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domingo, 20 de maio de 2012

'Você é nosso e nós somos teu'

Por Mary Zaidan

Português abaixo da crítica, conteúdo mais baixo ainda. Assim pode ser definida a mensagem do deputado Cândido Vacarezza (PT-SP) ao governador Sérgio Cabral, flagrado pelas câmaras do SBT durante reunião da CPI mista que deveria investigar as estripulias do contraventor Carlos Cachoeira.

"A relação com o PMDB vai azedar. Mas não se preocupe. Você é nosso e nós somos teu.”

Embora não tenha revelado nada de novo, Vacarezza deu um azar danado.

Nos 83 toques em que confessa amor eterno ao governador do Rio, o ex-líder do governo na Câmara expôs com todas as letras o que muitos estão cansados de saber, mas jamais revelariam: a blindagem total aos que interessam – governo, PT e aliados amigos - em uma CPI patrocinada pela maioria, talvez a única na história.
Coisa que só a onipotência do ex-presidente Lula poderia conceber.

Precedida ou seguida de um “Por que? O que houve?” do preocupado interlocutor – algo a que poucos deram atenção -, o torpedo de Vacarezza ganha potencial explosivo. Pode significar muito mais do que a óbvia proteção aos cupinchas. Deixa claro que de sério a CPI tem pouco ou quase nada. Coisa para a plateia ver.

Mas o que será que tanto apoquenta Cabral? Se, como diz, não aparece em gravação alguma, não precisaria de proteção adicional. Muito menos de informações online, no auge do debate, sobre o quadro de convocações da CPI.

Os guardanapos dos seus lhe perturbam a cabeça? Teme novas fotos? Novas revelações?

Os motivos que levariam líderes de primeira grandeza do PT a se indispor abertamente com o PMDB, maior aliado e detentor da vice-presidência da República, são ainda mais inexplicáveis.

Só mesmo encrencas das grandes valeriam tal preço.

Questões se amontoam às dezenas. Poucas serão respondidas a se medir pela primeira lista de convocações da CPI, todas para ouvir o que a Policia Federal já cansou de ouvir.
Uma comissão que se faz de inútil. Que, por escolha e gosto, desconsidera descalabros atrás de descalabros sob o argumento de que não se enquadram no escopo das investigações.
Imaginam, também por escolha e gosto, que investigações têm limites controláveis, esquecendo-se que a CPI mais devastadora já realizada no país começou com um alvo, o pagamento de propina nos Correios, e achou outro muito mais gigantesco, o mensalão.
Por essas e outras, é melhor proteger uns e outros, mandar torpedos e SMS – já que ligações telefônicas são perigosas demais – e tentar não dar sorte para o azar. Para quem deve e teme, não é um risco que dê para correr.

sábado, 28 de maio de 2011

Os donos da crise

Por Mary Zaidan
No blog do Noblat

Um dia depois de o líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vacarezza (PT-SP), afirmar que o Congresso “corre risco quando o governo perde”, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou em Brasília aludindo à possibilidade de “crise institucional de consequências imprevisíveis”.

Mesmo ditas em contextos diferentes, as frases convergem para o mesmo lugar: a lama no poço.
E em um buraco muito, mas muito mais fundo do que se poderia imaginar.


Fora as façanhas não explicadas que permitiram ao ministro Antonio Palocci multiplicar espetacularmente o seu patrimônio e a inabilidade com que o governo trata seus partidários e aliados, a que crise se refere Lula?
E Vacarezza?
A que riscos se remetem esses expoentes do petismo?

Afinal, à exceção da Presidência da República, ocupada por uma mandatária inapetente para a política, que se esconde e esconde as peripécias de seu ministro e prefere viver à sombra do ex, não há nada no Judiciário e no Legislativo – mesmo que este tenha pouco apreço por si - que aponte para uma crise institucional.

Todos os atores estão cansados, exaustos de saber que a crise que embaraça o governo em seu quinto mês nada tem a ver com a estabilidade das instituições.
Tem coração e alma no Planalto e é irrigada com sangue do PT e do PMDB.

A crise ao governo pertence, foi por ele consentida e só ele a alimenta.
Não adianta tentar socializá-la.
E poucas serão as chances de contorná-la se Dilma não começar a fazer política, ainda que a fórceps.

Assim sendo, o sucesso da fórmula de taxar as denúncias como “terceiro turno”, intriga da oposição ou da imprensa, pode não se repetir.

A receita sempre funcionou para Lula.
Mas não é ele, para a tristeza dele, que preside o país.
Ainda que Lula protagonize o absurdo de comandar a República como fez na última semana, agora não será tão fácil inverter os fatos, ludibriar, mentir.

Está claro também que o tempo nem sempre é um aliado confiável para contornar dissabores.
Ao contrário de aliviar, a cada minuto que passa a pressão aumenta.

Não há como tergiversar, para usar um termo do agrado da presidente.
Mais cedo ou mais tarde, Palocci terá de falar.
E não a portas fechadas, como fez para os senadores petistas.
Não só por escrito, como fez para a Procuradoria Geral da República e pretende fazer para o Ministério Público Federal.
Mas à nação.
Sem o que pode se colocar em risco a instituição Presidência da República.
Aí, sim, com conseqüências imprevisíveis.

Ou previsíveis. Talvez seja esse o temor.

domingo, 20 de maio de 2012

DEU TUDO ERRADO PARA O PT. JULGAM-SE ONIPOTENTES, MAS NEM TODOS SE CURVAM

A blindagem de Cabral pode se transformar em uma faca de dois gumes

Merval Pereira, O Globo

O flagrante da mensagem do deputado petista Cândido Vacarezza garantindo imunidade ao governador do Rio, Sérgio Cabral, é mais uma confirmação de que essa CPI do Cachoeira está se revelando o maior erro dos últimos tempos do grupo político que está no poder.

Convocada estranhamente pela maioria governista, a CPI tinha objetivos definidos pelo ex-presidente Lula e pelo ex-ministro José Dirceu: apanhar a oposição com a boca na botija nas figuras do senador Demóstenes Torres e do governador de Goiás, Marconi Perillo, e desestabilizar o Procurador-Geral da República, Roberto Gurgel, responsável pela acusação dos mensaleiros no julgamento do Supremo Tribunal Federal.

De passagem, queriam certos petistas criminalizar a revista “Veja” para criar um clima político que favorecesse a aprovação de uma legislação de controle da mídia, como vêm tentando, sem sucesso, desde o início do governo Lula.

Por enquanto, está dando tudo errado. A tentativa de constranger os ministros do Supremo resultou numa reação do Judiciário, que se viu impelido a não deixar dúvidas sobre sua independência.

A vontade de procrastinar o julgamento, quem sabe deixando-o para o próximo ano, quando dois novos ministros estarão no plenário para substituir Cezar Peluso e Ayres Britto, ficou tão explícita que o revisor do processo, o ministro Ricardo Lewandowski, viu-se na obrigação de anunciar que pretende apresentar seu voto ainda no primeiro semestre, permitindo que o julgamento comece logo em seguida.

Até mesmo uma frase banal, que queria dizer outra coisa, teve o efeito de levantar suspeitas.
Quando Lewandowski disse que o julgamento ocorreria “ainda este ano” sabe-se agora que não estava pensando em outubro ou novembro, mas a partir de junho, como fez questão de esclarecer.

Com relação à imprensa, todos os esforços do senador Collor de Mello, o “laranja” da tramoia petista, têm sido em vão, e as relações do PT com o PMDB estão azedando, na definição de Vacarezza, porque o PMDB não está disposto a embarcar nessa aventura petista de tolher a liberdade de imprensa.

Por fim, a blindagem explícita do governador do Rio pode se transformar em uma faca de dois gumes, tornando inevitável sua convocação.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

TOMATE NELES PODE SER DESPERDÍCIO, MAS...

... O QUE MERECE QUEM VIVE RINDO DA NOSSA CARA?







Livros e reportagens que contam a verdadeira história de lideranças do partido dos trabalhadores,  dentre os quais indico o livro eletrônico "A Corrupção de Sarney a Lula", escrito por Eduardo Graeff, trazem relatos sobre os métodos de arrecadação de fundos usados por Lula e seus companheiros sindicalistas desde que deixou de ser um trabalhador para iniciar sua trajetória política.

Em um desses depoimentos, Paulo de Tarso Venceslau, petista histórico, revelou à CPI do mensalão como o dinheiro de propinas era desviado para financiar, entre outras coisas, a Caravana da Cidadania, que projetou a imagem de Lula em todo o Brasil.

Segundo ele, ainda no começo da década de noventa, várias prefeituras controladas pelo PT contratavam sem licitação serviços de assessoria tributária de uma empresa denominada Consultoria para Empresas e Municípios - CEPEM.  
AQUI em PDF para ler e imprimir.

Publiquei POST, em março, que também cita o caso CPEM, com destaque para a prefeitura de minha cidade, e mostra que os "malfeitos" do PT não começaram com a sua chegada ao poder, como tentam nos convencer.

AQUI, relato comovente e imperdível de uma de suas vítimas.

Um dos momentos mais significativos, porém, aconteceu em 19 de agosto de 2005, quando Palocci era ministro da Fazenda, com o depoimento do advogado Rogério Tadeu Buratti, que foi assessor dele na Prefeitura de Ribeirão Preto na primeira gestão (1992-1996), quando afirmou ao Ministério Público Estadual que Palocci recebia R$ 50 mil por mês da empresa de lixo Leão Leão. O dinheiro (ou parte dele) seria depois repassado ao então tesoureiro do PT Delúbio Soares.

A Leão, Leão fraudou uma concorrência pública de R$ 41 milhões durante a gestão de Palocci à frente da prefeitura de Ribeirão Preto. Foram R$ 46 milhões em contratos com a empresa apenas entre 2001 e 2002.A empresa foi acusada de fraudes em licitações públicas em 16 cidades de São Paulo e Minas Gerais, incluindo Ribeirão Preto.

Portanto, a mancha na biografia de Palocci não se deve apenas às farras numa mansão de Brasília ou ao maldito dossiê contra o caseiro, nem apenas por suas consultorias milionárias.

Confiram matérias de hoje nos jornais, comprovam que o modo de operar esse tipo de esquema continua o mesmo e que não acabou com a condenação de alguns réus do Mensalão.

A Folha informa que um ex-chefe de gabinete de Arlindo Chinaglia, líder de Dilma na Câmara, é citado como intermediário de uma reunião na qual a empreiteira Leão Leão buscaria recursos do BNDES. Em troca da verba, a empreiteira apoiaria a campanha de um assessor de Chinaglia, o Toninho do PT, em Ilha Solteira (SP). O Mensalão, pelo jeito, não terminou.

O jornalista Reinaldo Azevedo lembra ainda que o escândalo do mensalão trouxe à luz a figura do “Zé Linguiça”, um assessor do então deputado Luizinho. A defesa alegou que foi o dito-cujo que acabou fazendo o saque de R$ 20 mil da conta de Marcos Valério. Luizinho acabou inocentado. Agora chegou a vez do Zé Formiga. 

Leiam o que informam Mario Cesar Carvalho e José Ernesto Credendio, na Folha:
*
O líder do governo Dilma Rousseff na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), é apontado por um lobista apanhado em operação da Polícia Federal como responsável por direcionar verbas para empresas que financiavam candidatos do PT. Além disso, um ex-chefe de gabinete de Chinaglia, identificado como Eli, é citado como intermediário de uma reunião na qual a empreiteira Leão Leão buscaria recursos do BNDES. Em troca da verba, a empreiteira apoiaria a campanha de um assessor de Chinaglia, o Toninho do PT, em Ilha Solteira (SP).
Chinaglia aparece em escutas da Operação Fratelli, do Ministério Público Federal e do Estadual. Os alvos da operação são fraudes em licitações que somam R$ 1 bilhão em dinheiro federal. As verbas, oriundas de emendas parlamentares, eram dos ministérios das Cidades e do Turismo.

Nas escutas telefônicas há menções a três deputados do PT na operação: além de Chinaglia, Cândido Vacarezza e José Mentor. 

Os petistas são autores das emendas sob suspeita. Todos dizem que não têm ligação com as supostas fraudes. O procurador Thiago Lacerda Nobre vai encaminhar os trechos da investigação sobre Chinaglia ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Também serão enviadas as menções a Vacarezza e Mentor.
O suspeito que cita Chinaglia é Gilberto Silva, também conhecido como Zé Formiga, acusado pela polícia de ser “lobista do PT”, segundo os documentos obtida pela Folha. Silva, que ficou uma semana preso, foi monitorado pela polícia e, de acordo com o relatório das investigações, acompanhou Chinaglia em “campanhas eleitorais, principalmente na captação de dinheiro junto a empresários que pudessem se beneficiar de seus candidatos apadrinhados”.
O lobista afirma numa conversa telefônica de outubro de 2012, sem se referir a nomes, que o autor da emenda indicará à prefeitura a empresa que fará a obra contemplada pela verba que liberou. "Tem de aceitar quem vai executar a obra por indicação de quem arrumou a emenda". Noutra conversa, ele relata que Chinaglia "vai ter R$ 50 milhões de emendas extraparlamentares prometidos pela presidente Dilma porque ele é líder dela na Câmara".

Na sequência, ele conta, segundo a PF, "que o deputado [Chinaglia] lhe falou que em cidade pequena podem ser colocadas emendas de R$ 130 mil ou até R$ 140 mil, e daí foge da licitação". O próprio Silva diz ser petista. Em setembro do ano passado, contou: "Eu estou aguardando um assessor do Arlindo Chinaglia, porque eu trabalho com eles, eu faço parte do PT".

Noutro telefonema, ele cita que esteve em São José do Rio Preto com Chinaglia e o assessor Toninho, hoje vereador em Ilha Solteira. As obras eram sobretudo de recapeamento asfáltico, chamadas pelos investigados de "chão preto". Os promotores reproduziram a fala de Silva ao usar a metáfora para asfalto.

"O Toninho e o Arlindo teve comigo sábado à tarde. Rapaiz do céu, se ocê vê o que ele tem de chão preto, já tá tudo na mão".

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Congresso do PT, um evento autista

João Bosco Rabello - Estadão

O congresso nacional do PT, pós-Lula, foi um repeteco pálido dos anteriores, com uma pauta anacrônica cujo ponto central foi a enfadonha cantilena de controle da mídia, sem a repercussão política pretendida.
(...)

A corrupção no governo, cada vez mais desnudada pela mídia, é obstáculo concreto às pretensões eleitorais.
Na medida em que foge à responsabilidade de combatê-la, mais se distancia do objetivo.

Melhor, então, combater ferozmente o mensageiro, ainda que ele noticie prisões feitas pela Polícia Federal.

Não emanou do congresso recente nenhuma bandeira capaz de sensibilizar o eleitor.
O desagravo ao ex-ministro José Dirceu, atingido pela matéria da revista Veja em que figura como um dirigente com influência sobre ministros e autoridades do partido no governo Dilma, deu caráter ainda mais doméstico ao evento.

É nesse contexto que se retoma a idéia delirante de controlar a comunicação no País.
Sim, porque é disso que se trata – e não de regulamentação da mídia, eufemismo utilizado para a verdadeira intenção de exercer censura sobre os meios de comunicação.

Velhos chavões, como o monopólio da mídia por famílias proprietárias (tese desmontável com um simples levantamento nacional), não significam absolutamente nada.

O único ponto real desse discurso todo é a necessidade de se rever critérios de concessões de rádio e televisão para deputados e senadores, abordagem, de resto, já feita pela própria mídia.

Mas que empaca no Congresso Nacional, por óbvio.
O PT não enxerga que ao concentrar suas energias na mídia, vai se afastando daquilo que realmente interessa à sociedade, como o corporativismo que absolve a deputada Jacqueline Roriz, comemorado pelo líder do governo,, Cândido Vacarezza.

Ou o papel de guardião da lista de parlamentares infratores que mantém negócios de suas empresas com o governo, exercido pelo Conselho de Ética da Câmara.

Ou a defesa do combate seletivo à corrupção, ou seja, aquele que naturalmente poupar seus pares.

E tantas outras mazelas políticas que o partido historicamente condenava – e que, hoje se confirma, era apenas como plataforma para chegar ao Poder.
De onde, agora, demoniza a mídia e o ministério público, instituições em que se apoiou para o alcançá-lo.

Íntegra AQUI.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

"TROPA DO CHEQUE" EM AÇÃO

Miro denuncia ‘tropa do cheque’ e encontro secreto com Cavendish

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Lula vetou comissão do Congresso que fiscalizaria compras feitas pela CEF e pelo Banco do Brasil

Pois é…

No dia 22 de outubro de 2008, o Diário Oficial da União publicou a Medida Provisória 443, que autorizou a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil a comprar a participação em bancos em dificuldades.
Foi essa MP que permitiu à CEF criar a CaixaPar.
O primeiro e único negócio foi feito em 2009: a aquisição dos 49% das ações do Banco Panamericano, processo só concluído há quatro meses, com a bênção definitiva do Banco Central.

Quando a MP bateu no Congresso, recebeu uma emenda: a formação de uma comissão especial para acompanhar as aquisições feitas pelos bancos oficiais.
Fazia sentido?
Todo sentido, ora essa!
São bancos públicos recebendo autorização para ir às compras.
Se o Congresso é, por excelência, o “Poder do povo”, por que não?
Pois é…

Ocorre que Lula vetou a comissão.

O episódio foi lembrado hoje pelos deputados Paes de Lira (PTC-SP) e Luiz Carlos Hauly (PR), vice-líder do PSDB.
Cândido Vacarezza, líder do PT na Câmara, defende o veto.
Segundo ele, não se pode fazer comissão para tudo.
Afirmou ainda que a CEF não está tendo nenhum prejuízo.
Falso, não é?
O tombo nas ações do Panamericano diz ou não respeito ao sócio do banco?
A proposta previa que a comissão recebesse um relatório sobre a empresa cujas ações estariam sendo compradas e a exposição de motivos.
Ela contaria com a colaboração de técnicos do BC, da Receita, do TCU e da Comissão de Valores Mobiliários.

Se essa comissão existisse, é possível que a barafunda do Panamericano tivesse sido evitada?
Não tenho a menor idéia.
Considerando que, hoje, ninguém se diz responsável pela lambança, teria sido uma chance a mais de impedir que a CEF torrasse R$ 700 milhões.

Por Reinaldo Azevedo

domingo, 10 de março de 2013

MASSA DE MANOBRA? "TÔ FORA!"

CASO FELICIANO É MAIS UM "ESPETÁCULO" CRIADO PELO PT A FIM DE DISTRAIR OS BRASILEIROS



O PT abriu mão de presidir a Comissão de Direitos dos Gays, ops... Humanos da Câmara. Seu presidente era Domingos Dutra (PT-MA) que, aliás, está indo para a Rede da Marina Silva. O PT abandonou os direitos humanos para articular a nomeação de um aliado polêmico no lugar de um nome que seria do partido.

O PSC, partido do Pastor Marco Feliciano, é da base aliada da Dilma. Portanto, tudo o que está acontecendo faz parte da aliança do PT com um dos partidos que estão acostumados a se submeter ao poder central.

Sim, o PT abandonou os Direitos Humanos com alguns propósitos. Um deles é que direitos humanos para o PT só interessa no discurso que garante voto, a não ser que seja "direitos dos manos"; outro movimento que tem motivado o PT é a criação de PAUTAS que abalam a sociedade e a mobilizam em torno de questões que desviem a atenção sobre seus fracassos e escândalos para outros focos aparentemente distantes.

E isso tem funcionado como num espetáculo muito bem ensaiado. É o "EFEITO MANADA".
A população adere a esses movimentos, como fizeram com o "Fora Sarney", "Fora Renan" e agora "Fora Feliciano", enquanto esquecem do Mensalão, das denúncias contra petistas, incluindo Lula, e da incompetência do desgoverno que está afundando o Brasil.

Estou defendendo os nomes citados acima?
De jeito nenhum. Quem vende sua honra sabe que isso tem um preço, e o PT cobra caro, como nos casos dos que se sujeitam a ter seu nome jogado na lama para se manterem alinhados ao poder, portanto, não merecem crédito.

O que eu percebo é que tudo isso é em vão porque a cabeça da serpente continua intacta e cada vez mais forte.  

Repetir o que "todo mundo diz", provavelmente mais uma ideia orquestrada pelos marqueteiros petistas e lançada pela rede de intrigas do partido, é um insulto à própria inteligência e um meio de se anular como cidadão.

Concordo plenamente com o que escreve Reinaldo Azevdo sobre a Marcha dos Intolerantes, principalmente quando questiona: 

- há outros deputados enroladas com a Justiça que assumiram o comando de comissões;  cadê os protestos? 

Dois dos quatro deputados petistas condenados pelo STF (Supremo Tribunal Federal) no julgamento do mensalão, João Paulo Cunha (PT-SP) e José Genoino (PT-SP), são membros da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara), considerada a mais importante comissão da Casa.

José Guimarães (dólar na cueca), Paulo Teixeira (defensor do consumo de drogas), Ricardo BANCOOP Berzoini e Cândido "Você é nosso e nós somos teu" Vacarezza também integram a Comissão. 

O novo presidente da Comissão de Finanças e Tributação, João Magalhães (PMDB-MG) responde a três inquéritos no STF: peculato, tráfico de influência e crime contra o sistema financeiro. Não há protestos contra ele.

Há 11 inquéritos civis no MP de São Paulo para apurar as ações do deputado Gabriel Chalita (PMDB-SP) quando secretário da Educação. Ele é o presidente da Comissão de Educação. 

CADÊ OS PROTESTOS?

 Leiam abaixo:

O líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), negou que tenha intermediado acordo entre ruralistas e evangélicos para garantir ao pastor Marco Feliciano (PSC-SP) a presidência da Comissão de Direitos Humanos da Casa e evitar o avanço de projetos que tratam de quilombolas e de reservas indígenas, como afirmou o deputado Domingos Dutra (PT-MA), ex-presidente do colegiado.

Cunha disse que não há restrição a nenhum projeto, mas que a comissão não pode ser "monotemática" e tratar só das causas dos homossexuais. "É uma comissão de defesa dos direitos humanos ou de defesa do movimento gay?", questionou o deputado, que é evangélico.

Cunha rejeitou a tese de que, sob o comando do pastor, a comissão se afaste da sociedade civil. Feliciano é acusado de homofobia e racismo e foi eleito, na quinta-feira, em sessão fechada, longe dos protestos da véspera.

"Não se pode impedir ninguém de ser presidente de comissão. Só esse grupinho que estava lá (na Câmara, protestando contra a escolha de Feliciano) é que dialoga? A comissão tem muitos temas a tratar: violência nos presídios, quilombolas, pedofilia, violência contra a mulher e também questões do movimento gay. Mas não pode ser monotemática", afirmou Cunha.

'Segundo o líder do PMDB, depois de vários acertos entre os partidos, restaram as presidências de apenas duas comissões, a de Direitos Humanos e a de Legislação Participativa. O PSC escolheu a primeira.
"O PSC não reivindicou a Comissão de Direitos Humanos. Não foi por opção, foi por falta de opção", disse o peemedebista. "Como é um partido de maioria evangélica, foi escolhido um deputado evangélico. Minha participação foi fazer cumprir o acordo entre os partidos, nada além disso." 

O líder afirmou que, na quarta-feira, ainda tentou que o PT abrisse mão da Comissão de Relações Exteriores, que passaria ao PMDB, e ficasse com Direitos Humanos. Com isso, o PSC ocuparia a Comissão de Fiscalização. 

"O PT não aceitou", disse.   

(O Globo)