quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Pais de estudantes morto na USP defendem presença da PM

'Nunca ninguém do sindicato ou da USP telefonou', diz pai de aluno morto na faculdade
Flávio Freire (flavio@sp.oglobo.com.br)


"Vi ontem uma mãe na delegacia chorando porque o filho estava preso, mas ele foi preso porque escolheu.
Esses alunos, esses pais, parecem não ter noção do que é chorar por ter perdido um filho.
Talvez, se tivesse policiamento, o meu Felipe não teria sido morto com um tiro na cabeça".


VIDEO: Veja entrevista com os pais do estudante morto na USP

O desabafo, resignado, é de Zélia Paiva, mãe de Felipe de Ramos Paiva, aluno da Faculdade de Economia e Administração (FEA) morto em 18 de maio deste ano no estacionamento da universidade.

Foi em razão desse crime - os dois assaltantes estão presos - que a USP decidiu colocar a PM no campus, revoltando grupos de alunos, que protestaram, invadiram a reitoria, foram presos, soltos no mesmo dia e agora estão em greve.

Zélia, dona de casa, e o marido Ocimar Florentino Paiva, projetista, são a favor do policiamento na cidade universitária.
Para o casal, é inconcebível um protesto que, segundo eles, pode mascarar ideologias questionáveis.

- O que ouvimos da polícia, na época do crime, é que duas quadrilhas sempre agiram livremente lá dentro (da USP).
Tem que ter policiamento, é claro.
Usar drogas é contra lei e tem que impedir.
A USP não pode ser um lugar que atrai traficantes
- diz Ocimar.

Seis meses após perder o filho, ele se emociona ao lembrar que conseguiu, "com com muito custo", construir a casa em que cada um dos dois filhos teria seu quarto, e que ele teve um sonho interrompido: os dois se formariam no ano que vem.
Ocimar cursa Engenharia Elétrica numa faculdade privada.

Na sala do sobrado recém-erguido numa rua simples de Pirituba, na periferia de São Paulo, o pai de Felipe sofre com as manifestações de alunos em pé de guerra com a USP.

- Eles (manifestantes) dizem que os alunos da FEA, da Poli e da Medicina não fazem protesto porque são filhinhos de papai.
Você acha que somos ricos?
Eles nem sabem contra quem ou contra o que estão protestando.
Meu filho nunca fez protesto porque trabalhava desde cedo e estudava nos fins de semana para entrar e se manter num curso muito concorrido
- diz, perdendo a voz, esfregando os olhos, já amparado pela mulher.

Uma cena do noticiário dos últimos dias não sai da cabeça do casal: advogados na porta do 91 DP, para onde foram levados os manifestantes, felizes porque um sindicato conseguiu arrecadar R$ 39 mil para pagar a fiança coletiva.

- Arrumaram quase R$ 40 mil para tirar da cadeia alunos que não queriam nem sair, enquanto faz seis meses que meu filho morreu e nunca ninguém de sindicato ou da USP deu sequer um telefonema para nós.
Recebemos só o telegrama de um professor do Felipe, em nome dele e de alunos da classe.
Foi a única manifestação de solidariedade
- conta Zélia, ainda de voz firme.

A tragédia que se abateu na família criou um trauma.
A filha mais nova do casal, de 21 anos, desistiu de prestar vestibular para Medicina na USP, pelo menos por enquanto.

- Precisamos retomar nossa vida, mas tem coisas que marcam muito a gente.
Tem seis meses que o quarto do Felipe está do jeito que ele deixou, não conseguimos tocar em nada.
Estamos pensando até em vender a casa para tentar recomeçar a vida longe de algumas lembranças
- afirma Ocimar, que mensalmente paga as despesas do carro do filho, protegido com uma capa no quintal da casa.
O passaporte de Felipe, emitido cinco dias antes do crime, é guardado pela família.

- Meu filho queria viajar pelo Brasil, mas também conhecer o mundo.
A insegurança interrompeu o sonho dele.
O país todo precisa ter mais segurança, e a USP, também.
Ou vão esperar acontecer nova tragédia?
- indaga o pai.

Felipe de Ramos Paiva, assassinado na USP

Um comentário:

  1. Quem está com a razão? Um bando de maconheiros e "cheiradores" querendo provar que fazem parte de um Estado democrático de direito, ou uma comunidade estudantil digna que quer manter a ordem, pensar no futuro do país e querer um pouco de segurança para poder seguir o seu caminho? É óbvio que não há o que discutir! No entanto, também é intrigante saber que há incontáveis bairros de classe média espalhados pela cidade que vivem a carregar nas costas o labéu de "periferia social", por conta da habitualidade e do "vício"de alguns jornalistas, repórteres e de pessoas que nunca sequer pisaram neles!Quando não ocorre algo de real importância, digno de sair numa tela de TV, ou numa revista formadora de opinião, aí a periferia perde esse sentido e torna-se apenas geográfica, reforçando tal entendimento!A imprensa tem sim grande responsabilidade não só por aquilo que divulga, mas sobretudo, de como divulga! A matéria parece querer mostrar que o estudante é de família "humilde", (humilde?) Defina-se então a condição de humilde! A verdade é uma só,gente humilde não dirige carro blindado e quem estuda na USP normalmente é sim de classe favorecida! Quantos são os estudantes de classe baixa, cujas famílias não têm condições de pagar um bom colégio e de fazê-los passar no vestibular mais concorrido do país? A família é digna de merecer compaixão? Claro que sim, mas porque perdeu um de seus entes mais queridos e não por ser pobre! Deixo claro, com isso, que
    jamais quero defender arruaceiros, mas venho notando, com frequência, que muitas vezes o que a mídia quer é causar uma espécie de catarse, especialmente quando aborda o tema "Pirituba". Quando o assunto envolve algum atleta, artista ou até mesmo alguém comum que mora nele, é quase sempre visto como digno de pena e "compaixão"! No entanto, enquanto "distrito" tem sua vilas problemáticas e seus pontos fracos, mas conta com verdadeiros redutos de qualidade de vida que curiosamente não aparecem em nenhuma mídia,(talvez porque não interessem à tal "catarse"). É basicamente ocupado pelas classes "B"(41%) e "C"(50%), estando as classes "A" (4%) e "D" (5%) nos dois extremos. De todas as reportagens que acompanhei na TV, em nenhum momento houve sequer o esclarecimento do porquê dessa minoria baderneira não querer policiamento na USP! Ninguém esclareceu abertamente isso! Por outro lado, acontece com frequência escancarada quando o assunto é "Pirituba", de o bairro ser tratado com o fatídico erro de se "atirar no que se vê e de se acertar no que não se vê! Se muitas das impressões reais negativas são feitas de "maconheiros" e de "filhinhos de papai" , na mesma proporção, o fazem também (e erradamente) de certos bairros paulistanos, mas que têm o mesmo peso na mira diante do disparo: o "preconceito"! fonte: www.nossasaopaulo.org.br/observatorio/biblioteca/DnaPaulistanoNoroeste.pdf

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