quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

O danoso aparelhamento das agências

O Globo

O vazamento de petróleo na Bacia de Campos e o acidente desta semana com um catamarã na Baía de Guanabara são exemplos de como as agências que regulam os dois setores não cumpriram, como deviam, o papel de fiscalizar o funcionamento das empresas responsáveis pelos serviços.
Falhas na supervisão de atividades essenciais não são novidade no país.

Ao contrário, elas têm se sucedido com preocupante constância, e em praticamente todas as áreas, resultado de um danoso processo de aparelhamento político que o lulopetismo montou a partir de 2003, na esfera federal, e que contaminou administrações desses órgãos também em estados.

Agências criadas como fundamentais instrumentos de apoio à reforma gerencial e privatizações durante o governo de Fernando Henrique foram esvaziadas (caso da Agência Nacional de Transportes Terrestres, ANTT, que chegou a ficar por 22 meses sem preencher os postos de três de suas cinco diretorias) e/ou empalmadas por partidos da base aliada do PT (como a Agência Nacional de Aviação Civil, Anac, loteada por apadrinhados e que pilotou a tragédia do voo da TAM em 2007, em Congonhas, e o apagão aéreo de 2006/2007; e a Agência Nacional do Petróleo, ANP, doada a camaradas do PCdoB).

Essa adulteração do papel das agências não é obra do acaso.
A seu tempo na Presidência, Lula chegou a considerá-las uma forma de terceirizar o poder.


O tom é inequívoco: trata-se de deliberada ação de desmonte de uma estrutura reguladora que deveria ser preservada, e até fortalecida, para funcionar como um dispositivo eminentemente técnico de Estado.

Mas, desde 2003, por conta da política de aparelhamento, órgãos que deveriam fiscalizar e regular atividades essenciais, intermediando conflitos entre usuários, empresas e poder público, substituem normas dos estatutos pelas nomeações do Diário Oficial.

As consequências são sérias. No caso recente do vazamento em Campos, descobriu-se que, até o momento do acidente, a pouco mais de um mês para o fim do ano, a ANP desembolsara apenas 63% do previsto no orçamento de 2011 para fiscalizar as atividades de exploração e produção de petróleo no país.
Mais: o valor destinado a essa função é inferior ao que a Petrobras gasta para bombear cafezinhos para as xícaras em suas repartições.

(continua)

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