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quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

O FANTASMA DE SANTO ANDRÉ

Nas Entrelinhas: Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense - 13/01/2016

Cerveró puxou o fio da meada do assassinato do prefeito Celso Daniel, sequestrado e assassinado em 18 de janeiro de 2002


O vazamento da delação premiada do ex-diretor da área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró é apenas uma peça no tabuleiro da Operação Lava-Jato, pois há mais 34 envolvidos no escândalo da Petrobras que optaram por contar e provar o que sabem sobre o esquema de propina. Ao afirmar que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva lhe deu o cargo de diretor financeiro da BR Distribuidora como reconhecimento pela ajuda que ele prestou para quitar um empréstimo de R$ 12 milhões considerado fraudulento, Cerveró puxou o fio da meada do assassinato do prefeito de Santo André Celso Daniel, sequestrado e assassinado em 18 de janeiro de 2002, um caso que assombra o PT.

Segundo Cerveró, em 2004, o fazendeiro José Carlos Bumlai obteve empréstimo do Banco Schahin e repassou R$ 6 milhões para o empresário de Santo André Ronan Maria Pinto, que detinha informações comprometedoras sobre o PT na região. Anos depois, sob comando de Nestor Cerveró, a diretoria internacional da Petrobras aceitou contratar a empresa Schahin Engenharia por US$ 1,6 bilhão para a operação de um navio-sonda. O contrato seria uma forma de o PT retribuir o grupo Schahin pelo empréstimo.

No embalo da Lava-Jato, o publicitário Marcos Valério, condenado no mensalão, que teria sido um dos “operadores” escalados para abafar o caso Celso Daniel, agora se oferece para fazer delação premiada na Operação Lava-Jato. Teve oportunidade de fazê-la no mensalão, mas preferiu manter o silêncio e acabou condenado a 37 anos e 8 meses de prisão. Em 2012, Valério havia revelado que metade do dinheiro fora destinado ao empresário Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, amigo de Celso Daniel e principal suspeito do crime, mas que foi absolvido desse crime por falta de provas. Ele era um dos cabeças de um esquema de cobrança de propina de empresas de transportes contratadas pela prefeitura de Santo André, no ABC, de 1997 a 2002, Além de Sombra, foram condenados por corrupção Ronan Maria Pinto e o ex-secretário de Serviços Municipais da cidade Klinger Luiz de Oliveira Sousa.

Os três chantageavam a cúpula do PT. O caso Celso Daniel é uma espécie de divisor de águas na trajetória do partido. Coordenador do programa de governo de Lula, o prefeito de Santo André fazia parte do núcleo dirigente da campanha petista, ao lado de José Dirceu. A investigação interna realizada pelo PT deu muita confusão na cúpula do partido, mas também não esclareceu o crime. O promotor Francisco Cembranelli, responsável pela acusação no caso Celso Daniel, porém, concluiu que o prefeito de Santo André foi morto porque descobriu que o esquema de propina obtido com empresários para caixa dois de campanha do PT passou a ser desviado também para contas particulares dos envolvidos. Segundo depoimento de pessoas que sofriam extorsão, elas pagavam de R$ 30 mil a R$ 40 mil por mês ao esquema.

Círculo macabro

A família de Celso Daniel nunca engoliu a versão de crime de encomenda e responsabiliza o PT pela morte do prefeito, o que nunca foi comprovado. Uma lista macabra de assassinatos aumenta o mistério sobre o caso, pois representa uma verdadeira queima de arquivo. O garçom Antônio Palácio de Oliveira, que serviu o prefeito e Sérgio Sombra no restaurante Rubaiyat em 18 de janeiro de 2002, noite do sequestro, foi assassinado em fevereiro de 2003. Usava documentos falsos, com outro nome. Teria recebido R$ 60 mil de fonte desconhecida por seus familiares e fora citado numa conversa gravada pela polícia entre Sombra e Klinger. Era testemunha de desentendimento entre Daniel e Sombra.

Paulo Henrique Brito, a única testemunha do assassinato do garçom, foi morto no mesmo lugar, com um tiro nas costas, 20 dias depois. O agente funerário Iran Moraes Rédu, o primeiro a identificar o corpo do prefeito na estrada, foi morto com dois tiros quando estava trabalhando, em dezembro de 2003. Apontado pelo Ministério Público como o elo entre Sérgio Sombra e a quadrilha que matou o prefeito, três meses depois, o detento Dionísio Severo foi assassinado na cadeia, na frente do advogado. Ele havia sido resgatado do presídio dois dias antes do sequestro, mas acabou recapturado. Tinha sido escondido por Sérgio Orelha, que também foi assassinado em 2003. O investigador do Denarc Otávio Mercier, que ligou para Severo na véspera do sequestro, morreu em troca de tiros com homens que tinham invadido seu apartamento, em julho de 2003. O último cadáver foi o do legista Carlos Delmonte Printes, que identificou sinais de tortura no corpo do ex-prefeito, morto em outubro de 2005.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Caso Celso Daniel: Justiça condena três acusados

Ex-prefeito de Santo André foi assassinado em janeiro de 2002.

Valmar Hupsel Filho -VEJA Online

Juiz lê a sentença que condenou três dos acusados em matar Celso Daniel
Juiz lê a sentença que condenou três dos acusados em matar Celso Daniel (Valmar)

Depois de mais de 14 horas de julgamento, a Justiça condenou, no fim da noite desta quinta-feira, três homens acusados pelo sequestro e assassinato do ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel, crime ocorrido em janeiro de 2002. Ivan Rodrigues da Silva, conhecido como Monstro, acusado de ser o líder entre os executores, foi condenado a 24 anos de prisão; José Edison da Silva, a 20 anos. Por ser menor de 21 anos no dia do crime, Rodolfo Rodrigo dos Santos Oliveira, o Bozinho, recebeu pena de 18 anos.

Os sete jurados, três homens e quatro mulheres, votaram pela condenação dos três por homicídio duplamente qualificado – os agravantes foram a execução do crime mediante pagamento e sem chance de defesa da vítima.

 “Esse é um momento de alegria porque mais uma etapa foi vencida”, comentou o irmão da vítima, Bruno Daniel.

Apontado como o mandante do crime, o empresário Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, amigo do ex-prefeito, ainda não foi julgado.
(...)

O promotor elogiou a eficiência da investigação polícia, que, em dois meses, identificou os autores do crime. Friggi informou, entretanto, que o Ministério Público, provocado pela família da vítima e por empresários do setor de transportes de Santo André, iniciou investigação própria e identificou a verdadeira motivação do crime - política.

Segundo ele, nos autos do processo constam depoimentos de pessoas que descrevem que Gilberto Carvalho e Míriam Belquior, então secretária municipal de Santo André,  teriam relatado desvios de dinheiro para serem entregues diretamente a José Dirceu. 

“Em um dos casos 1 milhão e 200 mil foram entregues de uma vez a Dirceu”, disse.
(...)

O caso - O Ministério Público afirma que os cinco acusados foram contratados para matar Celso Daniel pouco depois de o prefeito descobrir que o esquema de corrupção montado na prefeitura para financiar a campanha do ex-presidente Lula à Presidência estava sendo utilizado, na verdade, para uso pessoal dos envolvidos.

O promotor Marcio Friggi de Carvalho pretende sustentar a tese de que Celso Daniel foi vítima de crime político. Ele pede a condenação dos réus por homicídio duplamente qualificado: mediante pagamento e com recurso que dificultou a defesa da vítima. Confiante na condenação, o promotor não arrolou testemunhas de acusação. Nesta quinta-feira, está previsto que 13 testemunhas de defesa sejam ouvidas.

A tese de Friggi de Carvalho é a mesma sustentada pelo promotor Francisco Cembranelli durante o julgamento do primeiro acusado pelo crime a sentar no banco dos réus, Marcos Roberto Bispo dos Santos, em novembro de 2010, que acabou condenado a 18 anos de prisão

Cembranelli defendeu que a morte do petista foi um crime encomendado por uma organização criminosa que desviava recursos públicos da prefeitura. Ele afirma que Celso Daniel morreu porque, indicado coordenador da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva no fim de 2001, passou a discordar da forma como a roubalheira municipal vinha sendo praticada.


Íntegra AQUI.

terça-feira, 13 de março de 2012

As provas da conspiração forjada para sepultar o caso Celso Daniel

Augusto Nunes



Entre o fim de janeiro e meados de março de 2002, investigadores da Polícia Federal encarregados de esclarecer o assassinato de Celso Daniel, prefeito de Santo André, gravaram muitas horas de conversas telefônicas entre cinco protagonistas da história muito mal contada: Sérgio Gomes da Silva, o “Sombra”, suposto mandante do crime, Ivone Santana, viúva da vítima, Klinger Luiz de Oliveira, secretário de Serviços Municipais de Santo André, Gilberto Carvalho, secretário de Governo, e Luiz Eduardo Greenhalgh, advogado-geral do PT. Todos sabiam da existência da fábrica de dinheiro sujo instalada na prefeitura para financiar campanhas do partido.

As 42 fitas resultantes da escuta foram encaminhadas ao juiz João Carlos da Rocha Mattos. Em março de 2003, pouco depois da posse do presidente Lula, Rocha Mattos alegou que as gravações haviam sido feitas sem autorização judicial e ordenou que fossem destruídas.

Em outubro de 2005, condenado à prisão por venda de sentenças, o juiz revelou a VEJA que os diálogos mais comprometedores envolviam Gilberto Carvalho, secretário-particular de Lula entre janeiro de 2003 e dezembro de 2010 e hoje secretário-geral da Presidência da República.

“Ele comandava todas as conversas, dava orientações de como as pessoas deviam proceder. E mostrava preocupação com as buscas da polícia no apartamento de Celso Daniel”.

Em abril de 2011, depois de ter cumprido pena por venda de sentenças, Rocha Mattos reiterou a acusação em escala ampliada.

“A apuração do caso do Celso começou no governo FHC”, afirmou.

“A pedido do PT, a PF entrou no caso. Mas, quando o Lula assumiu, a PF virou, obviamente. Daí, ela, a PF, adulterou as fitas, eu não sei quem fez isso lá. A PF apagou as fitas, tem trechos com conversas não transcritas. O que eles fizeram foi abafar o caso, porque era muito desgastante, mais que o mensalão. O que aconteceu foi que o dinheiro das companhias de ônibus, arrecadados para o PT, não estava chegando integralmente a Celso Daniel. Quando ele descobriu isso, a situação dele ficou muito difícil. Agentes da PF manipularam as fitas de Celso Daniel. A PF fez um filtro nas fitas para tirar o que talvez fosse mais grave envolvendo Gilberto Carvalho”.

Só escaparam da minuciosa queima de arquivo algumas cópias que registram diálogos desidratados dos trechos com alto teor explosivo. Ainda assim, o que se ouve escancara uma conspiração forjada para bloquear o avanço das investigações e enterrar o caso na vala dos crimes comuns. E revela a alma do bando de comparsas que, em vez de chocar-se com a execução brutal de Celso Daniel, só pensa em livrar da cadeia o companheiro Sombra ─ e livrar-se do abraço de afogado do suspeito decidido a afundar atirando.

Confira os diálogos nos seis áudios: AQUI.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

VÍTIMAS DO PT - QUEM SE IMPORTA?

"Era voz corrente na cidade que Gilberto Carvalho era o homem do carro preto, o cara da mala, que levava dinheiro da corrupção para o José Dirceu", disse ontem Mara Gabrilli, psicóloga, vereadora paulistana e deputada federal eleita pelo PSDB.


Quase nove anos depois do assassinato do prefeito Celso Daniel (PT), de Santo André, um sentimento de frustração a persegue. 
Filha do empresário Luiz Alberto Gabrilli, do setor de transportes, e autora da denúncia ao Ministério Público Estadual sobre arrecadação de propinas que teriam financiado caixa 2 petista, Mara cobra punição a empresários e políticos.
(...)


A ação que cita Carvalho foi instaurada pela juíza Ana Lúcia Xavier Goldman, de Santo André. 
O assessor de Lula é acusado de improbidade administrativa. 
(...)


Uma das vítimas da ação da quadrilha que teria se estabelecido na prefeitura é a família Gabrilli. 
Por mais de quatro décadas, Luiz Alberto, pai de Mara, conduziu a Viação Expresso Guarará. 
"Meu pai está com 75 anos, não fala, não anda e não come, mas está consciente. Quando a gente lembra aquele tempo de terror ele chora."

Tantas foram as pressões, e também as retaliações, que os Gabrilli deixaram a empresa. 
"Todo mês o Sérgio Sombra (segurança de Celso Daniel) vinha ao escritório da empresa, jogava o revólver na mesa e exigia a caixinha.
Minha mãe dizia para papai: "Luiz, leva um gravador, registra essas conversas e vá à polícia."
Mas o meu pai tinha medo.
Era uma gente muito violenta.
O objetivo era acabar com a empresa porque uma vez nos recusamos a pagar a caixinha.
Acabaram com a saúde do meu pai."

(...)

Em 2003, ela foi ao prédio residencial de Lula, em São Bernardo do Campo. 
"Ele me recebeu por 40 minutos, eu contei tudo.
Mas nenhuma medida foi tomada."

Leiam a íntegra da matéria de 2010 AQUI e, abaixo, artigo de Mara Gabrilli:

"A IMPRENSA QUE O PT ODEIA" 




Temeroso com o início do julgamento do mensalão, marcado para agosto, José Dirceu, um dos 38 réus do processo, não relutou em atacar a imprensa recentemente ao pedir para que estudantes da União da Juventude Socialista (UJS) saíssem às ruas para travar a batalha contra o monopólio da mídia.
Por que Dirceu, no auge de sua indignação com o que considera uma manipulação midiática, não acena para que esses mesmos jovens questionem o encontro de Lula com o ministro Gilmar Mendes e a tentativa desmoralizada de adiar uma ação esperada por toda a sociedade?
Pudera sua ansiedade pelo julgamento; Dirceu é um capítulo a parte nessa história. Ele fez parte do laboratório do que tempos depois seria chamado de mensalão. Afinal, consta nos autos que muito antes do assassinato do prefeito Celso Daniel, em 2002, Dirceu, na época presidente do PT, já se esbaldava com dinheiro desviado, oriundo da extorsão feita a empresários de Santo André. 
Meu pai foi um dos espoliados. Todo mês tinha sua empresa invadida por Sérgio Sombra, segurança de Celso Daniel. Ele jogava o revólver na mesa e exigia a “caixinha”.
Para o ex-prefeito de Santo André, os fins justificavam os meios – Celso considerava tal prática normal, contanto que o dinheiro da extorsão fosse para financiamento das campanhas do PT.
Meu pai inutilmente ligava para o gabinete de Gilberto Carvalho, na ocasião secretário de Governo de Celso Daniel, para alertar sobre a bandalheira na administração do município. Era debochado enquanto as ameaças aumentavam a cada dia. Ficou muito doente, foi obrigado a abandonar o que mais amava fazer: trabalhar. Emudeceu. Foi tirado de cena. No ano passado nos deixou. A mim restou uma sensação de impunidade latente no peito.
Pois bem, finalmente, o processo do mensalão está maduro e pronto a ser julgado. O povo espera por isso. Então saiamos às ruas, sim, mas para cobrar justiça. Fica aí o meu convite a José Dirceu e toda tropa mensaleira indignada com a mídia que os taxa de “ladrões”.
Pergunto-me qual seria o melhor emprego de adjetivo para designá-los. Corretos? Honestos? Injustiçados!?
São indissolúveis a liberdade de imprensa e a democracia. Então, caberá aos próprios veículos e à sociedade julgar esse poder social dos noticiários. Não cabe ao Estado fazer essa agenda setting.
Delúbio Soares, por exemplo, afirmou há pouco tempo, durante reunião com aliados, em Morrinhos, Goiás, que a imprensa já havia condenado a ele e a seu partido no julgamento do mensalão. O petista foi além e disse que a denúncia ao esquema de corrupção não passava de uma fantasia.
O discurso do ex-tesoureiro, esse sim fantasioso, é só mais uma das manobras (mal sucedidas) criadas pelo PT para desviar os olhos do povo e calar a voz da imprensa para os escândalos de corrupção do governo Lula. Esse, aliás, mais um dos protagonistas da origem de um dos maiores esquemas de corrupção da história de nossa política.
Não é por acaso que o ex-presidente tentou usar a CPI do Cachoeira como cortina para velar o julgamento do mensalão. Conheço bem essa manobra para desvirtuar a corrupção latente nas entranhas do partido de Lula. Senti na pele o desdém pelo qual o ex-presidente lida com a corrupção.
Fui a primeira pessoa a levar toda essa história ao conhecimento do Ministério Público de São Paulo e denunciar o esquema de corrupção depois da morte de Celso Daniel. Procurei o presidente Lula para contar que as retaliações continuavam no ABC e que algo precisava ser feito. Ele me recebeu em seu apartamento, ouviu toda a história, fez ares de surpresa – como se tudo aquilo lhe fosse novo. “Ele não sabia de nada….” Esse discurso perdura até hoje.
Durante encontro com Lula, vários jornalistas cercavam o local. Ao sair de seu apartamento, o presidente ordenou que um de seus assessores me determinasse a não dizer o teor que tratávamos. Sugeriu até que dissesse que o assunto era reabilitação.Tentou manipular-me para que não contasse a verdade à imprensa.
 Lula não calou-me. Na ocasião, já tetraplégica devido a um acidente de carro, presidia uma ONG para buscar qualidade de vida para pessoas com deficiência e não passava pela minha cabeça entrar para a política.
Hoje, depois de dez anos da morte de Celso Daniel, consigo enxergar um lampejo de esperança nesse lamaçal. Sei que o julgamento do processo não poderia estar em mãos mais brilhantes que a do presidente do Supremo Tribunal Federal, Carlos Ayres Britto. Presenciei a leitura de seu relatório no julgamento em que discorreu sobre a origem da vida, o que culminou na liberação do uso de células-tronco embrionárias para pesquisas no Brasil. A decisão depositou luz a milhares de pessoas que aguardavam há anos tal deliberação, engendrando novas perspectivas científicas para o País. Jurista, transformou dados em poesia. Sua ética e transparência me levam a crer em um recomeço pautado na liberdade de imprensa, em uma política menos melindrada e mais honesta. Torço para que devolva o que meu pai não pôde ver, mas que muitos brasileiros ainda esperam: justiça.


VIDEO QUE REVELA A FARSA DE QUE LULA NUNCA SABE DE NADA

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Caso Celso Daniel: o primeiro condenado e uma fila de cadáveres

Bruno Daniel, um dos irmãos de Celso, concedeu hoje uma entrevista à rádio CBN (aqui).
Ele e sua família são os únicos brasileiros na França que gozam do estatuto oficial de “exilados”.
Tiveram de deixar o país, ameaçados de morte.
Francisco Daniel, o outro irmão, também teve de se mandar.
Motivo: não aceitam a tese de que o irmão foi vítima de um crime comum.
Bruno e sua mulher, Marilena Nakano, eram militantes do PT.

Na entrevista, Bruno voltou a afirmar que, no dia da Missa de Sétimo Dia de Celso, Gilberto Carvalho, hoje chefe de gabinete de Lula, confessou que levava dinheiro do esquema montado na Prefeitura para a direção do PT.
Carvalho lhe teria dito que chegou a entregar R$ 1,2 milhão ao então presidente do partido, José Dirceu.
Carvalho e Dirceu negam.


Bruno acusa os petistas de terem feito pressão para que a morte fosse considerada crime comum.
Outro alvo seu é o advogado Luiz Eduardo Greenhalgh, então deputado federal pelo partido.
Ele acompanhou a necropsia do corpo e assegurou à família que Celso não tinha sido torturado, o que foi desmentido pelo legista Carlos Delmonte Printes em relato feito à família nas conversas que manteve com os Daniel.

A tortura é um indício de que os algozes de Daniel queriam algo mais do que simplesmente seqüestrá-lo.
Por que Greenhalgh afirmou uma coisa, e o legista, outra?
Difícil saber: no dia 12 de outubro de 2005, Printes foi encontrado morto em seu escritório.
A perícia descartou morte natural e não encontrou sinais de violência.
A hipótese de envenenamento não se confirmou.
Não se conhece até agora o motivo.

Todos os mortos

A lista de mortos ligados ao caso impressiona impressiona.
Além do próprio Celso, há mais sete.

Uma é o garçom Antônio Palácio de Oliveira, que serviu o prefeito e Sérgio Sombra no restaurante Rubaiyat em 18 de janeiro de 2002, noite do seqüestro.
Foi assassinado em fevereiro de 2003.
Trazia consigo documentos falsos, com um novo nome.
Membros da família disseram que ele havia recebido R$ 60 mil, de fonte desconhecida, em sua conta bancária.
O garçom ganhava R$ 400 por mês.
De acordo com seus colegas de trabalho, na noite do seqüestro do prefeito, ele teria ouvido uma conversa sobre qual teria sido orientado a silenciar.

Quando foi convocado a depor, disse à Polícia que tanto Celso quanto Sombra pareciam tranqüilos e que não tinha ouvido nada de estranho.
O garçom chegou a ser assunto de um telefonema gravado pela Polícia Federal entre Sombra e o então vereador de Santo André Klinger Luiz de Oliveira Souza (PT), oito dias depois de o corpo de Celso ter sido encontrado.

“Você se lembra se o garçom que te serviu lá no dia do jantar é o que sempre te servia ou era um cara diferente?”, indagou Klinger.

“Era o cara de costume”, respondeu Sombra.

Vinte dias depois da morte de Oliveira, Paulo Henrique Brito, a única testemunha desse assassinato, foi morto no mesmo lugar com um tiro nas costas.
Em dezembro de 2003, o agente funerário Iran Moraes Rédua foi assassinado com dois tiros quando estava trabalhando.
Rédua foi a primeira pessoa que reconheceu o corpo de Daniel na estrada e chamou a polícia.

Dionízio Severo, detento apontado pelo Ministério Público como o elo entre Sérgio Sombra, acusado de ser o mandante do crime, e a quadrilha que matou o prefeito, foi assassinado na cadeia, na frente de seu advogado.
Abriu a fila.
Sua morte se deu três meses depois da de Daniel e dois dias depois de ter dito que teria informações sobre o episódio.
Ele havia sido resgatado do presídio dois dias antes do seqüestro.
Foi recapturado.

O homem que o abrigou no período em que a operação teria sido organizada, Sérgio Orelha, também foi assassinado.
Outro preso, Airton Feitosa, disse que Severo lhe relatou ter conhecimento do esquema para matar Celso e que um “amigo” (de Celso) seria o responsável por atrair o prefeito para uma armadilha.

O investigador do Denarc Otávio Mercier, que ligou para Severo na véspera do seqüestro, morreu em troca de tiros com homens que tinham invadido seu apartamento.

O último cadáver foi o do legista Carlos Delmonte Printes.

Perdeu a conta?
Então anote aí:

1) Celso Daniel : prefeito.
2) Antonio Palacio de Oliveira : garçom.
3) Paulo Henrique Brito : testemunha da morte do garçom.
4) Iran Moraes Rédia: reconheceu o corpo de Daniel.
5) Dionizio Severo: suposto elo entre quadrilha e Sombra.
6) Sérgio Orelha: Amigo de Severo.
7) Otávio Mercier: investigador que ligou para Severo.
8) Carlos Delmonte Printes: legista encontrado morto em 12 de outubro de 2005.

Por Reinaldo Azevedo

Celso Daniel morreu por se tornar "estorvo" a corruptos

Rosanne D'Agostino, UOL

No júri popular do primeiro dos réus no caso Celso Daniel, o promotor Francisco Cembranelli afirmou nesta quinta-feira que Celso Daniel morreu porque pretendia deter o enriquecimento pessoal, fruto de corrupção, dos envolvidos em um escândalo de fraude e propina na Prefeitura de Santo André (SP).

Marcos Roberto Bispo dos Santos, acusado pelo assassinato ocorrido em 2002, está foragido, mas o julgamento acontece mesmo sem sua presença no Fórum de Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo.

Em uma hora e meia reservada à acusação, o promotor Francisco Cembranelli reforçou a alegação de que o assassinato foi cometido com o objetivo de assegurar a continuação dos desvios na prefeitura.

Segundo ele, Celso Daniel era conivente até o momento em que os envolvidos passaram a enriquecer às custas das propinas, e não só a abastecer os caixas do Partido dos Trabalhadores.

O promotor negou se tratar de um crime comum.

“Para aqueles que almejavam o enriquecimento ilícito, Celso Daniel passou a ser um estorvo”, disse.

O promotor disse não querer transformar o PT em réu no processo, que não tem nenhum interesse político na causa, mas afirmou que é necessário citar o partido porque este faz parte de um contexto do assassinato.

“Celso Daniel tinha importância no partido e as pessoas da prefeitura estavam ligadas.
Que há um escândalo envolvendo a prefeitura de Santo André, isso é óbvio”,
disse ele, afirmando que há provas dos desvios de verba para campanhas do PT, incluindo a que elegeu Luiz Inácio Lula da Silva em 2002, e contas pessoais dos envolvidos.

domingo, 3 de abril de 2016

UM CADÁVER NA OPERAÇÃO LAVA JATO

Com dinheiro sujo, o PT comprou o silêncio de um empresário que ameaçava dar informações sobre o suposto envolvimento de Lula, José Dirceu e Gilberto Carvalho no assassinato de Celso Daniel. A Polícia Federal prendeu esse empresário

Por: Rodrigo Rangel e Robson Bonin, VEJA

CENA DO CRIME - O prefeito de Santo André Celso Daniel foi sequestrado e assassinado em 2002. Sua família sempre acusou dirigentes do PT de estarem por trás do homicídio

José Dirceu conversava animadamente em um restaurante de Brasília, no ápice da campanha presidencial, em 2002, quando foi interrompido por um homem bem vestido, de terno. Carregando uma valise, ele chegou apressado e fez sinal com as mãos de que precisava falar reservadamente. O então coordenador da campanha de Lula se levantou e apresentou o interlocutor: "Este aqui é o Delúbio, nosso tesoureiro". Os dois seguiram para um canto vazio e cochicharam por alguns minutos. Delúbio Soares passou rapidamente pela mesa, acenou e foi embora. Dirceu voltou ao seu lugar. Parecia transtornado. "Os tucanos estão preparando uma armadilha para nos destruir." "Que armadilha?", alguém perguntou. "Fizeram um dossiê para nos envolver no assassinato do Celso Daniel. Dizem que tem gravações telefônicas, depoimentos, gente do PT...". Antes de se despedir, Dirceu dimensionou o que estaria por vir: "Isso é muito grave. Precisamos reagir rápido, abortar o plano de qualquer maneira". Na conversa, que VEJA testemunhou, petistas e simpatizantes que estavam à mesa combinaram uma estratégia de defesa. Era preciso que se antecipassem, denunciando a farsa antes que viesse a público. Era preciso esclarecer que o caso constituía uma tentativa de golpe sujo e desesperado do governo tucano para atrapalhar a eleição de Lula.

O assassinato do prefeito Celso Daniel, de Santo André, ocorrido em janeiro de 2002, nunca deixou de assombrar o PT, fosse na forma de chantagens eleitorais ou de investigações policiais que, até hoje, não esclareceram a morte do prefeito. Assim, a dúvida sobre o envolvimento de petistas no caso paira no ar como uma nuvem de enxofre capaz de contaminar ainda mais o pântano em que se meteu o partido. Na semana passada, a mais recente fase da Lava-Jato voltou a agitar o fantasma de Celso Daniel. A operação foi chamada de Carbono 14, numa referência ao elemento usado pela ciência para desenterrar o passado. Mas o que um homicídio de catorze anos atrás tem a ver com a roubalheira na Petrobras? As conexões são um pouco intrincadas, mas, seguindo-se o calendário das investigações, tudo fica mais claro.

O começo se dá em 2012. VEJA revelou que Marcos Valério ainda guardava consigo segredos devastadores. Em depoimento à Procuradoria-Geral da República, o famoso operador do mensalão resolveu detalhar alguns deles. Um, em especial, parecia mirabolante. Valério disse que um obscuro empresário de Santo André, Ronan Maria Pinto, acionou o então secretário do PT, Silvio Pereira, para chantagear o ex-presidente Lula. A chantagem: ou o PT lhe dava 6 milhões de reais ou ele revelaria o envolvimento de Lula, José Dirceu e Gilberto Carvalho no assassinato de Celso Daniel. Disse mais: os 6 milhões de reais foram negociados pelo pecuarista José Carlos Bumlai, que tomou o dinheiro do cesto de picaretagens petistas na Petrobras. Diante dessa história, os investigadores arregalaram os olhos - era forte, mas também poderia ser resultado de imaginação positivamente fértil.

Em 2014, dois anos depois, durante as investigações da Lava-Jato, a polícia encontrou num escritório de contabilidade um contrato confidencial. Pelo documento, Marcos Valério emprestava 6 milhões de reais ao empresário chantagista Ronan Maria Pinto. O valor e o nome dos personagens acenderam uma luz vermelha. A polícia então interrogou a dona do escritório de contabilidade, Meire Poza. Ela contou que o contrato pertencia a um notório lavador de dinheiro chamado Enivaldo Quadrado. E Enivaldo Quadrado dizia que guardava uma via do tal contrato para resguardar-se. Era seu "seguro de vida contra o PT", uma "arma que derrubaria o Lula". E, claro, um instrumento para arrancar uma graninha do PT. E explicava que os tais 6 milhões do empréstimo serviriam para pagar a chantagem que Ronan Maria Pinto vinha fazendo contra o PT. O quebra-cabeça começava a tomar uma forma mais clara.

Leia mais AQUI.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Celso Daniel morreu por se tornar "estorvo"

Celso Daniel morreu por se tornar "estorvo" a corruptos em Santo André, diz promotor Rosanne D'Agostino
Rosanne D'Agostino - UOL


No júri popular do primeiro dos réus no caso Celso Daniel, o promotor Francisco Cembranelli afirmou nesta quinta-feira (18) que Celso Daniel morreu porque pretendia deter o enriquecimento pessoal, fruto de corrupção, dos envolvidos em um escândalo de fraude e propina na Prefeitura de Santo André (SP).

Em uma hora e meia reservada à acusação, o promotor Francisco Cembranelli reforçou a alegação de que o assassinato foi cometido com o objetivo de assegurar a continuação dos desvios na prefeitura.

Segundo ele, Celso Daniel era conivente até o momento em que os envolvidos passaram a enriquecer às custas das propinas, e não só a abastecer os caixas do Partido dos Trabalhadores.

O promotor negou se tratar de um crime comum.

“Para aqueles que almejavam o enriquecimento ilícito, Celso Daniel passou a ser um estorvo”, disse.

"Que há um escândalo envolvendo a prefeitura de Santo André, isso é óbvio”, disse ele, afirmando que há provas dos desvios de verba para campanhas do PT, incluindo a que elegeu Luiz Inácio Lula da Silva em 2002, e contas pessoais dos envolvidos.

Histórico do caso e dos envolvidos que morreram ao longo das investigações AQUI.

domingo, 24 de outubro de 2010

Mara Gabrilli elogia ação judicial contra assessor de Lula

O Estado de São Paulo

"Era voz corrente na cidade que Gilberto Carvalho era o homem do carro preto, o cara da mala, que levava dinheiro da corrupção para o José Dirceu", disse ontem Mara Gabrilli, psicóloga, vereadora paulistana e deputada federal eleita pelo PSDB.

Quase nove anos depois do assassinato do prefeito Celso Daniel (PT), de Santo André, um sentimento de frustração a persegue.
Filha do empresário Luiz Alberto Gabrilli, do setor de transportes, e autora da denúncia ao Ministério Público Estadual sobre arrecadação de propinas que teriam financiado caixa 2 petista, Mara cobra punição a empresários e políticos.

Ontem, ela recebeu "com alento e esperança" a notícia sobre ação judicial aberta contra Carvalho, chefe de gabinete do presidente Lula.

"Meu pai ligava para o gabinete de Gilberto Carvalho para avisar que havia coisas erradas na administração Celso Daniel.
Mas o Gilberto debochava do meu pai."


Celso Daniel foi executado à bala em janeiro de 2002.
A polícia concluiu que ele foi vítima de sequestradores comuns, mas os promotores se convenceram de que o crime teve origem política - o prefeito quis barrar o enriquecimento de auxiliares e acabou sendo eliminado.

A ação que cita Carvalho foi instaurada pela juíza Ana Lúcia Xavier Goldman, de Santo André.
O assessor de Lula é acusado de improbidade administrativa.
Na ocasião, Carvalho exercia o cargo de secretário de Governo de Celso Daniel.

A testemunha principal da promotoria é o oftalmologista João Francisco Daniel, irmão de Celso.
Ele narra ter ouvido do próprio Carvalho a informação de que parte de dinheiro de propina era entregue a Dirceu, então presidente do PT.

Uma das vítimas da ação da quadrilha que teria se estabelecido na prefeitura é a família Gabrilli.
Por mais de quatro décadas, Luiz Alberto, pai de Mara, conduziu a Viação Expresso Guarará.
"Meu pai está com 75 anos, não fala, não anda e não come, mas está consciente. Quando a gente lembra aquele tempo de terror ele chora."

Tantas foram as pressões, e também as retaliações, que os Gabrilli deixaram a empresa.
"Todo mês o Sérgio Sombra (segurança de Celso Daniel) vinha ao escritório da empresa, jogava o revólver na mesa e exigia a caixinha.
Minha mãe dizia para papai: "Luiz, leva um gravador, registra essas conversas e vá à polícia."
Mas o meu pai tinha medo.
Era uma gente muito violenta.
O objetivo era acabar com a empresa porque uma vez nos recusamos a pagar a caixinha.
Acabaram com a saúde do meu pai."


O problema é que o Celso achava normal se o dinheiro de propina ia para financiamento das campanhas do PT.
Os fins justificavam os meios.
Foi Mara quem alertou o Ministério Público.
Em 2003, ela foi ao prédio residencial de Lula, em São Bernardo do Campo.
"Ele me recebeu por 40 minutos, eu contei tudo.
Mas nenhuma medida foi tomada."

domingo, 23 de setembro de 2012

EM BOCA FECHADA NÃO ENTRA MOSCA, NEM SAI TANTA M....

"Nós temos que tirar a faixa daqueles que não estão apoiando o Marinho."

Lula, em comício com Luiz Marinho, candidato do PT à prefeitura de São Bernardo do Campo (SP), pedindo aos militantes para tirar das ruas material de campanha de candidatos de outras chapas.

"Nessa cidade, os conservadores chegaram ao absurdo de achar que o PT tinha coisa a ver com a morte do Celso Daniel..."

 Lula, que não citou que as investigações do Ministério Público de São Paulo ligam o crime ao PT.

Lula Lelé se refere à morte de Celso Daniel, em Santo André, e inventa uma nova teoria da conspiração para esconder o óbvio. Por que ele não conta tudo?


Luiz Inácio Malucão da Silva está perdendo o juízo a olhos vistos. Fez neste domingo um comício em Santo André é contou uma de suas mentiras convictas: afirmou que “os conservadores” ligam o PT à morte do prefeito Celso Daniel e pediu o voto para o candidato do partido, Carlos Grana, afirmando que seria uma forma de gratidão ao prefeito assassinado em janeiro de 2002. Lula inventou o voto no morto para entregar o poder aos muito vivos — como ele próprio.

Conservadores??? Seriam os conservadores a ligar a morte do prefeito, em janeiro de 2001, às tramoias financeiras do partido na cidade? Não! Quem o faz é o Ministério Público, que colheu uma série de evidências de que Celso havia montado na cidade, sob o comando do PT, um sistema de desvio de recursos para os “companheiros”. O prefeito teria sido assassinado ao descobrir que havia desvio do desvio: haveria gente se aproveitando da lambança também para o enriquecimento pessoal.

Conservadores??? Não! Quem não engoliu a versão do crime comum e afirma que a morte está ligada a uma tramoia do partido é a família de Celso Daniel, muito especialmente um dos irmãos, Bruno, que era militante do PT. Ele, filhos e a mulher, Marilena Nakano, tiveram de se exilar na França — isto mesmo: exílio. Corriam o risco de ser mortos no Brasil. Marilena era militante do PT dos primeiríssimos tempos
(...)

Depois de Celso, sete outras pessoas ligadas ao caso morreram, inclusive o legista que atestara que ele fora barbaramente torturado antes de ser assassinado (veja a lista aqui), ao contrário do que Luiz Eduardo Greenhalgh havia assegurado à família. Quem matou Celso queria arrancar dele alguma informação. Esse é o propósito da tortura.

Mais: a cúpula do PT rompeu com a família Daniel quando esta não se conformou com as primeiras conclusões da polícia. Mesmo com as ameaças de morte, nunca mereceram proteção especial — ao contrário. O movimento sempre foi de hostilidade. Não é por acaso. Outro irmão de Celso assegura que o então prefeito lhe dissera que era Gilberto Carvalho — ex-chefe de gabinete de Lula e hoje secretário-geral da Presidência — quem levava pessoalmente malas de dinheiro vivo da Prefeitura para o então chefão do PT, José Dirceu. Os dois negam.

Carvalho, que era braço direito de Celso na Prefeitura, movimentou-se freneticamente logo após a morte do “amigo” para que prevalecesse a versão do partido. O esforço deixou um rastro de conversas gravadas que vieram a público. 

Confiram AQUI.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

DOIS PESOS

PT condenou divulgação das gravações do caso Celso Daniel, mas endossa vazamentos do Cade

UCHO


Dois pesos – Comandado por um político amoral como Luiz Inácio da Silva, o PT não poderia agir de outra maneira sem estar agarrado à incoerência. O que não é privilégio da legenda que se transformou em caso de polícia. Meses após o brutal e covarde assassinato do então prefeito Celso Daniel (Santo André), o ucho.info divulgou com exclusividade as gravações do caso, que não deixam dúvidas a respeito das razões que levaram à morte do petista que era cotado para assumir o Ministério da Fazenda no primeiro governo do ex-metalúrgico.

Não demorou muito e o PT, através de advogados, passou a ameaçar o editor do site por ter divulgado as tais gravações. À época, o desespero dos “companheiros” era tamanho, que até mesmo um ex-ministro do STF entrou no circuito para reforçar as ameaças. Um papel ridículo e pequeno para quem integrou a mais alta instância da Justiça nacional.

Apesar das seguidas ameaças, inclusive de morte, e processo judiciais, o ucho.info não recuou e manteve-se firme na missão de levar ao leitor a verdade dos fatos. As gravações das conversas telefônicas foram feitas pela polícia e a autenticidade das mesmas foi comprovada por técnicos, além de pessoas que conhecem os interlocutores das sórdidas e criminosas conversas. Por ocasião da divulgação das gravações, a investigação já estava conclusa e nada mudaria o rumo da verdade.

No caso do suposto cartel liderado pela Siemens, as investigações continuam, mas o Cade, presidido pelo petista Vinícius Duarte de Carvalho, tem vazado à imprensa seletivamente documentos que por determinação da Justiça estão sob sigilo.

Contudo, causa espécie essa dualidade comportamental do PT, que em relação ao imbróglio da Siemens não exibe o mesmo incômodo truculento que destilou por ocasião da divulgação do caso do assassinato de Celso Daniel, assunto que continua sem a necessária resposta. Situação idêntica ocorreu em relação ao Mensalão do PT, pois o partido até hoje insiste na tese de que os condenados são inocentes e que o maior escândalo de corrupção da história brasileira jamais ocorreu. No contraponto, qualquer deslize dos adversários é motivo suficiente para uma pantomima petista.


Confira AQUI os principais trechos das gravações telefônicas do caso Celso Daniel, divulgadas à época com exclusividade pelo ucho.info. Em uma delas, o atual ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência da República, e Ivone Santana tratam a morte de Celso Daniel com frieza.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

MENTIRAS EM SÉRIE COMEÇAM A MOSTRAR QUE TÊM PERNAS CURTAS

O despejo do secretário de Haddad adverte: quem esconde fantasmas em casa não deve procurá-los no porão do vizinhoAugusto Nunes

donato_haddad
Antonio Donato e Fernando Haddad


Os desdobramentos das investigações sobre a máfia do ISS confirmam que, sempre que coloca testas inimigas na alça de mira, o PT acaba acertando o próprio pé. Desta vez, coube a Fernando Haddad o papel de atirador trapalhão. Decidido a compensar com gestos espetaculosos os estragos político-eleitorais causados pela superlativa elevação do IPTU, o prefeito enfiou-se na fantasia de faxineiro do Planalto de Piratininga e desencadeou a guerra de extermínio contra a multidão de larápios que herdou de Gilberto Kassab. Nesta terça-feira, atropelado por gravações constrangedoras e nomeações muito mal explicadas, o secretário de Governo Antonio Donato teve de deixar o cargo.
É a baixa mais vistosa desde o início dos barulhos. E é só a primeira, previnem as suspeitas que rondam o secretário Jilmar Tatto e outras velharias que cercam aquele que seria, segundo marqueteiros sempre inventivos, um novo homem para um novo tempo. Quem esconde fantasmas no sótão da própria casa não deve procurá-los no porão do vizinho, advertiu o post aqui publicado em maio de 2012 e agora reproduzido na seção Vale RepriseO texto se inspirou na CPI do Cachoeira, planejada em abril daquele ano por Lula e José Dirceu.
Na cabeça da dupla, a operação que mobilizou a base alugada fulminaria com uma bala de prata dois alvos goianos ─ o senador Demóstenes Torres, do DEM, e o governador tucano Marconi Perillo. Deu tudo errado. O projétil ricocheteou no companheiro Agnelo Queiroz, governador de Brasília, provocou ferimentos de bom tamanho no parceiro fluminense Sérgio Cabral e seguiria fazendo vítimas entre os aliados se a CPI não fosse sepultada às pressas pelos pais da ideia de jerico.
Tem sido assim desde janeiro de 2002, quando Altos Companheiros apareceram no velório de Celso Daniel para animá-lo com o jogral das viúvas inconsoláveis. Meses antes, começou o deputado Luiz Eduardo Greenhalgh, panfletos apócrifos distribuídos em São Paulo avisaram que uma organização de extrema direita decidira liquidar fisicamente políticos petistas, mas o governo FHC ignorou os sinais de perigo. Em novembro de 2001, continuou o deputado Aloizio Mercadante, o prefeito Toninho do PT fora morto a tiros numa avenida de Campinas.
O assassinato do prefeito Celso Daniel, concluiu o deputado José Dirceu, confirmou que os extremistas não estavam brincando. Agora era tarde, lastimou em coro a trinca inconformada com a insensibilidade dos tucanos no poder. Já na largada das apurações policiais ficou claro que a misteriosa organização era tão real quanto a transposição das águas do Rio São Francisco. Em seguida, uma enxurrada de evidências comprovou que Celso Daniel fora silenciado por integrantes de um esquema corrupto montado, com o incentivo e a proteção do próprio prefeito, para extorquir empresários do setor de transportes.
Ao descobrir que alguns sócios na roubalheira estavam embolsando o dinheiro que deveria desaguar exclusivamente nos cofres do PT, Celso Daniel comunicou que denunciaria o desvio do desvio. Antes que cumprisse a ameaça, foi eliminado a mando de ex-parceiros que orbitavam em torno da estrela vermelha. Faz quase 12 anos que a força-tarefa coordenada por Gilberto Carvalho tenta transformar em homicídio comum um crime político. Não conseguiu. Nem vai conseguir, alerta a ofensiva do Ministério Público que já conseguiu a condenação de vários acusados e agora fecha o cerco em torno de Sérgio Gomes da Silva, o Sombra.
A instauração da CPI do Cachoeira provou que a companheirada não aprendera com o assassinato de Celso Daniel. O despejo do principal secretário de Haddad acaba de provar que a lição da CPI do Cachoeira não foi assimilada. Reincidentes de nascença não têm cura.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

O cadáver de Celso Daniel volta a incomodar Gilberto Carvalho


Carvalho: ele repudia a acusação e diz que processará Tuma Jr.
Carvalho: ele repudia a acusação e dique processará Tuma Jr.

Por Reinaldo Azevedo
O ministro Gilberto Carvalho diz que vai processar o delegado Romeu Tuma Junior. Isso e lá com ele. Em entrevista à VEJA, Tuma Junior o acusa de ter confessado a existência, sim, de um propinoduto em Santo André — nota: Carvalho era o braço-direito do prefeito. Mais do que isso. O agora ministro teria dito ao delegado que ele, pessoalmente, levava a dinheirama para José Dirceu.
Não é a primeira vez que o nome do petista graúdo aparece na história. O oftalmologista João Francisco Daniel, um dos irmãos de Celso, diz que Carvalho lhe fez, sim, a confissão. E nos mesmos termos.  Marcos Valério também afirmou à polícia que foi convidado a dar um cala-boca, com grana, em pessoas que chantageavam Carvalho e Lula, ameaçando contar o que sabiam sobre a morte do prefeito. Segundo disse, não aceitou a tarefa. Acho que é mais uma questão a ser investigada. Já escrevi sobre o estranho comportamento dos petistas quando Celso foi assassinado.
Recuperem o noticiário de janeiro de 2002, por ocasião da morte do prefeito. Antes que qualquer pessoa aventasse publicamente a possibilidade de que o PT pudesse ter tido algum envolvimento, os petistas botaram a boca no trombone e saíram acusando a suposta tentativa de incriminar o partido, exigindo, em tom enérgico, que a polícia fizesse alguma coisa. Montou-se uma verdadeira operação de guerra para controlar o noticiário. No arquivo do blog, vocês encontram alguns textos a respeito. Celso foi o primeiro de uma impressionante série de oito cadáveres.
O prefeito morto era já o coordenador do programa de governo do então pré-candidato do PT à Presidência, Lula. O partido seria o primeiro a ter motivos para desconfiar de alguma motivação política para o sequestro e imediato assassinato. Deu-se, no entanto, o contrário: o partido praticamente exigia que a polícia declarasse que tudo não havia passado de crime comum.
Celso Daniel com Lula pouco antes de ser assassinado
Celso Daniel com Lula pouco antes de ser assassinado
O último morto, por causa desconhecida (!), foi o legista Carlos Delmonte Printes, que assegurou que Celso fora barbaramente torturado antes de ser assassinado. Luiz Eduardo Greenhalgh, advogado do PT que acompanhou o caso em nome do partido e teve acesso ao cadáver, assegurou à família do prefeito, no entanto, que não havia sinais de tortura. O fato é conhecido porque foi denunciado pelos familiares do morto.
Carvalho movimentou-se freneticamente logo depois da morte do “amigo” para que prevalecesse a versão do partido: crime comum. O esforço deixou um rastro de conversas gravadas que vieram a público. Tudo muito impressionante. Leiam, por exemplo, este diálogo em que Sérgio Sombra, acusado de ser um dos assassinos de Celso, entra em pânico e pede para falar com Carvalho. Alguém garante que está sendo montado “um esquema”. Sombra, no diálogo abaixo, é o “personagem A”.

A – Ô Dias!
B – Oi chefe!
A – Onde é que você está cara?
B – Tô na avenida (…). Eu tô saindo, to indo praí.
A – (…) Fala prá ligá nesse instante (…) Pará de fazer o que está fazendo.
B – Peraí, Peraí, Perai. Ei! Oi! Escuta o (…) Já está aí onde está todo mundo (…) Alô!
A – Ô meu irmão!
B – Cara cê está no sétimo?
A – Ô meu! O cara da Rede TV está me escrachando, meu chapa! Tá falando que… Tá falando que é tudo mentira, que o carro tá pegando, que não destrava a porta, que sou o principal suspeito.
B – Ô cara! Deixa eu te falar. O que hoje tá pegando contra você é esse negócio do carro. Nós temos que fazer é armar um esquema aí: “porque as empresas de (…) junto com a Mitsubishi, por razões óbvias de mercado, se juntaram para dizer que você está mentindo, que o câmbio está funcionando”…Entendeu? Então é o seguinte…
A – Peraí. Perai, péra um pouquinho.
B – (…) Pô! Pegá o que Porra?
A – Chama o Gilberto aí! Chama o Gilberto! Tem que armar alguma coisa!
B – Calma!
A- Eu tô calmo. Quero é que as coisas sejam resolvidas.
Outro diálogo: “Puta! Tá dez!”

Há outro diálogo bastante interessante. Alguém liga para Ivone, tornada pelo partido a “viúva oficial” de Celso — consta que era sua “namorada” à época… E lhe dá nota dez por sua performance como “viúva” numa entrevista. Vocês entenderam direito. Leiam. Ivone é a personagem B.

A – Oi!
B – Oi meu amor. O Xande quer falar com você. Tá bom?
A – Ok.
B – Tchau.
C – Como vai minha querida?
B – Vou assim. Arrastando.
C – Ótima a sua entrevista! Viu?
B – Você gostou Xande?
C – Eu gostei muito mesmo.
B – É importante a sua opinião pra mim porque estou totalmente sem referência. Né?
C – Eu achei muita boa. Entendeu. Tá super. Tem coisas… tá perfeito!
(…)
B – Hoje tem uma coisa. Programa pra ir na Hebe.
A – É. Porque vai a mulher… a viúva do Toninho.
B – Sabe que o Genoino quer. E é uma merda, né? Uma merda!
A – Olha. Se você falar o que falou ai está 10. Puta! Tá 10, não parece estrela, a dor de uma viúva. Tá dez!
Como se nota, a morte do “companheiro” havia se transformado apenas numa questão de marketing e de guerra para ganhar a “mídia”. Com direito a nota pela performance da, sei lá como chamar, “atriz” talvez.
João Francisco: Carvalho lhe teria contado tudo
João Francisco: Carvalho lhe teria contado tudo
Bruno: até irmão de esquerda teve de sumir
Bruno: até irmão de esquerda teve de sumir
Retomo
Já lhes contei aqui. Mesmo a ala petista da família Daniel rompeu com o PT. Um dos irmãos, Bruno, teve de se exilar na França com mulher e filhos. Estavam sendo ameaçados de morte no Brasil. Vale a pena, reitero, por curiosidade quase científica, voltar ao noticiário daqueles dias para constatar a frenética movimentação preventiva do partido, certo de que poderia conduzir para onde quisesse a opinião pública. Passada uma semana, quem estava na defensiva era a polícia paulista… Agora, a acusação de Tuma Junior se junta às de João Francisco e Marcos Valério.
Uma coisa é certa: o cadáver de Celso Daniel volta a se agitar no armário.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

III Passeata de Telegramas






Esse assunto é seríssimo e um calo para o PT!
Por gentileza, nos ajudem na III Passeata de Telegramas, desta vez para o ministro Cesar Peluso, para evitarmos que mais uma vez a justiça não seja feita!

E se conseguirmos que o Ministério Público continue com as investigações, pode ser que ele chegue aos VERDADEIROS CULPADOS!
Vamos lá....colaborem colocando em seus sites, redes sociais e repasse aos de sua lista!
Se ficarmos só assistindo a banda passar...vamos nos dar muito mal!
Antes do dia 4 estaremos mandando mensagens ao Forum do Estadão e outros jornais levantando este assunto...para depois mandarmos os telegramas, ok?


Movimento organizado pelo grupo Por1BrasilMelhor
Colaboração ViaFanzine

HÁ NOVE ANOS, CELSO DANIEL, PREFEITO DE SANTO ANDRÉ, FOI TORTURADO E MORTO.
HÁ QUATRO ANOS, O PRESIDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, CEZAR PELUSO, MANTÉM ARQUIVADO UM PEDIDO DE HABEAS CORPUS (HC 84548), APRESENTADO PELO ADVOGADO DE SERGIO SOMBRA, ROBERTO PODVAL.

A DECISÃO DE PELUSO: PODE O MINISTÉRIO PÚBLICO INVESTIGAR O ASSASSINATO DE CELSO DANIEL?

Se as investigações do MP forem eliminadas, os envolvidos na morte de Celso Daniel continuarão "livres e soltos".
Se você não aceita a impunidade, participe III Passeata de Telegramas.
Juntos, vamos enviar telegramas para o ministro Cezar Peluso, no dia 4 de setembro, domingo.

COMO ENVIAR O TELEGRAMA
Endereço
Gabinete do Ministro Cezar Peluso
Supremo Tribunal Federal
Praça dos Três Poderes, s/n
Brasília/DF - Brasil
CEP 70.175-900

Opções de remessa

www.correios.com.br/avisos/cobrancaFonado

Mais informações sobre o Habeas Corpus:

Inquérito criminal - STF adia decisão sobre poder de investigação do MP
por Maria Fernanda Erdelyi
Fonte: Revista Consultor Jurídico (26.06.07)

O Supremo Tribunal Federal adiou mais uma vez a definição sobre o poder investigatório do Ministério Público em matéria criminal.
O julgamento foi suspenso com um voto contra promotores e procuradores conduzirem inquéritos e um voto a favor.

A discussão voltou à pauta da Corte no julgamento de mérito do Habeas Corpus do empresário Sérgio Gomes da Silva, o Sombra.
Ele é apontado pelo MP como mandante do assassinato do prefeito de Santo André (SP), Celso Daniel, em janeiro de 2002.
Os advogados do empresário alegavam insubsistência da ação penal por ter sido embasada em investigação promovida pelo Ministério Público.
Depois de dois votos no plenário, pediu vista o ministro Cezar Peluso prometendo trazer o processo de volta já na semana que vem.
O relator do pedido de Habeas Corpus, ministro Marco Aurélio, acolheu o pedido para trancar a ação penal que corre na Justiça de Itapecerica da Serra.
Segundo o ministro, o artigo 144 da Constituição Federal revela que cumpre à Polícia Federal exercer com exclusividade as funções de Polícia Judiciária da União e que as polícias civis atuam em apurações de infrações penais, exceto as militares.

O ministro lembrou que no caso concreto, o MP veio a formalizar procedimentos investigatórios com um promotor na presidência da investigação.
“Investigações no caso deveriam partir da Polícia Civil e não do MP que é parte na ação penal".

O decano da Corte, ministro Sepúlveda Pertence, que deu o segundo voto no julgamento, afirmou que neste caso concreto não havia inconstitucionalidade na investigação do Ministério Público.
Defendeu que mesmo se declarada a inconstitucionalidade dos procedimentos do MP, a ação penal não ficaria inviabilizada.

O procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, contestou as afirmações defendendo que o MP está submetido ao controle do Judiciário.
Argumentou ainda que a denúncia contra o empresário aproveitou de vários atos investigatórios tanto da Polícia como do MP, além da CPI dos Bingos no Senado.

De acordo com o procurador, a Polícia não tem exclusividade para a investigação.
“Não há na Constituição Federal nenhuma regra que exclua o poder investigatório do MP.
As normas estabelecidas trabalham no sentido da sua ampla legitimidade investigatória seja na área penal ou não”
, disse.

De acordo com a procuradora regional da República em São Paulo, Janice Ascari, caso o Supremo venha a conceder o pedido do empresário Sérgio Gomes da Silva, nesta votação, definindo a impossibilidade do MP de conduzir investigação criminal, trará conseqüências excelentes para o fortalecimento da criminalidade.

“Se o STF negar o que está escrito desde 1988 na CF, a conseqüência será excelente para a criminalidade e o STF será diretamente responsável pela impunidade no caso Celso Daniel”, afirma a procuradora.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

III PASSEATA DE TELEGRAMAS



Partipe da III Passeata de Telegramas.
A partir de 4 de setembro, domingo, não deixe de enviar seu telegrama para Cezar Peluso.
O nosso silêncio pode ser um salvo-conduto para os assassinos de Celso Daniel.
Os telefones para enviar o telegrama são: 3003-0100 (capitais, regiões metropolitanas e cidades sedes de DDD) e 0800-7257282 (para as demais localidades).

E se conseguirmos que o Ministério Público continue com as investigações, pode ser que ele chegue aos VERDADEIROS CULPADOS!
Vamos lá....colaborem colocando em seus sites, redes sociais e repasse aos de sua lista!
Se ficarmos só assistindo a banda passar...vamos nos dar muito mal!
Antes do dia 4 estaremos mandando mensagens ao Forum do Estadão e outros jornais levantando este assunto...para depois mandarmos os telegramas, ok?


Movimento organizado pelo grupo Por1BrasilMelhor
Colaboração ViaFanzine

HÁ NOVE ANOS, CELSO DANIEL, PREFEITO DE SANTO ANDRÉ, FOI TORTURADO E MORTO.
HÁ QUATRO ANOS, O PRESIDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, CEZAR PELUSO, MANTÉM ARQUIVADO UM PEDIDO DE HABEAS CORPUS (HC 84548), APRESENTADO PELO ADVOGADO DE SERGIO SOMBRA, ROBERTO PODVAL.

A DECISÃO DE PELUSO: PODE O MINISTÉRIO PÚBLICO INVESTIGAR O ASSASSINATO DE CELSO DANIEL?

Se as investigações do MP forem eliminadas, os envolvidos na morte de Celso Daniel continuarão "livres e soltos".
Se você não aceita a impunidade, participe III Passeata de Telegramas.
Juntos, vamos enviar telegramas para o ministro Cezar Peluso, no dia 4 de setembro, domingo.

COMO ENVIAR O TELEGRAMA
Endereço
Gabinete do Ministro Cezar Peluso
Supremo Tribunal Federal
Praça dos Três Poderes, s/n
Brasília/DF - Brasil
CEP 70.175-900

Opções de remessa

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sábado, 6 de agosto de 2016

CASO CELSO DANIEL - NO PARECER CONTRA LULA, LAVA JATO REABRE VELHA FERIDA DO PT

PROCURADORES SE REPORTAM AO EPISÓDIO DE CORRUPÇÃO QUE MARCOU A GESTÃO CELSO DANIEL

CELSO DANIEL FOI MORTO EM 1992, SUPOSTAMENTE POR TER ORDENADO O FIM DE ESQUEMA DE PROPINAS EM SUA GESTÃO

Estadão

Na mais dura manifestação já desfechada contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos autos da Operação Lava Jato, o Ministério Público Federal reabre uma velha ferida que assombra o PT – o emblemático caso Santo André.

Os procuradores que subscrevem a peça, autêntico libelo contra Lula, se reportam ao episódio de corrupção que marcou a gestão Celso Daniel (PT), prefeito da cidade do Grande ABC morto em janeiro de 1992 supostamente por ter ordenado o fim de esquema de propinas em sua administração – para o Ministério Público, o dinheiro ilícito abastecia o caixa do partido.

Na manifestação de 70 páginas, de 3 de agosto, quatro procuradores da República que integram a força-tarefa da Operação Lava Jato rechaçam, ponto a ponto, a exceção de incompetência apresentada pela defesa técnica de Lula que alega parcialidade do juiz Sérgio Moro para julgar o ex-presidente.

A manifestação é subscrita pelos procuradores Julio Carlos Motta Noronha, Roberson Henrique Pozzobon, Jerusa Burmann Viecili e Athayde Ribeiro Costa.

Eles citam o pecuarista José Carlos Bumlai, amigo de Lula. Alvo da Operação Passe Livre, desdobramento da Lava Jato, Bumlai foi preso no dia 24 de novembro de 2015 e denunciado pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta.

“Há, ainda, elementos que apontam para a existência de um esquema voltado a beneficiar partidos políticos da base governamental e seus representantes”, diz um trecho do parecer, que aponta para o processo da Lava Jato sobre o empréstimo de R$ 12 milhões tomado por Bumlai junto ao Banco Schahin, em outubro de 2004 – segundo Bumlai, o dinheiro foi destinado ao PT.

Os investigadores sustentam que mais de R$ 5 milhões teriam ido parar no caixa do empresário Ronan Maria Pinto, dono do jornal Diário do Grande ABC. “Os autos 5048967-66.2015.404.7000 e demais correlatos versam sobre o recebimento de mais de cinco milhões de reais por parte do empresário Ronan Maria Pinto, provavelmente provenientes do Banco Schahin, oriundos de um complexo esquema de lavagem de capitais, cujos recursos foram pagos posteriormente pela Petrobras mediante um plano arquitetado para beneficiar pessoas conectadas diretamente ao Partido dos Trabalhadores”, afirma a Procuradoria.

A manifestação cita dois ex-ministros de grande poder e influência dos governos Lula e Dilma – José Dirceu e Gilberto Carvalho, o primeiro condenado e preso no Mensalão e na Lava Jato.

“O caso, que remonta às denúncias de corrupção na Prefeitura de Santo André, envolve o desvio de recursos dos cofres públicos para o Partido dos Trabalhadores, para utilização em campanhas eleitorais, com a entrega de dinheiro a José Dirceu e a Gilberto Carvalho”, segue o documento. “Para evitar a revelação do esquema por Ronan Maria Pinto engendrou-se um empréstimo simulado entre o Banco Scahin e José Carlos Bumlai, para fornecer recursos para compra do silêncio do empresário.”

A Operação Passe Livre sustenta que, “pelo empréstimo concedido a Bumlai, o Grupo Schahin ganhou contrato de US$ 1,6 bilhão sem licitação para operar navio sonda da Petrobras.”

“Para quitar a dívida, articulou-se para que, de forma fraudulenta, a Schahin Engenharia fosse contratada como operadora do navio-sonda Vitória 10.000 da Petrobrás. Ou seja, para quitar uma dívida contraída no interesse do Partido dos Trabalhadores e de pessoas diretamente a ele vinculadas, utilizou-se de uma contratação fraudada na Petrobras”, assinalam os procuradores.

O documento faz menção, ainda, ao lobista Fernando Falcão Soares, o Fernando Baiano, que virou delator da Lava Jato. “Segundo afirmou o colaborador Fernando Soares, como houve dificuldades para a aprovação da contratação da Schahin pela Petrobras, José Carlos Bumlai teria intercedido diretamente junto a José Gabrielli e ao então presidente Lula para conseguir a aprovação da parceria. Repise-se, ainda, que Gilberto Carvalho, a despeito do envolvimento com os fatos de Santo André (e por conta disso responder à ação de improbidade proposta em 2007), foi ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência de 2011 a 2015 (e, anteriormente, chefe de gabinete da campanha de Lula à Presidência da República).”

A manifestação destaca a condenação de José Dirceu no Mensalão. “Foi condenado no processo do Mensalão como principal articulador da obtenção de recursos de origem ilícita em favor do Partido dos Trabalhadores na época dos fatos de Santo André, estando atualmente preso cautelarmente na Operação Lava Jato por novas suspeitas de corrupção.”

“O envolvimento das mesmas figuras em tantos episódios de desvios de recursos públicos para o financiamento de determinado partido político denota uma forma constante e própria de se obter dinheiro para a legenda e seus representantes, e não uma mera invocação de nomes de autoridades que pudessem desconhecer o esquema”, afirmam os procuradores.

“Além disso, mesmo após o término de seu mandato presidencial, Lula foi beneficiado direta e indiretamente por repasses financeiros de empreiteiras envolvidas na Operação Lava Jato. Rememore-se que, no âmbito desta operação, diversos agentes públicos foram denunciados por receber vantagem indevida mesmo após saírem de seus cargos. Além disso, é inegável a influência política que Lula continuou a exercer no Governo Federal, mesmo após o término de seu mandato (encontrando-se até hoje, mais de cinco após o fim do seu mandato com a atual Presidente da República. E, por fim, não se esqueça que diversos funcionários públicos diretamente vinculados ao esquema criminoso, como os Diretores da Petrobras Paulo Roberto Costa e Renato Duque, foram indicados por Lula e permaneceram nos cargos mesmo após a saída deste da Presidência da República.”

Defesa

O empresário Ronan Maria Pinto e os ex-ministros José Dirceu e Gilberto Carvalho negam categoricamente envolvimento no esquema de corrupção montado em Santo André na gestão do prefeito Celso Daniel.

O pecuarista Bumlai, por meio de sua defesa, também nega a prática de ilícitos na Lava Jato.

O advogado José Roberto Batochio, que coordena a estratégia de defesa do ex-presidente Lula, afirma que a Justiça Federal no Paraná, base da Lava Jato, não detém competência para conduzir os feitos relativos ao petista.

“A defesa do Lula arguiu a incompetência do juiz do Paraná para apreciar e julgar estes casos que envolvem o apartamento do Guarujá, o sítio de Atibaia e o Instituto Lula por uma razão muito simples. A lei diz que o juiz competente para julgar os fatos é o juiz do local onde os fatos teriam ocorrido. O apartamento que, indevidamente, é apontado como de propriedade de Lula, fica no Guarujá, que não se confunde com Guaratuba. Guaratuba fica no Estado do Paraná. De outro lado, o sítio se situa em Atibaia, que é Estado de São Paulo. Atibaia não é Atobá, uma cidade do Paraná. Não há nenhuma razão para esses processos estarem no Paraná. Como questionamos isso, que o caso não tem nada a ver com o Paraná, o Ministério Público Federal, para contestar nossa exceção de incompetência, escreve setenta páginas. Só pelo fato de ter escrito setenta páginas significa que a tese é insustentável. Guarujá é, de fato, no Estado de São Paulo. Guarujá e Atibaia não são no Paraná. Para ‘provar’ que Guarujá e Atibaia estão no Paraná, os procuradores escrevem setenta páginas. Isso vai ser resolvido pelos tribunais superiores, de modo a colocar as coisas nos devidos lugares. A não ser que tenham mudado Guarujá e Atibaia para o Estado do Paraná.”