domingo, 19 de dezembro de 2010

Fatos e Mitos - qualquer cidadão tem condições de discernir, basta ter noção de liberdade

O resultado da última eleição provou que a maioria do eleitorado rejeita o governo lula, apesar de oito anos de continuidade do modelo do governo anterior ao seu, que garantiu uma administração tranquila, pelo menos na economia, pois é só o que interessa numa sociedade cada vez mais irresponsavelmente consumista.
O pós-FHC não acrescentou absolutamente nada nem avançou como deveria.
Ao contrário, não creio que se encontre uma sociedade tão decadente quanto a que vemos por aqui.

Se o aerolula pago com o dinheiro do contribuinte humilha o presidente, sua arrogância não permite enxergar a vergonha de nossos índices quando se trata de qualidade de vida, assistência médica (até o setor privado está uma lástima, os Planos de Saúde nunca faturaram tanto contrastando com a piora dos serviços), as empresas que tanto orgulhavam nosso país, como a Varig e os Correios, ou sumiram do mapa ou estão em processo de falência.

As contas da Petrobrás, por exemplo, não batem com o que é anunciado na propaganda.

Nossos índices em educação, transportes, estradas, infra-estrutura em geral nos envergonham tanto que a imprensa nem divulga.
A segurança, então, é um retrato do que está se tornando o povo brasileiro.
Não vale dizer que é a índole de nossos conterrâneos, mas que há uma forte tendência e aceitação a determinados padrões de comportamento, isso é inquestionável.
Pesquisa divulgada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revela um dado alarmante: 90% dos brasileiros têm medo de serem assassinados ou sofrerem assalto à mão armada.
De acordo com o instituto, este tipo de temor, motivado pelos altos índices de violência e crimes praticados nas grandes cidades do País, tem impacto direto sobre a qualidade de vida das pessoas.
A questão da segurança pública (ou da falta dela) compõe hoje o tripé das maiores insatisfações da população brasileira, junto com educação e saúde.


Tem muita coisa envergonhando o Brasil por falta de governo.
Os índices da Educação revelam nosso maior fracasso, estamos na lanterna em praticamente todos os aspectos avaliados e falta de mão de obra especializada no mercado de trabalho.
Vejam aqui a situação precária dos profissionais da Saúde.

Os profissionais da Comunicação que deveriam fazer um balanço honesto da situação do país, especialmente para reivindicar melhorias na qualidade de serviços oferecidos à população, preferem enaltecer os dados fantasiosos da propaganda governamental.
Criou-se um clima de medo que inibe até os mais atuantes.
Temem, e isso é óbvio, ser vítimas dos ataques que têm derrubado todos aqueles que ousam questionar ou contrariar a vontade do presidente popular.

Antes de comentar sobre as teorias da conspiração criadas na cabeça de quem sempre carregou um saco de pedras para atirar contra tudo e contra todos, vale ressaltar que a omissão da midia e a obediência incondicional ao governo é, antes de tudo, um desrespeito ao povo tão carente de informação e que segue sem rumo porque as principais lideranças priorizam a satisfação de seus interesses e, como diz a obra de Juca de Oliveira, às favas como o escrúpulo.

Voltando às falas do presidente, que intimidam e tentam impor a ideia do pensamento único, editorial recente do Estadão comenta sobre uma de suas infinitas grosserias, como a que aconteceu com o jornalista Leonencio Nossa, baseado no Palácio do Planalto.

As cenas constrangedoras se passaram quando Lula visitava as obras da hidrelétrica de Estreito, no Maranhão, para o fechamento simbólico da primeira das 14 comportas da usina.
Uma dessas inaugurações de placa fundamental que se repetem inúmeras vezes no mesmo local, como pretexto para armar o palanque e poder ser visto diariamente nos noticiários da TV.
Assim, alcança índices artificiais de popularidade provocados por overdose.
Perguntado pelo repórter do Estado se a visita era uma forma de agradecer o apoio da oligarquia Sarney ao seu governo, ele perdeu as estribeiras e reagiu com indisfarçada hostilidade.

O jornal informa que a pergunta “preconceituosa”, artimanha para desqualificar opiniões diferentes das suas, demonstraria que o jornalista não teria aprendido que o Senado é uma instituição autônoma e que, ao se eleger e tomar posse, todo político “passa a ser uma instituição”.
“Sarney não é meu presidente”, emendou.
E o editorial continua sua análise lembrando que Lula domina com maestria o tipo de mentira que consiste em omitir uma parte, a mais importante, da verdade.

Foi ao pai que Lula se dirigiu em dada ocasião para transmitir uma ameaça ao Congresso.
Segundo a história que o presidente contou na sua fala de improviso em Estreito, no decorrer da crise do mensalão, em 2005, pediu que Sarney advertisse os parlamentares da oposição de que, “se tentassem dar um passo além da institucionalidade, não sabem o que vai acontecer”.
Porque “não é o Lula que está na Presidência, mas a classe trabalhadora”

Ou, mais precisamente, porque ele é “a encarnação do povo”.
Não há o mais remoto motivo para duvidar de que isso é o que ele enxerga quando se olha ao espelho.
Luiz XIV teria dito que “o Estado sou eu”.
Era, de toda sorte, uma constatação política - e a mais concisa definição que se conhece do termo autocracia.
Mas nem o Rei Sol, que via a sua onipotência iluminando a França, tinha a pretensão de encarnar os seus súditos.
Não ousaria dizer “o povo sou eu”.
Em psiquiatria há diversas denominações para o que em linguagem leiga se chama mania de grandeza.

Em 2005, a oposição não conspirava para “dar um passo além da institucionalidade” nem o País estava convulsionado por um confronto ideológico que se resolveria pela força.
Os brasileiros, isso sim, estavam aturdidos com as evidências de que o lulismo usava dinheiro que transitava pelos desvãos da política e do governo para comprar votos na Câmara dos Deputados - o mensalão.
Lula não estava nem um pouco preocupado com as instituições.
Queria dar dimensão histórica ao que não passava de um caso de polícia.
Encarnou uma mistificação.

Nenhum comentário:

Postar um comentário