segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

"DROGA" QUE DESTRÓI O FUTURO



O vício não está levando somente o Brasil para o buraco, mas também as famílias que estão endividadas devido à política de estímulo ao consumo irresponsável.

A euforia leva o brasileiro às compras sem se importar com as necessidades fundamentais, como uma boa assistência médica, obras de infraestrutura - especialmente o tratamento de esgoto que seria essencial como prevenção às doenças que mais matam no Brasil e que melhoraria de maneira considerável a qualidade de vida das pessoas -, investimento prioritário em educação e em segurança pública, muito mais do que é feito agora, ou seja, gasta-se com lançamento de programas que não são colocados em prática, mas temos apenas a publicidade que funciona como peça de campanha eleitoral antecipada. 

Essa falta de noção do que realmente precisamos e a atenção desviada para o supérfluo, que compromete o nosso futuro e o das próximas gerações, realmente se assemelha à reação de quem tem o estado de consciência alterado, como no caso do usuário de drogas.

É o que explica o engenheiro e professor Ossami Sakamori.
Trechos abaixo. Leia na íntegra AQUI.

DILMA. DÁ LHE "CRACK" PARA O POVO!

(...) A equipe econômica da presidente Dilma, comete erro sistêmico na condução da política econômica.  Melhor, dizendo, a condução das sucessivas gambiarras na economia.

Está evidente que o principal componente da política econômica, a política cambial, está no rumo errado.  Melhor dizendo, está no rumo ao contrário.  É mais ou menos, você querer ir para Fernando de Noronha, de navio, direcionado para Antártida. De camiseta e bermuda, morreremos todos congelados. Está assim a política cambial da Dilma.
(...)

Não adianta ficar reclamando do câmbio chinês, eles devem estar fazendo o que é conveniente para a China.  É o mesmo que já disse sobre crítica da Dilma sobre política econômica adotada pela União Europeia.  A União Europeia deve estar fazendo o dever de casa deles.  Por que ficamos, eternamente, observando o umbigo dos outros?  Será que o nosso umbigo é mais bonito do que dos outros?

Vamos ao fato do câmbio defasado.  Com a última política, rumo ao contrário, adotada pelo Banco Central, adotando faixa cambial entre R$ 1,90 e R$ 2,00, o real está apreciado em cerca de 30%.  Falei sobre isto ontem.  Agora, veja coisa interessante, os chineses estão com câmbio depreciado em 20% frente ao dólar.  Somado, isto dá quanto?  Resumindo, não há barreira tarifária ou medida pontual de proteção à indústria que tire essa diferença em relação aos produtos e investimentos chineses no Brasil.  

Enfim, Dilma está botando o País no buraco.  Mas, vocês devem perguntar, por que, então, Dilma pratica política econômica equivocada.  A equação, também, é muito simples, como 2 + 2 = 4. 

O dólar depreciado ou o real apreciado, leva o povo à sensação de "euforia", do Brasil "pode tudo", do falso "poder de compra".  

Se antes eu dizia que o povo tomava "Red Bull", agora digo que Dilma está distribuindo "crack" para a população, assim fica mais fácil de angariar votos nas eleições de 2014. Dá lhe "crack" para o povo!

domingo, 3 de fevereiro de 2013

SANTA MARIA, ROGAI POR NÓS E TAMBÉM PELOS QUE NÃO CREEM! TRAGÉDIA EM SANTA MARIA COMPROVA QUE CORRUPÇÃO MATA



Nos últimos dias, acontecimentos que marcaram esse início de ano têm mexido profundamente com minhas emoções, especialmente os que ocorreram ou ainda estão em curso nas terras de meus pais: no Nordeste e no Sul do país.

A seca que assola o povo nordestino, como mostrou a reportagem do Fantástico há cerca de duas semanas, revela a insensibilidade dos que nada fazem para levar adiante o projeto elaborado ainda no governo FHC que ao menos poderia minimizar o sofrimento daquelas pessoas, a Transposição do Rio São Francisco.

No YOUTUBE encontramos vídeos que mostram que as obras estão abandonadas e que fortunas foram desperdiçadas porque o pouco que foi feito até então está tudo destruído, muito dinheiro foi desviado nos esquemas de corrupção, milhões foram torrados em propaganda e nem podemos dizer que nosso dinheiro foi por água abaixo porque o problema é justamente falta d´água.

Se a dor dessas imagens ferem a alma, a razão me motiva a buscar respostas e me leva a crer que uma Nação de braços cruzados jamais conseguirá modificar esse quadro desolador.

Vergonha é o que eu sinto quando lembro que a maioria dos brasileiros têm demonstrado suas preferências de péssimo gosto nas urnas - quando não se omitem e fogem à responsabilidade - sem o menor peso na consciência.

O voto tem um significado que vai além da escolha política, expõe o pensamento do eleitor e revela seu caráter, sua índole, suas afinidades e seus objetivos.

Voto é compromisso também de quem elege e coloca no poder pessoas muitas vezes inescrupulosas. O eleitor é responsável pela consequência de seus atos e faz parte de suas obrigações vigiar e cobrar correção de seus candidatos se por acaso conseguirem se eleger.

Por esse motivo, parabenizo a população de Santa Maria que vem mostrando sua fibra e não se contenta com qualquer "carinho". Sem se acomodar, cumpre seu dever de exigir a definição de responsabilidades e a punição dos culpados pelo incêndio na boate KISS, sem isentar, porém, as autoridades locais, que devem explicações, sim, porque irregularidades consentidas, fruto da corrupção banalizada no Brasil do Mensalão, muitas vezes são praticadas com a conivência ou a omissão de quem deveria exigir rigor na aplicação das Leis.


Notícias da semana evidenciam o descaso dos agentes públicos. Além do uso indevido do sinalizador, a investigação encontrou uma série de outras irregularidades, como alvarás vencidos, extintores falsificados ou vencidos, o tamanho pequeno da porta do estabelecimento e a superlotação.

Reportagem do jornal inglês “The Guardiancita um texto de Reinaldo Azevedo sobre a tragédia de Santa Maria. O jornal reproduz justamente o trecho em que o jornalista sustenta que uma tragédia naquelas proporções não é obra do destino, mas de um conjunto de ações e omissões deliberadas. É evidente que ninguém teve a intenção de matar. Ocorre que há ações e omissões que matam.


A fatalidade não é agente em si, é a consequência de uma ação ou da omissão de quem porventura poderia ter evitado a tragédia.

Quantas concessões não foram feitas para se chegar ao acidente?
Aí entra também o "jeitinho", irmão caçula da corrupção.

O país e o mundo lamentam a dor de familiares e amigos, mas todos os responsáveis são evasivos e talvez a turma do "deixa disso" entrasse em campo se o caso não provocasse comoção mundial.

A  presidente Dilma, muito bem orientada pelos marqueteiros, marcou presença, mas vejam que tipo de preocupação ronda a equipe do governo:

"118 vítimas seguem internadas, 75 correm risco de vida. Ainda assim, autoridades de saúde comemoram não haver registro de novas mortes mais de 50 horas após incêndio na boate Kiss; 231 perderam a vida", lamenta o senador Álvaro Dias em seu blog.

(Atualização dos dados -*O número de pessoas internadas em decorrência do incêndio que atingiu a boate Kiss subiu para 143 na quarta-feira, 83 em estado grave.
Nesta sexta há informações de que ainda há 127 pessoas hospitalizadas, sendo 71 delas respirando com a ajuda de aparelhos e em estado crítico 
O aumento do número de internações se dá principalmente pelos sintomas da pneumonia química, que atingiu os jovens que entraram em contato com a fumaça tóxica do incêndio.
O número de mortos subiu para 237

Falta ao brasileiro desenvolver algumas virtudes, como a percepção e a prudência, e saber se posicionar diante dos fatos, sem medo nem a preocupação de desagradar quem não se importa a mínima com a vida das pessoas.

Neste momento, o melhor que podemos oferecer a essas famílias são as nossas orações e nosso apoio aos que exigem Justiça.

Quando se pede por Justiça, é para que as pessoas não pensem que estão liberadas para fazer o que quiserem sem pensar nas consequências.

Assim devem agir as autoridades, assim agem os pais que corrigem seus filhos porque os amam, não por ódio ou vingança.
Quem erra, seja por má-fé ou imprudência, também precisa ser corrigido. 

Algumas manifestações, próprias da turma do "deixa disso", insinuam que os familiares querem vingança, mas eu considero isso uma tremenda maldade. Num coração que lateja de dor não há espaço para outro sentimento.

Por outro lado, a mobilização popular sempre surpreende e há tempos que eu não via tantas mensagens de fé, tanta gente acreditando na força que podemos encontrar em Deus.

Ultimamente só se fala em dinheiro, em compras, em coisas materiais. Cheguei a pensar que nosso povo tivesse substituído o louvor a Deus pela idolatria a certos humanos que têm oferecido facilidades para o consumo. E nada mais importava.

Mas não é bem assim, anima ver tantos brasileiros dando o exemplo de amor ao próximo, assim como o Senhor nos ensinou.

POR QUE SÓ AGORA?

Zuenir Ventura, O Globo

Por mais otimista que a gente seja em relação ao Brasil e ao Rio, e eu sou, há momentos em que pessimismo e desânimo baixam sobre nós, como agora. Diante do sofrimento dos parentes e amigos das vítimas de Santa Maria e em face das irregularidades e transgressões que reinam no Rio, onde poderia ter acontecido o mesmo, como manter viva a esperança?

Se o estado e a prefeitura não conseguem fiscalizar suas próprias casas, como foi mostrado aqui pelo repórter Luiz Felipe Reis, imagina a dos outros. No levantamento solicitado pelo jornal às autoridades, foi constatado que, dos 56 espaços culturais do município, 36 estão funcionando sem autorização do Corpo de Bombeiros, e, dos 23 estabelecimentos de responsabilidade estadual, 13 não possuem o certificado da corporação.

Se foi possível realizar com tanta rapidez esse levantamento, por que não se fez antes? Da mesma maneira, prefeitura e estado conseguiram logo uma inspeção completa nos equipamentos de diversão. Por que só agora?

Secretários alegaram surpresa, desconhecimento, falta de tempo para tomar providências etc Contando eleição e reeleição, Sergio Cabral está no governo há sete anos e Eduardo Paes há quatro na prefeitura. Será que o tempo não foi suficiente para tomarem conhecimento da situação do nosso universo de entretenimento — salas de teatro, cinema, boates, restaurantes?

Na escala de responsabilidades do poder público no caso, seria importante descobrir qual a parte que cabe ao Corpo de Bombeiros e aos gestores das áreas. O prefeito Eduardo Paes disse: “Nossa posição continua a ser ‘fecha antes e pergunta depois.’” Muito bem. A pergunta também continua: por que esse rigor repentino, só agora?

O fato é que se as providências de vistoria e fiscalização tivessem sido tomadas sistemática e regularmente no seu devido tempo, e não na correria e de uma só vez, nessa espécie de blitz ou mutirão passageiro, poderia ser evitado o que está ocorrendo agora: depois da revelação do GLOBO (se não tivesse havido a denúncia, provavelmente não se saberia de nada), dezenas de espaços culturais com irregularidades foram suspensos ou fechados.

Isso significa que a cidade vai ficar praticamente sem programação artística por pelo menos 20 dias, um castigo por privação para o público e os artistas, que vão pagar pela negligência e o descaso do estado e da prefeitura.

DITOS POPULARES

Luis Fernando Veríssimo

Dos ditos populares, o mais irônico — pra não dizer cínico — é “Pra baixo todo santo ajuda”. O dito não discute a existência de santos e sua influência em nossas vidas, mas os divide em duas categorias, os poucos que nos ajudam nos momentos difíceis, de grande esforço, como subir uma ladeira, e a maioria que só se apresenta na hora da descida, quando nem precisaríamos de ajuda. Seriam os santos oportunistas, atrás de uma glória que não merecem.

Outro dito sábio e irônico, que está sendo muito citado depois da tragédia em Santa Maria, é “Porta arrombada, tranca de ferro”. Este trata das reincidentes providências tomadas para que um fato não aconteça, depois do fato acontecido. Foi preciso que quase 250 pessoas morressem para que coisas como revestimento inflamável, alvarás vencidos, falta de saídas de emergência e sinalização interna, etc. passassem a fazer parte das nossas conversas cotidianas, numa súbita descoberta do mundo de riscos iminentes e desconhecidos habitado por boa parte da população, principalmente a população jovem.

O Ivan Lessa disse que de quinze em quinze anos o Brasil esquece a sua história. Ou mais ou menos isso. Lessa foi otimista. A memória brasileira é bem mais curta. Não faz quinze anos que o Renan Calheiros teve que renunciar ao seu mandato para não ser expulso do Congresso. Hoje é candidato à presidência do Senado (estou escrevendo antes da eleição, mas Calheiros era tido como barbada).

Na época da sua renúncia houve grande indignação, mas a indignação brasileira — como a memória — dura pouco. É fácil indignar-se. Para nos indignarmos não falta a ajuda de todos os santos. Para que a indignação dure e tenha consequência precisamos de um empurrãozinho dos santos mais constantes. Que andam muito relapsos.

No caso dos crimes em Santa Maria, só nos resta esperar que a indignação dure o bastante para ter consequência. Que as providências que evitarão outra tragédia parecida sejam tomadas antes que a indignação seja engolida pela memória curta e desapareça.

E “quem esquece a história está condenado a repeti-la”. Disse não me lembro quem.

‘Muitos fiscais criam dificuldades só para vender facilidades’

Thiago Herdy, O Globo

Diretor jurídico da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Percival Maricato admite a ação de fiscais que “criam dificuldade para depois vender facilidade”. Ele reclama dos “caminhos tortuosos” para se conseguir regularizar a situação de casas noturnas na cidade e diz que as pessoas não denunciam irregularidades porque temem represálias.

O que favorece a corrupção?

Acontece, em alguns casos, porque funcionários ganham pouco. A lei é complexa e exige muita responsabilidade de quem libera uma casa noturna. Então, são diversas as razões.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

"LAVAR AS MÃOS" PODE SER FATAL




Matéria do jornalista de O Globo trata da facilidade com que Renan Calheiros conseguiu se eleger à presidência do Senado, mas o que me chamou a atenção foi o comentário sobre as abstenções, exatamente o que sempre tento expor em minhas considerações sobre o movimento de protesto mais favorável ao PT de todos os tempos, a onda do VOTO NULO.

Tal qual os quatro senadores que não tiveram coragem de votar no opositor de Renan, possivelmente para deixar claro que não votariam nele, mas também não votariam contra ele, assim faz o eleitor que não vota em ninguém - OU SEJA, não vota no PT mas também não vota contra o PT, o que dá praticamente na mesma, porque o PT tem seus votos garantidos, ao contrário do que acontece com os opositores que dependem do voto do cidadão livre do cabresto vermelho.

"Lavar as mãos" pode ser fatal, a história cristã comprova isso e os equívocos do eleitor brasileiro confirmam essa tese.

APESAR DE TUDO

Merval Pereira, O Globo

Como a vitória do senador Renan Calheiros era tida como inevitável, o importante é entender por que uma candidatura tão polêmica, para dizer o mínimo, que pode levar o Congresso a um enfrentamento com o Supremo Tribunal Federal, teve passagem tão fácil entre seus pares.

A primeira constatação é que a oposição ao que ele representa ficou abaixo do prometido aos organizadores da anticandidatura de Pedro Taques, do PDT.

Ele recebeu 18 votos quando estava apoiado, teoricamente, pelos votos da oposição (11 do PSDB e 4 do DEM) e mais o dissidente PDT (5 votos), o PSB (4 votos), um do PSOL e pelo menos dois votos dissidentes do PMDB, de Pedro Simon e Jarbas Vasconcellos. Se contarmos os dois votos em branco e os dois nulos como expressões contrárias à candidatura oficial, teríamos um total de 22 votos, quando deveria haver no mínimo 27.

Os votos em branco e nulos, aliás, são expressão concreta de como o corporativismo controla a Casa, pois, mesmo no voto secreto, esses quatro senadores não tiveram a coragem de votar no opositor. Pode ser até que tenham combinado com Renan Calheiros votar dessa maneira para deixar claro que não votariam contra ele.

Outra questão a ser analisada é como os senadores não têm qualquer tipo de preocupação com as manifestações da opinião pública. Uma das explicações possíveis é que, dos eleitores de ontem, nada menos que 21 eram suplentes sem voto, isto é, sem nenhuma ligação direta com o eleitorado.
(...)

Um abaixo-assinado na internet, de movimentos da sociedade civil, arregimentou mais de 300 mil assinaturas contra a indicação de Renan Calheiros, mas não houve repercussão interna.


Vários manifestantes apareceram em Brasília, mas também não mexeram com a tendência dos senadores-eleitores, motivados por interesses outros que não os da sociedade. As candidaturas do PMDB acabaram se transformando em motivos de luta política para a base governista, especialmente para o PT, que passou a tratá-las como fundamentais para o projeto governista.

Não houve dissidências no PT, que assumiu Renan como um companheiro que está sendo atacado por uma “ofensiva midiática”, como definiu o ex-ministro José Dirceu, condenado por corrupção passiva e formação de quadrilha pelo STF.

Renan foi elevado à condição de grande personagem da História brasileira, que estaria sendo atacado por ser da base da presidente Dilma. As denúncias do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, contra ele passaram a ser tratadas como parte do mesmo complô moralista que estaria sendo montado contra o governo popular petista.

O verdadeiro samba do crioulo doido leva a que certas confusões sejam feitas.

Leia a íntegra em Apesar de tudo

O ETERNO PARCEIRO

O PMDB, que acaba de eleger Renan Calheiros presidente do Senado e deve repetir a dose na Câmara, com Henrique Alves, é um partido ímpar na história política brasileira.

Um partido, em tese, se constitui para o exercício direto do poder; o PMDB, não: investe no papel de coadjuvante. Descobriu nesse veio uma engenhosa forma de garantir os interesses de seus dirigentes, sem o desgaste que o exercício direto do poder acarreta.
(...)

Pode-se ter dúvidas sobre quem será o próximo presidente da República, mas há ao menos uma sólida certeza: o PMDB será o parceiro principal, sócio vitalício do poder.

Cada estado é um feudo e cada feudo tem dono. Lá estão Jáder Barbalho (PA), Renan Calheiros (AL), José Sarney (AP e MA), Henrique Alves (RN), Romero Jucá (RR), entre muitos outros.

A rigor, há apenas duas exceções relevantes a essa regra: Pedro Simon (RS) e Jarbas Vasconcelos (PE), que o partido, por isso mesmo, nem contabiliza como correligionários. O grande mistério é saber por que lá permanecem.

O PMDB é a face atualizada de um velho Brasil, cujas origens remontam às capitanias hereditárias. Um Brasil que atravessou a colônia, o império, a República Velha e a Revolução de 1930.

Os coronéis-donatários modernizaram-se: usam tablets digitais, celulares de última geração, possuem redes de rádio e televisão, são donos dos principais jornais de suas capitanias.

Exercem, assim, com muito maior eficácia o papel de senhores feudais, num país de iletrados, condicionados a ver no Estado uma instância privada, da qual não são senhores, mas súditos. Trata-se, no fim das contas, de uma visão realista.

Até hoje, os brasileiros mais modestos acham que as leis trabalhistas foram gestos generosos e pessoais de Getúlio Vargas, assim como atribuem à bondade de Lula o Bolsa-Família. O populismo de direita ou de esquerda (qual a diferença?) ajusta-se como uma luva ao perfil do PMDB.

Lula, que o combateu quando na oposição, viu nele o interlocutor ideal para seu projeto político, em parceria idealizada desde o primeiro momento por José Dirceu.

Não há dobradinha mais harmônica. O partido, que é o maior do país, quer apenas a parte que lhe cabe no latifúndio do Estado, para continuar a saqueá-lo e manter seus domínios regionais.

Não tem preconceitos ou pleitos ideológicos, nem se opõe ao projeto de perpetuação do parceiro. Garantido o seu quinhão, deixa-o à vontade.

Sua única exigência, que aliás é recíproca, é a solidariedade moral em situações de flagrante delito.

Dentro desse acerto, lá estarão, por mais um biênio, Renan Calheiros no Senado, e Henrique Alves na Câmara. “A ética”, disse ontem Calheiros, “não é um fim, mas um meio”, seja lá o que isso signifique (seguramente nada que corra o risco de pô-la em cena).

Com o Congresso em tais mãos, a governabilidade – nome dado à vigência desse contrato comercial – está mais uma vez garantida. Tranquilizemo-nos todos. PT, saudações.

Leia a íntegra em O eterno parceiro