu era estudante de Direito, a gente visitava penitenciárias e quase todos os detentos nos contavam histórias, às vezes mais tristes que “Tornei-me um ébrio”, sobre sua inocência.
(...)

Mediram outros com sua própria régua e tomaram sustos, como o que lhes deram ministros do Supremo nomeados por eles. Continuo a achar óbvio que o que fizeram deu no que deu porque foi desastrado e mal concebido desde o começo, ou não teria resultado tão fragorosamente catastrófico.

Realmente é chato inventariar erros, mas com certeza é o único jeito de ver os acontecimentos numa perspectiva desapaixonada e pelo menos aprender com eles.
Para consumo externo, a situação tem sido mais difícil. A tese de linchamento não cola, principalmente diante da aprovação generalizada da ação do Supremo.

A atribuição de responsabilidade à mídia é uma besteira cediça, que lembra o tempo em que o imperialismo norte-americano era responsável até pelas secas.

A mídia não está por trás, que eu saiba, dos escândalos do gabinete da Presidência em São Paulo ou da Advocacia-Geral da União. Se ninguém tivesse feito nada errado, não haveria mídia que conseguisse levar alguém a uma condenação criminal.

E novos erros de avaliação, ou pelo menos sinais de descontrole, se evidenciam nas inoportunas menções às deficiências de nosso sistema penitenciário, que vão desde as afirmações do ministro da Justiça a um projeto de lei delirante sobre presos no Brasil.

Para quem observa os fatos com o olho cínico que já se habituou à nossa realidade, essa inopinada preocupação é sinal de que, na hora em que os bacanas vão em cana dura, aparece logo alguém para amaciar.

A conclusão a que acabei chegando surpreendeu a mim mesmo, o mundo dá muitas voltas. No tribunal, eles foram condenados, mas, fora dele, está disponível uma explicação muito mais persuasiva que o chororô sobre as tais elites que ninguém sabe quais são, conspirações golpistas e demais besteiras, a saída consuetudinária.

Acho que quem primeiro a invocou, embora não com esta designação, foi o ex-presidente Lula, quando alegou, mais de uma vez, que determinadas práticas — como, se não me engano, o caixa dois — são habituais no Brasil. Ou seja, uma maneira de dizer: “Sou, mas quem não é?”

 Leia a íntegra em Seguremos as pedras

RECORDE DE IMPOSTOS

Miriam Leitão, O Globo

Respire fundo antes de ler o texto a seguir: nunca antes a sociedade brasileira pagou tantos impostos como nos dois últimos anos.

O IBPT fez as contas e passou para a coluna. A média da carga tributária na era Dilma deve chegar a 35,89%, em 2011 e 2012. Nos oito anos de Lula, ficou em 34,03%. Nos anos FHC, foi de 28,63%.

O PIB esfriou, mas a máquina de arrecadação continuou quente.

Uma vez por ano, sempre depois da divulgação do PIB do terceiro trimestre, o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) faz a projeção para medir o peso dos impostos na economia.
O cálculo foi feito na sexta-feira, após o IBGE ter divulgado os dados de julho a setembro. Também leva em conta a arrecadação até o mês de novembro.

O presidente do Conselho Superior do IBPT, Gilberto Luiz do Amaral, explica que depois de bater em 36,02% em 2011 — a maior da história — a carga tributária deve ter um pequeno recuo este ano, para 35,77%. Não dá nem para comemorar, trata-se da segunda maior:

— Dilma teve a maior carga tributária da história em seu primeiro ano de governo. Terá a segunda maior no segundo ano. A média é de 35,89% e isso supera todos os outros.

Esse pequeno recuo de 2011 para 2012 acontecerá por um motivo ruim. O PIB esfriou este ano e será mais fraco do que o do ano passado. A indústria fechará 2012 no vermelho e, por isso, a incidência de impostos sobre a sua produção será menor.

Além disso, há uma série de impostos que foram reduzidos de forma temporária, como o IPI dos automóveis, da linha branca, de materiais de construção. Não se trata de um alívio definitivo, mas sim de um paliativo para um ano de baixo crescimento.

A arrecadação deve cair 2% este ano, em termos reais — descontada a inflação —, depois de disparar 9% em 2011. Segundo Gilberto Amaral, fechará 2012 em R$ 1,57 trilhão.

— Tivemos uma alta muito grande da carga tributária em 2011 e, agora, uma pequena queda. Quando há recuo na arrecadação, é pequeno, quando há alta, é significativa — explicou.

O percentual de 35% leva em consideração impostos federais, estaduais e municipais. Olhando apenas para os federais, a conclusão é a mesma. Recorde no ano passado, em 25,32%, com pequeno recuo para 25,07% este ano.
A alta carga tributária é um problema crônico que acompanha o país há vários governos. Subiu muito no de Fernando Henrique, continuou em alta no do Lula e segue batendo recordes no governo Dilma.

DISTRIBUIR NOSSO DINHEIRO À ELITE ECONÔMICA ESTÁ QUEBRANDO O BRASIL

Merval Pereira, O Globo

Mesmo com sinais importantes de que a política adotada não está dando certo, como o crescimento pífio do PIB do terceiro trimestre sinalizando um ano praticamente perdido em termos econômicos, o Ministério da Fazenda parece disposto a persistir no mesmo caminho, insistindo em ampliar o papel do BNDES de indutor de investimentos no país e em estímulos setoriais.

Nunca o Tesouro deu tanto dinheiro para o BNDES, quase R$ 400 bilhões, mas, quanto mais repassa ao banco, mais piora o investimento do país. Na análise de especialistas, esse modelo deu certo no auge da crise, porque o BNDES foi bem eficiente como “hospital”, salvou grandes empresas e bancos, mas agora não consegue o mesmo desempenho para alcançar o crescimento.

Defendeu muito bem, mas não consegue atacar e fazer gol, numa metáfora futebolística apropriada para o momento.
Além do mais, essa estratégia custa muito caro, como alertou o TCU há pouco — por ano, duas vezes o Bolsa Família. E tem efeitos colaterais de abrir brechas na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), o que afeta o já combalido equilíbrio fiscal do país, como advertiu o TCU em decisão aprovada no último dia 14.

O Tesouro repassa “subvenções econômicas” ao BNDES, mas não apresenta os cálculos dos subsídios embutidos nessa decisão nem adota medidas de compensação, o que representa “severa afronta ao objetivo principal da LRF”, segundo relatório.
(...)

Nunca tivemos juros reais tão baixos, câmbio tão alto e economia tão mal, o que contraria a profissão de fé da esmagadora maioria do empresariado e dos economistas desenvolvimentistas de que as condições estariam dadas para o crescimento, como insiste o ministro da Fazenda, Guido Mantega, sempre jogando para o trimestre seguinte a realização de suas previsões.

O que parece estar em jogo é a gestão da área econômica de um governo que até agora tem insistido em que não são necessárias reformas para que o país cresça.

Na opinião do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, essa política de “micromecanismos de administração e incentivo à demanda, especialmente ao consumo e ao emprego”, não tem conseguido viabilizar o desenvolvimento do país.

A ideia de que reformas estruturais não são necessárias perde força, e o governo parte para uma aposta ultra-arriscada de manter essa mesma linha de ajustes pontuais, que pode levar o cenário a piorar ainda mais.

Leia a íntegra em Ano Perdido

Braço-direito, uma maldição em governos do PT

(A matéria abaixo esqueceu de citar Palocci)

Paulo Celso Pereira, O Globo


Primeiro foi Waldomiro Diniz, então braço-direito de José Dirceu. Um ano depois, foi a vez do próprio Dirceu, principal ministro do presidente Lula. Até a presidente Dilma Rousseff enfrentou de perto a maldição do número dois, quando Erenice Guerra, sua assessora mais próxima durante oito anos, foi pega em traficâncias suspeitas. Nos últimos dez anos, com frequência alarmante chegam às páginas notícias de que o principal assessor de uma alta autoridade do governo federal foi pego em irregularidades.

Há dez dias, foi a vez de Rosemary Noronha chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo e do advogado-geral adjunto da União, José Weber de Holanda, serem acusados de participar de uma quadrilha que negociava pareceres de órgãos federais. 
Rosemary ganhou o cargo pelas estreitas ligações que mantinha com o ex-presidente Lula, e foi mantida pela presidente Dilma. 
Segundo aliados, a primeira declaração de Lula teria sido semelhante à de quando seu governo foi pego no mensalão: “Eu me senti apunhalado pelas costas...”.
(...)

A existência de 22 mil cargos de livre nomeação no governo permite que militantes políticos sem qualquer compromisso com o Estado assumam posições decisivas. Na opinião do cientista político David Fleischer, da Universidade de Brasília, esse aparelhamento explica casos de corrupção:
— Quando você abre a porta e deixa um zé-ninguém atuar, com a nomeação de militantes incompetentes e corruptos, acaba abrindo um flanco muito amplo para problemas no seu governo. Você tem o caso da Rose que queria emplacar o marido, mas como ele não tinha diploma e o cargo exigia, ela apelou ao Paulo Vieira e comprou um diploma falso.

Lazzarini lembra que pouco se fala em simplificar as regulações do Estado, o que diminuiria o espaço para as ações de tráfico de influência:

— O processo mais transparente é menos propenso a ter corrupção. Quando você tem um emaranhado grande, obviamente você tem que saber com quem vai falar. Há uma tendência de se blindar os caciques e deixar para os assistentes fazerem a intermediação...

O DEVORADOR DE VIÚVAS, DE BIOGRAFIAS ALHEIAS, DA HISTÓRIA "DESSEPAÍZ"...


O Lula da Rosemary já estava no Lula que caçava viuvinhas no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo; lá já se revelava uma natureza

Já escrevi aqui um post sobre os aspectos mesquinhos, “petequeiros”, jocosos e até grotescos que envolvem as relações de Rosemary Nóvoa Noronha, um cacho amoroso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com a coisa pública. Eles acabam desviando a nossa atenção do essencial. À sua maneira, as tentações ancilares do ex-mandatário retiram a óbvia gravidade de mais um escândalo. 
Atrevo-me a dizer que a lambança que ora vem à luz constitui, mais do que o próprio mensalão, um emblema do jeito petista de fazer política — ainda que possa não ter o mesmo alcance. Por quê? Porque, desta feita, além de todos os escrachos, encurta-se o caminho que separa o que deveria ser a alta política das urgências ou incontinências do baixo ventre.
Lula levou para o ambiente palaciano o que era, segundo ele próprio confessou em uma antológica entrevista, a sua rotina no mundo sindical. Falando à revista Playboy em 1979, este gigante moral confessou como atuava quando trabalhava na área de seguridade social do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo. Ficava de olho nas viúvas. Mal um companheiro batia as botas, ele se apresentava para o trabalho de consolação.
Foi com essa disposição, ele próprio contou, que conheceu sua atual mulher, Marisa Letícia. Um taxista lhe contara que o filho havia sido assassinado e que sua nora havia prometido jamais se casar. E Lula, este ser, como direi?, verdadeiramente aristotélico, orientado teleologicamente para o bem, pensou com aquela dignidade que lhe é imanente: “Qualquer dia ainda vou papar a nora desse velho”. Eu não estou fazendo caricatura, não! A fala é dele mesmo!  A “nora” era Marisa. Ela deu certo. Miriam Cordeiro nem tanto. Deixemos que ele mesmo fale, com o seu estilo inconfundível:
“Nessa época, a Marisa apareceu no sindicato. Ela foi procurar um atestado de dependência econômica para internar o irmão. Eu tinha dito ao Luisinho, que trabalhava comigo no sindicato, que me avisasse sempre que aparecesse uma viúva bonitinha. Quando a Marisa apareceu, ele foi me chamar”.
(...)
As almas tiranas não se contentam em comprometer o futuro. Também querem reescrever o passado.
Nosso Calígula não papou só viuvinhas. Como escrevi em 2009, olhou um dia para Brizola e Arraes e pensou: “Ainda vou papar a base política deles”. 
No governo, olhou para FHC e pensou: “Ainda vou papar o Plano Real dele”. 
Lula é assim: vai papando o que encontra pela frente: as viúvas, as biografias alheias, a história… Na entrevista à Playboy, ele também aborda folguedos sexuais com animais — mas não me alongo a respeito
(...)
Em Banânia, mais lassos, mas relaxados, mais tolerantes, fazemos esta distinção: se a(o) amante nada tem a ver com a administração pública, então não há notícia. Notem que o caso Rosemary circulou por alguns bons dias sem que se desse o devido nome às coisas — ou às relações. O que os petistas queriam desta vez? Calígula resolve misturar os seus folguedos com as questões da República — sua amante está no centro de um escândalo —, e o país deve fazer de conta que se trata de “questão pessoal”? Tenham paciência. 
O Babalorixá de Banânina já chamou de “questão privada” os milhões que a Telemar (hoje Oi) investiu na empresa de um seu filho — a gigante da telefonia tem entre seus sócios o BNDES e foi beneficiada por decisão pessoal do então presidente. Tudo questão privada!!!
Chega, né, Fanfarrão Minésio? A coisa já foi além da conta! 
Caso grave
A coisa é grave, sim, por qualquer ângulo que se queira. Rosemary até podia não reivindicar para si somas fabulosas  — uma Pajero em que ela circula pertence ao esquema criminoso —, mas aqueles em favor dos quais atuava mexiam com interesses bilionários. Tanto ela como Paulo Vieira, apontado como o chefe da quadrilha, estavam em seus respectivos postos por vontade de Lula — aquele que nunca sabe de nada. Nunca antes nestepaiz tantas pessoas traíram tanto um só homem, não é mesmo?
Não dá! A VEJA desta semana traz uma foto da decoração que Rosemary escolheu para o escritório da Presidência em São Paulo. Há um painel gigantesco de Lula brincando com uma bola. As almofadas dos sofás trazem impressas a imagem de… Lula! É a perfeita ilustração da captura do bem público por interesses privados.
Por Reinaldo Azevedo

O SERVIÇO SUJO DO COLUNISMO DE FOFOCAS

Certa coluna de fofocas de um grande jornal tem servido aos interesses mais ordinários que se tem notícia.
A principal vítima tem sido José Serra. A boataria contra ele sempre encontra respaldo nos momentos finais das campanhas, como aconteceu com fofocas sobre sua esposa em 2010 e o voto de Joaquim Barbosa, a principal referência ética do momento, nos candidatos petistas Lula e Dilma. Óbvio que o interesse era induzir o voto do eleitor à prefeitura de São Paulo.

As fofocas palacianas se alastram como epidemia. As mais graves até então foram os dossiês contra Ruth Cardoso e também contra José Serra e sua família. Não menos grave foi o que Lula tentou fazer para desmoralizar uma autoridade que recusara uma proposta imunda, Asfor Rocha.

Pois tudo indica que um ministro do STF, que tem se mostrado implacável contra as ações criminosas dos mensaleiros, é a bola da vez. A tal coluna de fofocas trata de repercutir o que já se articulava nos bastidores. 
A intenção de quem o nomeou se revela no teor da informação que se propagou desde a indicação de seu nome para o Supremo, agora ele tem que se virar para desfazer possíveis mal entendidos.

Leiam matéria da Folha, comentada pelo jornalista Reinaldo Azevedo:

Fux vira alvo da artilharia pesada de Dirceu e admite que levou seu currículo para aquele que o STF, inclusive o próprio ministro, considerou corruptor e quadrilheiro

Se querem saber por que o Brasil ainda está longe de ser uma República, leiam o vasto material que há hoje da Folha sobre a indicação do ministro Luiz Fux para o Supremo Tribunal Federal. Ele próprio fala longamente e diz coisas constrangedoras. Patéticas até. 
Fux decidiu falar porque os petistas estão fazendo a sua caveira nos bastidores, especialmente junto à imprensa. 
O mínimo que dizem é que ele foi nomeado porque havia prometido inocentar os mensaleiros. Uma vez no cargo, fez o contrário: é o único membro da corte que praticamente não divergiu do relator e agora presidente do Supremo, Joaquim Barbosa.  Fux esteve com José Dirceu e com João Paulo Cunha, dois dos condenados à cadeia, à época apenas réus. Admite que a sua possível nomeação foi debatida. Mais: encontrou-se também com a mulher de Dirceu, que é diretora do jornal “Brasil Econômico”. Agendou-se uma entrevista de cinco páginas… Vou criticar as falas de Fux, mas, antes, vai um elogio.
Se os petistas estavam absolutamente certos de que Fux votaria com eles e se só pressionaram por sua nomeação com esse objetivo, impõem-se duas conclusões ditadas pela lógica:

a: dado que ele era considerado um dos candidatos possíveis para o cargo e que tinha currículo para tanto, não teria sido nomeado se não tivesse feito, então, a cena;

b: se nomeado foi e se não está votando conforme os petistas esperavam, deve-se concluir, ao menos, que os companheiros não têm como chantageá-lo, o que não deixa de ser um boa notícia.
Máquina de desqualificação
Alertei aqui, outro dia, que os ministros do STF tinham de se cuidar porque teria início uma onda de desqualificação. Luiz Fux é só primeiro. Outros virão. O que é mais espantoso nessa história toda é que petistas afirmam ou sugerem que o mensalão foi, sim, tema do encontro com Fux. Vale dizer: antes mesmo que o ministro fosse indicado, já se cuidava de tentar fraudar a Justiça.
Reproduzo trechos da entrevista que Fux concede a Mônica Bergamo na Folha de hoje. Tudo é bastante vexatório para ele, para o STF, para a Justiça brasileira, para o país. 
(…)
ANTÔNIO PALOCCI
“Na primeira vez que concorri, havia um problema muito sério do crédito-prêmio do IPI que era um rombo imenso no caixa do governo. Ele era ministro da Fazenda e foi ao meu gabinete [no STJ]. Eu vi que a União estava levando um calote. E fui o voto líder desse caso. Você poupar 20 bilhões de dólares para o governo, o governo vai achar você o máximo. Aí toda vez que eu concorria, ligava para ele.”
DELFIM NETTO
“Em 2009, participei com ele de um debate sobre ética, sociedade e Justiça. Fizemos uma amizade, batemos um papo. E aí comecei a estreitar. Porque, claro, alguém me disse: “Olha, o Delfim é uma pessoa ouvida pelo governo”. Aí eu colei no pé dele [risos].”
STEDILE
“Ele me apoia pelo seguinte: houve um grave confronto no Pontal do Paranapanema e eu fiz uma mesa de conciliação no STJ entre o proprietário e os sem-terra. Depois pedi a ele para mandar um fax me recomendando e tal. Ele mandou.”
SERGIO CABRAL
“Eu sou amigo dele e também da mulher dele. E ele levou meus currículos [para Dilma]. Você tem que ter uma pessoa para levar seu perfil e seu currículo a quem vai te nomear. Senão, não adianta. Agora, também não posso me desmerecer a esse ponto: eu tinha um tremendo currículo, 17 livros publicados.”
Voltei
É patético ter de ler um ministro do Supremo a confessar que ficou cabalando votos junto a pessoas influentes para que, afinal, seu currículo fosse considerado. É evidente que jamais deveria ter pedido o auxílio de Dirceu. É evidente que jamais deveria ter se reunido com João Paulo…
O dado mais espantoso dessa história toda é que os próprios petistas admitem, por linhas tortas, que estavam tentando fraudar a independência do STF. 
A assessoria de Dirceu vaza que houve mais de um encontro. O deputado Cândido Vaccarezza, presente ao encontro do agora ministro com João Paulo, dá a entender que se tratou, sim, do mensalão!
Os petistas estão num operação para desmoralizar Fux e pespegar nele a pecha de traidor. E não têm nenhum receio de confessar que estavam armando uma conspirata para fraudar a evidência dos autos e dos fatos.