terça-feira, 21 de janeiro de 2014

GUERRILHEIROS NO GOVERNO SÃO BONS NA CUBA QUE OS PARIU

SER OU NÃO SER A DILMA, EIS A QUESTÃO

Jorge Oliveira

No começo a Dilma ainda tentou governar, imprimir sua marca na administração. Chegou a ostentar o título de faxineira moral por limpar a Esplanada de alguns ministros corruptos da era Lula. Parecia que iria impor a sua personalidade forte nos trabalhos diários do país. Enganou-se quem apostou nessa fúria patriótica da ex-guerrilheira. Em pouco tempo, o governo passou às mãos do Lula e dos petistas que manobram a presidente desde que ela se assanhou em assumir de fato o cargo.

Os prepostos dos ministros banidos em pouco tempo voltaram a ocupar espaço, a bandalheira voltou escancaradamente, a Polícia Federal foi acionada várias vezes para algemar assessores desonestos até no Ministério da Fazenda, encarregado de cuidar das finanças, e o país continua assustado até hoje com o poder que Lula tem no governo. Nada acontece no Palácio do Planalto sem o conhecimento dele. Nos últimos dias até reunião na Caixa Econômica ele fez para posicionar o banco nos trabalhos petistas pré-eleitorais.
A Dilma não mexe numa só agulha sem consultar o ex-presidente. Já chegou, inclusive, a usar o avião presidencial para ouvir o Lula em São Bernardo, onde ele mantém residência. A partir desta segunda-feira, a presidente começa uma série de reuniões com Lula para mexer no ministério. Mexer, na verdade, em tese, porque o ex-presidente já apresentou o nome de Josué Gomes da Silva, filho ex-vice-presidente José Alencar, para o Ministério da Indústria e Comércio no lugar de Fernando Pimentel, candidato ao governo de Minas. Lula mantem bom relacionamento com o empresário têxtil de quem usa o jatinho para suas conferência.
O outro nome é do obscuro Arthur Chioro, secretario de Saúde de São Bernardo, para assumir o Ministério da Saúde no lugar de Alexandre Padilha. Ele foi diretor do Departamento de Atenção Especializada do próprio ministério na gestão petista de Humberto Costa, protagonista do escândalo da “Operação Vampiro” que descobriu um desvio de quase 30 milhões de reais do ministério. Entre os envolvidos nas negociações ilícitas constava o nome do ex-diretor tesoureiro do PT, Delúbio Soares, que interferia nas negociações das compras de remédios.
À Dilma coube apenas aceitar parcimoniosamente as indicações. O Brasil tem então  duas sedes de governo: em São Bernardo, onde de fato as decisões são tomadas, e outra, decorativa, em Brasília. Mas não é apenas para o Lula que a presidente se curva. O presidente do PT, Rui Falcão, passou a ter surpreendente poder em Brasília, depois que Lula determinou que ele se responsabilizasse pelas alianças no país para a reeleição da Dilma. Diante desse poder paralelo, cabe a presidente apenas a tarefa da campanha e algumas viagens para o exterior como as que realiza esta semana para Suíça e Cuba.
No país dos irmãos Castro, a presidente vai fiscalizar as obras do porto Mariel, onde o BNDES enfiou 682 milhões de dólares, quinze vezes mais do que foi investido nos portos brasileiros, praticamente à fundo perdido no empreendimento porque esse dinheiro jamais voltará para o Brasil. Como tudo isso não bastasse, o governo petista ainda adotou uma clausula de silêncio ao contrato que impede aos brasileiros de saber realmente quanto foi investido na obra e de que forma esse dinheiro será pago. Acordo como esse, que envolve dinheiro público sob sigilo, só se faz quando estão envolvidas duas republiquetas de bananas, onde o povo é o que menos sabe.

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