segunda-feira, 29 de outubro de 2012

HADDAD FOI ELEITO POR APENAS TRINTA E NOVE POR CENTO DOS VOTOS


Se urna em SP é tribunal, então mensaleiros foram condenados de novo por 60,7% dos eleitorado; afinal, Haddad, o do teleprompter, foi eleito por apenas 39,3%

O prefeito eleito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), veio mesmo para inovar. Não fez o tradicional discurso da vitória. Ele o leu num teleprompter. 
Um político de qualquer outro partido que assim procedesse seria alvo de ironia da imprensa vigilante e isenta. Não com o petista. Considera-se um sinal de profissionalização da campanha — afinal, o que importa é conteúdo… O professor universitário, mestre em direito, doutor em filosofia, não pode correr o risco de falar cinco minutos por sua conta e risco. 
É prudente! Na última vez em que pensou de improviso, considerou que um facínora que mata depois de ler livros e moralmente superior ao que mata sem lê-los. Teremos, enfim, um pensador na Prefeitura de São Paulo.
Ontem, o PT se manifestou de várias maneiras. Houve o discurso supostamente inclusivo e “moderno” de Haddad; houve a fala da vendeta de Marta Suplicy, que resolveu, acreditem!, criminalizar o tucano José Serra. Ela o acusou de “traiçoeiro”. Entendo! Onde já se viu vencê-la nas urnas em 2004? Isso não se faz! E houve a tropa fascista de José Genoíno (mais AQUI), que foi devolvido pela condenação sofrida no Supremo à sua real natureza. Agora dá para entender que tipo de sociedade este herói tinha na cabeça quando aderiu à guerrilha do Araguaia.
Tudo isso é PT: aquele que faz discurso “thutchuca”, lido no teleprompter, e o que saúda a suposta destruição de um adversário, como fez Marta; o que diz que vai atuar para diminuir a desigualdade e o que joga no chão uma senhora de 82 anos em sua fúria fascistoide.
Vamos ver quantas horas vai demorar para o partido divulgar uma nota oficial em que proclamará, ainda que por vias tortas, a absolvição dos mensaleiros, que teria sido dada pelo resultado nas urnas em São Paulo. Trata-se, obviamente, de uma falácia. 
Dos números ao mérito. O petista obteve na cidade 3.387.720 votos no segundo turno, para um eleitorado de 8.619.170 pessoas. 
É o legítimo prefeito eleito de São Paulo, dentro das regras do jogo, mas foi votado por apenas 39,3% dos que têm direito de participar do pleito. Isso significa que 60,7% dos eleitores paulistanos não votaram no candidato petista.
Se o PT pretenda que urna é tribunal, então é o caso de a gente pedir vênia, antes de dar uma botinada no traseiro teórico dos vigaristas, e lembrar que, fosse assim, os mensaleiros teriam sido condenados por uma ampla maioria: 60,7% a 39,3%. Aplicada a proporção a um grupo de 11 (número de ministros do), tem-se uma nova condenação 7 a 4…
Além da cascata mensaleira, também assistiremos ao triunfalismo, como se o partido houvesse logrado, realmente, uma vitória acachapante. Isso é falso! O PT venceu em São Paulo, sim, nas condições acima especificadas(...), mas cresceu em cidades pequenas e murchou em cidades médias.
Quem acompanhou ontem o noticiário da TV e confiou em certos comentários ficou com a impressão de que o partido havia promovido uma verdadeira razia eleitoral Brasil afora, não deixando nem migalhas para os adversários ou aliados de ocasião. Isso é falso como nota de R$ 3.
Finalmente
Finalmente, não sei onde certo jornalismo andou estudando lógica. Talvez o professor seja o mesmo que deu aula de probabilidade para a turma que fez o kit gay de Haddad. Sustentar que o mensalão “não teve peso nenhum” na eleição é uma dessas bobagens que transformam o depois na causa do que veio antes.
Para saber se teve ou não, seria preciso realizar essa mesma eleição sem o tema “mensalão” em pauta. Quem pode assegurar que o resultado nas 13 capitais em que o PT não obteve êxito não seria outro? Quem pode assegurar que o partido não teria tido um desempenho melhor Brasil afora? O PT se organizou para fazer 800 prefeituras. Ficou bem abaixo disso.
De toda sorte, essa é e sempre foi uma pauta mais do PT do que da própria oposição. Foi o partido que se organizou para impedir que o julgamento se realizasse neste ano, justamente com medo das urnas, e que chegou a acusar uma tentativa de golpe…
Tirem a conquista da Prefeitura de São Paulo da conta para ver se a vitória é assim tão maiúscula. Os petistas sabem que podem enganar certo jornalismo, mas que não podem enganar a si mesmos.(...)
A minha disposição de confrontar a metafísica influente e os juízos bucéfalos é imensa. Meu blog terá mais de 4 milhões de acessos neste mês também por isso. O coro dos contentes combina a música e o tom, e eu vou lá e desafino. Com muito gosto, com muito prazer!
Por Reinaldo Azevedo

DUAS MILITÂNCIAS FAVORECEM O PT - A DO PARTIDO E A DO "VOTO NULO"

Com a diferença de cerca de 600 MIL votos entre Haddad e Serra, mais uma vez a onda do "Voto Nulo" entregou o poder para o PT. 

Em 2010, Dilma teve cerca de 53 MILHÕES do votos e José Serra 44 MILHÕES.
Entretanto, TRINTA E SEIS MILHÕES não votaram em NINGUÉM, entre brancos, nulos e abstenções.
OITENTA MILHÕES de eleitores não votaram na Dilma, mesmo assim foi eleita porque, com a onda do "Voto Nulo", quem está na dianteira vence com poucos votos. Portanto, votar nulo é o mesmo que votar no líder das pesquisas. Que protesto furado é esse?
Na eleição à prefeitura de São Paulo a história se repete, mais uma vez a militância do "Voto Nulo" favoreceu o candidato petista.


Quase três em cada dez eleitores de SP não participaram da escolha do novo prefeito

O domingo ensolarado do segundo turno da eleição paulistana registrou dois recordes: o maior índice de abstenções desde a introdução da urna eletrônica, em 1996, e de dia mais quente do ano, chegando a 35,3º às 16h.

Somando abstenções e eleitores que votaram em branco ou anularam o voto, mais de dois milhões e meio dos eleitores aptos (29,3%) não participaram da decisão do novo prefeito de São Paulo. 

O recorde anterior num segundo turno foi em 1996, com 24,6% dos eleitores paulistanos. O índice atual é maior que o de 28,9% dos eleitores que se abstiveram ou não votaram em ninguém no primeiro turno deste ano.

Embora tenham caído os votos em brancos e nulos, as abstenções aumentaram. De 18,5% no primeiro turno, elas passaram para 20% da mesma base de eleitores ontem. "Esse número não é irrelevante e ainda será objeto de muitas análises", afirmou o juiz Henrique Harris Júnior, da 1ª Zona Eleitoral e responsável pela eleição na capital, observando que muitos eleitores de candidatos que ficaram fora da final podem ter deixado de votar.



JOSÉ SERRA NÃO PRECISA DE INIMIGOS

O eleitor paulistano é tão ocupado que não entende nada de política, tanto é que sua reação às questões nacionais mostraram o grau de alienação. O Brasil disse NÃO ao partido do mensalão, o eleitor paulistano caiu como criança inocente nas lorotas do PT.

O comentário geral na capital paulista era sobre a rejeição de José Serra causada pelo apoio de Kassab, ELEITO pela população, não por Serra.
 Kassab foi cortejado por Lula e convidado ao lançamento da candidatura Haddad.



O governador Geraldo Alckmin, preocupado com seu próprio umbigo, agiu para trazer de volta o apoio de Kassab ao ninho tucano. Presente de grego a José Serra que custou sua derrota.
Reportagem de O Globo deixa isso bem claro. Trechos abaixo:


Serra sempre soube que sua entrada na eleição para a prefeitura paulistana era uma “faca de dois gumes”: poderia manter no horizonte o plano de uma nova candidatura presidencial ou enterrá-lo de vez.

O governador Geraldo Alckmin (PSDB), diante dos movimento de Kassab de se aproximar da candidatura do PT, fez um apelo pessoal para que Serra entrasse na disputa e tirasse o prefeito do colo de Fernando Haddad (PT). Para Alckmin, a aliança entre PSD e PT aumentaria as chances de vitória petista na cidade, dificultando os planos dele de reeleição ao governo em 2014.


Pronto para aderir a Haddad e se jogar de vez no colo de Dilma, Kassab receberá um ministério, assim como o então candidato do PMDB, Gabriel Chalita. É o "NeoMensalão" do PT, que usa a distribuição de cargos e ministérios para cooptar apoios à bandeira que já abriga o Congresso, a imprensa, as igrejas, etc. - "TODOS PELO PT".

O tiro de Alckmin saiu pela culatra. Atingiu Serra e com a derrota garantiu aos petistas um fiel aliado para derrotar Alckmin em 2014, Gilberto Kassab. Vejam o que diz o Painel da Folha:

Maioria
Disposto a cooperar politicamente com Haddad, Gilberto Kassab contabiliza, em relatos a aliados, que o futuro prefeito deverá contar com o apoio de 28 a 30 dos 55 vereadores. A matemática inclui o bloco liderado pelo atual prefeito, formado por PSD, PSB, PV e PP. 

O BRASIL NÃO SE AJOELHOU, MAS SÃO PAULO...

Em causa própria, por Ricardo Noblat

Que tal? Fica combinado assim: Lula foi o vencedor da eleição para prefeito da cidade de São Paulo. Lula, e não Fernando Haddad que nunca disputara eleição.
O PT? Não, gente - Lula. Porque o PT reagiu à arriscada proposta de Lula de ir à luta com um candidato jovem e desconhecido dos paulistanos. Lula foi obrigado a arquivar os bons modos: espancou a mesa e forçou o PT a se render à sua vontade.
(...)

 Foto: Daniel Teixeira/AE

Fica combinado também que Lula nada tem a ver com as derrotas colhidas pelos candidatos que apoiou em outras cidades. Nem mesmo por aqueles que Lula se empenhou de fato em eleger - gravou mensagens para os programas de propaganda eleitoral no rádio e na televisão, pontificou em comícios e passeatas, e repetiu a dose ao perceber que a primeira não fora suficiente.
Vocês imaginam o quê de Lula? Que ele é milagreiro para sair por aí acendendo todo tipo de poste?

Lula acreditou que Vanessa Grazziotin, candidata do PC do B a prefeita de Manaus, não era um poste. E não era.
Foi vereadora, deputada estadual e federal. E há dois anos se elegeu senadora derrotando Arthur Virgílio, na época o todo-poderoso líder do PSDB no Senado.
O governador do Estado apoiava Vanessa. Eduardo Braga (PMDB), líder do governo Dilma no Senado, também. Fora os principais grupos econômicos e de comunicação locais.
Lula deve ter pensado: por que não pegar carona numa vitória quase certa para assim poder humilhar Arthur?

Foi direto e franco. No bairro mais popular de Manaus, disse que estava ali menos por Vanessa e mais por Arthur. Acusou Arthur de um dia tê-lo ameaçado com uma surra. E pediu para que ninguém votasse nele. Pediu, não, cobrou, exigiu, ordenou. 

Os manauaras não gostaram. Não gostam de quem quer mandar neles.
(...)

Lula despachou Dilma para lá há uma semana. Deu chabu. Vanessa subiu somente um pontinho nas pesquisas de intenção de voto. Arthur ganhou, ontem, com folga.

A pedido de Lula que fora a Salvador duas vezes, Dilma desembarcou por lá para barrar a eleição de ACM Neto (DEM). E atacou-o sem dó nem piedade.
Ao lado de Nelson Pelegrino, o candidato do PT em apuros, Dilma bateu da cintura para baixo:

Aqui não pode ter um governinho.

E insistiu:
Aqui não pode ter um governo pequenininho.

ACM Neto mede menos de 1m65cm.

Pesquisas para consumo interno da campanha do candidato do PT mostraram que os moradores de Salvador se irritaram com o que ouviram de Dilma.

Mexer com uma característica física do adversário? O que é isso, meu irmão? E se ACM Neto tivesse respondido: Precisamos em Brasília de um governo mais enxuto, mais leve, mais ágil...?

A maior lambança promovida pelo PT nesta eleição foi no Recife, cidade que governa há quase 12 anos.
Como o prefeito era mal avaliado, Lula indicou o senador Humberto Costa para concorrer à vaga dele. Esqueceu-se de combinar com Eduardo Campos, governador de Pernambuco e presidente do PSB.
(...)

O PSB de Eduardo lançou candidato a prefeito e o elegeu no primeiro turno.

Lula fez cara de paisagem. Eduardo fez cara de aspirante a candidato a presidente da República.
O desastre do PT no Recife, Salvador, Fortaleza, Diadema e Campinas, e a vitória do PSDB em Manaus não significam que Lula e Dilma estejam em baixa nas cidades onde apostaram o grosso de suas fichas.
Longe disso.
Significa apenas o que o marqueteiro mais iniciante já sabe de cor: eleição municipal é um fenômeno local, local, local.
(...)

domingo, 28 de outubro de 2012

MANCHA VERMELHA SANGRA NO BRASIL VERDE E AMARELO - VITÓRIA DE JOSÉ DIRCEU


Ibope, boca de urna, São Paulo: Haddad, 57%; Serra, 43%

Pesquisa boca de urna do Ibope dá a eleição de Fernando Haddad para prefeito de S. Paulo.

Tem um lado bom, provavelmente o paulistano terá mais tranquilidade nas ruas com o fim das ações nefastas que têm dominado o período eleitoral nos últimos anos em São Paulo.
O eleitor, infelizmente, prefere se render do que repudiar.
Vejam comentário que deveria envergonhar quem votou no PT.

É possivel que a partir da proxima semana o indice de assassinatos em SP seja reduzido. Afinal domingo acaba a disputa eleitoral

ENQUANTO SÃO PAULO SE PINTA DE VERMELHO, OUTROS MUNICÍPIOS RESGATAM A DIGNIDADE DO VERDE E AMARELO:

Ibope: Donizette será eleito em Campinas com 58% dos votos

O Globo
Em Campinas, mais um campo de batalha entre os “aliados” PSB e PT, os socialistas levaram a melhor. Segundo a pesquisa de boca de urna do Ibope, Jonas Donizette (PSB) será eleito com 58% dos votos válidos, contra Marcio Pòchmann, do PT, com 42%.

(Comentário do NoblatMais um lugar onde Lula escolheu o candidato do PT e empenhou todo o seu prestígio para elegê-lo. Gravou mensagens, compareceu a comícios, participou de carretas. E ainda orientou Dilma a fazer o mesmo.)

ACM Neto se elege prefeito em Salvador, segundo Ibope


O anúncio oficial será feito em breve.
ACM Neto, do DEM, se elegeu prefeito de Salvador, segundo pesquisa de boca de urna do Ibope. Derrotou Nelson Pelegrino, do PT.
Lula foi a Salvador duas vezes fazer comícios por Pelegrino. Dilma, uma.



Fortaleza: Boca de urna do Ibope dará a vitória de Roberto Cláudio

A prefeita Luizianne Lins (PT), de Fortaleza, convocou há pouco eleição coletiva para denunciar compra de votos e abuso de poder econômico por parte de Cid Gomes (PSB), governador do Ceará.
Em instantes, Roberto Cláudio, o candidato de Cid, terá sua vitória anunciada pela pesquisa de boca de urna do Ibope.



Fortaleza: Contra o PT, militantes do PSB gritam: 'Joaquim Barbosa'
O PT cearense foi surpreendido com o poderoso esquema de fiscalização, boca de urna e caça ao voto de última hora montado pelo governador Cid Gomes e seu PSDB.
Desembarcaram em Fortaleza cerca de 100 prefeitos do PSB e de partidos aliados do governo. Cada um acompanhado de cerca de 50 pessoas de sua confiança.
Um mar de bandeiras amarelas - a cor do candidato do PSB a prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio - se contrapõe ao mar de bandeiras vermelhas do PT.
Elmano de Freitas, candidato do PT, votou numa das zonas eleitorais que funcionam na Assembléia Legislativa.
Foi cercado por partidários do seu adversário que gritavam, agressivos:
- Ladrão, ladrão, ladrão. Mansaleiro, mensaleiro, mensaleiro. Joaquim Barbosa, Joaquim Barbosa, Joaquim Barbosa.
A polícia evitou que Elmano acabasse agredido.

(Atualizando)

Cuiabá - PSB derrota PT
Com 74,4% das seções apuradas, Mendes (PSB) permanece na frente com 55,2% dos votos válidos. O percentual corresponde a 126,3 mil votos. Lúdio (PT) também se mantém com 45,7%, o correspondente a 106,5 mil votos. Faltam 271 seções para serem abertas pelo TRE.



POR QUE SERRA QUER SER PREFEITO?

Ao longo das últimas semanas, São Paulo debateu duas propostas de futuro. Durante a campanha, nossos adversários tiveram de dividir suas atenções entre a cidade e o julgamento do STF, que colocou à vista seus métodos e práticas ilegais. 

O PSDB, por outro lado, chega à reta final da eleição de cabeça erguida, confiante e certo de ter feito uma campanha limpa, comprometida com a cidade e focalizada em ideias capazes de melhorar a vida dos 11 milhões que constroem com talento e suor a grandeza paulistana.

Estudo e trabalho sempre estiveram em nosso DNA. O paulistano quer vencer com esforço, empenho e dedicação. São Paulo valoriza o mérito. Não é terra de patotas, de quem acredita que filiação partidária é o caminho mais curto para ascender. A cidade aplaude quem arregaça as mangas e ganha a vida honestamente. 

Para quem acredita que é possível crescer na vida trabalhando duro e com correção, dirigimos nossas propostas. Para nós, o papel do governo não é tutelar ninguém, mas dar a quem mais precisa condições para desenvolver suas potencialidades. 

Foi com esse espírito e por essas pessoas que apresentamos nossas ideias: a rede municipal de ensino técnico, o Bilhete Único de seis horas, o investimento decidido da prefeitura na expansão do metrô, a transformação de favelas em bairros pela reurbanização, o fortalecimento das parcerias entre prefeitura e organizações sociais, incluindo bons hospitais como o Albert Einstein e o Sírio-Libanês, a ampliação da carga horária do ensino fundamental para sete horas, a valorização do professor, entre tantas. Falamos muito de meio ambiente, cultura, pessoas com deficiência, esporte e lazer. 

Além de propostas, para nós também é importante falar de princípios. Partidos precisam ter compromisso com a ética e com a decência. Não é slogan, é uma divisa para nortear a atividade cotidiana da política. A política existe para o bem comum. Quem entra na vida pública deve servir às pessoas, não se servir delas. Sem esse compromisso, a democracia é deturpada, virando instrumento de abusos que a comprometem. 

Por isso, o tema é tão relevante. O STF foi claro: os métodos e práticas de nossos adversários de hoje são os mais deletérios e baixos da vida pública. Polícia Federal, Ministério Público e STF mostraram que o mensalão se fez com desvio de dinheiro público, compra de votos no Congresso, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha. Condenou os responsáveis à cadeia. 

A quadrilha em questão, que tenta dizer o que o paulistano deve fazer com o voto, era a cúpula do governo Lula e do PT -à frente, o ex-presidente e sempre homem forte do partido José Dirceu. O mensalão e suas consequências apequenam e desmerecem a política e os eleitores. Resumem o pior da vida pública do país. 

Além de fraudar a democracia -compra de votos no Congresso é um atentado grave contra o eleitor-, o mensalão teve um efeito devastador e pouco falado. O desvio de dinheiro público pela quadrilha significa que verbas que deveriam estar em hospitais, escolas, estradas, novos portos ou na agricultura foram ao bolso dos beneficiários do esquema.

O paulistano, arguto e esclarecido, sabe que com o candidato vem todo o seu partido. Partidos têm a sua maneira de encarar a política. A nossa é clara, como demonstra a história. A de nossos adversários também, como demonstram a polícia e a Justiça. 

De coração leve e peito aberto, chegamos a esta votação: em paz com nosso passado, orgulhosos do presente e esperançosos do futuro. O PSDB já teve a honra de trabalhar muito pelo povo de São Paulo e do Brasil. Continuamos nos esforçando todo dia para melhorar a vida das pessoas. Temos muito ainda para conquistar juntos. O futuro nos espera.
*
O candidato do PSDB, JOSÉ SERRA, 70, é mestre e doutor em economia. Foi, no governo FHC, ministro do Planejamento (1995-1996) e da Saúde (1998-2002), além de prefeito da capital (2005-2006) e governador de São Paulo (2007-2010) 

Matéria publicada na Folha de São Paulo 

DESISTIR JAMAIS

No último dia de campanha, José Serra (PSDB) percorreu ontem cerca de 120 km na zona norte de São Paulo. Iniciou o trajeto no início da tarde, debaixo de sol forte, e concluiu a maratona sob chuva pesada, às 19h. No fim do dia, já abatido pelo cansaço e o resultado das pesquisas que apontam a vitória de Fernando Haddad (PT), despediu-se dizendo que estava "sentindo um clima grande de virada" e que sentiria falta da campanha. 

Serra iniciou sua maratona num ato com mulheres, acompanhado do governador Geraldo Alckmin, por volta das 12h. Depois, partiu para a periferia da zona norte, na Parada de Taipas. O tucano, que durante toda a campanha enfrentou uma rejeição alta, cumprimentou eleitores e tirou fotos. Mas também ouviu críticas pesadas. "Você só trabalha para os ricos", bradou Adriana Aparecida da Silva, de 36 anos, desempregada, com o dedo em riste. "Você tem o direito de votar em quem quiser", respondeu Serra. 

A tensão foi aliviada menos de 30 metros depois. Ao entrar num restaurante, Serra foi abordado por uma cozinheira. De uniforme, ela abraçou e beijou o tucano. Chorou no ombro dele. "O senhor tem caráter, tem honra. E vai ter sempre o meu voto", afirmou Cleonice Alves de Oliveira, 30. De Taipas, seguiu para o Expocenter Norte. Encontrou o prefeito Gilberto Kassab (PSD). Com os rumores sobre os resultados das últimas pesquisas, os aliados já demonstravam abatimento. Incitado a fazer um balanço da campanha, Kassab negou. "Deixa para amanhã."

Serra, no entanto, fez o possível para não externar desânimo. Concluiu o passeio dizendo que pediria votos "até o último instante". "De hoje para amanhã, ainda tem muita gente que vai tomar a decisão", afirmou.Na última coletiva, evitou polêmicas. O jornal "O Estado de S. Paulo" informou que a campanha de Serra usou um cadastro de eleitores da prefeitura para pedir votos por telefone. A administração municipal e a campanha negaram o episódio. 

Do ExpoCenter Norte, partiu para Brasilândia. Fez uma caminhada pelo comércio. Em alguns momentos, tropeçou. "Eu estou com muita fome. Mas como um sanduíche no carro e o ânimo volta." Num gesto de esforço, atendeu ao pedido de um motorista de ônibus e entrou no veículo para cumprimentá-lo. "A gente não pode deixar o PT ganhar aqui", disse o homem. "Deus te ouça", rebateu Serra, em tom baixo. De lá, partiu para a Freguesia do Ó. Já escurecia, a chuva apertou e Serra se refugiou em um supermercado. Aproveitou para saudar clientes e caixas. Estava já embaixo do guarda-chuva quando pediu para falar novamente. "Chego amanhã muito otimista."

(Folha de São Paulo)