Cultura política brasileira dispensa de explicações autoridades como Palocci
Flagrante desonestidade.
Assim o juiz da corte criminal de Londres justificou na última sexta-feira a condenação do ex-parlamentar britânico Elliot Morley a um ano e quatro meses de prisão.
Morley admitiu ter usado o auxílio-moradia para embolsar 30.000 libras de hipotecas já quitadas.
Foi um dos 170 parlamentares acusados em 2009 de usar a verba de forma irregular.
O escândalo provocou a renúncia do presidente da Câmara dos Comuns, Michael Martin, que assumiu ter falhado na tarefa de zelar pela ética no Parlamento.
No mesmo ano, no Brasil, outra flagrante desonestidade vinha à tona sem mobilizar a Justiça, motivar renúncias ou provocar punições.
Mais de 200 parlamentares fizeram turismo com cotas de passagens aéreas exclusivas para viagens de trabalho.
Fretaram jatinhos e bancaram o transporte de parentes, amigos e cabos eleitorais.
Uma farra.
Pressionados, alguns devolveram o valor das passagens, sem se desculpar.
Foi como se tudo não passasse de um engano.
A comparação escancara: os políticos brasileiros ignoram a importância da transparência.
O filósofo Roberto Romano, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), afirma que “Os políticos brasileiros acham um insulto exigir deles explicações.”
É o caso de Antonio Palocci, ministro-chefe da Casa Civil, que agora se recusa a dizer como multiplicou, em quatro anos, seu patrimônio por vinte.
“Não importa se é de direita ou de esquerda.
Todos seguem a mesma ética autoritária ao chegar ao poder”, afirma Romano.
“Ética é um conjunto de atitudes automáticas e inconscientes.
A pessoa age sem consciência de que está fazendo errado.
Não pode se dar ao luxo de pensar ou sentir culpa.”
Para mudar uma classe política de ética torta só um choque de realidade.
E olhe lá.
“O Rei Tiago I, da Inglaterra, dizia que só respondia a Deus.
Nossos políticos são piores: não respondem nem a Deus”, diz Romano.
Segundo filósofo Roberto Romano, a opinião dos eleitores não causa preocupação aos corruptos.
A prioridade é convencer os colegas políticos a continuar lhe dando base de sustentação.
Foi o que a Presidência fez quando veio a público o enriquecimento de Palocci.
Dilma Rousseff reuniu seus melhores estrategistas para blindar o ministro e muniu os petistas de argumentos de defesa.
A presidente mostrou que, a exemplo de seu antecessor, levará a situação até o limite do suportável.
Como se nada tivesse acontecido.
Íntegra AQUI.
domingo, 22 de maio de 2011
Exclusivo: ex-diretor da Globo diz que Palocci levou o dossiê Francenildo aos Marinho
Paulo Nogueira, ex-diretor da Globo, confirma: o dossiê Francenildo foi levado à Época por Antonio Palocci.
"A história precisa ser escrita com correção", diz ele.
De Londres, o jornalista Paulo Nogueira, ex-diretor das Organizações Globo, que foi responsável por todas as revistas do grupo, acaba de conceder uma entrevista telefônica ao Brasil 247.
Ele conta como foi a operação, pilotada pelo ex-ministro Antonio Palocci, para desqualificar o caseiro Francenildo Costa em 2006.
Leia alguns trechos abaixo e AQUI a entrevista completa, que toca numa ferida aberta da imprensa.:
Brasil 247 – Como chegou à redação da Época o dossiê Francenildo?
PAULO NOGUEIRA – O assunto foi levado diretamente pelo ministro Palocci à cúpula das Organizações Globo.
247 – Mas por que só agora você decidiu trazer este caso a público?
NOGUEIRA – Uma indignação, o desejo de que meus filhos vivam num país melhor.
Tem um conceito do George Orwell que eu admiro muito: decência básica.
Só isso.
E agora, aqui em Londres, num período sabático, tenho mais liberdade.
A história brasileira precisa ser escrita com correção.
E fato é: o dossiê Francenildo foi levado à cúpula da Globo pelo ministro Palocci.
247 – O ministro Palocci foi inocentado no caso e a maior parte da culpa recaiu sobre os ombros do seu assessor Marcelo Netto.
NOGUEIRA – O Marcelo Netto tratou do assunto com a sucursal Brasília da Época.
Todos sabiam que ele agia a mando do Palocci.
247 – Mas o fato é que ele foi inocentado no Supremo e voltou à vida pública.
Se esse processo fosse reaberto, a pedido, por exemplo, do caseiro, você diria as mesmas coisas em juízo?
NOGUEIRA – Evidentemente, eu respondo pelo que eu escrevo.
Estou em Londres e no próximo ano estarei de volta ao Brasil.
"A história precisa ser escrita com correção", diz ele.
De Londres, o jornalista Paulo Nogueira, ex-diretor das Organizações Globo, que foi responsável por todas as revistas do grupo, acaba de conceder uma entrevista telefônica ao Brasil 247.
Ele conta como foi a operação, pilotada pelo ex-ministro Antonio Palocci, para desqualificar o caseiro Francenildo Costa em 2006.
Leia alguns trechos abaixo e AQUI a entrevista completa, que toca numa ferida aberta da imprensa.:
Brasil 247 – Como chegou à redação da Época o dossiê Francenildo?
PAULO NOGUEIRA – O assunto foi levado diretamente pelo ministro Palocci à cúpula das Organizações Globo.
247 – Mas por que só agora você decidiu trazer este caso a público?
NOGUEIRA – Uma indignação, o desejo de que meus filhos vivam num país melhor.
Tem um conceito do George Orwell que eu admiro muito: decência básica.
Só isso.
E agora, aqui em Londres, num período sabático, tenho mais liberdade.
A história brasileira precisa ser escrita com correção.
E fato é: o dossiê Francenildo foi levado à cúpula da Globo pelo ministro Palocci.
247 – O ministro Palocci foi inocentado no caso e a maior parte da culpa recaiu sobre os ombros do seu assessor Marcelo Netto.
NOGUEIRA – O Marcelo Netto tratou do assunto com a sucursal Brasília da Época.
Todos sabiam que ele agia a mando do Palocci.
247 – Mas o fato é que ele foi inocentado no Supremo e voltou à vida pública.
Se esse processo fosse reaberto, a pedido, por exemplo, do caseiro, você diria as mesmas coisas em juízo?
NOGUEIRA – Evidentemente, eu respondo pelo que eu escrevo.
Estou em Londres e no próximo ano estarei de volta ao Brasil.
Ente que mente
Por Mary Zaidan
No blog do Noblat
Avalista da estabilidade econômica nos primeiros anos do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, Antonio Palocci sempre foi mais bem quisto pelo capital do que por boa parte de seus companheiros de legenda.
Chegou a ser acusado de neoliberal, o que até 2002 era pecado imperdoável dentro das hostes petistas, pelo menos da boca para fora.
Como prefeito de Ribeirão Preto foi privatista, primeiro governante a entregar a telefonia à iniciativa privada.
Como político namorava tucanos, sendo louvado e admirado pela alta plumagem que nunca – e até hoje – lhe poupou elogios.
Como ministro da Casa Civil repete o filme que encenou ao auxiliar Lula: no primeiro sinal de crise se omite, mistura seus negócios privados com os de Estado, exige proteção total do governo, enrola.
E, por fim, mente.
Foi assim em 2005, quando seu ex-assessor Rogério Buratti o denunciou como beneficiário de uma cota mensal de R$ 50 mil pagos por uma empreiteira.
Repetiu a dose ao ser descoberto como freqüentador da casa de prazeres do Lago Sul de Brasília, sede das traquinagens da República de Ribeirão Preto, e quando o sigilo do caseiro Francenildo Pereira foi quebrado.
Naquela época como agora, Palocci ficou quieto, mudo.
No máximo soltou notas desencontradas à imprensa.
O passo seguinte foi mentir.
Mentiu na Comissão de Assuntos Estratégicos do Senado e na CPI dos Bingos, negando peremptoriamente todas as acusações.
Mais tarde, denunciado à Polícia Federal por Jorge Mattoso, então presidente da Caixa Econômica, onde o sigilo de Francenildo fora arrombado, mentiu de novo ao afirmar que nada sabia.
Um mentiroso contumaz.
O que não é nada alvissareiro: mesmo se vingar algum dos 10 requerimentos de convocação protocolados pela oposição no Congresso, a chance de o ministro manter o padrão é enorme.
Até então e sabe-se lá até quando, Palocci está tendo tudo o que quer.
Mesmo dilapidando o patrimônio amealhado por Dilma Rousseff nos primeiros cinco meses, para defendê-lo não se poupam unhas nem dentes.
O empenho do governo é tamanho que as pulgas não param de pulular detrás das orelhas.
Em 2006, Palocci só caiu dezenas de mentiras depois.
Perdeu no Planalto, ganhou na planície.
Multiplicou por 20 seu patrimônio, algo que não conseguiria fazer nem se fosse ministro até o fim de uma vida muito longeva.
Curiosamente, preferiu abdicar da consultoria nababesca para voltar a ser assalariado.
Sua vida deve estar um inferno, como dizia dois dias antes de rolar Ministério da Fazenda abaixo.
Mas, ao contrário da época em que saiu quase ileso, a economia não está no céu.
No blog do Noblat
Avalista da estabilidade econômica nos primeiros anos do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, Antonio Palocci sempre foi mais bem quisto pelo capital do que por boa parte de seus companheiros de legenda. Chegou a ser acusado de neoliberal, o que até 2002 era pecado imperdoável dentro das hostes petistas, pelo menos da boca para fora.
Como prefeito de Ribeirão Preto foi privatista, primeiro governante a entregar a telefonia à iniciativa privada.
Como político namorava tucanos, sendo louvado e admirado pela alta plumagem que nunca – e até hoje – lhe poupou elogios.
Como ministro da Casa Civil repete o filme que encenou ao auxiliar Lula: no primeiro sinal de crise se omite, mistura seus negócios privados com os de Estado, exige proteção total do governo, enrola.
E, por fim, mente.
Foi assim em 2005, quando seu ex-assessor Rogério Buratti o denunciou como beneficiário de uma cota mensal de R$ 50 mil pagos por uma empreiteira.
Repetiu a dose ao ser descoberto como freqüentador da casa de prazeres do Lago Sul de Brasília, sede das traquinagens da República de Ribeirão Preto, e quando o sigilo do caseiro Francenildo Pereira foi quebrado.
Naquela época como agora, Palocci ficou quieto, mudo.
No máximo soltou notas desencontradas à imprensa.
O passo seguinte foi mentir.
Mentiu na Comissão de Assuntos Estratégicos do Senado e na CPI dos Bingos, negando peremptoriamente todas as acusações.
Mais tarde, denunciado à Polícia Federal por Jorge Mattoso, então presidente da Caixa Econômica, onde o sigilo de Francenildo fora arrombado, mentiu de novo ao afirmar que nada sabia.
Um mentiroso contumaz.
O que não é nada alvissareiro: mesmo se vingar algum dos 10 requerimentos de convocação protocolados pela oposição no Congresso, a chance de o ministro manter o padrão é enorme.
Até então e sabe-se lá até quando, Palocci está tendo tudo o que quer.
Mesmo dilapidando o patrimônio amealhado por Dilma Rousseff nos primeiros cinco meses, para defendê-lo não se poupam unhas nem dentes.
O empenho do governo é tamanho que as pulgas não param de pulular detrás das orelhas.
Em 2006, Palocci só caiu dezenas de mentiras depois.
Perdeu no Planalto, ganhou na planície.
Multiplicou por 20 seu patrimônio, algo que não conseguiria fazer nem se fosse ministro até o fim de uma vida muito longeva.
Curiosamente, preferiu abdicar da consultoria nababesca para voltar a ser assalariado.
Sua vida deve estar um inferno, como dizia dois dias antes de rolar Ministério da Fazenda abaixo.
Mas, ao contrário da época em que saiu quase ileso, a economia não está no céu.
A porta giratória de Palocci foi só dele
Elio Gaspari, O Globo
O ministro Antonio Palocci voltou a ficar radioativo.
Quando estourou a encrenca da “República de Ribeirão Preto”, quem estava à sua volta, mesmo assessorando-o, foi carbonizado.
Na terça-feira, Luiz Azevedo, subchefe de Assuntos Parlamentares da Secretaria de Relações Institucionais, expediu uma mensagem às lideranças partidárias com uma defesa do chefe da Casa Civil:
- "No mercado de capitais e em outros setores, a passagem por Ministério da Fazenda, BNDES ou Banco Central proporciona uma experiência única que dá enorme valor a esses profissionais no mercado.”
Fulanizou o raciocínio com quatro precedentes: Pedro Malan, Maílson da Nóbrega (ex-ministros da Fazenda), André Lara Resende (ex-presidente do BNDES) e Pérsio Arida (ex-presidente do BNDES e do Banco Central).
No dia seguinte, foi transferido de função.
Admitir que Palocci não leu o texto deixa mal a máquina do Palácio.
Repete-se o “não sabia” de Lula/José Dirceu e de Dilma Rousseff/Erenice Guerra.
A nota universalizava a defesa da velha “porta giratória”.
Acertou no raciocínio genérico, mas, quando foi aos exemplos, produziu uma manobra enganadora.
Malan e Maílson chegaram ao primeiro escalão do governo com mais de 20 anos de serviço público na área econômica.
Um está no conselho do Itaú, tem empregador conhecido.
O outro fundou, há 15 anos, a consultoria Tendências, tem 11 sócios e dezenas de funcionários.
Palocci empregou apenas uma pessoa, que não sabe o que lá se faz.
André Lara Resende foi para o BNDES depois de ter trabalhado em dois bancos (Garantia e Unibanco) e fundado um terceiro (Matrix).
Veio do mercado e a ele retornou.
Pérsio Arida foi o único a chegar ao governo sem experiência pública ou empresarial.
Depois, tornou-se sócio do banco Opportunity e hoje está no Pactual.
Todos os quatro estudaram economia.
Palocci é médico.
Salvo Maílson, todos passaram pelo Departamento de Economia da PUC do Rio e estiveram na ekipekonômica tucana.
Desde a fundação da Sorbonne, em 1257, nenhuma equipe de professores de uma universidade amealhou patrimônio semelhante ao do punhado de mestres da Gávea.
Como diria o companheiro José Genoino, uma coisa foi uma coisa, e outra coisa é outra coisa.
O ministro Antonio Palocci voltou a ficar radioativo.
Quando estourou a encrenca da “República de Ribeirão Preto”, quem estava à sua volta, mesmo assessorando-o, foi carbonizado.
Na terça-feira, Luiz Azevedo, subchefe de Assuntos Parlamentares da Secretaria de Relações Institucionais, expediu uma mensagem às lideranças partidárias com uma defesa do chefe da Casa Civil:
- "No mercado de capitais e em outros setores, a passagem por Ministério da Fazenda, BNDES ou Banco Central proporciona uma experiência única que dá enorme valor a esses profissionais no mercado.”
Fulanizou o raciocínio com quatro precedentes: Pedro Malan, Maílson da Nóbrega (ex-ministros da Fazenda), André Lara Resende (ex-presidente do BNDES) e Pérsio Arida (ex-presidente do BNDES e do Banco Central).
No dia seguinte, foi transferido de função.
Admitir que Palocci não leu o texto deixa mal a máquina do Palácio.
Repete-se o “não sabia” de Lula/José Dirceu e de Dilma Rousseff/Erenice Guerra.
A nota universalizava a defesa da velha “porta giratória”.
Acertou no raciocínio genérico, mas, quando foi aos exemplos, produziu uma manobra enganadora.
Malan e Maílson chegaram ao primeiro escalão do governo com mais de 20 anos de serviço público na área econômica.
Um está no conselho do Itaú, tem empregador conhecido.
O outro fundou, há 15 anos, a consultoria Tendências, tem 11 sócios e dezenas de funcionários.
Palocci empregou apenas uma pessoa, que não sabe o que lá se faz.
André Lara Resende foi para o BNDES depois de ter trabalhado em dois bancos (Garantia e Unibanco) e fundado um terceiro (Matrix).
Veio do mercado e a ele retornou.
Pérsio Arida foi o único a chegar ao governo sem experiência pública ou empresarial.
Depois, tornou-se sócio do banco Opportunity e hoje está no Pactual.
Todos os quatro estudaram economia.
Palocci é médico.
Salvo Maílson, todos passaram pelo Departamento de Economia da PUC do Rio e estiveram na ekipekonômica tucana.
Desde a fundação da Sorbonne, em 1257, nenhuma equipe de professores de uma universidade amealhou patrimônio semelhante ao do punhado de mestres da Gávea.
Como diria o companheiro José Genoino, uma coisa foi uma coisa, e outra coisa é outra coisa.
Manobra para "driblar" a lei, alguma novidade?
Petrobras muda critério de contabilização de terceirizados
O Globo
Pressionada pelo Tribunal de Contas de União (TCU) para reduzir o número de terceirizados nos próximos anos, a Petrobras decidiu mudar o critério de como contabiliza seu quadro de empregados, que passou a excluir funcionários de empresas contratadas que atuam fora das unidades da companhia.
Sem que houvesse demissões, quase 20 mil terceirizados sumiram, assim, das estatísticas da estatal no segundo semestre do ano passado, de acordo com dados enviados pela empresa à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Nas estatais Banco do Brasil (BB) e Eletrobras, os números oficiais indicavam aumento de terceirizados em 2010, segundo levantamento do GLOBO com base nos dados enviados à CVM, mostra reportagem de Bruno Villas Bôas publicada neste domingo pelo jornal O GLOBO.
A Petrobras acelerou a terceirização de mão de obra. O contingente dobrou entre dezembro de 2005 e junho de 2010, de 156 mil para 310 mil terceirizados, chegando à relação de quatro para cada concursado (76.977 em junho).
O quadro chamou a atenção do TCU, que investigou contratos de estatais e identificou "indícios de burla à legislação", com terceirizados atuando em atividade-fim ou subordinados a concursados, o que é proibido pelo artigo 37 da Constituição.
O TCU recomendou a substituição desses terceirizados por concursados em cinco anos a todas estatais.
Após a recomendação do TCU, a Petrobras mudou suas estatísticas. Enviou à CVM que, em dezembro de 2010, o número de terceirizados havia recuado pela primeira vez em seis anos: passou a 291 mil - relação de 3,6 terceirizados para cada concursado (80.492).
Isso aconteceu após a adoção de critérios de contabilização que vêm sendo contestados por especialistas do setor e o Ministério Público do Trabalho (MPT).
O Globo
Pressionada pelo Tribunal de Contas de União (TCU) para reduzir o número de terceirizados nos próximos anos, a Petrobras decidiu mudar o critério de como contabiliza seu quadro de empregados, que passou a excluir funcionários de empresas contratadas que atuam fora das unidades da companhia.
Sem que houvesse demissões, quase 20 mil terceirizados sumiram, assim, das estatísticas da estatal no segundo semestre do ano passado, de acordo com dados enviados pela empresa à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Nas estatais Banco do Brasil (BB) e Eletrobras, os números oficiais indicavam aumento de terceirizados em 2010, segundo levantamento do GLOBO com base nos dados enviados à CVM, mostra reportagem de Bruno Villas Bôas publicada neste domingo pelo jornal O GLOBO.
A Petrobras acelerou a terceirização de mão de obra. O contingente dobrou entre dezembro de 2005 e junho de 2010, de 156 mil para 310 mil terceirizados, chegando à relação de quatro para cada concursado (76.977 em junho).
O quadro chamou a atenção do TCU, que investigou contratos de estatais e identificou "indícios de burla à legislação", com terceirizados atuando em atividade-fim ou subordinados a concursados, o que é proibido pelo artigo 37 da Constituição.
O TCU recomendou a substituição desses terceirizados por concursados em cinco anos a todas estatais.
Após a recomendação do TCU, a Petrobras mudou suas estatísticas. Enviou à CVM que, em dezembro de 2010, o número de terceirizados havia recuado pela primeira vez em seis anos: passou a 291 mil - relação de 3,6 terceirizados para cada concursado (80.492).
Isso aconteceu após a adoção de critérios de contabilização que vêm sendo contestados por especialistas do setor e o Ministério Público do Trabalho (MPT).
sábado, 21 de maio de 2011
Presidente quer financiar trem de luxo com dinheiro de quem usa transporte público
O ilustre e combativo Senador Álvaro Dias comenta em seu blog sobre a coluna do jornalista Lauro Jardim, da revista Veja, que trata da ideia fixa da presidente Dilma de criar um novo imposto no setor de transportes para ajudar a financiar o projeto do trem-bala.
O projeto está orçado em R$ 34 bilhões (valor que deve subir, já que o cálculo é de 2008), mas o governo já teve que adiar por duas vezes o leilão para concessão do direito à obra por falta de interessados.
E faz uma importante declaração:
"A respeito do projeto do trem-bala, nós do PSDB ingressamos nesta semana no Supremo Tribunal Federal com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade contra a MP que trata, entre outras coisas, da criação de uma empresa para administrar o trem de alta velocidade (Etav) e do financiamento para sua construção, a ser feito pelo BNDES.
Entre outras ilegalidades, a criação da tal empresa estatal deveria ter se dado por projeto de lei, e não por medida provisória.
Esta foi mais uma das recentes medidas do governo que afrontam a Constituição, e usurpam prerrogativas do Legislativo."
O projeto está orçado em R$ 34 bilhões (valor que deve subir, já que o cálculo é de 2008), mas o governo já teve que adiar por duas vezes o leilão para concessão do direito à obra por falta de interessados.
E faz uma importante declaração:
"A respeito do projeto do trem-bala, nós do PSDB ingressamos nesta semana no Supremo Tribunal Federal com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade contra a MP que trata, entre outras coisas, da criação de uma empresa para administrar o trem de alta velocidade (Etav) e do financiamento para sua construção, a ser feito pelo BNDES.
Entre outras ilegalidades, a criação da tal empresa estatal deveria ter se dado por projeto de lei, e não por medida provisória.
Esta foi mais uma das recentes medidas do governo que afrontam a Constituição, e usurpam prerrogativas do Legislativo."
Mensalão - A incrível história da petista honesta, demitida do Banco do Brasil e hoje ameaçada de morte
Danevita Magalhães: a então petista foi demitida por não compactuar com a roubaheira; sem emprego, vive sob ameaça
Não deixe de ler reportagem de Hugo Marques na VEJA desta semana.
Ele conta a história de Danevita Ferreira de Magalhães, uma das principais testemunhas contra os larápios do mensalão. Segue um trecho:
(…)
Ex-petista, Danevita Ferreira de Magalhães era gerente do Núcleo de Mídia do Banco do Brasil quando, ainda em 2004, foi instada a participar de uma fraude para justificar a remessa de nada menos que 60 milhões de reais às arcas do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, o caixa-forte do mensalão.
Ela não se curvou à ordem.
Por isso, foi demitida e viu sua vida virar de cabeça para baixo.
Ameaçada de morte e vivendo de favor na casa de amigos, Danevita é agora uma testemunha-chave do Ministério Público Federal para provar que o mensalão foi abastecido, sim, com dinheiro publico.
Entre 1997 e 2004, Dane, como é carinhosamente chamada pelos poucos amigos que lhe restaram, coordenou o núcleo do Banco do Brasil que administrava os pagamentos às agências de publicidade contratadas para fazer a propaganda da instituição e de seus produtos.
Por esse núcleo, formado por representantes das agências, passava todo o papelório necessário para liberar os mais de 180 milhões de reais gastos a cada ano nas campanhas publicitárias do banco.
Foi no momento de assinar um desses documentos que Danevita viu sua carreira desmoronar.
O papel fugia completamente aos padrões.
Tratava-se de uma ordem para chancelar um pagamento de 60 milhões de reais à DNA Propaganda, uma das empresas do mineiro Marcos Valério que abasteceram o mensalão.
Detalhe: o dinheiro já havia sido repassado para a DNA, e o documento só serviria para atestar, falsamente, a veiculação de uma campanha fictícia que nunca fora ao ar.
Uma fraude completa.
A assinatura de Danevita era necessária para legitimar a operação.
À Polícia Federal, ela disse que um dos diretores da DNA admitiu, na ocasião, que o serviço jamais seria prestado.
Ato contínuo à decisão de negar a assinatura que tanto valeria a Marcos Valério e ao esquema que já no ano seguinte ficaria conhecido como mensalão, veio a demissão.
“Como não assinei, fui demitida”.
*
No blog do Reinaldo Azevedo
Leia na revista detalhes dessa história típica da República da Companheirada.
Não deixe de ler reportagem de Hugo Marques na VEJA desta semana. Ele conta a história de Danevita Ferreira de Magalhães, uma das principais testemunhas contra os larápios do mensalão. Segue um trecho:
(…)
Ex-petista, Danevita Ferreira de Magalhães era gerente do Núcleo de Mídia do Banco do Brasil quando, ainda em 2004, foi instada a participar de uma fraude para justificar a remessa de nada menos que 60 milhões de reais às arcas do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, o caixa-forte do mensalão.
Ela não se curvou à ordem.
Por isso, foi demitida e viu sua vida virar de cabeça para baixo.
Ameaçada de morte e vivendo de favor na casa de amigos, Danevita é agora uma testemunha-chave do Ministério Público Federal para provar que o mensalão foi abastecido, sim, com dinheiro publico.
Entre 1997 e 2004, Dane, como é carinhosamente chamada pelos poucos amigos que lhe restaram, coordenou o núcleo do Banco do Brasil que administrava os pagamentos às agências de publicidade contratadas para fazer a propaganda da instituição e de seus produtos.
Por esse núcleo, formado por representantes das agências, passava todo o papelório necessário para liberar os mais de 180 milhões de reais gastos a cada ano nas campanhas publicitárias do banco.
Foi no momento de assinar um desses documentos que Danevita viu sua carreira desmoronar.
O papel fugia completamente aos padrões.
Tratava-se de uma ordem para chancelar um pagamento de 60 milhões de reais à DNA Propaganda, uma das empresas do mineiro Marcos Valério que abasteceram o mensalão.
Detalhe: o dinheiro já havia sido repassado para a DNA, e o documento só serviria para atestar, falsamente, a veiculação de uma campanha fictícia que nunca fora ao ar.
Uma fraude completa.
A assinatura de Danevita era necessária para legitimar a operação.
À Polícia Federal, ela disse que um dos diretores da DNA admitiu, na ocasião, que o serviço jamais seria prestado.
Ato contínuo à decisão de negar a assinatura que tanto valeria a Marcos Valério e ao esquema que já no ano seguinte ficaria conhecido como mensalão, veio a demissão.
“Como não assinei, fui demitida”.
*
No blog do Reinaldo Azevedo
Leia na revista detalhes dessa história típica da República da Companheirada.
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