sexta-feira, 22 de março de 2013

POR QUE TANTA PREOCUPAÇÃO COM QUEM NÃO É CANDIDATO?



Leio matéria do Estadão que, em novo lance à corrida presidencial, enquanto tenta correr dos pegajosos Lula e Dilma, sempre no seu encalço, Eduardo Campos se aproxima de Jo Serra e deixa Aécio e PT inquietos.
Aécio Neves, o presidenciável do PSDB, ficou ‘estupefato’, segundo aliados.

Confesso que não entendi, afinal, Aécio e Campos têm encontros frequentes e não creio que alguma vez tenha pedido permissão a Serra ou ao presidente do partido para se reunir com quem quer que seja. Aliás, Eduardo Campos tem sido um de seus principais aliados em Minas, junto com o PT, coisa que Serra nunca fez.

O mesmo Aécio nunca viu problema algum em articular essa geleia indigesta nas alterosas, que culminou no voto "Lulécio", em 2006 (a parceria resultou no voto em Aécio para governador e em Lula para presidente), e na geringonça que chamaram de "Dilmasia", que não deu azia nos mineiros ao engolirem a sigla. A grande maioria dos eleitores daquele estado votou em Dilma para presidente e no candidato de Aécio, Anastasia, para governador em 2010. O tucano reclama do que, então?

Outro buchicho que se espalha como brasa é que Serra ameaça a candidatura de Aécio em 2014. Serra foi totalmente excluído das decisões do PSDB, só conseguiu ser candidato em 2010 porque Aécio desistiu, talvez pela certeza da derrota. Se não dão importância à sua opinião, que diferença faz o seu apoio?

Serra tem sido um fiel tucano a serviço do partido, até mesmo quando caíu na armadilha de ser prefeito, ainda em 2004, provavelmente pressionado pelo argumento de que, se não fosse ele o candidato, o PT venceria em São Paulo. Vencedor, garantiram que ficasse fora da eleição à presidência da República em 2006. Mesmo assim, partiu do próprio PSDB o mote de que Serra havia abandonado a prefeitura, quando foi para o governo do estado, fator decisivo para sua derrota em 2012. Isso se deu quando Alckmin foi candidato a prefeito, em 2008, porque Serra não concordava com a crítica dos tucanos à gestão de Kassab, pois na época o que estava sendo avaliada era a própria gestão de Serra na prefeitura.

Em 2012, a história se repete e é lançada uma pá de cal na carreira política de José Serra. Haddad teve apoios imbatíveis, da imprensa, das igrejas, dos artistas, de muita gente que exerce forte influência na opinião pública. Serra, sem envolvimento nem dos companheiros de partido em sua campanha, foi novamente para o sacrifício para não ser responsabilizado pela possível derrota se o candidato fosse outro. Junta-se a isso a onda do VOTO NULO, que só ajuda o PT que tem seus votos garantidos, não deu outra, foi derrotado.

Quanto à reação do PT ao encontro de Serra e Campos, a imprensa cita a frase do deputado federal e secretário-geral do PT, Paulo Teixeira:"O eleitor nordestino é petista e dilmista e não vai entender Campos em oposição a Dilma".

Os petistas também citam a pesquisa CNI/Ibope, divulgada na terça-feira, para afirmar que Campos não conseguirá viabilizar sua candidatura porque acreditam que a popularidade faz com que Dilma seja imbatível diante de qualquer outro candidato.

Falta lembrar que os candidatos apoiados por Eduardo Campos venceram os candidatos petistas em 2012. Apesar de toda a força da máquina do governo e os apoios de peso a favor do PT, as vitórias do PSB foram significativas, principalmente no Nordeste, com a vitória praticamente em todas as capitais. Isso prova que os nordestinos estavam mais atentos a certos acontecimentos, como o julgamento do mensalão, e tiveram muito mais força de reação do que os paulistanos, que entregaram a prefeitura a Haddad. 

Reinaldo Azevedo, como sempre, consegue expor de maneira objetiva o que não conseguimos comunicar com tanta clareza.  
Por isso sempre indico seus textos. Aos fatos, não deixem de ler:

Eduardo Campos, o encontro com Serra e reações fora do lugar 

Encontro Campos-Serra – Um pouco de lucidez não faz mal a ninguém

Eu confesso que, de agora em diante, voto em quem tiver condições de derrotar o PT, mas não vou me desgastar com futuras campanhas porque o melhor presidente que o Brasil nunca teve não tem vez no país da malandragem e das maracutaias. Abriria uma exceção se o candidato fosse Álvaro Dias, mas sei que está completamente fora de cogitação pelos mesmos motivos que a "politicada" não apoia Serra.

Isso tudo que eu relato acima é fato, não é minha opinião pessoal. Está tudo registrado, basta entender, no máximo interpretar o que está subentendido, porque é mais claro que a luz do sol. O problema é que a claridade é tão intensa que ofusca.

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