quarta-feira, 17 de março de 2010

DO PALANQUE PARA O POVO: "FALA QUE EU NÃO TE ESCUTO"

Tem me chamado a atenção a constância com que tenho ouvido a palavra hermenêutica.
Desde então, eu não consigo parar de pensar na responsabilidade que as autoridades, os sacerdotes, a imprensa, as lideranças populares, enfim, todos aqueles que exercem alguma influência na formação da cultura e da mentalidade da população devem ter com o uso das palavras.
Eu já ouvi alguma coisa sobre os conflitos ocorridos entre aqueles que queriam contribuir para que as pessoas mais humildes tivessem acesso à informação e os grandes pensadores que pretendiam conservar a exclusividade e o protagonismo, relegando a massa a uma condição imposta de eterna inferioridade.
Até os dias de hoje não se percebe grandes sinais de mudança, incluindo a política do pão e circo, que os tiranos adoram, enquanto o povo, tratado como palhaço ou indigente, diz amém.
Assim, a maioria se cala diante de projetos de dominação disfarçados de caridade. E os chamados movimentos sociais, organizados com receitas prontas, oferecem o alimento fácil de digerir, mas não são elaboradas pelos seus componentes como se propaga. São massas sem pensamento próprio e sem voz ativa, apenas obedecem.
Mais triste ainda é perceber que os “doutores” se divertem com a ridicularização do povo humilde, alegando que seu comportamento avacalhado reflete a “cara do povo brasileiro”. Essa desconstrução da imagem de uma sociedade nada tem de positivo.
Por isso, é fundamental discernir o que é hermenêutica ou vulgaridade, o que informa e promove a construção de ideias e ações positivas e aquilo que deforma e desorienta.
Todo cuidado é pouco quando alguém se auto-idolatra e se auto-proclama o interlocutor entre os mais cultos e as massas, se o seu discurso não contribui para a evolução de seus supostos seguidores, principalmente quando gera intriga e divisão, ou pior ainda, a discórdia e até a violência entre grupos sociais distintos.
Assim, assistimos o nosso povo caminhando sem rumo, vítima de uma série de desajustes, como também, a decadência da sociedade com a deterioração dos hábitos e do comportamento.
Se o povo não evolui, o país também não desenvolve, ainda mais com lideranças que promovem o retrocesso, enquanto o resto do mundo avança.
E o Brasil aparece no grupo que fica na lanterna quando são divulgados os índices de desenvolvimento humano.
Se não surgirem lideranças e governantes interessados em desenvolver o potencial de nosso povo, oferecendo oportunidades de crescimento do ser humano, muito mais importante do que os números gelados da economia, só resta nos contentarmos com as migalhas, o crédito fácil e falso, os subempregos e os discursos proibidos para as criancinhas.

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