quinta-feira, 21 de março de 2013

CONFIANÇA, EXPECTATIVAS E INVESTIMENTOS

Murillo de Aragão 

O governo vem enfrentando uma séria ameaça de crise de confiança por parte do setor privado. Tal ameaça se evidencia pelo aumento de críticas às iniciativas do Executivo, bem como à sua incapacidade de fazer a economia funcionar com mais vigor e, ainda, à possibilidade de a inflação continuar a subir. E isso é tudo o que o governo não gostaria de enfrentar no início da campanha eleitoral à Presidência da República.

Mesmo que previsões negativas não se concretizem, os países costumam ser profundamente afetados por expectativas. Além de gerenciarem medidas concretas destinadas a aquecer a economia, governos devem gerenciar expectativas. Como fazê-lo? Não é tarefa simples em um país como o Brasil.

Primeiro, pelo fato inconteste de que, aqui, o governo ainda é maior que a sociedade. Tal fato coloca a sociedade em posição subalterna nas suas relações com o poder constituído. E a disposição do Executivo de ouvi-la é afetada por esse desequilíbrio histórico.

O governo age para tutelar a sociedade e não para servi-la. E age em muitas frentes. Temos o governo empreendedor. O governo financiador. O governo regulador. O governo que faz as leis. No final das contas, as prioridades são definidas pelos interesses múltiplos do governo e não da sociedade.


O segundo aspecto é que o governo atual restabeleceu uma prática histórica de ser pouco transparente e muito voluntarista. As decisões recentes no campo da infraestrutura são provas desse voluntarismo. Mesmo quando tinha razão, como na questão da renovação das concessões de energia, o Planalto não soube ou não quis dialogar de forma adequada.

O terceiro aspecto reside na baixa condição de reflexão política da imensa maioria do eleitorado, que, satisfeita com o que recebe, pouco critica ou sequer se posiciona de forma clara a respeito do debate político. 

Com um povo omisso ou desinteressado, a supremacia governamental é ressaltada frente à sociedade civil.

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